Ano: V/ Nº 31 - Miguel Calmon, março de 2008

Quando a caca fede

Por Leandro Michel
Março de 2008

Vivemos em um lugar que já foi cantada em verso e prosa como a cidade que não é pobre, nem rica, mas feliz. Uma releitura desses versos nos daria um gosto amargo de saudade do tempo em que esse lugar não tinha dono e os sonhos e expectativas ainda eram comuns a todos.

Nossa cidade hoje tem donos e na medida em que o tempo passa eles vão ficando mais fortes, mais ricos. Os últimos treze anos nos dão um retrato claro sobre a realidade local. Nesses anos o povo ficou mais pobre, mais desassistido, mais ignorante, mais violento, mais beberrão, mais dependente químico e nesses mesmos anos o poder local construiu um império jamais imaginado. Nunca as elites locais enriqueceram tanto e tão rápido. O que se vê é estarrecedor, pois com tal poder eles subordinam, manipulam, cooptam a tudo e a todos.

Nos últimos dezesseis meses em que o Jornal Vírus esteve ausente o que se reproduziu foi o discurso dos que mandam desses que determinam o que se falar o que se pensar e até como se ouvir. Tudo para continuar causando a impressão de que moramos num paraíso e que aqui vai tudo muito bem. Ledo engano. Voltamos para desconstruir essa imagem fantasiosa, mostrar as vísceras desse poder imundo e acabar com essa falácia de que Caca e Humberto foram os melhores representantes públicos de Miguel Calmon. Não se esqueçam que os mesmos respondem a cerca de vinte processos por mau uso da máquina administrativa, isso, por si só, já e para mim suficiente para incriminá-los. E ainda pagam a um escritório de advocacia em Salvador nove mil reais mensais para produzirem liminares e livrarem suas caras de pau. Volta mos sim, para mostrar o outro lado da moeda, o mais caro, a verdade.

Assim reafirmamos que, mesmo com a presença dos vereadores Durval e Beth, supostamente de oposição, tudo continua como antes, pois comeram até se fartar a ração da conveniência e do comodismo. O que dizer da festa de confraternização no final do ano passado promovido pela câmara de vereadores no Rancho Catarinense, em Jacobina? Uma comitiva de cerca de 60 pessoas boca-livre e paga por nós! A novidade foi o entre e sai erótico do vereador que não foi: se sai Neide, ele entra; se sai Antônio Requião, ele entra; se sai Ubirajara, ele entra. Quanta decadência pra quem já teve pretensões maiores e hoje rasteja como um verme para buscar as migalhas de um poder que não lhe pertence mais!

A forma como vem sendo conduzida e educação pública municipal é imoral, vergonhosa. Diretores, vice-diretores, coordenadores, recebem, através de um salário diferenciado, vantagens e mordomias que nenhum professor tem. Os que trabalham na zona rural vão apenas uma ou duas vezes por semana à escola, os outros dias trabalham no órgão Municipal fazendo sabe-se lá o quê. O Projeto Chapada tão propagandeado não funciona, é dispendioso, e foi rejeitado pelos professores que optaram pelo seu cancela mento na presença do prefeito e da secretária de educação,o que não se confirmou.Os problemas não param por aí:Professores por falta de carga horária estão tendo que fazer mágica para poder ensinar várias disciplinas, o aluno agradece! Outros professores, da noite para o dia viraram articuladores, como são chamados. Pessoas inexperientes, despreparadas, que por falta de opção aceitaram o desafio.

Mesmo com tanta falta de carga horária, contratos e mais contratos estão sendo feitos, com algumas exceções, os contratados são pessoas que têm intima ligação com o poder, num clientelismo promíscuo e escancarado desses que nos governam. Com tudo isso o sistema público de ensino local tem um ambiente negativo e desestimulador para os professores, a escolha irresponsável de diretores, vice-diretores, coordenadores e até da secretaria de educação vem arruinando o ensino público calmonense é a "incompetência ignorada e a competência não reconhecida".

Leitores! O ex-prefeito Caca e o atual Humberto são mentirosos. Caca descaradamente mentiu quando afirmou que a prefeitura não tinha como pagar e cumprir o plano de carreira dos professores aprovado e sancionado por ele mesmo e seus onze cúmplices (vereadores) em 1998. Segundo informações obtidas por uma das pessoas que participou diretamente da elaboração do projeto,segundo ele o orçamento da prefeitura era totalmente compatível ao plano e tudo foi feito cuidadosamente para não onerar a prefeitura. Humberto também mentiu quando disse, depois de mais de dez anos no poder, que desconhecia o plano. Para alguém que foi tão inútil como vice-prefeito e agora como prefeito não é de se estranhar. Mas acreditar...



A verdade é que o professor, que na história de Miguel Calmon vem fazendo um papel tão importante, foi lesado, enganado, trapaceando, não só agora, mas de sempre. O que diferencia o passado do presente é que não tínhamos um plano de carreira, ao que nos apegar, agora temos, no entanto, não é cumprido. A discussão do novo plano limita-se a reduzir os ganhos dos professores, conquistados há dez anos. Em vez de estarmos buscando melhorias, novas conquistas, estamos discutindo o quanto vamos perder. Como se já não bastasse o que perdemos, eles fazem a merda deles e nós pagamos o pato. Isso e muito mais vem acontecendo em nossa cidade, mas ninguém sente nada, ninguém ouve nada, ninguém vê nada, ninguém sabe de nada. Diante dessa nuvem de sujeira física e moral em que estamos todos envolvidos. Encerro com os versos de Fausto Wolff, meu escritor favorito: "Senhores donos das pompas do mundo, vossas roupas estão tão emporcalhadas quanto vossas almas. Tomem tento, pois o inferno existe".

