Ano: I / Nº 09 - Miguel Calmon, Junho de 2002

"Ai que saudades que tenho das noites de São João"

Por Marcelino Pintho
Junho de 2002

D de desamparo, desrespeito, desolação, desagrado, descrença, detrimento. Ou, "na boca do povo", abandono com prejuízos. A luta pela afirmação de nossa cidade no cenário baiano em relação ao São João (prioridade para as festas populares) tem sido uma longa jornada de erros e acertos. Enquanto nossos vizinhos buscam o aperfeiçoamento gradativo de suas tradições, fortalecimento de suas atividades culturais e turísticas na divulgação da música e costume nordestinos, Miguel Calmou dá passos à frente e pulos atrás. Em relação aos principais dias do festejo junino realizado na praça principal, com toda a estrutura, amparo, suporte e sucesso, nada a declarar, senão elogiar sem comedimento. Minha bronca, porém, está centrada na não continuidade de um projeto, costume e tradição de força avassaladora. O mês de junho é o mês da renovação, o intervalo de um jogo de 12 tempos: ou viramos o jogo dali em diante ou esperamos pela próxima partida. Junho é o intervalo! É a chuva, a esperança, o verde que floresce. Do chão de junho brotam homens, milho, feijão, fé. Enquanto não chega o dia D dos palcos e performances dos grandes centros, a gente se arruma e se ajeita nos bairros, nos povoados, nas ruas, nas periferias - forró grito, arraia, forró nos bairros, concursos de quadrilhas, arrasta-pé e tantas outras denominações não conseguem adjetivar a mobilização que existe em torno dessa tradição. E nesse período que podemos contemplar nos olhos de cada cidadão calmonense a alegria crua e viva de estar participando e celebrando, enriquecendo e relembrando a cultura nordestina: sons, choros, gritos, trinados, rouquidão, vestimenta, co-mes, bebes... Vem à memória a grandeza, o "ser antes de tudo, forte", a herança de um povo.

Mesmo sem saber explicar, está ali um código, uma força da grandeza humana. E nessa hora de festejo que nos mostramos irmãos, fraternos, dividindo em nossos lares a canjica, o licor, o milho, a pamonha, nossos corações. Dançamos juntos, nos travestimos, pintamos e bordamos. Estamos mais abertos à comunhão: competimos para mostrar que somos mais alegres, extrovertidos e criativos, não os mais eficientes ou capazes. Com a extinção dos forrós nos bairros que antecedem aos dias principais do Arraia Calça Curta, Miguel Calmon perde feio!

A partir do pedido de representantes da educação municipal e o aval da administração do evento, aboliu-se, deletou-se a realização dos forrós nos bairros durante o mês de junho. A educação associa a falta às aulas aos forrós e como consequência, um alto índice de reprovação no final do ano letivo. Ou seja, com o forró nos bairros os alunos faltam mais. A partir dessa logística, os campeonatos municipais, estudantis .estaduais e o Brasileirão de futebol, transmitidos pela televisão, aniversários, comícios, cultos e procissões estão ameaçados... Está na hora de admitir que tem gente apostando no cavalo errado. De um lado, a consciência do público que frequenta a escola à noite, suas aspirações, sonhos, dificuldades em permanecer e de aprendizado. De outro, há um caos generalizado na educação brasileira (vide greves e rei-vindicações em lodo território nacional) que se fundamenta no item quantidade e nega condições de qualidade, falta com um planejamento adequado ao profissional e ao estudante e prima pelos números maquiados e negligencia prioridades. Enquanto isso, músicos deixam de trabalhar e divulgar suas músicas e a festa (propaganda é alma e sangue). Uma série de empregos, trabalhos indiretos ficam estancados: as baianas do acarajé, o pipoqueiro, o cachorro-quente, o pastel, os capetas, os vendedores de fogos de artifício, bares improvisados, artistas e afins ficam no prejuízo. Já pararam pra pensar que muita gente pode ter se preparado para "trampar" o mês in-teiro? Nem falo no tédio que arrasa nossa cidade nessas noites frias que antecedem ao 24 de junho... Pensar além é a grande tacada, pois o que precisamos é investir numa viagem cada vez mais ousada, cada vez mais pensada coletivamente. Se o São João da nossa cidade quer ser grande tem que ser jorrado de ousadia, planos, inovações e coragem e nunca, nunca, medo de desagradar a um, a outro, a alguns, pois o medo de errar é uma cagada. À Lua Luiz Rei do Baião Gonzaga e ao povo calmonense peçam vastas desculpas por tamanha judiação.

RS. Marcelino Pinto está de férias curtindo o São Pedro de Andorinha, no Arraia Morro do Gato.

Editorial

Por Vírus
Junho de 2002

E se estamos no rumo certo? Temos sido pessimistas? Otimistas? Será que erramos? Acertamos? E a coerência? Razão? Emoção? O que fala mais alto? O que mais incomoda? O que menos importa? O que escrever? Somos loucos? Queremos aparecer? E os riscos? Os inimigos? E a lucidez? Elogios? Afetos? Desafetos? Continuar? Desistir?

Enfim, uma avalanche de perguntas desabam sobre nós diariamente, provocando naturalmente uma aceleração na maturidade, o que é muito bom, e um desejo de corresponder às expectativas crescentes.

É profundamente salutar ver frutos de um trabalho tão recente. Prova que plantamos em solo fértil, produtivo, carente de pensamentos, reflexões da retórica.

Somos um povo disparadamente, desde o mais jovem ao mais velho, à frente no que diz respeito à arte.

Somos artistas de um novo tempo, de uma nova era, de um novo milênio. E a nossa arte em particular teve uma aceitação surpreendente dos que tiveram acesso em Jacobina. Temos de lá dois correspondentes. Sem contar que agora teremos um brilhante correspondente em Salvador, Evandro Miranda, que achou bela a iniciativa e a forma crítica do Jornal e esporadicamente se dispôs a escrever para o Vírus.

Estamos caminhando. Devagar e sempre.

Na edição anterior o texto "Ronan Mota" é de autoria de Hilda Requião.

As armadilhas do discurso

Por Gilmar Guimarães
Junho de 2002

Numa região montanhosa da India, dialoga um discípulo com seu mestre, enquanto admiram a bela paisagem que se apresenta. Afirma o discípulo: - Oh! Quão fantástica é a natureza. Indaga-lhe o mestre: - Tens certeza? - Absoluta. Afirma o discípulo, resoluto. Torna-lhe o mestre: - Ora, meu querido, certeza absoluta é redundante, ou porventura não tens lido Descartes, o qual afirma que só se chega a uma certeza depois de esgotadas todas as possibilidades de dúvidas? Logo, toda certeza é absoluta. O discípulo atônito com a explicação, pergunta ao mestre: - Mestre, tens certeza que foi Descartes quem disse isso? O mestre responde decidido: - Absoluta. A pequena fábula que acabas de ler, prepara o terreno para a introdução do assunto que de fato pretendo enfocar: as armadilhas do discurso. Tenho visto pessoas "bem intencionadas", cheias de "fome e sede de justiça" que lutam incansavelmente, combatendo a todo tempo os discursos capitalistas, preconceituosos, racistas e patriarcalistas da classe dominante que, de maneira inescrupulosa, tenta se impor sobre nós. Ao fazê-lo, poriém, essas pessoas, utilizam-se de ideias e argumentos que ao invés de refutar o discurso a que elas se opõem, acabam por reforçá-lo. Vejamos alguns exemplos de textos publicados nesse mesmo jornal. É o caso do "educador" Leandro Michel, que no seu artigo intitulado, "por uma escola formadora de cidadãos e cidadãs (parte 1)" (Ed. n.º 8), escancara sua indignação diante das medidas que o governo vem tomando para "melhorar" a educação. Dentre essas medidas, Leandro critica a separação do ensino médio do profissionalizante. É sabido que o ensino profissionalizante é oriundo da visão tecnicista de educação que imperou nas décadas de 60 e 70. Naqueles tempos de ditadura, importava aos militares, formar técnicos para empresas e não cidadãos conscientes, pensadores... Ainda bem que nos libertamos disso, e hoje a LDB (Lei de *Gilmar Guimarães Diretrizes e Bases) prevê, no seu artigo 2º, um ensino que, primeiramente, prepare o educando para o exercício de sua cidadania.

