Ano: III / Nº 23 - Miguel Calmon, Junho de 2005

VANITATE

Por Jesser Oliveira
Junho de 2005

"Porque Narciso acha feio tudo o que não é espelho"
Caetano Veloso.

Gosto do Narciso (mitologia grega) tal qual eu e o Jormélio Rios - e aí brother! Gostamos da Angelina Jolie. Sem querer entrar no mérito da questão de como ela pensa, o que diz, o que faz ou deixa de fazer, pois aqui requer que falemos da vaidade dela - vaidade, é o título do meu texto. Pois é a Angelina Jolie - o Marcelino Pintho, também a adora - saí por aí dizendo o que faz e o quer vai fazer por causa da sua pobre vida de atriz (pobre?). Para o Narciso, o da mitologia grega, o mundo era seu, e o que não era, girava ao seu redor. Ora quem nunca pensou em ser o 10? O cara? De ser o melhor? Qual mulher nunca passou pelo menos uma vez em sua cabeça de ser a boazuda? Todos temos nosso tempo de "vanitas vanitatus" - vaidade das vaidades. Exemplos de vaidades? Os Poetas?! E eu que pensava que era o único que sofria deste mal, até que li o Gabriel Garcia Marques falando do seu pobre pensar exclusivo; a Florbela Espanca, poeta portuguesa foi além e escreveu uma poesia chamada Vaidade, para descrever este seu ideal de ser poeta vaidosa. E os cantores?! Os que são chamados de brega, por vaidade dizem: "se brega for ser ouvido pelo povão, nós somos brega sim! Os que são chamados de clássicos, nem sequer aparecem na mídia, e ainda vivem debochando da cultura pop em que vive. E os políticos?! Ah! Estes... a vaidade lhes é peculiar. Querem saber quando custa a vaidade de um político? É só ouvi-los dizer o quanto gastam com o povo que eles governam. Ouça um político e o discurso vai ser: 8 antes do meu governo havia X crianças na escola, agora no meu governo são X+Y. eu gasto com educação, saúde, cultura, etc... Tantos % a mais do que o meu antecessor". Contrariando os políticos que amam os números por causa da sua vaidade, têm homens e mulheres que por vaidade odeiam este negócio de dizerem o quanto pesam ou a sua idade.

Existe a vaidade que é «contra a vaidade dos outros, a mais conhecida, talvez seja a do: "Espelho, espelho meu, existe alguém no mundo mais linda do que eu?" A resposta do espelho: "Existe a Branca de Neve!". Esta história todos conhecem então vou pular este parágrafo.

Há a vaidade dos religiosos, a chamada vaidade que faz parte dos sete pecados capitais, e quem religioso ou não nunca a teve que atire o primeiro espelho.
Ah! Tem a vaidade coletiva, e Calmon City. Esta. é uma fábrica de "espelho, espelho meu". Apenas o Vírus sai e muitos vão para casa retocar a maquiagem em frente do espelho. É que o vaidoso, não gosta de ver ou que vejam suas rugas, então dizem com o jornal na mão: "jornal politicamente incorreto", "estes bocas-porcas", "oposição", outros dizem: "eu não compro mais este jornal". Cuidado! Nietzsche disse certa vez: "todo espelho mostra apenas o que queremos ver".
E o que Calmon City quer ver? O brilho dos seus olhos vaidosos?!
Nós percorremos outro caminho e a Florbela Espanca nos ensinou assim:
"E quanto mais no céu eu vou sonhando
E quanto mais no alto ando voando
Acordo do meu sonho.
E não sou nada!"
Sejam bem vindos ao mundo real! O Vírus trouxe vocês para a terra novamente! Aqui jaz mais uma edição!
E olhe que nós somos vaidosos também!


Jesser Oliveira, poeta vaidoso.
Jesseroli@pop.com.br

Editorial

Por Leandro Michel
Junho de 2005

É só festa! Alegria que invade escorre entre os dedos em palavras sobre um papel que já não está mais em branco. Nosso desafio em preenchê-lo tem sido vencido com brilhantismo. Nosso sonho de nos mantermos livres e independentes tem se realizado a cada edição, e caminhamos mais fortes do que nunca. Pagamos um preço alto, fomos rotulados disso ou daquilo, mas como valeu a pena, optamos por não estarmos no anonimato, um dos maiores males desse século. Os reflexos disso tudo vocês verão nessa edição. Tivemos que aumentar a quantidade de páginas por conta do número crescente de textos enviados à "Redação".