Leandro Michel

Editorial

Por Vírus
Março de 2008

Parece provocação, mas não é. Há exatos dezesseis meses saiu a nossa última edição, cujo tema de capa era: Por que não votar em Caca. Agora, depois desse nosso atraso recorde, quando muitos já davam por nossa erradicação, voltamos. Saímos do período de incubação com os mesmos objetivos: afrontar o consenso e tentar ser mais subversivo. A realidade é a mesma: os coronéis manipulando tudo, os índices de desenvolvimento humano comparáveis aos de cidades da África, onde a miséria impera em todos os níveis, a "oposição" medíocre e, como sempre, as autoridades (padres, pastores) vendidas, o Legislativo capacho, os jovens sem perspectivas e a novidade, os professores roubados. Quando menos se esperava, a máscara caiu. O que já estava borrado desmanchou-se. Muitos não querem ver e outros tantos, acostumados com a sua condição de baba-ovo, tentam retocar a maquiagem e seguir em frente, mas se esquecem que quando a caca fede é porque já está podre.

Quando o vento não sopra

Por Jesser Oliveira
Março de 2008

"A serpente que não muda de pele perece. A mesma coisa acontece com o espírito que não muda de opinião, cessa de ser espírito".
Nietzsche

De um tempo pra cá comecei a ver a vida como uma carga que às vezes nos remete a provar apenas o que somos. Que a mentalidade de uma geração é provada pelas mudanças que ocorrem no seu meio. Compreende mudança aqui, um produto de cortes, expressões, valores. Assim a mudança não é simplesmente, fator de mudar e sim, transformar, mostrar o que se é. A tarefa da mudança não cabe a um nome, a um sím­bolo, a uma ideia, mas a um lugar, numa men­talidade incorporada à coletividade. Quando o vento da mudança não sopra é porque há caos no meio, o pó que se encontra neste lugar se mantém ali mesmo, sem transporte, e esta permanência é o retrato da redução do espaço físico do ser, numa deturpação social-humana. Todo individuo, acomoda no interior, uma tendência a querer sempre algo de novo, de forma psíquica isto é real, mas para muitos, uma outra atitude é mais desejáveis, mesmo que para isto, o seu interior se corrompa, fique inerte.

O que muitas vezes coíbe a mudança é esta radical divisão simples do ser, erguida por uma consciência capitalista, subornável, que alimenta e sustenta, o que numa edição do Vírus, exemplifiquei ao citar John Milton: "Melhor reinar no inferno que servir no céu".

Com isto compreendi que têm pessoas a qual o significado do inferno não existe fora de um panorama cristão, ao falsamente confundiram o social com um prosaico pensamento em Deus, assim, fizeram vulgar a realidade da corrupção que habita neles próprios, somente por ser fundamental compreender que o tipo de voz que deveríamos ter, fosse à mesma conveniente que eles têm, a qual sustenta ao seu bel prazer nesta sociedade, uma aristo­cracia corrupta e burlesca. A linguagem que o Vírus traz nunca foi, e nunca será assim. Fizemos um rasgo de valores há muito tempo e por isto até hoje somos insultados na nossa liberdade, mas usufruímos como qualquer ser livre, da dignidade do pensar, de uma aliança feita com uma utopia, com a ideia de não ter outro panorama mental diferente do qual a Clarice Lispector provocou num dos seus textos: "Liberdade é pouco, o que quero ain­da não tem nome". Assim vir a publico dizer que temos sede de mudança é pouco, muitos já sabem disto, outros tentam anunciar apenas a mudança, outros silenciá-la, mas o melhor é que uma mudança nunca começa sem antes existir um caos, então estamos na terra certa, pretendemos está na rota de um bom vento histórico, pois pregar no deserto é melhor que se alimentar nos palácios.

Jesser Oliveira, poeta. http//:operadedescartes.blog.terra.com.br jesseroliveira@yahoo.com.br

Educação no trânsito

Por Edcarlos Santos
Março de 2008

Venho pedir, por meio deste jornal, que a secretaria de transito, ou órgão responsável, tomem providencias com a questão da sinalização da Av: Miguel Isabela com Trav: Rua da Linha. Pois, por falta até dé conhecimento das leis de transito muitos motoristas e ciclistas colocam em risco sua própria vida e a de pessoas Indefesas que residem no local.

É bom lembrar que as ruas citadas além de um grande fluxo de pedestres, é ponto de saída para os distritos de Bananeiras, Tanquinho e Mucambo. De acordo com o depoimento dos moradores dos dois locais, são frequentes as freadas devido ao abuso de seus condutores. Os moradores dos locais citados em grande número crianças, se sentem com medo temendo uma tragédia. Dois abaixo-assinados foram encaminhados para os órgãos competentes do Município, mas até hoje nenhuma providencia foi tomada.