Não é de se espejar, evidentemente, que um educador progressista, defenda uma ideia cultuada pelos ditadores, logo infere-se daí que ele tenha sido vítima das armadilhas do discurso. Outro exemplo é a coluna de português assinada pela gloriosa professora Hilda Requião. Detemo-nos na análise, apenas, do título: "Falar bem é viver melhor". Se esta afirmativa é verdadeira, supõe-se que ninguém nesse mundo vive melhor que os professores de português. E o que dizer, então, dos gramáticos? "São os seres mais felizes da terra..." Em contra partida, o restante dos brasileiros que não têm o domínio da norma culta (pois falar bem aqui implica domínio das regras gramaticais), está condenada à penúria. No entanto, eu conheço fazendeiros que, sequer, assinam o próprio nome e que vão muito bem obrigado (não estou, com isso, incentivando ninguém a não estudar, muito pelo contrário). Ah! Professora, se encontrares algum "erro de português" no meu texto, estejas à vontade para corrigi-lo, afinal, eu também não estou isento das armadilhas do discurso. Por último, tenho um aviso para você, caro leitor: Se você curte um pagodezinho, ou é chegado a um forró, samba ou coisa do género, Fique atento! Você poderá arder eternamente no "mármore do inferno", juntamente com seu forró, pagode ou coisa do gênero... Pois, segundo as charges estampadas frequentemente, nesse jornal, pelo aclamado desenhista José Marcos, tudo que se pode entender sobre a polissêmica palavra música, resume-se a Rock and roll. No mais, vamos bem! Resta-nos, apenas, vigiar constantemente nossas teorias, revermos nossos conceitos e preconceitos, para que porventura, não sejamos apanhados em alguma "armadilha do discurso", tal como aconteceu com Agatão diante de Sócrates em O Banquete, de Platão.

*Gilmar Guimarães é graduando em Letras pela UNEB

"Falar bem é viver melhor"

Por Hilda Requião
Junho de 2002

Bem, queridos leitores, estamos de volta ainda com a questão da regência verbal. Observe:

Você assistirá os jogos da copa?

Ou,

Você assistirá aos jogos da copa?

Se você estiver vendo os jogos, então você assistirá aos jogos; porque no sentido de ver o verbo assistir é transitivo indireto e exige a preposição a.

Mas se você estiver no Japão prestando serviço (quem sabe um técnico, um gandula...) para a realização dos jogos, aí sim, você estará assistindo os jogos. Porque o verbo assistir no sentido de prestar serviço é transitivo direto e não exige preposição. E ai?

Você assistira às festas juninas? Ou,

Assistirá as festas juninas?

Boas festas (Hilda Requião)

Carta do Leitor

Por Cristiani Silva
Junho de 2002

No último número deste Jornal foi publicado o texto "Né brinquedo não", assinado por Gleide Vital, minha ex-aluna. Apesar de ter tido o prazer de ser professora dela, não me senti nem um pouco ofendida pela incompetência que ela corajosamente denunciou, pelo contrário, me senti incluída nos agradecimentos, pois tenho consciência do trabalho que faço. Nunca escrevi neste Jornal, mesmo sendo uma admiradora especial, pois o criador da ideia é o meu grande amigo Leandro, pelo simples fato de que conheço as diminutas "massas cinzentas" de alguns cérebros calmonenses. Prefiro então ter os meus conceitos guardados e me manter o mais longe possível do "Clube dos que não entendem o que lêem",

(Aliás, como tem crescido o número de sócios). Entretanto, algumas pessoas vieram me perguntar se era verdade que pedi a Gleide para assinar em meu lugar (Alguém bem medíocre pensou isso). A você, que não me conhece, esclareço que se eu tivesse escrito o texto, provavelmente citaria os nomes dos incompetentes, mas como não disponho de provas cabais, apenas vou concordar com a minha amiga e ex-aluna. E ainda acrescento: Se você se sentiu ofendida por que não dá uma revisada na sua postura como educadora? Né brinquedo, não!

Cristiane Silva (Pró Titi)

Entrevista

Por Vírus
Junho de 2002

Dr. Vilobaldo Nascido numa roça, alfabetizado em casa (no Mocambo), desloca-se para Salvador já no segundo ano do segundo grau. Trabalhando de dia e estudando à noite, em colégio público, fez vestibular para Direito após ter feito cursinho pré-vestibular, por não confiar em seu preparo adquirido em escola pública. Passou em diversos concursos para trabalhar em agências bancárias. Formado, veio advogar em Miguel Calmou, com enorme sucesso. Elege-se vereador, por vontade popular. Amado e odiado por ser um homem de opiniões fortes. Recebeu O Vírus em sua residência num bate-papo sério e descontraído.

Vírus - Qual a sua opinião a respeito do Vírus e da imprensa de um modo em geral?

Dr. Vilobaldo - O Vírus é uma semente que foi plantada na hora certa. Acredito que germine e cresça e, acima de tudo, cumpra o seu papel. Com relação à imprensa não me lembro quem, mas já se disse que a imprensa "é os olhos de uma nação", o quarto Poder, e diria que hoje no Brasil se você tirar a liberdade de imprensa e o Ministério Público, o caos se instala. Porque é quem tem, na verdade, contribuído para que o país trilhe pelos caminhos da moralidade, seriedade, transparência. Tanto que nos regimes totalitários a primeira medida adotada é aniquilar a liberdade de imprensa.

Vírus - Tendo participado do Jornal Calça Curta o Sr. acha que existem semelhanças entre ele e o Vírus?

Dr. Vilobaldo - Sem dúvida que sim. Eu às vezes me vejo em vocês, mesmo existindo uma relativa diferença de idade, que não é grande. Mesmo porque há na gente muita força, disposição, vontade de mudar, de transformar o que for preciso. Mas os passos que vocês vêm dando, esses mesmos passos foram dados por mim e tantos outros companheiros que aqui estão ou se desgarraram por força da sobrevivência. Eu acho muito salutar que isso esteja acontecendo porque eu me vejo nessa juventude de hoje. E percebo que na cadência dos fatos históricos eles se repetem como se fosse uma roda gigante.

Vírus - qual o motivo do fim do Jornal Calça Curta?

Dr. Vilobaldo - Quando um grupo de pessoas se reúne para um objetivo comum é natural que, durante algum tempo, elas tenham disponibilidade para aquilo que se propuseram. Depois se casam, passam em concursos em outras cidades, outros por algum motivo são tragados, por uma circunstância, por um grupo político, por uma questão de parentesco, de vínculo com determinada pessoa. Então, são vários fatores que contribuem para a desagregação de determinados grupos. O importante é ter a capacidade de ir renovando e recrutando pessoas para continuar o trabalho. Porque certamente nem todos vão continuar pelo tempo desejado. Se não tiver cuidado, depois de um certo tempo as pessoas terminam achando que já deram a sua contribuição. Não acaba de vez, mas começa a se esvaziar e enfraquecer.

Vírus - Já que o Sr. falou em poder dominante existe alguma diferença do poder dominante daquela época para o de hoje?