Temos agora um colaborador de Senhor do Bonfim, dois em Jacobina, já estamos em contato com Tapiramutá e Mundo Novo, através de Pe. Paulo. Logo, logo, quem sabe, não viramos um jornal regional? Temos um marco inédito nessa edição: a participação de varias mulheres, desde a entrevista aos demais textos. Tivemos também que aumentar nossa tiragem do jornal, de 500 para 800 exemplares.

Querem mais? Estamos lançando a nossa segunda camisa e nos preparando para a comemoração, em setembro, dos 4 anos de Vírus. E isso é só o começo...

Leandro Michel

Consultório Sentimental

Por Rutinaldo Miranda
Junho de 2005

O Vírus,sempre preocupado com sua CUALIDADE editorial e PROBREMAS dos seus leitores,lança uma nova sessão. É o Consultório Sentimental,onde os sortudos leitores poderão receber conselhos na área emocional. Para isso, convidamos o Dr. Rutinaldo Miranda, PR (Porra Nenhuma) em Psicologia e mestrando em Barracologia Familiar pela FTC(Faculdades Tio Creyson).

Caros leitores,entrem em contato com o Léo, enviando suas dúvidas para o Virus. Após localizarmos o Dr. Rutinaldo em algum botequim, teremos o maior prazer solucionar seu problema. Não se envergonhem. Mandem de tudo. O doutor é pau pra toda obra. Vai tratar de sua dor-de-cotovelo, dor-de-corno, dor-de-donzela, dor-de-rapariga..., Enfim, se você estiver sentindo alguma dor que estiver machucando seu pobre coração, não perca tempo. Nos escreva.

A nossa primeira cartinha é da Marildete. Eis o problema dessa pobre alma:

"Prezado Sr. Dr. Rutinaldo. Eu tenho um problema. Minha nossa, como é que vou dizer? Bem... doutor... é que ... é que... Ai, pra mim é tão difícil falar! Mas vou tomar coragem. Agora que o estrago tá feito, eu digo. É que, doutor, sabe o Miguelão? Conhece o Miguelão? Aquele mecânico do peito cabeludo que conserta carros? Bem, doutor, é que eu fui uma vítima, sabia? Uma pobre vítima daquele homem irresist..., quer dizer, inescrupuloso.

Ele, aproveitando de minha ingenuidade, se aproveitou de eu. E agora,doutor, eu... eu... Ai,como é difícil falar! Eu estou grávida, doutor. E agora,o que faço?" Resposta do Doutor: Bem, Maridelte, esta história tá meio esquisita. Você diz que emprenhou, quer dizer, pegou bucho, do Miguelão e me pergunta "o que faço, doutor?". O problema, nega, foi o que você "fez". Ô, Marildete, você nunca ouviu falar em ca misinha, não? Camisinha, entende? Aquele negócio quer você deveria ter pedido ao Miguelão pra ele ter colocado no pinto e você não ter que vir me encher o saco com essa história? Tu é uma ignorante mesmo, Marildete. Não sabe o básico sobre pegar barriga. Ainda escreve que ele, o Miguelão, "se aproveitou de eu". Que absurdo! O certo é "se aporveitou de mim". Ai,tá doendo até as minhas vistas ao ler uma coisa dessas! Olhe, Marildete, siga o meu conselho. Volte pra escola. Fique inteligente, que homem nenhum vai "se aproveitar" novamente de você.

Rutinaldo Miranda B. Júnior
P.S.: PESSOAL DO PRIMEIRA PÁGINA, EM ALGUNS DOS MEUS TEXTOS FORAM FEITAS MODIFICAÇÕES E ISSO ME DEIXOU ABORRECIDO, PORQUE VOCÊS NÃO TEM O DIREITO DE FAZER ISSO. MUITO MENOS A PRETEXTO DE "CORRIGIR" UMA ESCRITA INFORMAL, QUE EXIGE A TRANSGRESSÃO DE REGRAS GRAMATICAIS.

Distribuição de renda no Brasil é 2º pior do mundo

Por Reuters
Junho de 2005

BRASÍLIA (Reuters) - Apesar dos avanços nos últimos anos nas áreas de educação e combate à pobreza, o Brasil continua a ter uma das piores distribuições de renda do mundo, perdendo apenas para Serra Leoa, na África, mostrou um estudo divulgado na quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (Ipea).