Este mesmo problema já vem se arrastando desde a época que as ruas foram calçadas. É preciso que os motoristas, muitos deles menores de idade, sem nenhum conhecimento das placas de sinalização respeitem os limites de velocidade exigidos pelas mesmas, assim, como parar em cruzamentos perigosos.

Mas para isso, é preciso um trabalho conjunto. Em que haja fiscalização para cobrar dos infratores em suas infrações. Não podemos deixar que aconteça algo mais grave.

Para acordarmos pra essa realidade que acontece todos os dias, nas esquinas do nosso Brasil. Em fim, o meu apelo é para que o Órgão competente reveja seus critérios, e visite os locais citados para fim de vistoria.

Edcarlos Santos

Cidadão

Por Vírus
Março de 2008


Eu moro no papelão
Meu teto é uma ponte
Não tenho ilusão
Mas ferida tenho um monte
Minha água é encanada
Pelo esgoto da cidade
Nela vem misturada
Toda a realidade
Que no lixo foi jogada
Por ser pura efemeridade.
Como o que me doam
Ou o que tento roubar
As pessoas não me perdoam
Só querem me discriminar
E as palavras delas soam
Pra me atordoar, Pois todos me renegam, me excluem, me têm nojo.
E meus olhos se entregam
Ao seu puro entojo
E me levam Pra algum lugar nenhum...
Não me dão oportunidade.
Por um emprego me desespero
Pra ser alguém de verdade...
O s meus cinco filhos não mais sabem
Que podem viver melhor
Pois a realidade em que vivem
- a realidade de dar só -
E a única que se lembram
E a tapeiam cheirando pó.
O meu bicho
De estimação é um urubu
Que no lixo
Divide a comida com a mosca azul
E comigo também!
Pois, se esmola não vem.
Comida é no lixão
Porém lá tem
Muita confusão
Pois igual a mim lá tem
Muito "cidadão".
Eu não posso votar
Pois no papel não mais existo
Não posso me internar
E por isso na míngua resisto
O remédio é rezar
Enquanto pra viver insisto.
Mas por que será isto?
Não culpo o presidente
Pois nem sabe da minha existência
Sou só mais um indigente
Com pouca exigência
Mas só deixei de ser gente
Por culpa da minha demência:
Eu tive uma casinha
Modesta de pau
Porém era minha
Nunca me fizera mal.
Mas certa vez descobri
Um elemento infernal
Elemento que bebi
E ele me bebeu, afinal.
Era uma tal de cachaça
Que muito me fez mal
Pra ela, eu era a caça.
Meu dinheiro vulnerável animal.
O meu filho primeiro
Se encantou por uma menina
E eu, péssimo conselheiro.
O vi se quebrar por inteiro
Por causa da cocaína.
A menina, segunda.
De tanto empinar a bunda
Teve um filho e se juntou
Com um vagabundo
Que o próprio filho renegou
E matou.
O outro de meio
De tão deixado de escanteio
Pegou as trouxas e fugiu
Mas logo logo veio
Pois de tiro se feriu
Seu olho direito nada mais viu.
Uma menorzinha, tadinha
Vive adoentada
Mas por não ser registrada
Não pode ser tratada
E resiste, fraquinha.
O mais novo é bom ladrão
Pede um centavo e rouba um pão
É o que salva a família.
Ele anda com um facão
Pra sempre fazer a partilha.
Esta é a descrição da minha vida
Família muito unida
Só falta lhe apresentar
Minha mulher, margarida.
Que na meia noite sai
E vira mulher da vida.
Ela sempre vai
Muito colorida
Pra ver se traz
Um prato de comida
Após ser vendida.
Isto é a minha desgraça
Mas mesmo sem nenhuma graça
Prossigo firme e forte
Pois a esperança é a última que a traça
Como após a morte
Eu que pouco estudei
E fui arruinado pelos acontecidos
Que há pouco lhe contei
Vivo sempre ferido
Mas não porque sangrei
Mas porque meu coração partido
Faz-me chorar na minha desilusão.
Sei que o meu fim
Vai ser nesta inexpressão
Com tantos é assim,
Que me conformei, então.
Afinal, sou um cidadão!
Às vezes a polícia
Tenta me prender
E eu, com malícia.
Digo que não sei dizer
O meu nome
E os "home"
Não podem a ficha fazer.
Como ainda sei ler
Sei de tudo o que acontece
Mas no jornal ninguém vê
A miséria que se esquece
Por culpa da corrupção.
Ninguém neste mundo merece
Tanta atenção!
Sou um miseravão
Que vive em vão
Na podridão
Então,
Me dê uma mão!
Me dê mensalão!
Rima pobre, não?!
Mais pobre sou eu!
Que sou largado ao capeta
Jogado na sarjeta
Que não tenho nada meu.
Meus filhos miseráveis
Tratados como bandidos
São tão amáveis
Com seus dedos feridos
Que se tornam dispensáveis
Pra este mundo corrompido.
Minha mulher é uma santa
Apesar da profissão
Arruma tudo, até a janta.
E me desperta paixão.
E eu, que não sou nada.
Que sou homem falido
Sinto a dor desgraçada
De ser meu pai, mau marido.
Mundo, mundo, tão imundo.
Com poucos cheios de milhões
E milhões que não têm nem pouco
Continuaras imundo
Continuaras assim louco?
Sim, a massa é homogênea.
Em todo lugar
E por mais que a morte venha
Vamos continuar
A ser nenhum
A ser em vão
A ser comum
Comum cidadão.