Dr. Vilobaldo - Muita! A diferença do poder dominante sempre vai existir. Os desvios, os equívocos eram tremendos no passado. O que às vezes a gente assiste na televisão, que parece longe daqui. A gente já teve tudo aquilo aqui bem pertinho. E era exatamente contra esse estado das coisas que nós éramos incompreendidos. Mas quem alcançou os governos passados e convive hoje com a administração de Caca, que não é perfeita, mas o avanço, em todos os sentidos, é de anos luz, inquestionável. E mesmo as pessoas que não aceitam a coligação não conseguem contestar. Porque antes não havia transparência, hoje há transparência; antes não havia austeridade, hoje a austeridade beira o absoluto, mas é bom ressaltar que a corrupção em Miguel Calmon não acabou, ela não está presente. Caca consegue ser austero e busca, prega e pratica isto. Antes havia perseguição, hoje não há.

Hoje se respeita os contrários, se respeita as divergências, até porque não se busca a unanimidade. Há exemplos de alguns números do Jornal Vírus. A Câmara andou sendo incomodada, alguns colegas sentiram-se incomodados e eu me impus na condição de bombeiro, mostrando às pessoas que eu não estava vendo a maldade. Até porque somos passíveis de critica mesmo. E quem quiser fazer vida pública e se imaginar que não vai ser criticado, é melhor não fazer vida pública.

Quando entrou a política na sua vida?

Dr. Vilobaldo - É da própria essência do advogado, e até porque ele é procurado, provocado, ou mesmo que eu não quisesse, injustiças vinham ao meu escritório. Confissões de injustiçados e perseguidos. Quer pelo poder político ou policial. E essa área te conduz inevitavelmente a ser formador de opinião e naturalmente você vai conquistando um espaço, formando uma liderança. Sem nenhuma pretensão. Portanto, você jovem, recém-formado, é até uma tendência natural de por ele ser livre, independente, querer que nos outros também o sejam. Aí quando você fala, provoca reações, e quando provoca reações de um lado você consegue agregar naturalmente pessoas do outro lado. Pois as benesses do poder não conseguem acobertar a todos e são os excluídos então que começam a formar fileiras aí então surgiu a ideia da fundação de um partido político, o antigo MDB, porque aqui existia uma polarização entre dois partidos ligados ao governo central, o PDS 1 e o PDS 2, sucedâneos da ARENA 1 e da ARENA 2. Aí chegamos e fundamos o terceiro grupo. Com o tempo a oposição cresceu com candidatos a altura de ganhar as eleições, mas por uma série de fatores que terminou se fazendo uma coligação e hoje se tem um retrato desenhado aí com Caca.

Vírus - Diante de tudo o que o Sr. colocou não seria uma contradição ter criado uma oposição e hoje não ter mais essa oposição?

Dr. Vilobaldo - O que significa ser opositor? Acho que ninguém deve ser opositor de carteirinha. Gostaria de esclarecer o que aconteceu. No momento em que Caca foi candidato, nós tínhamos um candidato à altura para disputar as eleições e ganhar. Como pretendíamos mudar, naquele momento só tínhamos duas maneiras: disputar correndo o risco de ganhar ou não. Se ganhássemos, as mudanças seriam feitas. A outra maneira de mudar era fazer o acordo que se fez, preterindo naturalmente algumas pessoas e não correr o risco de perder e permanecer os desmandos. Agora, nem nós mesmos esperávamos que Caca fosse o que terminou sendo. Ele superou todas as expectativas, confesso honestamente: CACA É O MELHOR PREFEITO DA HISTÓRIA DE MIGUEL CALMON.

Vírus - Em algumas pesquisas informais, que fazemos em rodas de amigos, questionamos sobre o trabalho do prefeito, a atuação da câmara e os resultados são sempre os mesmos: Uma ótima popularidade do prefeito e uma péssima imagem da câmara. Sendo vereador, o Sr. não se incomoda?

Dr. Vilobaldo - Particularmente, não. Não me sinto atingido, multo embora faça parte da Câmara de Vereadores. Pois minha postura tem sido pautada sempre na ética, transparência, no servir. Não sou o melhor, mas procuro fazer política de forma diferente, sem os vícios do passado. Gostaria de aproveitar e dizer que nem sempre as críticas são 100% procedentes e que, às vezes, a sociedade leiga pergunta:

- E o vereador está fazendo o que? A verdade é que as Câmaras de Vereadores quase não têm competência legislativa para atuar. Porque todas as áreas que você imaginar, são de competência do Congresso Nacional. Não sobra quase nada para as assembleias legislativas estaduais e municipais. O que sobra para nós é o IPTU, que já está regulamentado, o Código de Posturas, que são pequenas leis que já existem e só aperfeiçoamos quando necessário.

Vírus - Então ficou fácil ser vereador?

Dr. Vilobaldo - Não! Eu diria que perdeu a graça.

Vírus - O Sr. não percebe que é notória a ausência da câmara na atual administração? A não participação, a ausência de projetos, o não se fazer presente, não levantar uma bandeira, não seria uma imparcialidade muito grande? Afinal é isso que a comunidade tem visto, uma Câmara improdutiva.

Dr. Vilobaldo - Eu não diria que é bem assim. Nós estamos próximos a ter um centro cultural em Miguel Calmon, de Primeiro Mundo. Essa ideia do centro cultural saiu da câmara. Foi, portanto, um projeto que percebeu o crescimento do nível cultural do povo calmonense. Já não é novidade vermos desfilando pelas ruas da cidade um considerável número de intelectuais. Algo que era raro no passado. Coincidentemente ele será construído com recursos da própria câmara. O problema não é tão ruim como muitos imaginam, o que falta é divulgação, nós não temos um informativo. Falta é comunicação, o trabalho de Caca não é isolado, é um trabalho conjunto dos vereadores e o prefeito: sugestões, queixas, reclames... Esse é o nosso papel. Tenha certeza que o sucesso do governo Caca não é só dele.

Vírus - Onde está a oposição de Miguel Calmon?

Dr. Vilobaldo - Eu diria que em Miguel Calmon ainda não há oposição, mas é só uma questão de tempo...

Vírus - O que mudou no "Vilã" de antes para o de depois da coligação?

Dr. Vilobaldo - Nada. Não fui eu que mudei. Foi o regime que mudou. Eu não tenho aversão a prefeito, nem sou vacinado contra, como afirmava um amigo. Se Caca não tivesse feito um bom governo eu certamente seria seu maior opositor. Eu tenho o mesmo potencial crítico e lucidez de sempre. Estou disponível. Coloco-me como um soldado de Miguel Calmon, gratuito. Contra qualquer mazeia na vida política e social de nossa cidade.

Vírus - 0 Sr. se lembra das melas de sua campanha política?

Dr. Vilobaldo - Uma delas é a vinda de uma universidade para a cidade, mas estamos encontrando muitas dificuldades. Uma outra é ter um representante calmonense na assembleia legislativa.

Vírus - Por que não vingou o projeto Caca-Deputado Estadual. Ele não quis ou algo o impediu?

Dr. Vilobaldo - Não. Caca não tem essas pretensões, ele é muito humilde. Disse-me mais de uma vez que poderia até aceitar uma convocação, mas que não gostaria. Ele gosta mesmo é de ser prefeito.

Vírus - Quais suas perspectivas políti-cas? Pretende ser prefeito algum dia?

Dr. Vilobaldo - Eu diria que minha vocação maior é ser advogado. Às vezes a vida nos convoca para determinadas missões das quais não podemos fugir, não tenho maiores pretensões. Ser prefeito é bom, mas exige muito sacrifício. Se tiver que acontecer será de forma espontânea, não forçarei a barra. Se meu nome for algo que venha agregar, eu não fugirei da responsabilidade, muito embora sabendo que para minha vida pessoal, profissional e familiar, não é o melhor negócio.

Vírus - Comenta-se que o Sr. tem um índice de aprovação bom por causa de sua esposa que é médica. Até que ponto isso é verdade?

Dr. Vilobaldo - Todos nós temos inimigos gratuitos Pra você ter uma ideia, somos treze vereadores em Miguel Calmon. Nenhum dos outros doze tem mulher médica e estão eleitos. O fato de ter uma mulher médica é mera coincidência. Acredito que seria eleito do mesmo modo. Mas fico grato pelos votos que recebo por conta de minha esposa que é uma mulher muito popular e ética que se recusa até a pedir votos para mim.