O instituto, ligado ao Ministério do Planejamento, apontou que 1 por cento dos brasileiros mais ricos detêm uma renda equivalente aos ganhos dos 50 por cento mais pobres.

O Ipea indicou que para avançar no combate à desigualdade é preciso alcançar um nível de crescimento económico e um modelo de desenvolvimento que viabilizem a inserção da população no mercado de trabalho, além das ações sociais.

"Pode-se dizer que os maiores desafios das políticas públicas hoje são a geração de oportunidades de trabalho, a redução da informalidade e a melhoria da renda real do trabalhador."

Em 2003, a taxa de desemprego no Brasil foi de 10 por cento, comparando-se a 6,2 por cento no mundo e 8 por cento na América Latina e Caribe, de acordo com o estudo. O índice no país em 1995 era de 6,2 por cento.

O levantamento chamado de "Radar Social" ressaltou, contudo, uma redução no número de pobres no país e apontou como causas dessa melhora a estabilização econômica, a ampliação de políticas sociais e o aumento do valor real do salário mínimo.

"Em que pese o elevado número de pobres no país, é possível afirmar que ele diminuiu, ao menos no período entre 1993 e 1996", destacou o relatório.

O instituto pretende divulgar o "Radar Social" — que também destaca as ações do governo — a cada dois anos a partir desse primeiro lançamento.

Fonte: Reuters

EXPEDIENTE

  • Jormélio Rios
  • Leandro Michel
  • Marcelino Pintho
  • Jesser Oliveira
  • Pedro Lampião

    Mais atual, impossível

    Por Keila Varjão
    Junho de 2005

    Estamos perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandadas. Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há principio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nem uma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.

    O povo está na miséria. Os serviços públicos estão abandonados a uma rotina dormente. 0 estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda parte, o país está perdido! Algum opositor do atual governo? Não!
    Eça de Queiroz escreveu isto em 1871.

    Keila Varjão Salvador/Ba

    Eita Brasil que não vai...

    Por Bárbara Accioly
    Junho de 2005

    Há pouco tempo presenciei a situação dos taxistas, que devido à safadeza que reina no Brasil e mais ainda na Bahia, não podiam trabalhar. Enquanto tem vários criminosos soltos e um monte de CPI's para apurar, o Governo do Estado fica gastando tempo e dinheiro com a AGER-BA, que aliada a São Luís (empresa que afirmam pertencer agora aos parentes e/ou amigos de ACM), proíbe a circulação dos táxis e vãs. Um absurdo, porque eles trabalham honestamente e sustentam as suas famílias com o dinheiro desse emprego. E os táxis são a salvação de muitas pessoas, pois nem sempre os assuntos a tratar em Jacobina podem esperar o horário dos ônibus, que são os únicos transportes permitidos. Além do que, a taxa que a AGER-BA diz que eles não pagam nunca foi estipulada.

    Vieram alguns "responsáveis" por essa taxação, conversaram com os taxistas, disseram que iam ver o valor e voltavam aqui. Nunca mais... Daí do nada aparece o carro do órgão apreendendo os carros e deixando os passageiros na estrada! Só no Brasil mesmo... Só quando a realidade está na cara é que a gente pára pra ligar os fatos: a AGER-BA (do governo) vem estipular uma taxa (não estipula), prende os transportes alternativos, pára o trabalho de pessoas honestas, tranca o comércio de Jacobina (que foi muito afetado com a ausência dos muitos compradores calmonenses), tudo isso em benefício de uma empresa ligada aos xerifes da Bahia. Diante disso eu ainda tenho a obrigação de ouvir que o Brasil tá cr escendo e está indo pra frente... Tô vendo...

    Bárbara Accioly

    Andorinha só faz verão sim!