Andressa Nui. Estudante Ensino Méi Colégio Augusto Gah Campo Form

Pra onde ir?

Por Pe Paolo Cugini
Março de 2008

Reflexões sobre as próximas eleições municipais

Agora a bagunça começou Carro de som pra lá, foguetes pra cá, inaugurações de obras, festas... Tudo alegria e beleza puralSerá que ninguém questiona o que aconteceu nas nossas cidades nos últimos três anos? Quantas obras foram inauguradas? Quantos trabalhos foram realizados? Prefeitos são eleitos pra cuidar da cidade, cuidar do dinheiro e do bem público. Quando um prefeito realiza uma obra, não fez mais do que seu dever. Pra quê essa palhaçada de festa de inauguração?

A realidade espanta. De um lado temos uma classe política que se formou na infeliz escola do carlismo, aprendendo a arte (seria melhor chamar de descaração) de usar o patrimônio público para se beneficiar. Do outro temos o povo que com esperteza aprendeu a comer as migalhas que caem a cada quatro anos das fartas mesas dos candidatos. È uma realidade geral, não apenas de uma cidade. É a triste realidade do Nordeste brasileiro, aonde a pobreza tornou-se uma fonte impressionante para se ganhar dinheiro.

É fácil enganar alguém que não tem nada ao qual nunca foi dada a possibilidade de instrução, atendimento médico de qualidade, de ser tratado e considerado como gente e não como uma simples mercadoria para se ganhar uma eleição. Mais difícil seria oferecer algo para alguém já abastecido e que não precisa de coisas materiais, mas sim de uma proposta política mais articulada e abrangente. A realidade é que temos na frente todo um povo que foi acostumado a enxergar o ano de eleições não como um meio para melhorias da sua cidade, mas para se beneficiar, tirar proveito. Quem criou essa mentalidade foram os políticos, que percebendo o tamanho do bolo (o dinheiro público) que a cada ano chegava à mesa da prefeitura, inventaram uma forma para segurar esta pobreza, que tanto dinheiro traz aos cofres públicos. É triste constatar que o PIB das cidades do Nordeste é igual ao de alguns países africanos. Anos de politicagem deixaram nossas cidades numa situação estarrecedora. Para muitos essa é uma realidade "normal" e errados são aqueles que bradam por justiça social. Alimentam a pobreza para se beneficiarem São sem escrúpulos, planejam suas formas de se manterem no poder.pois sem eles não são absolutamente nada,nada significam. Nessa situação não importa a competência, importa sim,a esperteza e a malandragem. Eles agem assim por muito tempo, enganando, corrompendo, fazendo com que o povo ache essa situação normal, é assim que pensa e age a classe política de nossas cidades. Quem tem caráter,sensibilidade,vontade de trabalhar,ajudar e amor ao próximo só se depara com sujeira. Nesse mundo de lobos,não tem espaço para mansas ovelhas. É a vitória da maldade sobre o bem, da corrupção sobre a legalidade, da estupidez sobre a inteligência que usa a esperteza pra se beneficiar sempre,do egoísmo sobre o amor.. É assim que eles entendem a política.

Durma-se com um barulho desses! Não podemos, de fato, chamar de inteligente uma pessoa maldosa, que usa a esperteza em negativo. É inteligente aquela pessoa que pensa o bem e utiliza as suas qualidades para beneficiar os outros. A final de conta foi Deus que criou homem a sua imagem e, um reflexo desta imagem é a inteligência que é tal quando é ativada para alcançar o bem. Pelo contrario, quando alguém utiliza o dom que Deus lhe deu para se beneficiar, esta não é mais inteligência, mas sim maldade, coisa do diabo. Escrevo estas coisas porque varias vezes escutei alguém chamando um cara esperto, daquela esperteza negativa que acabamos de citar, de pessoa inteligente. Não minha amiga, meu amigo: quem usa as próprias qualidades para enganar e explorar o povo, não é inteligente, mas sim um diabo!

E então, pra onde ir? Será que não existe saída? Sara que somos condenados a engolir toda via tamanha barbaridade sem conseguir dizer e fazer nada? A resposta não é nada fácil, também porque por ali os candidatos que estão se apresentando para as próximas eleições, não parecem serem muito diferentes dos outros. Ainda, porém tem tempo para esperar melhor, para estudar o retrospecto dos candidatos que estão se apresentando. Ainda tem tempo para esperar alguém que tenha moral, que tenha aquela única coisa que é impossível comprar com dinheiro, mas que pelo contrario é fruto de decisões tomadas, de atitudes, de jeito de viver, de qualidade de vida. A moral de uma pessoa vem do passado, isso quer dizer que não se improvisa. Tem moral pra ser candidato a prefeito ou a vereador quem há anos trabalha em prol do povo, quem conhece a realidade do povo, quem vive perto do povo. Ninguém merece mais candidato cuja fama é de ladrão, de cara fechada, de mal humorado/a e, nos últimos meses se apresenta com um sorriso de fazer inveja a Ver Fischer, dando carona pra cima e pra baixo, se passando de bonzinho, de boazinha quando na realidade sempre pensaram e continua pensando só em si mesmo e nos seus interesses.