Vírus - Em quem o Sr. vai votar para presidente?

Dr. Vilobaldo - O coração pede Lula, mas a razão. Serra, por achá-lo preparado e por ter ligações com lideranças da Bahia, as quais tem um relacionamento estreito comigo.

Vírus - O que possibilitaria o fim dessa coligação em Miguel Calmon?

Dr. Vilobaldo - Acabar com a coligação é retrocesso e somente os poucos beneficiários das benesses escusas do passado querem o retrocesso. Mas Miguel Calmon mais uma vez vai vencer. Essas pessoas estão incubadas e são adversários em potencial da coligação. Elas apresentam uma face, uma aparência de satisfação, mas são inconfiáveis. Mas o bem vai vencer. Diria que o sucessor de Caca está nas fotografias dos seus palanques. E enquanto esse time estiver jogando dificilmente ocorrerá um acidente de percurso, muito embora não seja impossível, porque em política tudo é possível.

Vírus - O que simboliza o Dr. José Ro-mano para a advocacia calmonense?

Dr. Vilobaldo - José Romano é um patrimônio. Pela própria idade, postura, pelo cidadão que é. Um homem sem máculas, um exemplo.

Vírus - "Viló" por "Viló"?

Dr. Vilobaldo - Um ser humano normal, sem desvios e sem virtudes anormais.

Vírus - A advocacia dá dinheiro?

Dr. Vilobaldo - (risadas) Adiel responde.

A droga da prepotência

Por José Marcos Lopez
Junho de 2002

"A verdadeira maldade não está nas pessoas que a praticam, e sim nas que permitem".

Depois que se inventou o perdão ficou bem mais fácil destruir e magoar as pessoas; perdoar não é tão simples quanto maltratar e ofender alguém; a gente só sabe disso quando os papéis se invertem. Há pouco tempo o Papa foi em público pedir perdão dos erros cometidos pela Igreja, como se as almas de tantos inocentes queimados na fogueira da "Santa" Inquisição, estivessem sintonizadas na TV Globo (no além tumulo) para comoverem-se com o pedido de perdão de Sua Santidade. Fico com a frase de Renato Russo quando diz: "errar não é humano, depende de quem erra". Eu bem que gostaria de achar uma justificativa para tanta estupidez, mas não encontro. O que eu vejo são autoridades doentes que acreditam ser Deuses, e se acham no direito de julgar e executar das formas mais absurdas e desumanas as pessoas que pensavam diferentes, cujas ideias iam de encontro aos dogmas e doutrinas da época. Só abri esse espaço para mostrar quão grande é a prepotência de algumas autoridades, sejam elas políticas, eclesiásticas, legislativas e tantas outras. Quem não se lembra dos vinte anos negros da história do Brasil? O período de ditadura militar que durou de 1964 a 1984, foi um dos momentos mais vergonhosos da nossa história e nunca será esquecido. Quantos foram exilados, torturados, presos e até mortos pelo Regime Totalitário que tomou o poder ? E necessário lembrar nomes de ditadores pelo mundo todo, tais como: Mussolini, na Itália*; Hitler, na Alemanha; Pinochet, no Chile; Fidel Castro, em Cuba; Stalin, na União

Soviética e porque não dizer ACM na Bahia? No nordeste brasileiro o tão conhecido coronelismo foi um exemplo típico de abuso de poder. Como sempre, quem tem dinheiro detém o poder político local e, cá entre nos, ainda hoje é assim... Quantos nunca ouviram a frase: "na minha sala quem manda sou eu, eu sou o rei aqui dentro!" Eu, por exemplo, já ouvi da boca de vários professores dentro das salas de aula. Professores que, simplesmente se acham no direito de ditar o que querem e os alunos têm a obrigação de acatar e obedecer, afinal de contas "aluno nunca tem razão", como se costuma dizer; e quando alguns gatos pingados não aceitam o tal regime e resolvem criticar são odiados, mal vistos, perseguidos e intimidados. Os colégios se tornaram penitenciárias, os alunos presidiários, e os diretores e professores assumiram a forma de verdadeiros Hitler's, ditadores compulsivos, prepotentes que abusam da autoridade que lhes é concedida. Tenho a felicidade de poder dizer que, hoje, muitos dos meus ex-professores são meus amigos; a eles vida longa forever.

P.S.: Gostaria de registrar que, como ex-aluno, concordo com a aluna Gleide Vital em seu texto publicado na ultima edição do Vírus; inclusive com todos os termos e "adjetivos" abordados. Tenha fé e não se intimide, isso e só o começo. Até sempre.

José Marcos Lopez

"É proibido falar"

Por Gleide Vital
Junho de 2002

Na edição passada do Jornal Vírus publiquei um texto com o título "Né brinquedo não!" no qual fiz comentários sobre o despreparo de alguns professores, o que me rendeu críticas, a maioria felizmente construtivas, outras, porém, prefiro ignorar, pois foi quase inaceitável e surpreendente, por vir de pessoas que deveriam me parabenizar. Desta vez eu informo: a lei do silencio estendeu-se por todo o dia, portanto, PSIU! AH! Não desafie os "poderosos" você pode ser processado. Não ouse falar, principalmente se for uma verdade, já que a mesma é a "chave que abre

feridas não cicatrizadas". Aí você já sabe que se falar será a vítima da vez, sendo ameaçado e rotulado como rebelde, louco, revoltado, enfim são vários os títulos dados aos corajosos e conscientes. Se alguém tiver duvidas procure o professor Leandro Michel, ele melhor do que qualquer outra pessoa pode muito bem tirá-los. E já que perguntar não ofende pergunto: o que será democracia? Liberdade, já ouvi falar nisso, mas será que existe? Ser realista e crime?

Gleide Vital é estudante do Colégio Estadual Nossa Senhora da Conceição.

Uma tríade estudantil

Por Sheila Nascimento
Junho de 2002

É incrível quando as pessoas preferem enveredar-se na rama da mediocridade. Outro dia, estava observando um grupo de jovens estudando e involuntariamente os dividi em três grupos distintos: - primeiro: os fadados ao sucesso; - segundo: os sobreviventes e - terceiro: os puramente medíocres. Claro que esta divisão deve no mínimo ter alguma argumentação. Então, vamos lá. A nossa cidade funciona como toda pequena cidade, tendo, porém, como tradição um cuidado todo especial com a educação, sabe aquele cliché de "os melhores da região", que, digamos de passagem, está nos pesando uma tonelada nos ombros? Sabemos que os motivos são os mais diversos possíveis, porém usarei o discurso que por mim é conhecido e vivenciado. Nos últimos tempos acontece uma corrida maluca dos professores para tentar um bom nível; estuda pra lá, procura material interessante pra cá, pede leituras, pede participação, grita, roga e cansa, para depois ter a vaidade de dizer "fulano de tal" que passou no famoso vestibular já passou por minha "mão". Nestas ocasiões sentimos a recompensa e a certeza do cumprimento do dever. Mas a realidade é diferente, imagine uma sala de 40 alunos, imaginou? Bem, destes 40 no máximo "sete" pertencem ao primeiro grupo, seria aquele aluno que mesmo trabalhando procura uma hora vaga para estudar, aquele que pede revistas para ler, participa das aulas, se interessa, está sempre por dentro dos acontecimentos do Brasil e do mundo e acima de tudo batalha, não para ser um mero CDF com olhar e jeito de abobalhado, mas para ser alguém com um futuro mais interessante. Estes "sete" são os fadados ao sucesso, eles até podem não chegar ao objetivo proposto, mas trazem a virtude de serem lutadores.