    Por Rejane Rios
    Junho de 2005

    Muitas pessoas, coisas e acontecimentos em nossa vida são efémeros, se perdem na imensidão. São como a fumaça que esvaece no vento deixando de existir sem ao menos perpetuar indícios da sua fútil duração. Assim, incontáveis discursos fazer parte do rol das insignificâncias que passam nessa curta trajetória humana. Falo precisamente das ideias, da filosofia de vida, da luta pela igualdade dos direitos, uma certa busca por uma sociedade onde não houvessem pessoas que vivessem a sua margem. A procura de uma distribuição de renda digna. A luta desesperada pela abertura política, o termino da expatriação e a lida para a realização das eleições em todos os âmbitos. Dentre outros anseios estes também fizeram parte dos pronunciamentos de certas pessoas (políticos) que viveram nas décadas de 60,70 e início dos anos 80. Infelizmente fiz parte de uma geração que presenciou o final de uma história funesta, deplorável e desditosa, que foi a ditadura militar. Esta assolou vidas inocentes, pessoas que possuíam veias nas quais corriam sangue de luta, de uma verdadeira libertação para o tão sofrido povo brasileiro. Melhor seria que os meus restos mortais estivessem enterrados numa desconhecida vala do que fazer parte de um grupo que perdeu suas ideias seus valores, que se vendeu. Tais pessoas se tornaram nediopassives em troca de status, dinheiro para satisfazer o seu bel-prazer deixando para traz tudo o que "pregaram". Os dicionários da língua portuguesa trazem as seguintes referências para a expressão "vender-se":

    1. Alienar por dinheiro a própria liberdade. 2. Deixar-se subornar. É lamentável, mas foi isso o que aconteceu com uma parte da geração dos anos 60 e 70 deste país. Os estudiosos do comportamento humano afirmam que por mais perverso que seja um ser, por mais hediondos os seus crimes ele possui consciência. Tendo a afirmativa como verídica levamos a crer que inúmeras pessoas não deveriam dormir tranquilamente. Porém, acreditamos que a consciência dos mesmos tenha submergida juntamente com seus falsos discursos. Há muitos anos desde a criação do Vírus, anseio em discorrer sobre este assunto que aflora em mim, um sentimento de revolta, nojo e vergonha. Este desejo foi aguçado ao ler o excelente texto de Jesser Oliveira publicado na edição anterior deste jornal. Onde o mesmo mostra sua ótica em relação ao posicionamento atual daquelas pessoas que não vivem o que um dia pregaram. Como educadora posso afirmar que já não existe a busca por uma sociedade igualitária. Os jovens são passivos, não mostram indignação e muito menos revolta em relação a este sistema que deixa o povo cada vez mais pobre. Oxalá que esta geração buscasse um dia a transformação desta nação, porém que esses ideais fossem perpetuados até a sua morte para que um dia os mesmo não fossem vergonha para aqueles que os conheceram.

    Rejane Rios, professora.

    Direto do Hospício

    Por Jormélio Rios
    Junho de 2005

    Êta nois o Vírus não tem pra ninguém. Mais uma vez sucesso de vendas, como de costume sempre com uma polémica para quebrar o gelo(risos), mas dessa vez não foi Leandro que polemizou a coisa. A celebridade foi Pintho que escreveu soda com F, não poderia imaginar, que ia dar a maior falação(risos). Não se preocupem o Vírus dessa edição é light. Aos fãs, amigos e leitores do Jornal meu abraço e um bom São João, agora se vai prestar são outros quinhentos. He!he!he!he!

    A insustentável leveza do ser < Não há nada mais terrível do que a ignorância ativa
    (Goethe)

    É comum vermos o reflexo de pessoas cuja a aparência é refletida no espelho social; sabemos destinguir Narcisos e Narcisos logo de imediato, pessoas que se preocupam com sua aparecia e que a todo custo tentam ostentar os valores midiáticos, sejam eles: beleza, vaidade, carro, roupas de grife, celulares, muitas mulheres. Mas esquecem da psique, o que vale é mostrar o rótulo; esse vale tudo para se firmar como figura importante. As regras são simples: ouça o que está em alta isso inclui até o Hit Festa no Apê do Latino, ah! não pode deixar de ter um pagodinho; roupa de grife é fundamental para ser identificado como um da tribo; as conquistas e o desempenho sexual é algo que não pode deixar de ser falado, a final o importante são números; e as \itaminas, complexos alimentares, massa muscular não pode ficar de fora das conversas produtivas, etc e tal.

    O culto a falência dos neurónios é cada vez maior e a cada dia uma legião de novos adeptos são convertidos a essa nova religião (falência múltipla do cérebro). "A razão passa a ser coisa de otário, ou de metido a intelectual". Homens, mulheres presos na caverna que um dia Platão descrevera tão bem (em "O mito da caverna" no livro "A República"),

    uns até que tiveram a honra de deixar de habita-la, ver, ouvir e sentir o que existia fora do seu claustro, outros preferiram voltar para seu habitat natural e ficar sob as sombras que os encobriam pois, essa aceitação lhes impedem de um dia tentar sair e voltar com questionamentos, contrariando assim o pensamento único e latente. E o que dizer dos que tentam a todo momento provar para si mesmos que são bons, que são melhores , insuperáveis. Cujo o equilíbrio emocional é posto a prova pois personalidade não lhes são peculiar. Estes tem algo que é bastante perturbador: o famoso complexo de auto-afirmação.

