Ano: I / Nº05 - Miguel Calmon, Janeiro de 2002

É tempo de se inconformar

Por Leandro Michel
Janeiro de 2002

O cristianismo garante que seria mais fácil os pobres entrarem no céu do que os ricos passarem pelo fundo de uma agulha. O comunismo prometia o céu na terra, mas só o capitalismo torna possível o acesso ao paraíso terrestre. Uma das mais belas passagens da literatura (aquela que engrandece o ser humano, e não esse lixo que consumimos via televisão; "arte" criminosa que avilta, insulta e bestializa) foi escrita por Kafka em "O Progresso", e mesmo não a lendo por completo, posso afirmar que é uma obra política por excelência e extremamente poética. Um homem chega a uma porta e implora ao porteiro que o deixe entrar. Este logo diz que não pode admiti-lo no momento. Embora a porta esteja aberta o homem decide esperar pela permissão e espera sentado durante anos e anos. Repetidamente pede para entrar, mas o porteiro sempre lhe informa que ainda não é possível. Finalmente, ambos já velhos e próximos da morte, o homem pergunta ao porteiro: - Por que é que durante todos esses anos ninguém além de mim procurou entrar? E o porteiro: - Esta era a tua porta. Só você poderia passar por ela e agora vou fechá-la. Adaptando a história para a situação brasileira atual, eu diria que o porteiro é a autoridade, o homem, o povo e atrás da porta está a felicidade; a vida digna de ser vivida. O povo brasileiro poderia passar pela porta; ignorar o porteiro, pois é mais forte e em maior número. Tem porém a esperança passiva (como o homem de Kafka) de que um dia lhes permitirão viver bem, em liberdade, como seres humanos.

O capitalismo neoliberal nos transformou em vaidosas marionetes do poder, iludidos pelas novelas globais e por esse "showrnalismo" medíocre apresentado pela imprensa grande. E a vitória do neoliberalismo, depois de roubar-nos a cultura, a individualidade, a fé, a esperança e nos transformar em homens alienados, egoístas, cínicos, incultos, apolíticos e vulgares. Não há mais tempo para continuarmos assumindo essa atitude passiva, conformista; acreditando que tudo é uma questão de sorte, de aproveitar a oportunidade, que a vida é mesmo este inferno em que vivemos. Precisamos ser mais revolucionários para não esperarmos que o poder nos abra a porta para a vida. Está na hora de agirmos politicamente, de nos posicionarmos à esquerda, de votarmos na esquerda, de nos organizar com os sem-terras, e como os sem terra entendermos e sentirmos o significado pleno da palavra cidadão.

Ps. A Igreja Católica dispõe de uma mini-biblioteca à disposição da comunidade. Enquanto a municipal fica só na promessa. Ela já é de grande utilidade para todos, pois não é de pretensões religiosas simplesmente, mas acima de tudo social.

Editorial

Por Vírus
Janeiro de 2002

Perguntaram ao Vírus por que não fazer um trabalho como o "Primeira Página" de Jacobina. Vírus responde: não temos pretensão de fazer um jornal apenas para vender, colocar propagandas, noticiar fatos e agraciar ao poder.

Se tivermos de crescer a ponto de ultrapassarmos as fronteiras calmonenses, acontecerá de forma natural sem precisarmos para isso perder a visão de formar mentes pensantes, cidadãos capazes de fazer críticas e autocríticas.

Nossos colaboradores, os comerciantes que colocam as propagandas no Jornal, são frutos da participação da comunidade, dando apoio a esse ideal que não é só nosso, mas também, e essencialmente, da comunidade.

Noticiar fatos por noticiar não produz, no nosso ponto de vista, o efeito desejado, já que existe uma dificuldade natural de refletir sobre estes fatos.

Dado ponto de vista sobre um mesmo assunto já é um ponto de partida para pensarmos, concordarmos ou não sobre este assunto.

Iludirmos ou enganarmos os leitores com in-formações desnecessárias ou camuflar a realidade para apenas agradar o poder não se enquadra aos nossos objetivos.

Quando tivermos de elogiar vamos elogiar, quando for para criticar faremos da mesma forma.

 

Feliz 2002!

Banco do Brasil, exemplo de inutilidade

Por Waldson Júnior
Janeiro de 2002

O Banco do Brasil foi fundado no século XIX quando a Família Imperial Portuguesa fugiu para o Brasil e aqui se instalou a Corte sob a regência de D. João. Naquele momento, o Brasil necessitava de instituições financeiras que pudessem preencher as lacunas do sistema financeiro, ainda embrionário, da colônia. Durante esses quase dois séculos de existência o Banco do Brasil sempre foi referência no que tange ao investimento, principalmente, no setor produtivo. Lembro-me muito bem que na década de oitenta o Banco do Brasil fez vários investimentos no setor produtivo calmonense, inclusive, oferecendo garantia de preço na compra de produtos oriundos da agricultura. Esse procedimento ajudou a amenizar os efeitos das sucessivas secas que ocorreram naquela década, bem como da grande crise econômica que atingiu o Brasil. A atual administração calmonense deu preferência pela manutenção da agência do Banco do Brasil na cidade em detrimento da agência do Baneb (agora pertencente ao Bradesco). Não sabemos os termos do acordo que manteve a atual agência do BB, no entanto, temos a certeza que a agência do BB em Miguel Calmon é um exemplo de inutilidade e apatia.