No segundo grupo a população é maior, são àqueles que não batalham, mas também não ficam totalmente inertes, são naturalmente desestimulados, têm uma grande habilidade de "pongar" nos colegas (que concordam e aceitam) e sempre fazem a imagem de bom aluno, neste grupo digamos que temos cerca de quinze integrantes e este são denominados de "os sobreviventes", o que "pintar" para eles no futuro será aceito e se "não pintar" usarão aquele velho discurso: "é assim mesmo, coisa do destino". Porém, o pior de todos é o terceiro grupo, seus integrantes são do tipo que adora vir ao colégio trazendo caderno para servir de adereço, nunca sabem de nada e fazem questão de sempre estar contra tudo e todos, desafiam os professores e intimidam os colegas, acham que a sorte é que vai decidir seus destinos, "alguns" para não generalizar contam com um rostinho bonito, como seu maior trunfo, ou ainda com algo mais que saibam fazer. Não se importam com as expectativas de seus familiares e quando saírem ou abandonarem o colégio só vão deixar a imagem de bagunceiros, chatos, ignorantes; adjetivos que não elevam as pessoas em nada. Estes são os dezoito restantes, se um dia, um "Big Brother" da vida os selecionar. eles serão uma mistura de "Bam Bam" e "Tina". Caso isto não aconteça cairão no mais intenso esquecimento. Alguns devem estar discordando deste texto, achando até que "peguei pesado", mas não me respondam, simplesmente esperem um pouco para ver quem está errado.

Sheila Nascimento

Entrevista

Por Vírus
Junho de 2002

Professor Evandro Miranda Este mês o Vírus faz a você, querido leitor, um convite à Literatura através de um bate-papo descontraído com o professor Evandro Miranda, que nos presenteou com uma "aula show" inesquecível realizada no auditório do Colégio Estadual Nossa Senhora da Conceição, no dia 9 de junho de 2002. O Vírus esteve lá para conferir!

Vírus - Geralmente começamos um bate-papo pedindo ao entrevistado que faça um breve histórico de sua vida...

Evandro Miranda - Saí muito garoto de Miguel Calmon, fui estudar multo cedo em Jequitibá aos 10 anos de idade e rie lá não parei mais de estudar. Estudei no Antônio Vieira, fui diretor em Irecê por 19 anos em uma escola, fui secretário de educação por duas vezes também em Irecê, retorno a salvador onde me graduo em Letras e faço uma pós-graduação. Esporadicamente venho a Miguel Calmon, confesso a vocês que depois da morte de minha mãe não me sinto tão bem em vir aqui. Sinto muitas saudades, mas confesso que para mim é muito difícil. Gosto muito da terrinha, confesso. Tanto é que escolhi Miguel Calmon para ser minha definitiva morada.

Vírus - O que o atraiu no mundo da literatura?

Evandro Miranda - A primeira coisa que fiz foi teatro, na UFBA, isso aí é que me encantou no mundo das artes, o mundo do Teatro. E eu sempre fui professor. A Literatura é um dos grandes amores da minha vida! Costumo dizer que tenho cinco amores em minha vida: minha esposa, minhas duas filhas, minha mãe (que está no céu), minha neta e a Literatura.

Vírus - Uma pergunta inevitável, professor, o que é Literatura?

Evandro Miranda - Literatura é uma arte que expõe sentimento, que desnuda a alma do ser humano, de todas as pessoas sensíveis, o ser hu-mano que é gente gosta de literatura, sem dúvida.

Vírus - Em tuas performances, literatura e música fazem uma parceria perfeita, explica pra gente o segredo desse casamento.

Evandro Miranda - A Literatura é a filha predileta da História. Não pode haver momento literário sem antes ocorrer estes momentos históricos. São eles que fazem a literatura. A Música é também o falar da alma. É o viajar. O imaginário. É o irreal. São os anjos que temos dentro da gente. A Música é a mãe da Literatura.

Vírus - E a relação Literatura x Cinema x Televisão?

Evandro Miranda - A televisão de maneira geral em nada favorece a Literatura. A Globo, por exemplo, assassina. É por isso que os Fernandos da vida são eleitos, mudando só o sobrenome. E por isso há tanta desigualdade social no Brasil. Daí a sociedade estar à mercê dos clones e Bambans da vida, os Big Brothers... A Literatura tem que alcançar o povo. Se nós vivêssemos num país sério e o povo se conscientizasse do seu papel, a televisão seria a maior divulgadora da Literatura, o melhor veículo para que o povo se conscientizasse a partir da Literatura. O Cinema é a grande arte do século XX e XXI. Com certeza essas três coisas se integram, são irmãs.

Vírus Para quem quer iniciar no mundo fascinante da Literatura, que livros o Sr. indicaria?

Evandro Miranda -Tem uma coleção que eu gosto muito e para quem quer iniciar nessa viagem fantástica, é a "Para Gostar de Ler", é uma coleção de cronistas modernos (Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Rubem Braga, etc.) e para , quem quer se apaixonar, tem-se a genialidade de Machado de Assis, clássico da Literatura Brasileira.

Vírus - E para os "vestibuláveis", que dicas?

Evandro Miranda - Todas as Escolas Literárias são "vestibuláveis", mas existem aí três que são imprescindíveis: Barroco, Romantismo e o Modernismo. Mas, a melhor coisa para os candidatos é a claridade na cabeça deles das características de cada escola. Para Escola Literária observar características básicas! Por exemplo, o Barroco: O momento histórico do Barroco são duas brigas - Reforma e Contra-Reforma, Teocentrismo e Antropocentrismo. Onde há briga, há conflito. Onde há conflito, há desequilíbrio e onde há desequilíbrio, há insegurança. Então, conflito, desequilíbrio e inseourançasão características vitais do Barroco. Se os alunos captarem bem essas características, farão uma boa prova de Literatura em qualquer vestibular.

Vírus - Tem algum grande nome na Literatura Contemporânea no país?

Evandro Miranda - Gosto muito da Rachel de Queiroz. Ela mexe com a nossa estrutura, a nossa alma nordestina e fala como ninguém de nossa condição humana. Mas o Jorge Amado é o grande nome da nossa Literatura Contemporânea!

Vírus - Qual a receita do teu sucesso?

Evandro Miranda - Eu não sou um sucesso, ainda não cheguei aonde eu gostaria. Eu não gostaria de dar uma aula dessas para um público privilegiado... Gostaria de dar uma aula dessas para o povo da periferia, para o povo dos bairros mais carentes, para as pessoas excluídas. Este não é o caso de Miguel Calmon. Faz três anos que não venho aqui, e o prefeito tem trabalhado com afinco e dedicação. Miguel Calmon está de parabéns! Cada vez que volto a Miguel Calmon, sinto que a cidade flui intelectualmente. Gostaria de parabenizaras autoridades, todos os setores educacionais. Quanto ao meu "sucesso" eis o segredo: Estudar, estudar e estudar! Renascer a cada dia e se desdobrar em estudos.

Vírus - Quais as tuas impressões em relação à arte calmonense?

Evandro Miranda - Sinto que em Miguel Calmon falta a criação da Academia Calmonense de Letras. Com pessoas talentosas e um administrador como Caca, a criação da Academia já é uma realidade que precisa ser pensada, organizada... Miguel Calmon tem grandes nomes dentro e fora da cidade, basta coragem e empenho. Miguel Calmon, seus artistas, estudiosos e população merecem uma Academia!

Vírus - A partir dos fatos históricos, as Escolas Literárias "elegeram" temas como violência e paixão, roteiros do corpo, estranhos e intrusos... E que tema Evandro Miranda elegeria para o século XXI?

Evandro Miranda - A busca pelo homem, pelo coletivo.o pensar coletivamente. Buscara renovação, a beleza de um mundo, de uma vida sem injustiças, de seres humanos mais humanos.

Uma literatura que respire vida, justiça. O grande tema a ser descortinado é o dos valores humanos! 0 grande tema é livrar o homem de todas as amarras, tornar o homem livre.

Vírus - Qual é a grande obra literária que todos precisam ler? Qual obra ou autor é imprescindível?