Está na hora de acordar se quisermos viver em cidades diferentes, mas humanas, mais igualitárias precisamos abrir mãos do nosso egoísmo interesseiro e olhar mais na frente. O futuro, por incrível que possa ser, depende também do nosso voto. Então no dia 5 de novembro não jogue no lixo o teu voto: joguem no lixo os políticos que não prestam.

Pe Paolo Cugini
Pároco de Tapiramutá e professor de filosofia na FAFS( Faculdade Arquidiocesana de Feira de Santana).

TV não é mãe, nem professora. É termômetro da cultura de um povo.

Por Rejane Rios
Março de 2008

Há alguns anos trabalhamos em sala de sula dois textos intitulados "Somos águias" (Leonardo Boff) e "Ler deveria ser proibido", cujo autor não me recordo agora. Após o termino, uma voz ecoa no fundo da sala:

-Professora, quantas pessoas a senhora acha que conseguira mudar com a leitura i reflexão desses textos?

Hoje o que iremos abordar é como Chover no Molhado.

Só sei que não poderia me calar diante desse lixo que a Rede Globo coloca em nossas casas todas as noites. Falamos de um programa que na verdade não sabemos que denominação podemos dar. O mesmo chamamos de Big Brother. Antes de expormos nosso ponto de vista a respeito do programa é necessário entendermos o termo inglês Big Brother. Este surgiu no livro de George Orwell intitulado Big Brother (ou Grande Irmão) é ai o governo do mundo Ocidental em ficção. Representado pela figura de um homem, que, no fundo,n existe.vigia toda a população através de chamadas tele telas, governando de forma opressora e manipulando a forma de pensar dos habitantes.

Muitas pessoas afirmam que assistem ao programa porque querem, mais as opções disponíveis no horário que se diz nobre da televisão brasileira, nunca irão receber tantos investimentos quanto o tal BBB recebe.

Assim usa artifícios para atrair essa grande parcela de telespectadores fieis que o mesmo possui.

Quero ressaltar que a Rede Globo fatura milhões a cada paredão e isso a torna cada vez mais imponente. Será justo que estejamos a fortalecer, enriquecer um meio de comunicação detentor do poder cada vez mais? Uma população de miseráveis de como somos? O BBB é no fundo, só um negócio...

Sem contar que quanto mais pessoas mantiverem-se pressas a esse programa, mais os anunciantes de produtos de consumo pagaram a emissora pela a oportunidade de fixar suas marcas nas mentes manipuláveis do publico brasileiro.

O BBB no fundo, só um negocio...

O conceito de BBB é para nos um insulto a dignidade humana e as bases da vida em sociedade. Estimula o que há de mais terrível no caráter humano. Propõe uma guerra baseada em armas como a intriga, a calunia, a dissimulação, a mentira. Ensina que conquistas de ordem financeira são mais importantes que amizade.

O Big Brother é um programa tão medíocre, tão idealizante que infelizmente os autos índices de audiência servem para indicar os tristes rumos seguidos por nossa sociedade. Numa determinada noite Pedro Bial, o apresentador do referido programa deu o titulo de heróis aos participantes do mesmo. Heróis somos nós... Sou eu e você. Heróis são as pessoas que sobrevivem com misero salário mínimo, são também: os garis, os pedreiros, as empregadas domesticas, os professores... Enfim são todas aquelas pessoas que vivem a margem dessa sociedade capitalista. Heróis somos nós e não um grupo que vive numa casa cercado de mordomias, comendo o que há de melhor, porque muitos contribuem a cada paredão com suas ligações para eliminar mais UM que lá fora receberá o titulo de ex-big-brother e uma vida cheia de facilidades. Portanto o BBB é uma autodepreciação sem tamanho e estará contribuindo cada vez mais com um país desigual, mal educado, mal instruído, nivelado por baixo e dotado de um abismo social profundo.

Lançamos uma interrogativa: até quando iremos aceitar essa farsa que é o Big Brother? Até quando iremos contribuir com nossas ligações para que esse programa permaneça no ar?

Rejane Rios

Mentes Fechadas: Castração, Fanatismo ou Burrice?

Por Ivo Rios
Março de 2008

No mundo globalizado as informações adquiridas com grande facilidade. Através dos meios de comunicação podem-se conhecer a cultura, a religião, os costumes de praticamente todas as etnias contidas/inseridas nesse planeta Terra.

Assim, prega-se muito, e isso soa até bonito, em uma paz mundial, com respeito e tolerância as diferentes etnias, para que todos possam conviver em harmonia. Alguns olham para o Oriente Médio e acham um absurdo o que é praticado usando-se a religião como desculpas. Aproveitam para citar o Brasil como um país modelo de tolerância religiosa.

Será mesmo que o imenso e "multi-cultural-etnico-religioso", Brasil possui essa tolerância ' ou as intolerâncias são colocadas para a sociedade de forma sutil passando-se despercebidas?

Para facilitar a analise, será preciso reduzir o campo de observação. Este, não será nacional, nem mesmo estadual e sim municipal. Observar e entender, primeiramente o que está ao alcance dos próprios olhos tornará, a posteriore o entendimento a nível mais amplo muito mais fácil de ser abstraído. Nosso campo de observação é a "aconchegante" Miguel Calmon, situada no Piemonte da Chapada Diamantina-Ba.