Digo isso com a convicção de estar amparado pelo sentimento do calmonense. Não há investimento no setor produtivo agrícola ou pecuarista, os comerciantes não contam com financiamentos, a maioria dos clientes passam horas nas ftilas dessa agência, muitas vezes os aposentados esperam por horas, pois o banco não tem dinheiro para fazer o pagamento, os caixas eletrônicos geralmente estão quebrados ou sem dinheiro e a quantidade de funcionários não atende às necessidades da agência. Sem sombra de dúvidas, esse posicionamento retrógrado e antiprogressista do BB torna-se um desastre para a nossa economia. Adotando uma política similar à dos bancos privados e cobrando juros exorbitantes que chegam a quase 150% ao ano, enquanto a inflação não passa de 8%, o BB presta um "desserviço" ao povo calmonense e torna-se uma pedra no caminho do desenvolvimento do nosso município.

"Fé sem obra é morte" - Parte I

Por Wesley Bonfim
Janeiro de 2002

"Dias sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão da caridade de quem me detesta" (Cazuza)

A temática político-social deveria estar na pauta de qualquer entidade, seja ela associação comercial ou comunitária, escola, prefeitura ou mesmo igreja. Mas é relevante o total desinteresse da grande maioria dos protestantes c católicos por essa questão. Isso fica latente na apatia dos "irmãos" diante de questões políticas (e não digo política partidária de PFL, PT, PL...) e no egoísmo exacerbado que tem origem nas ideias burgo-calvinistas do século XVI.

Como dizia Robson Cavalcanti, pastor e historiador, muitos "crentes" vivem um "Triângulo das Bermudas*': casa-trabalho-igreja, alheios às questões políticas.

Mas a conversão não devia tornar o indivíduo apolítico ou mesmo limitá-lo a uma discussão acerca da genealogia de Davi, de quem matou Caim, OU se a fruta que Eva comeu foi maçã ou banana; ao contrário, devia levá-lo a questionar a estrutura montada à custa de picaretagens, mutretas, roubalheiras, perseguições etc.,

No entanto, o que se vê são profissionais da fé "(sacerdotes em que a busca por um emprego seguro e bem remunerado sobrepõe-se ao dom) que recebem salários bem além da realidade local, custeados por aposentados e por pessoas que, na maioria das vezes, ganham menos que o necessário para

...em alguns templos é possível vermos pessoas "bem nascidas", que jantam caviar com lagosta e se limpam das merdas que fazem com papel higiênico perfumado...

a sobrevivência de forma digna, e que além disso induzem os fiéis a votarem em determinados candidatos por algumas dezenas de cadeiras.

Outrossim, em alguns templos é possível vermos pessoas "bem nascidas", que jantam caviar com lagosta e se limpam das merdas que fazem com papel higiênico perfumado, "louvando ao senhor", despreocupadamente, ao lado do irmão desemprega­do, que se sabe lá se jantou, não faz merdas mas tem que se limpar com urtigas. A discussão sobre a fome e a miséria e mesmo sobre programas para amenizar estes problemas não fazem parte da Teologia porque os que controlam a massa são "bem nascidos" e tais coisas não os afeta. Sendo assim, sobra tempo para transformar os "tapetes" em passarelas para exibição de seus modelos Ellus, Fórum, Mitchel, Nike, Mizunos moda masculina e feminina (até onde o calvinismo burguês conseguiu desfigurar o Cristianismo!?).

Oxalá a ideologia, o caráter revolucionário/ questionador, o inconformismo com as injustiças, a humildade, a mansidão, o domínio próprio, o AMOR..., que compõem a personalidade de Cristo possam sobrepor-se aos interesses capitalistas de padres e pastores que andam em carros blindados e posam de "Pop Star", para que, de fato, os cristãos sejam "sal" e'Muz".

Espaço do Leitor - "Estou apenas começando"

Por Vírus
Janeiro de 2002

"Estou apenas começando"

Em primeira mão, quero, com muito carinho, agradecer à equipe do Jornal Vírus pela reportagem da página 2 da edição número 4, pela atenção dada à minha participação no III Prêmio Banco Real de Talentos da Maturidade.

Valorizo essa equipe talentosa do Vírus, pela clareza e objetividade com que tratam os assuntos de interesse local e gostaria de dizer-lhes que me sinto lisonjeada por pertencer a uma comunidade onde os jovens procuram um espaço para a sociabilidade e comunicação, enaltecendo esta cidade que muito amo.

Parabéns!

"Aos moços

Eu sou aquela mulher A quem o tempo Muito ensinou. Ensinou a amar a vida. Não desistir da luta. Recomeçar na derrota...

...Acredito nos moços. Exalto a sua confiança, Generosidade e ideal is- mo... (Cora Coralina) Dalva Almeida Silva.

OS LEITORES INTERESSADOS EM PUBLICAR ALGUM ARTIGO DEVEM ENTREGAM CÓPIA DO TEXTO, ASSINADA, A QUALQUER DOS MEMBROS INDICADOS NO EXPEDIENTE DO JORNAL.