Evandro Miranda - Todas as obras de Machado de Assis: "Quincas Borba", "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Dom Casmurro". Todos precisam saborear a grande genialidade do grande Machado de Assis, sua obra é universal!

Vírus - Evandro por Evandro... Evandro Miranda - Sou uma pessoa simples e amiga que adora trabalhar, que gosta muito do que faz. Costumo dizer para meus alunos que a Literatura é meu orgasmo! Sou um bom pai, um homem preocupado com a humanidade, um homem que sonha sempre coletivamente. Sou um calça-curta orgulhoso da minha terra e dos gran-des amigos que aqui está.

Vírus - O Vírus gostaria de agradecer a oportunidade, a honra...

Evandro Miranda - Sinto-me lisonjeado e feliz por minha terra! Que o Vírus contamine as consciências e alce voos cada vez mais altos lembrando Fernão Capelo Gaivota, quebrando limites, voando cada vez mais alto.

Vírus - A educação de Miguel Calman não será mais a mesma após a tua passagem...

Evandro Miranda - Muito obrigado e agradeço a todos pela honra! Sucesso e sorte. Força e não temam as amarras, desate-as!

Houve um tempo

Por Rafaela Sampaio
Junho de 2002

Houve um tempo em que um homem pensava e todos os homens pensavam e ninguém interferia nisso. Houve um tempo em que o homem agia e todos os homens agiam e a humanidade apenas ganhava com isso. Nesse tempo, o homem compartilhava suas ideias e todos os homens, juntos, edificavam um mundo mais justo. Até que um dia, o homem, tomado pela onipotência, descobriu que sozinho também poderia pensar, que sozinho também poderia agir, que sozinho não teria mais necessidade de compartilhar, e sozinho poderia transformar o mundo. E assim fez. Houve um tempo em que o homem não se importava com o viço e nas cavernas se abrigava do alento. Houve um tempo que não havia dinheiro e os homens trabalhavam apenas para seu sustento. Nesse tempo, o homem descobriu que o mundo lhe ensinava a viver e assim era feliz. Até que um dia, o homem, embriagado de empáfia, descobriu que poderia construir castelos e mansões e começou a trabalhar para isso.

Contente com essa vitória, inventou a moeda e dessa forma disputava entre eles dinheiro e poder. E assim, o homem percebeu que poderia ensinar o mundo a viver e achava que era mais feliz. Houve um tempo que homem podia optar, decidir sobre seus atos, escolher seu rumo. Nesse tempo, todos os homens agiam e respeitavam ideologias e juntos construíam uma sociedade digna de se viver. Houve um tempo em que o homem valorizava sua cultura e não consumia estrangeirismo. Nesse tempo o homem era mais rico e fazia de sua riqueza um motivo para compartilhar. Houve um tempo em que a humanidade tinha o direito de "seguir em frente" e "voltar atrás" para refletir o erro. Houve um tempo em que o homem era a própria liberdade.

Rafaela Sampaio

Alerta

Por Marina Gomes
Junho de 2002

Queridos leitores do Jornal Vírus, sei que esse jornal é um dos veículos de informação do nosso município, por isso através dele precisamos sempre manter a população informada de tudo o que acontece na nossa querida Miguel Calmon, no nosso Brasil e no mundo. Sambemos que as eleições vêm ai de vento em polpa, dinheiro e mais dinheiro irá ser jogado fora por políticos essencialmente hipócritas, extremamente corruptos que ludibriam o povo. Ah! Povo sofrido, pobre de conhecimento e espírito, que no desespero da vida vendem-se por qualquer tostão. Acontece que, se tivermos sempre essa visão relativa e mesquinha, de que o Brasil não irá mudar jamais, continuará sempre uma pátria submissa a corrupção, um pais subdesenvolvido onde suas riquezas serão manipuladas por "barões" de primeiro mundo.

Pense, calmonense, brasileiro, na hora de votar, vote consciente escolha seu representante não pelo descaramento de lhe oferecer mundos e fundos, mas pelo valor do seu caráter, personalidade, honestidade e sua garra de tentar educar e trazer cultura para nos, o povo heróico, bravo e retumbante. Lembrem-se, uma pessoa sozinha não tem força suficiente para transformar esse sistema político podre, mas todos juntos, unidos não há mal que nos derrote.

* Marina Gomes Aluna do Colégio Estadual N. Srª da Conceição

Fale - Levante a voz contra a injustiça

Por Jesser Oliveira
Junho de 2002

"FALE a favor daqueles que não podem se defender. Proteja os direitos de todos os desamparados. FALE por eles e seja um juiz justo. Proteja os direitos dos pobres e dos necessitados".

Caros leitores,
Paz do Senhor!
Sempre que olho para a vida dos profetas noto sua capacidade de avaliar os desafios de sua geração e de ser ijm canal de Deus para a plena revelação das estruturas adoecidas pelo pecado humano, anunciando a verdade, pois apenas o Pai da mentira (o diabo) se alegra com a sujeira escondida debaixo do tapete. O profeta era a consciência de sua geração, onde principalmente sua função era de defender os oprimidos e desvalidos. Fica notório na vida deles que somente aqueles que exercem a denúncia profética e a promoção da Justiça (valor intrínseco do Reino de Deus), conseguem ser fiéis ao chamado de Deus a sua geração. Com o intuito de serfiel ao meu tempo e ao Senhor, filiei-me a Aliança Bíblica Universitária do Brasil que está promovendo o "PROJETO FALE". O "FALE" é similar ao "SPEAK", que é promovida pela ABU Inglesa (UCCF). Apropostado "FALE" é de formar uma rede de estudantes e jovens que juntos estarão orando e agindo sobre temas relacionados à justiça em nosso país e no mundo, desenvolvendo maior conscientização e envolvimento com a realidade social nestes jovens, a partir do fornecimento de informações e do envolvimento nas campanhas de oração, como no envio dos cartões para pessoas-chave e sensibilizar lideranças políticas e empresarias que vivem em nosso País para questões que envolvem o tema da injustiça. A cada dois meses o Fale distribui um cartão (com pontos de oração, informações e sugestões de ação), tratando de um assunto onde urge a promoção de justiça.

A ideia é usar o cartão em momentos de oração. No cartão Fale há também um postal destacável a ser assinado e enviado pelo participante da rede para uma figura influente no mundo econômico e político, encorajando-a a fazer mudanças. Como exemplo das possibilidades de alcance do Fale, temos as ações dos movimentos irmãos nos Estados Unidos e na Europa que influenciaram o ex-presidente Bill Clinton no cancelamento da dívida de alguns países africanos. a setembro de 1999, a pressão promovida por estes movimentos irmãos ajudou a persuadir o Reino Unido a embargar a venda de armas para a indonésia durante o massacre no Timor Leste.

O primeiro tema do Fale no Brasil, é a questão do perdão da Dívida Externa e o postal está destinado para o embaixador do Canadá no Brasil. Naquele País acontecerá a próxima reunião do G8. Creio que a oração seja o único meio para mudar a nossa sociedade. Então começo a partilhar desta visão com os outros irmãos ao redor do mundo, despedindo-me aqui do Vírus, como escritor. Aos leitores agradeço, pelas abordagens que fizeram dos meus textos, aos companheiros do Vírus, um abraço.

Jesser Oliveira
Membro do FALE - Aliança Bíblica Universitária, EX-componente do Vírus

Nós e a adrenalina por um fio

Por Franklin e Wescley
Junho de 2002

Antes de tudo era o caos, era uma intensa monotonia! Vivíamos quase que sem filosofia, quando demos por conta de um sentimento que até então não havia sido percebido pelos nossos seres. Um amor repentino pela natureza. Foi a partir de então que resolvemos unir o útil ao agradável. No dia 4 de fevereiro de 2002 nasceu oficialmente o primeiro grupo de esportes radicais de Miguel Calmon, liderado por Franklin da Silva Figueira, o ex-militar Wescley Marley Almeida Pereira e o secretário Irancley Almeida dos Santos, com a finalidade de praticar esportes de ação, injetando uma overdose de adrenalina que, com

certeza, ceifará toda monotonia existente na vida dos moradores desta cidade. Sabemos que existe um grande preconceito contra os esportes radicais, mas também sabemos que em tudo nessa vida contém um certo grau de perigo. Mas somos pessoas capacitadas e bem treinadas, com equipamentos apropriados para praticar estes esportes com total segurança e responsabilidade. Não destrua a humanidade, preserve a natureza. Entre em contato conosco e aventure-se.