Em Miguel Calmon é defendida a ideia de liberdade religiosa, e realmente, você cidadão tem toda uma liberdade para escolher qualquer doutrina religiosa, sem dúvida isto é notável. Além de que os lideres religiosos (aqui incluo os que possuem escolaridade e os que não) pregam a não discriminação, deve-se respeitar a livre decisão de cada um.

Até essas palavras tudo é perfeito, mas... O discurso continua: Todos são livres, infelizmente alguns fazem escolhas erradas, pois o caminho para Deus, para Jesus Cristo é aqui dentro DA MINHA IGREJA, por isso, vocês tomem cuidado e não vão se apaixonar por alguém que não seja igual a vocês senão acabará no fogo do inferno.

Exageros a parte, e voltemos à realidade. Percebe-se que há uma grande resistência em permitir determinados tipos de convivência entre pessoas de religiões diferentes.

Assim, a instituição acaba se tornando um "clube fechado e autoritário", que ou você segue as regras ou é banido. Explicando melhor: Um rapaz presbiteriano não pode ter muitas amizades que também não sejam presbiterianos; os frequentadores da Batista com os da Batista; os Católicos com os Católicos e assim continua. O mais impressionante é que essa imposição/intolerância vai mais longe.

Um, como são chamados, Crente, não pode ser apaixonar por um Católico e vice-versa, ou terão que fazer a escolha, que na maioria das vezes é imposta por seguidores mais velhos, não se.sabe a mando de quem, mas dão duas opções: o namorado ou a "Irmandade".

E quando interrogados sob que fundamento tal atitude é tomada, respondem: se colocada uma maça podre em uma cesta de maças sadias, todas ficarão podres. Ai encaixa-se a pergunta: cadê o respeito religioso?

Pessoas que tomam tal atitude possuem uma mente fechada, manipulada ou apenas temerosa. Pois o que se vê são pessoas sem fundamentação para justificar tais comportamentos. Dizer que uma pessoa não pode conviver/viver com outra apenas porque vão a locais diferentes, reverenciar o mesmo Deus, é algo muito questionável. Já que a Terra é um imenso santuário.

Pergunto-me com frequência ao olhar as Igrejas dessa cidade. Elas derivam do mesmo caminho, são cristas, então porque esse medo, essa discriminação umas com as outras? Porque se fecham e olham apenas para o próprio umbigo? Porque colocar o defeito só outro, considerando o outro como o errado, o ruim? Será que no próprio umbigo não há uma maça muito mais tóxica do que a de fora?

Interessante, é que as pesquisas demonstram a cada dia um abandono maior dos fieis, e isso não se refere a somente uma instituição, mas a todas. Essas pesquisas buscam justamente saber quais as causas para esse abandono. E olhem só, muitos não saíram por conta própria, foram "expulsos", ou tratados com indiferença ao ponto de se afastarem, por não concordar com as doutrinas impostas.

Para concluir, deixarei uma pergunta que há anos tenho feito, mas que nunca achei resposta. E os que tentam responder acabam perdendo a paciência ao serem questionados. Não sei por que. Ou por se sentirem ofendidos ou por falta mesmo de conhecimento. Qual o critério para avaliar se uma pessoa é considerada legal, boa, para ser "aprovada", é somente o religioso? Caso não seja me responde: quem tem maior aceitação, alguém que nunca causou desordem pública que jamais consumiu drogas, que não cometeu pequenos "furtos", que trabalha honestamente, mas que tem uma doutrina diferente da sua, ou alguém que já fez tudo ou quase tudo citado anteriormente e que senta do seu lado na Igreja?

Ivo Rios.

Constatações outras

Por Marcelino Pintho
Março de 2008

O ano voou! Uma ampulheta louca fez a terra e a minha cabeça girarem mais depressa. Eu odeio retrospectivas. A gente tem mesmo é que olhar pra frente. O passado é pó. O lance agora é fazer projetos, sonhar alto e trabalhar duro. Não vou ficar remoendo dores antigas. Que diferença eu faço pra a humanidade? Eu deveria estar descobrindo esquemas de corrupção ou denunciando irregularidades, e não preocupado em saber se a grana vai render? Eu deveria parar de me preocupar com os outros ou a minha neura de engordar? Me engajar numa luta social e brigar pelos meus direitos? Me preocupo demais com coisas estúpidas? O que eu estou fazendo? Então, afinal, qual o sentido de acordar de manhã? O sentido é acordar e lavar o rosto? Comer o mesmo pão? Trabalhar o mesmo trabalho? Fazer o mesmo de novo e novamente? Conversar a mesma conversa? Reclamar das \ mesmas reclamações??? O sentido é olhar pra todas as pessoas esforçadas em nos fazer sentir infelizes e inúteis, só porque discordamos e temos a coragem cada vez mais rara de não concordar com tudo? O sentido é saber olhar e ver.

O sentido é não rotular as pessoas baseado na nossa castradora falta de visão.

Sabe, a nossa certeza não serve pra nada. O nosso dinheiro não serve pra nada. Cuidado com suas certezas: com o tempo, elas podem mudar muito. 0 mundo não é mais o mesmo. Os sinos estão tocando. E depois? E depois do depois? Um dos grandes malabarismos desse troço chamado vida é encontrar o ponto de equilíbrio preciso entre o quanto devemos ser diferentes. O quanto estamos abertos ao mundo real, das pessoas nas ruas, na nossa vida e quanto somos coerentes e honestos com o nosso discurso.