Concurso Público Municipal

Por Adiel Oliveira
Janeiro de 2002

Foram abertas as inscrições para o concurso público municipal visando o preenchimento de vagas em diversos cargos, dentre os quais: professor, auxiliar administrativo, merendeira, gari etc. Serão oferecidas 100 vagas. As inscrições tiveram início dia 29 de janeiro e: terminam em 09 de fevereiro. Muitos estavam ansiosos pela realização deste concurso, queriam saber quais as vagas que seriam oferecidas, qual o início das inscrições, quais os vencimentos, qual o conteúdo programático etc, porém o executivo municipal ainda não tinha apresentado nenhuma informação. Subitamente fomos surpreendidos com a publicação do edital, o qual se encontra afixado no mural da prefeitura. Agora foram sanadas as dúvidas dos interessados, já se sabe quase tudo sobre o concurso. O que não se sabe é sobre a prova, pois o edital acabou de ser publicado e, comenta-se pela cidade, em menos de trinta dias do linal das inscrições as provas já serão realizadas. Concluindo, os concorrentes não terão tempo de se preparar, será uma verdadeira loteria. Diante da difícil situação porque passamos, principalmente por causa dos altos índices de desemprego, e do grande crescimento demográfico, a concorrência, em relação a vestibulares e concursos públicos, tem aumentado de forma surpreendente. Um fato interessante é que a concorrência A resposta para este problema não está apenas na falta de estrutura das escolas, ou no despreparo de professores, a verdade é que a maioria do alunado não quer estudar, só o faz para passar em provas de avaliação e va! para, no limite mínimo possível, obter a conclusão da série que estiver cursando. Era importante que a Secretaria Municipal de Administração tivesse apresentado as informações básicas sobre o processo seletivo aos... A resposta para este problema não está apenas na falta de estrutura das escolas, ou no despreparo de professores, a verdade é que a maioria do alunado não quer estudar...

aos que pretendem realizar o concurso municipal, e isso com a máxima antecedência possível, para que todos pudessem se preparar e escapar da chamada "loteria", entrando para a concorrência com reais condições de aprovação. Verdade é que quem quer mesmo corre atrás, e começa a estudar com antecedência, mas como fazer um plano de estudo sem saber quando será realizada a prova; e estudar o quê, se não se sabia quais assuntos seriam cobrados? Muitas dúvidas surgem quando da realização de um concurso público, além das desconfianças em relação ao favorecimento político, neste caso não se sabe nem qual vai ser a empresa que realizará o concurso Mas, muitas dúvidas foram sanadas com a apresentação do edital. É hora de pensar na prova! Vale lembrar que as pessoas que já estão trabalhando poderão concorrer, o que não poderão fazer é assumir (acumular) dois cargos, salvo nos casos previstos na Constituição Federal, que são, de acordo com o art 37, XVI: a) a de dois cargos de professor; b) a de um cargo de professor com outro, técnico ou científico; e a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas. Quanto ao favorecimento político es-pera-se, dos realizadores do processo seletivo, que obedeçam aos princípios da administração pública, principalmente quanto à legalidade e moralidade, mostrando o mérito da conceituada administração que vem sendo desenvolvida neste município, fazendo uma seleção honesta. Existem algumas dúvidas no edital, como por exemplo a exigência do curso de digitação; na verdade deve ser realizada uma prova prática, onde serão escolhidos os digitadores aptos, dentre os aprovados na primeira etapa. Aos participantes do concurso boa sorte e muita tranquilidade na hora de fazer a prova, pois muitas oportunidades ainda virão. Não se esqueçam de estudar muito!!!!

Wu-Wei

Por Marcelino Pinto
Janeiro de 2002

A pressa, amigo, é um pecado, para atravessar janeiro antes de qualquer coisa é preciso desprendimento, Fugere Urbem (fugir da cidade). A fragmentação é o lema da cidade: stress, fobias, excitações, caos, o fantasma da fome que apavora diariamente milhares de corpos, sistema de saúde falido, homens, mulheres e crianças que se amontoam nas ruas e praças, a violência, o consumo, a corrupção, a impunidade, o hedonismo, a mídia que transforma o nosso cotidiano em coisas verdadeiras que não estão ao nosso alcance: GLOBOCOLONIZAÇÃO CULTURAL.

O coração de janeiro é o sossego. Para ficar tranquilo nesse mês é preciso eliminar a mania de correr riscos, tomar banho de chuva, deixar a grama sob os pés, olhar o horizonte laranja quieto, ouvir o rumor de mandíbulas triturando o pão de cada manhã e balançar-se numa rede devagar... devagar na passagem das horas mansas.

Para atravessar janeiro também é preciso refletir e sentir a crueza da barbárie, da alienação da urbe como o espaço da convulsão, da miopia cultural que rege o que comer, o que beber, o que vestir, são mapas desorientadores que nos dão a sensação de felicidade diante de nossa mediocridade e busca desenfreada pelo prazer acima de qualquer interesse e de qualquer um: narcisos sedentos pelo gozo ilimitado.

Para atravessar janeiro é fundamental reaprender a amar. sorrir, beijar, cumprimentar, fazer amor, trabalhar, ouvir, ser humano já seria um bom começo para atravessar janeiro. Feliz ano novo. Paz na cabeça, juízo e muito equilíbrio. Vírus.