Franklin e Wescley

Por uma educação formadora de cidadãos e cidadãs (Parte II)

Por Leandro Michel
Junho de 2002

Já afirmava John Locke, filósofo inglês mais lido na primeira metade do século XVIII: "Não siga irrefletidamente as autoridades, sejam elas intelectuais, políticas ou religiosas. Tampouco as tradições ou convenções sociais. Pense por si mesmo examine os fatos e tente basear sua opinião e seu comportamento nas coisas como de fato são". É difícil para nós, hoje, imaginarmos como essa mensagem era inovadora e como continua sendo. Exemplo disso são as reações tempestivas de todos aqueles que revestidos de algum tipo de poder e ao serem questionados, examinados, diretamente ou não, reagem de forma assustadora ao serem criticados. Como se temessem perder benesses que o poder lhe proporciona. Agora nada foi tão lamentável como a reação de determinadas pessoas que ao lerem o texto: "Né brinquedo não" de Gleide Vital, na edição anterior. Que de forma brilhante, acima de tudo consciente. Baseado em suas leituras de mundo e, nos seus quase doze anos de educação pública, analisou a Educação Pública Brasileira e não um colégio em particular como alguns poucos interpretaram e por sinal muito mal.

Fato louvável que determinadas pessoas deveriam ter se encantado e acima de tudo parabenizado e não reprimido sufocado o pensamento que acima de tudo é livre e particular. Pessoas ligadas à área da educação, que exercem liderança e tomam uma atitude como essa, inteiramente reprovável, se revelam incapazes de contribuir para uma educação formadora de cidadãos e cidadãs. Portanto fica a minha opinião indignada. Esperando não que Gleide Vital se retrate como quiseram, mas que o contrário ocorra. Pois, sem dúvida, as regras ou preceitos de liberdade de expressão nos faz sentir ultrajados. Viva a liberdade! Abaixo a ditadura!

P.s.: A crise da Educação Pública Brasileira esta estampada em todas as capas de revistas e jornais de todo o país. Tentar camuflar essa realidade é simplesmente contribuir para agravar a crise. Que é solucionável, desde que a encaremos de frente. O primeiro passo começa com uma autocrítica.

Leandro Michel

Marca da mulher

Por Joana Alice
Junho de 2002

Não é mais Eva ou Maria Madalena
Que do pecado fez então mulher,
Marcar a história.

Não é mais Joana Angélica, Maria Quitéria
Que derramaram seu sangue por nossa gente
Que não precisaram de máscaras
Que se fizeram mulheres guerreiras.

Eis agora as tadinhas bem pagas:
Tiazinha, Joana Prado...
As feministas se renderam ao pecado.

Não há mais irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá.
Estas sim eram santas,
Doaram suas vidas pelos carentes, necessitados,
Pobres, famintos, desanimados.

Não está mais na moda a dona de casa,
A mulher frágil, submissa ao homem,
A Amélia mulher de verdade.
Eis agora Marta Suplicy, Marta Rocha, Regina Duarte...

Não há mais Elis Regina, Cássia Eller
Mais ainda há suas marcas,
O seu grito de protesto em suas melodias.

Não há mais a mulher de ontem,
A prisioneira do lar, as escravas dos seus homens,
As santas sinistras,
As manipuladas, as marcadas.

Eis agora a mulher mudada, malhada,
Prefeitas, deputadas, artistas, cantoras,
Garis, professoras.
Acima de tudo lutadoras.

Não há mais aquela marca
A marca de hoje é de batom
Do batom da mulher que ousou
Que fez então marca
Para marcar a história.

Joana Alice-19/03/02 Aluna do Colégio Estadual Nossa Senhora da Conceição

Você é bem informado sobre sexualidade?

Por Vírus
Junho de 2002

"A sexualidade humana é parte integral da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida". É consciente disso que o Colégio Estadual Nossa Senhora da Conceição, reduto de muitos adolescentes calmonenses. vem desenvolvendo um projeto interdisciplinar sobre a sexualidade e todas as suas múltiplas faces - virgindade, aborto, preservativos... Direcionado por Vilma Batista, coordenado por Sirlene Cerqueira e executado pelos docentes da referida instituição, o projeto busca "promover uma análise critica e conscientizadora do que é sexualidade, como pode nos prejudicar e nos dar prazer, bem como fazer um .estudo da sociedade, seu comportamento e a responsabilidade no aumento do número de adolescentes grávidas", como afirma Sirlene. A primeira fase do projeto é uma pesquisa realizada com 900 alunos do colégio (um número bastante significativo) sobre temas relacionados à sexualidade. São perguntas interessantes, que trazem respostas surpreendentes, que requerem uma análise intercalada para se traçar o fio que entrelaça todo o questionário. A primeira pergunta - Você é bem informado sobre sexualidade? - 76% responderam que SIM (veja a tabela ao lado), mas de onde vieram essas informações? Será que aprenderam da forma distorcida que a televisão apresenta? Será da "suja e deslavada prática"? Oxalá, tenha sido de conversas conscientes com seus pais ou de projetos como esse.

A resposta à pergunta seguinte - "Usa algum tipo de preservativo?" - Traz consigo uma contradição, que salienta a distorção das informações que esses jovens ostentam: como tantos alunos que se consideram bem informados sobre sexualidade, não usem preservativos? Será que as informações por eles obtidas, omitem a gravidez e as doenças sexualmente transmitidas? As reflexões acima conduzem à análise 4a terceira questão: "Você já participou de algum aborto?" Um percentual relativamente pequeno respondeu afirmativamente a essa questão, mas diante da conjuntura exposta acima se os objeti vos do projeto não forem alcançados, certamente esse número aumentará. Outra questão instigante é a idade em que o aluno ingressa na vida sexual. É Complexa a análise das respostas, dado à carga de preconceitos contida em cada resposta. Para os adolescentes já ter ingressado na vida sexual soa como uma obrigatoriedade, e os impede de responder afirmativamente, já que isso "comprova" a sua masculinidade; enquanto que para as adolescentes, o puritanismo e a hipocrisia de uma sociedade machista determina que mulher para casar é aquela "pura" - e pura, aqui, entende-se como virgem - e isso determina a resposta. Tudo isso só comprova a importância de projetos como este e a necessidade que o adolescente calmonense tem de informações seguras e confiáveis sobre sexo.

Humor

Por Sílvio Lach
Junho de 2002

Kitimi Zin

O pequeno dicionário de japonês:
Ketimeteu - Qual o seu time.
Niko Lau - Juiz ladrão.
Tora Nataki - Significa que se o Ronaldinho se machucar, nós tafu...
Vateki Senamon - Já que o técnico proibiu sexo na copa...

Tomonu buda - Perder o jogo O bonsai - Quando levam o Vampeta, o Beletti e o Luizão, mas o Baixinho sai.
Fugira Pasona - Atividade no dia de folga da seleção.
Sododi Biko - Roque Júnior falando japonês

(Jornal Pasquim 21, Sílvio Lach)

Aconteceu

Por Vírus
Junho de 2002

O Congresso Nacional aprovou o ato a que se refere a portaria número 464/2000 que autoriza a Associação Comunitária Calmonense a executar, por três anos, sem direito de exclusividade, serviço de Radiodifusão comunitário na cidade de Miguel Calmon-Ba.