Eis um novo começo.. É água nascendo. Nossos olhos faíscam sonhos. Não façam o que eu mando. Tenha coragem de fazer o que vocês querem. Seja verdadeiro, só isso. Quem vai te julgar? Sei lá...

Marcelino Pintho

Todo mundo e ninguém

Ninguém: Tu estás a fim de quê? Todo Mundo: A fim de coisas buscar que não consigo topar. Mas não desisto, porque o cara tem de teimar.

Ninguém: Me diz teu nome primeiro. Todo Mundo: Eu me chamo Todo Mundo e passo o dia e o ano inteiro correndo atrás de dinheiro, seja limpo ou seja imundo. Belzebu: Vale a pena dar ciência e anotar isto bem, por ser fato verdadeiro: Que Ninguém tem consciência e Todo Mundo, dinheiro. Ninguém: E o que mais procuras, hem?

Todo Mundo: Procuro poder e glória.

Ninguém: Eu cá não vou nessa história. Só quero virtude... Amém. Belzebu: Mas o pai não se ilude e traça: Livro Segundo. Busca o poder Todo Mundo e Ninguém busca virtude.

Ninguém: Que desejas mais, sabido?

Todo Mundo: Minha ação elogiada em todo e qualquer sentido. Ninguém: Prefiro ser repreendido quando der uma mancada. Belzebu: Aqui deixo por escrito o que querem, lado a lado: Todo Mundo ser louvado e Ninguém levar um pito.

Ninguém: E que mais, amigo meu? Todo Mundo: Mais a vida. A vida, olé! Ninguém: A vida? Não sei o que é. A morte, conheço eu. Belzebu: Esta agora é muito forte e guardo para ser lida: Todo Mundo busca a vida e Ninguém conhece a morte. Todo Mundo: Também quero o Paraíso, mas sem ter que me chatear. Ninguém: E eu, suando pra pagar minhas faltas de juízo! Belzebu: Para que sirva de aviso, mais uma transa se escreve: Todo Mundo quer Paraíso e Ninguém paga o que deve. Todo Mundo: Eu sou vidrado em tapear, e mentir nasceu comigo. Ninguém: A verdade eu sempre digo sem nunca chantagear. Belzebu: Boto anúncio na cidade, deste troço curioso: Todo Mundo é mentiroso e Ninguém fala a verdade. Ninguém: Que mais, bicho? Todo Mundo: Bajular Ninguém: Eu cá não jogo confete. Belzebu: Três mais quatro igual a sete. O programa sai do ar. Lero lero lero lero, curro paco paco paco. Todo Mundo é puxa-saco e Ninguém quer ser sincero!

Por Carlos Drummond de Andrade De Gil Vicente Auto da Lusitânia

E eles cresceram...

Por Pedro Lampião
Março de 2008

Interessante, como de repente, percebemos que nossos filhos não são mais aquelas criancinhas que julgamos nunca irão crescer e "virar gente". Uma das coisas que mais desejei na vida de estudante se-cundarista (rapaz, isto é antigo!!) era ao terminar o segundo grau entrar para a universidade e fazer carreira em um curso superior, e, acima de tudo participar dos movimentos estudantis. Testemunha ocular que fui do finalzinho do regime militar, do quebra-quebra de ônibus em Salvador, das greves do ABC, da censura aos meios de comunicação e aos artistas de modo geral, de tanta coisa boa que acontecia naqueles tempos maravilhosos e efervescentes como Jhon Lenon, James Dean e sua inseparável jaqueta de couro, Sônia Braga, meu primeiro fusca, e muito mais coisas que no momento não me vem à mente. Doce ilusão. Com a universidade longe, e sem condições de se manter na capital ou em outro local onde a universidade estivesse o jeito foi se conformar e lutar para arranjar emprego e se manter "com o suor do rosto"; muito interessante, religiosamente correto, porém, não me convencia esse conformismo e essa sensação de não poder seguir adiante nos meus sonhos pelo fato de ser uma pessoa de origem humilde.

Eu sabia e tinha plena consciência de que o que estava acontecendo era imposição das elites dominantes que só queriam esse privilegio para eles e seus filhos e que ao pobre bastava um segundo grau ou um curso profissionalizante para que os dominadores continuassem a ter quem trabalhasse por detrás de seus balcões ou na linha de montagem de suas fábricas, mas, todos os dias eu prometia para mim mesmo que com meus filhos a história tinha que ser outra, teria que ser diferente.

Como cada vez mais e ' mais vi que a situação para mim se encaminhava de modo diferente do que sempre pensei, comecei a fazer os concursos que apareciam e num deles consegui me firmar no mercado de trabalho. Veio o casamento e com ele os ' filhos e num mesmo "pacote" uma esposa maravilhosa que pensava da mesma forma que eu. Pensei: agora vai ficar mais fácil de acontecer o planejado desde ' outrora.

Meu camarada, não é que o tempo passou mesmo e quando eu menos esperava tava com um filho cursando Medicina Veterinária com bolsa do PROUNI, eu que " sempre sonhei com uma coisa dessas podia agora, ver dentro da minha casa o resultado de um programa de governo que sempre sonhei ver facilitando o acesso ao ensino superior e que foi impulsionado pelo presidente da república que, apesar de tudo que tem acontecido ainda me orgulho de ter nele votado e tê-lo, com minha ajuda e com meu voto o colocado dentro do Palácio do Planalto, para delírio nosso e para desespero das classes dominantes desse país que até hoje tem o companheiro Lula "atravessado na garganta".