Entrevista

Por Vírus
Janeiro de 2002

Secretária da Educação avalia o ensino no município

Há vinte anos trabalhando na educação, formada em Magistério e no Curso Técnico em Contabilidade, Ângela Marques de Almeida, Secretária Municipal de Educação, recebeu Vírus em sua cômoda sala no órgão municipal para uma discussão sobre os rumos da educação calmonense.

Vírus - Como surgiu a oportunidade de ser Secretária Municipal de Educação e como você encarou isto?

Angela - Nunca foi o meu sonho ter cargos. Os cargos foram surgindo com o tempo; prime iro quando eu estava na direção do Colégio Municipal, onde trabalhei por dois anos. No final do meu segundo ano no cargo Caca foi eleito e me fez um convite para que eu estivesse à frente da Secretária de Educação. Fiquei preocupada em assumir, pois sabia que a responsabilidade era muito grande. Mas o convite surgiu do resultado de um trabalho que estava fazendo no Colégio Municipal.

V - E ao que você atribui o fato de eles terem cogitado o seu nome.

A. - Muita gente em Miguel Calmon questiona por eu não ter nível superior e estar como Secretária de Educação, mas mesmo sem ter o nível superior, algo que eu quero fazer, surgiu a indicação pelo resultado do trabalho que eu estava fazendo na educação. Antes de ser diretora do Colégio fui Co-ordenadora Pedagógica e vejo que foi o resultado da minha história de trabalho.

V - A Secretaria de Educação tem algum projeto para trabalhar a questão das drogas e da prostituição infantil?

A - Uma das coisas que acon-teceu durante o ano de 2001 foi o Plano Municipal de Educação. Nós estamos com o plano municipal do ano 2002 até 2005. Dentro do nosso plano nós colocamos esses temas, como é do conhecimento da equipe de educação pública, porque de uma forma ou de outra, nós temos trabalhado. Quando a gente faz o projeto pedagógico, anualmente, sempre colocamos esses temas. Eu acho que o Vírus tem razão em falar sobre isso, eu acho que a gente ainda tem falado pouco, mas nossas escolas de primeira à quarta fazem um trabalho desse em cima de drogas. Trabalha-se até a questão da "baga" de cigarro e do "restinho" de cerveja que acham no copo. O que precisamos é aprofundar majs. Hoje nós não temos um projeto específico. Claro que iremos trabalhar na Semana Pedagógica com os professores, inclusive com a participação da Secretaria de Saúde.

V - Qual a sua opinião sobre as classes multiseriadas, isso não atrapalha o processo de ensino-aprendizagem?

A - Classes multiseriadas têm sido um ponto negativo, não só em Miguel Calmon, mas, em todo o Brasil. Nosso sonho é, se possível, acabar com estas classes. É difícil. A primeira coisa que nós estamos tomando providência é quanto à nucleação - que é a divisão do município em núcleos, nos quais vão ficar escolas de uma determinada região e onde cada núcleo terá um diretor, quando antes era um só diretor para todas as escolas primárias da zona rural. De início nós não vamos acabar totalmente com essas salas mas em determinados locais o professor fica em um turno com as primeira e segunda séries e, no outro, com as terceira e quarta, mas só quando uma escola está perto da outra. Nós já este trabalho em Brejo Grande no ano passado. Com a nucleação vai poder melhorar muito nesse sentido, não podemos fazer total-mente, por causa da distância de uma escola para a outra. E em segundo lugar um projeto do MEC, chamado Escola Ativa, que trabalha com a sala multiseriada. Nós estamos im-plantando o projeto este ano.

V - Como será a escolha dos diretores dos núcleos?

A - Será uma seleção feita pelo prefeito, com cargos de confiança, claro que não estaremos olhando só aqueles que votaram no prefeito, mas alguém que tenha condição de estar fazendo o trabalho e que tenham experiência. Estes diretores serão habilitados com uma capacitação.

V - Qual a sua opinião sobre o PETI?

A - Eu sou gestora do PETI, embora este programa não faça parte da minha secretaria, existem pontos negativos como qualquer um outro projeto pode ter, mas tem pontos muito positivos. Nós tivemos resultados excelentes com o PETI na zona rural, um dos exemplos que eu posso dar foi o de Itapura, com Rafael, que obteve um bom resultado. Um dos problemas do PETI foi a escolha dos alunos. O Governo Federal exigiu que a escolha dos alunos fosse feita sem a intervenção do município e delegou à UFBA esta responsabilidade, por isso crianças que precisavam receber esse benefício não foram ca-dastradas. Outro problema é o da indisciplina, e eu não coloco a culpa nos monitores, porque as crianças escolhidas, na maioria, são muito peraltas. Os monitores foram preparados mas são muito jovens ainda. Para amenizar este problema o prefeito colocou duas pessoas mais experientes para trabalhar com eles.

V - As crianças que frequentam o PETI têm algum acompanhamento psicológico?

A - Nós não temos ainda, em Miguel Calmon, um psicólogo para fazer esse trabalho. Na parte pedagógica o quem tem ajudado muito é que os monitores participam do planejamento com os coordenadores pedagógicos. Na verdade nós precisamos ainda da participação de um psicólogo ou de um psicopedagogo, para estar trabalhando com a gente, orientando os professores.