No dia 04 de junho de 2002 foi realizado na AABB um jogo promovido pelo atleta Binho com o objeti vo de confraternizar os atletas e o visitante Jorge Wagner, Supercampeão mineiro pelo Cruzeiro. Um momento ímpar para o futebol local e para o atleta Binho que está sendo negociado para o futebol europeu. Vale a nossa torcida! Boa sorte, Binho.

Onde está Deus

Por Kelly Renata
Junho de 2002

Muitos procuram Deus em quatro paredes, mas aí acabam se esquecendo do Mesmo e tornam-se religiosos demais. Procuram Deus em roupas, em passos e em falas. Procuram Deus tentando fazer "justiças" injustas, ferindo a alma dos homens. Procuram Deus afastando os que erram, porque pecam, e quem não peca? Procuram Deus tentando corrigir de forma errada aqueles que precisam de uma chance. Pessoas que em seus templos cantam, oram, clamam e choram, mas que fora dali escondem o outro lado dos fatos. Será que Deus está em mentiras? Será que Deus está no coração daqueles que praticam justiças para si, fazendo injustiça para os outros, que eles julgam serem ímpios, pecadores? Mas são esses homens que dizem ter Deus em seus corações, que se julgam fervorosos, que acabam esquecendo que independentemente de cor, de raça ou de religião somos filhos de Deus, em que a própria Bíblia relata: "Façamos o homem a nossa imagem e semelhança". (Gênesis cap. 1 vers. 26). Eles procuram a nós (a quem para eles somos ímpios): onde está Deus? Mas agora pergunto: onde está Deus? Será que nas mentiras ou será nos corações daqueles que por mais pecadores que sejam, são justos? Não é bom tentar limitar os pensamentos de uma alma ferida e nem sequer revidar, porque a verdade sempre prevalecerá, e nada fica escondido dos homens. Deus está sim, presente na vida daqueles que são verdadeiros. Aos homens que acabam enchendo seus corações de hipocrisia, preconceitos, dissensões, eu pergunto: Onde está Deus?

Perguntar não ofende

Por Vírus
Junho de 2002

- O organismo padece porque o rim não funciona ou o rim não funciona porque o organismo padece?

- A forma determina o conteúdo ou o conteúdo determina a forma?

- O bom repórter persegue a notícia ou a notícia persegue o bom repórter?

- O forró gole plagiou o forró goro ou o forró goro plagiou o forró goro?

- A falta de estudo dos alunos do noturno determinou o fim do forró de bairro ou o forró de bairro determinou a falta de estudos dos alunos do noturno?

PODER PARALELO

Por Iran Rios
Junho de 2002

O desemprego nunca foi problema nas sociedades baseadas na caça e coleta; em sociedades tribais, o desempenho das atividades de subsistência requer relativamente pouco tempo, não proporciona status ou remuneração especial e não é encarado como uma esfera isolada da vida. Somente nas sociedades baseadas no trabalho remunerado, o desemprego assume o significado social, econômico e político que têm hoje. Assim sendo, não há dúvida de que uma das maiores chagas do capitalismo chama-se desemprego. A situação é alarmante não só no Brasil, mas no mundo inteiro. A situação global é preocupante. Em geral os economistas têm como principal preocupação, questões abstraías como estabilização da moeda e controle da inflação, e acabam não dando a devida atenção aos problemas concretos como desemprego e má distribuição de renda. Seja qual for o motivo: a famigerada globalização, o fator neoliberal, a mecanização da agricultura e o consequente êxodo para o meio urbano, a crescente automatização das indústrias ou qualquer outro: o fato é que vivemos uma crise mundial de emprego e pouco se tem feito de concreto para corrigir esse problema, a questão da má distribuição de renda têm um aspecto semelhante. Surgem várias teorias para explicá-las, mas pouco se faz para acabar com ela. E como poderia num contexto mundial de desemprego e crises econômicas surgirem alguma " ilhas" como os Estados Unidos, onde o índice de desemprego vêm caindo mês a mês? Falando de Brasil, a nossa realidade é preocupante, nós temos dimensões continentais, somos vários Brasis num só país; somos ao mesmo tempo o Brasil agrícola, o Brasil industrial, o Brasil mineral, o Brasil urbano, o Brasil rural, o Brasil do luxo e o Brasil da miséria, o Brasil do desemprego. Os números variam entre 8 e 17%, são exatamente contraditórios uns aos outros dependendo de onde estes são exibidos. Quando se trata de um órgão governamental, quase sempre a situação é mascarada, apresentada de modo a não parecer tão ruim quando realmente é. Deixando um pouco de lado os números, o fato é que vivemos uma epidemia de desemprego, impulsionada basicamente pelas anomalias sociais que sempre tivemos e agravada mais recentemente por outros fatores como a globalização e a automação. Nos últimos anos e evidente a agudização da escassez de abertura de vagas e a diminuição do contingente empregado. Big Bode Brasil A má distribuição de renda é um exemplo de anomalia social que contribui para o avanço do desemprego. As famílias mais pobres não frequentam cabeleireiros, não vão à shows ou exposições, não frequentam restaurantes, etc. Esses são setores fortemente empregadores de mão de obra. A reforma tributária e a reforma agrária no Brasil não passam de ilusões quiméricas. Sem a primeira, empresas e indivíduos de menor poder aquisitivo acabam pagando mais imposto que os de maior poder econômico.

Sem a segunda, acabamos tendo ainda no ano 2000 um fluxo migratório do meio rural para o meio urbano sem qualquer perspectiva. Globalização e automação vêm apenas acentuar esse quadro de desemprego que traz consigo fome, marginalização, exclusão social, etc. A educação que deveria ser um fator de correção acaba sendo um fator que só agrava o problema, visto que as escolas públicas não oferecem um nível de ensino semelhante ao das particulares. Com isso, o jovem que vier de uma escola pública não tem a mesma probabilidade de passar num vestibular que um jovem oriundo de uma escola particular e acaba tendo que procurar emprego sem a devida qualificação, já que também não pode pagar cursos de especialização, isso na melhor das hipóteses, quando consegue completar o segundo grau, já que muitos têm que abandonar antes, para trabalhar devido ao desemprego e/ou aos baixos salários dos pais. Sem contar a aprovação automática, que vêm sendo utilizada em grande parte das escolas públicas do país; onde o estudante é aprovado automaticamente, sem avaliação. Com isso, temos crianças de 11, 12 anos estudando normalmente na quarta série, por exemplo, que mal sabem ler ou escrever, quer dizer: pensar na educação como remédio para o desemprego é utopia. Fala-se muito atualmente em banco de horas e redução da jornada de trabalho, assuntos que geram polêmica, já que são vistos como soluções para alguns e como uma forma de "tapar o sol com peneira" para outros. Fala-se também na desconcentração de indústrias. Com esse fenômeno, observamos que baixam as taxas de desemprego em uma região e aumenta os índices de outra, como o ABC paulista que registra índices de 20%. Logo essa não é a solução para o problema. A solução para o problema do desemprego consiste na adoção por parte do govemo de medidas como a reforma agrária, a reforma tributária e uma reforma social para combater problemas crónicos como a má distribuição de renda. A solução vem a ser a adoção de medidas que tenham como prioridade a geração de empregos, com garantia de saúde, educação, transporte, habitação e alimentação para a população. O mundo hoje cresce baseado principalmente nos setores siderúrgico, petroquímico, energético e de telecomunicações. Exatamente os setores que vêm sendo privatizados pelo governo FHC, que prioriza este tipo de insanidade à questões emergenciais como o desemprego e a miséria. Ao prestar obediência ao neoliberalismo, o govemo de FHC deixa o Brasil sem metas e sem prioridades, sem políticas setoriais. De que adianta um programa de desenvolvimento, se o governo promove o retomo do país a um passado colonial?

Iran Rios Graduado em Geografia - UNEB Pós-Graduado em Turismo e Desenvolvimento Sustentável UNEB