E tá pensando que acabou? Que nada, a outra molequinha também cresceu e para "completar o pacote" passa no vestibular e ingressa numa Universidade Federal também no curso de Veterinária. Parece que essa galera tá querendo detonar o coração dos pais com tantas vitórias e tanto empenho e luta.

Pensei: de agora em diante não deverá mais acontecer novidades com os meninos. Que nada meu irmão, quando menos espero, um belo dia o celular toca e vejo na telinha o nome de Carolina que, me ligando de Petrolina em meio a uma barulheira infernal, grita ao telefone: — Pai. Estamos no centro de Petrolina com uma galera enorme em passeata de protesto. Paralisamos o centro da cidade e estamos indo em direção à prefeitura onde deveremos ser recebidos pelo prefeito para negociarmos uma redução no aumento da tarifa dos ônibus. "Tá muito massa" paramos tudo, deu até policia!!??. E ai meus amigos, como fica esse velho coração castigado pelo tempo com os filhos, realizando os seus desejos e sonhos da juventude? E olha que Mariana ainda tá vindo ai com força total e com uma capacidade intelectual que às vezes me assusta. Confesso que nunca experimentei sensação tão maravilhosamente boa, com um gosto de vitória inenarrável e um orgulho de pai que não cabe nesse mundo. Só um grande amigo e ídolo chamado Marcelino Pinto, professor deles e escritor nas horas vagas para, numa frase definir tanta coisa boa:

— "puta que o pariu!!!, cara, isso é demais" e é mesmo demais Pinto.

Exuperi tava certo:
"TU ES ETERNAMENTE RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE CATIVAS"
Pedro Lampião, pai de Vitor, Carol e Mariana

Amizade é uma questão de escolha

Por Cristiani Silva
Março de 2008

Existem vários tipos de amigos: amigos desinteressados, amigos inconvenientes, amigos interesseiros, amigos inteligentes e amigos burros. As primeiras categorias todos nós já conhecemos de longas datas; as duas últimas, entretanto, descobri o significado há pouco tempo.

Amigos inteligentes são aqueles que se tornaram amigos da prefeitura. Olhem em volta. Quem é o amigo da prefeitura de Calmon City que está pobre, desempregado, não tem uma casa própria ou um carro pra passear? E olhem que não estou falando em apartamentos, iates, heliportos... Isso requer uma pesquisa mais aprofundada e eu já estou tão desencantada que parei por aqui. Desde quando isso funciona assim? Não sei, mas deve ser desde sempre porque o poder está na mesma mão de Canabrava, velejando pelo Djalma Dutra até Miguel atual. Eu diria que os prefeiturenses têm um melo"... somos amigos, amigos do peito, amigos de uma vez..." É, no' tempo do Balão Mágico. Agora virou dirigível.

Mas falemos dos amigos burros. Aqueles que se tomaram amigos da escola. Como assim? Aqueles que, não tendo emprego, foram convidados pelos diretores-dirigíveis para trabalharem "de graça" nas escolas ajudando a preencher as intensas e eternas faltas dos professores que quando trabalham em projetos, não dão aula. Esses que devem colocar na porta do quarto aquela plaquinha do Professor Pardal "Génio Pensando". Realmente, eles são génios! Achei que tinha noção das coisas. Ledo engano. Estou mais pra ouvir a barbárie Latina "Sem Noção".

Gênios são aquelas pessoas que entendem das coisas enquanto você pesquisa e tenta encontrar a saída. Ou a chegada.

Não tenho condições de ser amiga mais. Da escola saí porque quem não tem nível foi substituído (no meu caso, pois tem gente fazendo vestibular, zerando redação, mas é chefe de alguma coisa), na prefeitura não vou entrar porque não tenho os requisitos. Bandeira, só levanto a minha. Gritar em pé de palco, só em. show de Maria Bethânia. Dizer que ta tudo bem, só cantando a música de Lulu. Adquirir status e demonstrar emoções, só no show de final de ano na Globo. Aliás, ao entrar na Casa Branca, os novos contratados devem cantar assim "... quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo..." e ao olhar a casa e o carro "... olhando pra vocês e as mesmas emoções sentindo...". Que pena! A gente não pode mencionar nomes,, senão vai ter que encarar os processos. E se resolver, enfrentar e contratar • advogados??????? "Quem poderá me socorrer?" João? Maria? Será que alguém não pertence à OAM (Ordem dos Advogados de Miguel)?

É! Não ta boa à coisa, não. Mas eu sou adepta de Anne Frank "ainda creio na bondade humana". E baseada nesta fé desejo aos leitores presenciais e aos virtuais do Vírus, um 2008 de sucesso (com atraso considerável, mas segui a pontualidade da Câmara de Vereadores), paz e dinheiro. Isso implica, sem dúvida, na escolha dos amigos. "Diga-me com quem andas que eu te direi quem és".

Cristiani Silva (Nem grande, nem rica.).

PintArmado

Por Marcelino Pintho
Março de 2008

EXPEDIENTE

  • Edcarlos Santos
  • Leandro Michel
  • Marcelino Pintho
  • Jesser Oliveira
  • Pedro Lampião
  • Cristiane Maria