V - Quais as vantagens e desvantagens do Fluxo?

A - Primeiro eu gostaria de falar do programa Educar Para Vencer, que é do Governo do Estado para os municípios que quiseram, e Miguel Calmon foi um deles. Esse programa trabalha com gestão escolar para os diretores, a gestão municipal que é para os Secretários de Educação e tem o Fluxo para os alunos. O que é o Fluxo? E onde vai acontecer a regularização da idade/série. Muitas pessoas questionam o Fluxo, mas os resultados são bons, por exemplo: ouvi o depoimento de uma mãe da zona rural, onde tem uma sala de aceleração quando ela disse da satisfação do filho com idade avançada que, conseguiu passar e já vem estudar a quinta série. O programa não é algo bitolado, o professor pode fazer aquilo que estiver dentro da realidade dos alunos. Estaremos, dentro de três anos, acabando com o problema de defasagem idade/série e resgatando a autoestima do aluno.

V - Durante a paralisação dos professores o prefeito cortou o "ponto" dos dias não trabalhados. Qual a sua opinião a respeito desse incidente?

A- Eu estou secretária hoje, amanhã... mas sou professora. Sempre participei dos movimentos de greve em Miguel Calmon. Quando começou aqui a APLB (Associação dos Professores Leigos da Bahia) fui nas escolas dos municípios com a equipe da época (Águeda, Celeste...) para dizer aos professores que deveria também se filiar a APLB. Não vejo problema nenhum em fazer esse tipo de movimento, agora sempre que participávamos sabíamos que poderíamos ter cortes. Então quando o prefeito toma essa posição de cortar os dias é normal e do conhecimento de todos que participam de movimentos de greve, é algo que ele pode fazer e não vejo como um erro ele ter cortado.

V - Quais as perspectivas e projetos para a educação calmonense para 2002?

A - Para a gente, os projetos que vão melhorar são: a Nucleação, que é algo qúè nos estamos esperando para melhorar mais a educação em Miguel Calmon; outra coisa é a ampliação da pré-escola, principalmente na zona rural, que é obrigação de município e que nos vemos com a base da educação e algo que eu estou esperando com muita expectativa é o Concurso Público que vai nos deixar sem aquela preocupação de saber quem colocar para trabalhar ou porque colocar.

V - Como se processará a estadualização do Colégio Municipal, e quais os possíveis benefícios?

A - Como é do conhecimento de todos, com a nova LDB -Lei de Diretrizes e Bases - é obrigação do município apenas a pré-escola e o ensino funda-mental. O Estado é o responsável pelo ensino médio. Até agora ficou sobre a responsabilidade do município e isso acarretava muitas despesas. Com a estadualização a despesa com o ensino médio vai ser revertida para a pré-escola e para o ensino fundamental.

V - Ultimamente tem diminuído muito o número de alunos aprovados no vestibular. Em sua opinião o que está acontecendo, qual a causa deste acontecimento?

A - Para mim, o principal motivo é a concorrência do vestibular. Em Jacobina a concorrência cresceu muito, muita gente que vai fazer o vestibular fez um cursinho em Jacobina ou em outras cidades. Os resultados em 2000 e 2001 cresceram com a aprovação de 11 alunos para Jacobina, Paulo Afonso, Bonfim e Salvador.

V - O curso de Magistério vai ser extinto, isto por con¬ta da estadualização. Como vai ser no futuro, vão faltar professores primários?

A - O curso de magistério não esta sendo extinto por conta da estadualização e sim por uma decisão do MEC visando uma melhoria do ensino fundamental, onde todos deverão ser pro-fissionais com nível superior.

V - O povo calmonense deseja muito uma universidade no município, o que vem sendo feito em relação a esse objetivo?

A - Este é um sonho antigo e eu tenho muita vontade de ver M. Calmon com uma universidade, como também é o do nosso prefeito Caca. Mas um dos grandes problemas é o custo para manter uma universidade no município. Outra questão é a qualidade desta universidade, pois não queremos trazer algo que venha só preencher esta lacuna, estamos anajisando também a qualidade, o reconhecimento no MEC e cursos que venham atender às necessidades.

V - Em relação aos salários dos professores, alguns acham que o valor da hora-aula é muito baixo, e a senhora o que acha?

A - O salário do professor ainda não é condizente com uma profissão tão importante, mas é a realidade de todo país. Como é do conhecimento de todos a prefeitura de Miguel Calmon tem pago dentro daquilo que recebe do FUNDEF e está totalmente em dia.

V - A educação em Miguel Cajmon vai bem?

A - Não gosto de dizer que "vai bem", mas que estamos trabalhando em prol da qualidade do ensino aprendizagem em nosso município. Para isso, temos in-vestido e implantado programas como o PCN EM AÇÃO, PROFA (Programa Para Professores Alfabetizadores), com o objetivo de capacitação dos profissionais envolvidos no processo educacional da educação infantil ao ensino médio.

Dia D

Por Antonio Leal Júnior
Janeiro de 2002

Que dia você anunciaria como o dia mais importante da humanidade? O nascimento ou a ressurreição de Cristo? Ou selecionaria os 33 anos de Sua vida santa? O fato é que com certeza foi dentro deste período de pouco mais de três décadas que o mundo viu nascer o mais importante momento das nossas existências. Quando Jesus morreu qual era o número de Cristãos? Não se sabe ao certo, mais durante estes 2001 anos multiplicou-se sem limite, chegando hoje a mais de 2 bilhões de pessoas que buscam seguir um Homem que apenas com a força de seus atos e palavras modificou a biografia do planeta. No ano de 1998 foi concluída uma pesquisa, por teólogos ingleses, que buscava localizar citações na História que falassem de Cristo fora das Escrituras Sagradas, e identificaram textos falando de um homem que curava doentes e encantava multidões com seus sermões, e por eles era seguido por onde andasse. Outra prova física da existência de Cristo é o Santo Sudário, desde a descoberta deste tecido que envolveu o corpo de Jesus e deixou impressa sua silhueta, que incrédulos tentam identificar a "técnica de pintura" utilizada, porém, nem as mais recentes formas de pintura conseguem produzir um novo Santo Sudário, nem teriam como. Na verdade não há necessidade de provas materiais para sentirmos a presença de Deus, qualquer pessoa sente que existe um poder infinito.

Os ateus dizem que nós cristãos buscamos a explicação do que não conhecemos ou não entendemos, com a fé, porém, eles é que buscam segurar-se na ciência para esconder-se do poder de Deus. Acreditam facilmente em qualquer teoria fictícia de qualquer cientista tresloucado. O ateu normalmente é alguém que teve alguma decepção com a Igreja ou com algum membro dela, ou sofreu alguma forma de pressão por parte destes, dessa forma, declarando-se ateu ele tenta atingir aquela pessoa ou aquela Igreja que o decepcionou ou pressionou. O mundo vive o seu pior momento, crimes e atrocidades inacreditáveis acontecem todos dias, tudo isso é gerado pelo distanciamento cada vez maior de Deus. Qual é o dia mais importante da sua existência? Talvez você diga o nascimento de um filho, ou a formatura tão sonhada, ou talvez você nem tenha lembrança deste dia, porém, o dia mais importante de sua vida será sempre o dia em que você conseguir evangelizar alguém. Foi essa a missão de Cristo. E devemos fazer nossa essa missão. Procure ler a Bíblia; esta leitura lhe acalmará nos momentos difíceis e ampliará sua alegria nos bons momentos.

PETI: ainda outra mentira... ...ou programa de qualidade?

Por Gianluca Guidetti
Janeiro de 2002

Todos sabemos que o Brasil tem a capacidade de elaborar programas, planos e leis boas que mexem com as situações sociais, econômicas e políticas difíceis. Muitas vezes, porém, sejam as leis, sejam os programas e os planos, ficam inobservados e não atuados. O esforço e a dificuldade de atuar e de cumprir a Constituição Federal representam um exemplo nesse sentido. Também nas realizações dos projetos e programas sócio-educativos esta dicotomia acontece. O PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, que tem como objetivo retirar as crianças e adolescentes, de sete a quatorze anos, do trabalho considerado perigoso, penoso insalubre ou degradante) representa ainda outro destes "planos perfeitos" bons no papel mas com grandes dificuldades para serem cumpridos na prática. Nas suas linhas gerais o PETI pode ser, de fato. um subsídio proveitoso na luta contra o trabalho infantil; na realidade em todos os lugares onde ele existe está mostrando seus limites e principalmente a escassez de um conteúdo pedagógico-educativo de reforço. Em primeiro lugar o PETI é um programa "incompleto", quer dizer, os atores principais (crianças e adolescentes) estão comprometidos até os quinze anos. E depois? Qual é o futuro deles? Desse jeito os meninos e as meninas ficam desorientados e confundidos sem ter certeza do seu destino. Parece como que se um choque psicológico tomasse conta deles e os enchesse de medo para o amanhã. Até o mecanismo da "bolsa" (neste caso R$ 25,00) pode se tornar uma forma de assistencial ismo que não cabe na relação qualidade de vida e crescimento monetário objetivado pela "bolsa". Além disso, existem outras dificuldades com este programa como: 1- A corrupção em alguns municípios na gestão dos programas sociais; 2- A carga de trabalho onerosa e pesada que os monitores devem suportar. Será que vale o salário que eles ganham? 3- A falta de uma formação técnica dos monitores, do grupo gestor, dos agentes de famílias: por exemplo sinto a necessidade disso para mim mesmo; 4- O risco elevado e concreto de uma desvalorização e baixa auto-estima nas crianças e adolescentes gerada pela camisa, boné e bolsa que parecem uma divisa, uma marca, uma etiqueta para eles. Eles, se confrontando para com os outros meninos(as,) se vêem diversos não somente exteriormente mas, sobretudo, interiormente. Aqui em Miguel Calmon, felizmente, há sinais positivos que deixam esperar com que a criança e adolescente se tornem sujeito de direito e não objeto de programas assistenciais. Sendo membro do grupo gestor me cabe falar com as pessoas mais envolvidas no programa, e estou vendo uma grande vontade de levar o PETI a verdadeiro instrumento educativo que deveria ser. Há um desejo grande de todos que trabalham nesse programa de investir e gastar tempo e energia para que a "bonita caixa exterior do PETI" se encha de conteúdo. Os sinais são positivos. Eu já encontrei mais de uma vez o prefeito Caca falando sobre a necessidade de se implantar em Miguel Calmon uma EFA (Escola Família Agrícola). Poderia ser uma pos- sibilidade concreta para enfrentar o problema da saída, do programa PETI, dos meninos(as) com quinze anos de idade que moram na roça e que têm uma vocação agrícola. O prefeito não recusou a proposta e deixou aberta a porta veremos. Para com os monitores gostaria, neste ano, de começar a trabalhar através de subsídios, livros, encontros e outros materiais no sentido da formação. Esperamos, portanto, continuar este caminho rumo a um programa de qualidade e de profissionalismo que seja útil instrumento para o crescimento físico, psicológico e sócio-pedagógico das nossas crianças e dos nossos adolescentes.

Calmonense Campeão Brasileiro

Por Zélis Pereira
Janeiro de 2002

Mês de agosto de 1996, estava na corrida Duque de Caxias, em Jacobina, e para minha surpresa na hora da premiação, escutei o nome de Miguel Calmon, era um atleta que tinha chegado em primeiro lugar na categoria juvenil. Procurei-o logo após a premiação e propus ajudá-lo procurando patrocínio para que ele participasse do campeonato baiano. Começava aí a carreira mais brilhante de todos os tempos de um atleta filho de Miguel Calmon. "Os resultados obtidos por Nion (Laelson Silva Santana), com apenas vinte e um anos de idade, são de impressionarem qualquer lugar do mundo", assim comentava o organizador do evento e atual presidente da Federação Baiana de Atletismo (Robson). Nion participou do campeonato baiano em 98, foram nove corridas e nove vitórias, primeira vez campeão baiano (juvenil), em 99 repetiu os mesmos resultados obtidos no ano anterior sagrando-se bi-campeão baiano. Ainda em 98 foi convocado para a seleção baiana e disputou o campeonato brasileiro (circuito de rua). Houve vitórias importantes no brasileiro: 1º lugar juvenil (Corrida Garoto) no Espírito Santo, 5º colocado na São Silvestre juvenil dentre outras. Para a surpresa do pessoal do Sul do país um nordestino, baiano e calmonense, sagrou-se campeão brasileiro de circuito de rua em 1998 concorrendo com atletas de grandes clubes brasileiros como Cruzeiro, Vasco e São Paulo.

Em 1998 contei a história de Nion e falei sobre sua dificuldade em conseguir patrocínio para um aluno de minha academia. Nascia aí a parceria vitoriosa entre o Labclin, na pessoa de Coco, que apostou em seu talento, e Nion. Temos também o apoio da prefeitura municipal, que nas viagens longas ajuda para que Nion leve o nome de Miguel Calmon para todo Brasil. Nion é hoje um atleta adulto e ocupa o terceiro lugar no ranking do Estado, e está entre os 15 melhores do Brasil, com apenas um ano no adulto. Ele participou da última São Silvestre, ficando em quadragésimo lugar no geral, sendo o segundo atleta baiano a completar a prova, perdendo apenas para Manoel Teixeira, o Teixeirinha. No futuro, se depender de Nion, não faltará dedicação e empenho. Esperamos que o apoio continue e cresça, porque novos talentos já foram descobertos, só precisamos de tempo para termos novos "Nions", fazendo a glória de Miguel Calmon na Bahia e no Brasil.

P.S. Agradecemos a Coco, Caca, Malaquias e Maurício pelo apoio que deram a Nion e a todos nós que amamos o atletismo.

Limpeza Pública - "Deus dá um dom a cada pessoa, e o meu é lidar com outras pessoas".

Por Vicente Ferreira da Cruz
Janeiro de 2002

Vicente Ferreira da Cruz.

O lixo é fruto das diversas atividades da população de nossa cidade, tendo origem em residências, no comércio, nos logradouros públicos, feiras livres e unidades de saúde etc.


O lixo é um ambiente favorável a alguns animais como por exemplo ratos, mosquitos, moscas, baratas etc. que transmitem doenças ao homem por contato direto ou indireto. O primeiro, se dá através das pessoas que têm contato direto com o lixo, sem o uso de equipamentos adequados. Aõ contato indireto todos nós estamos sujeitos, este é o que se dá através do ar, provocando as doenças respiratórias, através da água quando ela está contaminada, e através da terra, quando a pessoa mantém contato sem o uso de proteção - equipamentos adequados que evitem a contaminação.

Uma das formas mais práticas para manter nossa cidade limpa é não jogar lixo nas ruas, não jogar lixo nas margens dos rios, não o colocar em locais inadequados, como beiras de estradas ou em terrenos baldios. Esse é um dos problemas que enfrentamos: as pessoas quando têm um lixo a ser jogado fora, sempre jogam em terrenos baldios ou em estradas, não sabendo que estão sujeitos a multas, se forem encontrados cometendo tal infração.

Tenho consciência do meu trabalho e das minhas responsabilidades, nos dias atuais não falaria que nossa cidade é mais limpa da região, pois sei dos problemas que ela enfrenta. No centro a situação está equilibrada, mas nos bairros ainda existem alguns pontos de lixo. Nós do setor de limpeza pública não estamos de braços cruzados só olhando sem nada fazer. Recentemente organizamos o primeiro mutirão pela limpeza do bairro José Lúcio, unindo a comunidade daquele bairro com alguns funcionários da prefeitura. Também foi criado pelo secretário de administração, o Sr. Ernani Pinto Varjão, o concurso "Meu bairro é o mais limpo", para incentivar a limpeza nos bairros. O prêmio para o bairro ganhador será uma obra no valor de R$ 10,000,00 (dez mil reais). Se o setor de limpeza pública funciona bem é porque o prefeito Caca e o vice Humberto, apoiam e se preocupam com a limpeza de nossa cidade. Não poderia também deixar de falar da minha equipe de trabalho, pessoas que sempre que preciso, seja em época de festa ou não. posso contar com elas. Obrigado ao Jornal Vírus pela oportunidade, ao prefeito Caca, ao vice Humberto e ao secretário Ernâni pela confiança no cargo, e pela confiança depositada diariamente em mim.

 

Vicente Ferreira da Cruz - Chefe do Setor de Limpeza Pública.

O outro lado da lua

Por Iran Rios
Janeiro de 2002

"Não há mais nada que seja tão prejudicial a uma nação como serem considerados sábios os espíritos dos que governam"
(Francis Bacon)

A época atualmente vivida pelo mundo pode apropriadamente ser chamada de aceleração contemporânea. Ela permite pensar que se suprimem distâncias e intervalos e que as ideias de duração e sequência estão substituídas pelas de instante e transitoriedade. A verdade é que a causa dessa mudança na percepção de tempo e espaço se encontra nas forças económicas que, em seu exclusivo benefício, impõe um relógio à humanidade como um todo. Isso é obtido através do domínio indiscutível do di-nheiro e com a ajuda de uma in-formação "cortada", que justifica e alimenta as novas modalidades de dominação. A época se apresenta como algo de amedrontar e ao mesmo tempo como uma fatalidade insondável, levando muitos à conformidade e outros ao desespero, enquanto outros tantos buscam ardentemente compreender o mundo em que vivemos para melhor se situar em face do presente e do futuro. A tomada de consciência é uma questão de tempo. E o Brasil ? As chuvas de dezembro abriram o verão e fecharam a primavera. Para a natureza, é um inicio de um novo ciclo, um período em que ela se renova. Mas a vida segue em curso e o fenómeno não inspira, de igual forma, mudanças em outros campos. O país, por exemplo, permanece inalterado frente às corrupções, à impunidade, à miséria crescente, à destruição do meio ambiente, à manutenção do analfabetismo e do desemprego.

Estação vai, estação vem, os atores trocam os papéis, e algumas situações, peculiares, mas abomináveis, tornam a acontecer. Aqui se constrói uma sociedade embriagada, que há quase uma década está com um presidente no poder. O menino de rua que tinha quatro anos, quando ele tomou posse, hoje tá crescido, já é um homem, quer dizer, pelo menos em partes, já que lhe tomaram uma escola hipócrita, já que lhe tomaram a chance do primeiro emprego, já que lhe negaram saúde e roupas limpas; pelo menos o governo foi bom em duas coisas com ele, lhe deu armas e drogas à vontade, isso não podemos negar, mas acho que nem vou falar do FHC, ele não merece seu nome no VÍRUS. Friamente analisando nem dá para falar de nada, é tudo tão triste, sangue, vivemos num país sem passado, um país de histórias inventadas, de estarmos cegos, nossa vida é um retorno ao grande nada. Mas não somos fracassados, nós somos fortes e perigosos, tão perigosos que nos tomaram o estudo, a esperança, a valorização, o orgulho, o alimento, o passado, e mesmo assim estamos vivos. O que é cruel é ver o povo abandonado votando para outro lado. Penso no meu povo e em Deus, decido levantar a cabeça mais uma vez„ ficar de mãos postas a rezar para tudo melhorar este ano que pode ser novo, temos as armas nas mãos. Bom dia, Miguel Calmon, bom dia Argentina.

Humor

Por Vírus
Janeiro de 2002

Num circo de segunda categoria, o descuidado domador deixa a porta da jaula aberta e a certa altura do espetáculo, um dos leões escapa e vai caminhando lentamente em direção ao público.

No mais completo desespero, a multidão começa a correr pra todo lado e só um aleijado fica ali parado, suando em bicas, a poucos metros da fera.

Ao perceber a tragédia iminente, a turma começa a gritar: - Olha o aleijadinho!

- Olha o aleijadinho! Enfurecido, o aleijadinho responde: - Pô! Deixa o leão escolher!

Município em movimento

Por Vírus
Janeiro de 2002

O povo brejo-grandense anda às voltas com a Coelba. Há anos que a empresa não faz a limpeza da rede elétrica que está infestada de parasitas.

O povo quer saber de quem vai ser o prejuízo quando houver um (inevitável) curto-circuito e forem danificados eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos. Abre teu olho Coelba, é melhor prevenir do que remediar.

Está sendo realizado, na Sociedade XV de Novembro, desde o dia 13 de janeiro de 2002, o IV campeonato de dominó (organizado por Elso Barros). O evento conta com a participação de mais de 70 duplas da toda microrregião e tem mais de R$ 500,00 em prémios!

A GRANDE FINAL SERÁ NO DIA 03 DE FEVEREIRO!