    As pessoas cujo o ego precisa de uma massagem , tentam a todo momento mostrar-se feliz e capazes, não lhes faltam: arrogância e sarcasmo demasiadamente excessivo.

    Todavia, porém a banalização da razão os torna excessivamente patéticos. Essa conduta débil é bastante prestigiada, por aqueles que de forma vil se apoderam de cargos públicos e faz deles uma arma para tenta sufocar os que ainda respiram com suas próprias narinas. Não poderia deixar de mencionar os despóticos diretores de veículos de comunicação em massa com sua conduta patética que tentam desfasar a censura com argumentos ínfimos e sem nexo. Seria fácil para Freud fazer uma analise lógica desses indivíduos, ele diria: instabilidade emocional, regressão aos padrões da idiotia. Sem esquecer conflito psicossocial ou seja a não aceitação da sua condição inferior a que pertencem.
    Jormélio Rios de Oliveira jormelio@yahoo.com.br
    Jormélio é membro do Vírus e Crítico

    Entrevista

    Por Leandro e Jormélio
    Junho de 2005

    Vírus Entrevista - Ângela: por Leandro e Jormélio, participação especial do professor Dermival Miranda e Lídia Valois.

    Vírus - Por que o nome "Madame Julieta"?

    Ângela - O "Madame" surgiu do amor enorme por minha mãe. Julieta era o nome dela. Essa foi uma maneira de homenagear minha mãe, estar sempre lembrando dela e não deixando que as outras pessoas esqueçam a figura que foi Julieta em Miguel Calmon. Eu como filha achei que esta era a maior homenagem a ser prestada à minha mãe no pós-morte.

    Vírus - Quem era a sua mãe?

    Ângela - Minha mãe era alagoana de Palmeira dos índios. Veio aqui para Miguel Calmon no Serviço Nacional da Peste Bubônica, que existia na época. Aqui ela conheceu Leio, se apaixonou e não voltou mais. Fixou residência em Miguel Calmon e ficou exercendo a profissão de professora. Ela já era formada quando veio para cá e aí começou a ensinar Desenho. Foi uma grande professora, muito respeitada. Chegou a exercer a função de Delegada Escolar por muito tempo.

    Vírus - E como foi a sua infância, Ângela? Ângela - Maravilhosa. Foi muito marcante, brincando de roda e de boneca de pano. Existia, para você ter uma ideia, uma rivalidade entre as ruas por causa das brincadeiras. Crianças de outras ruas não entravam na rua das Flores para brincar, a não ser que fossem muito amigas da gente e a gente permitisse. Da mesma forma, as crianças da rua das Flores não brincavam em outras ruas. Então a gente ia para a rua todas as noites. Na época era rua sem calçamento e a luz desligava às 9:45hs. Os pais, quando queriam dar castigos, impediam a brincadeira na rua. O que era terrível.

    Vírus - Há alguma coisa marcante desses tempos de infância?

    Ângela - Uma queda que eu tomei de uma mangueira. Eu amava o trapézio e me achava uma trapezista. Eu me condicionei a fazer tudo em cima de uma mangueira. Até o xixi... (risos)

    Vírus - Essa queda levou a uma consequência maior? Ângela - Levou a uma paralisia parcial, mas em termos psicológicos, de complexos, não gerou consequência alguma. Me curto muito do jeito que eu sou; para mim, a queda não fez diferença nenhuma, só me traz boas recordações.



    Vírus - Uma coisa marcante do Madame Julieta, seu restaurante, é a ornamentação. E o mais intrigante é que ela sempre esta diferente. É uma novidade aqui, outra ali. Como é que surge essa criatividade e por que essa inquietude, essa vontade de mudar?

    Ângela - É interessante isso porque até eu mesmo me questiono: "Meu Deus, como é que uma pessoa tão humilde e que não liga para as coisas materiais pode gostar de tanto luxo?". Eu mesmo me pergunto. Eu gosto muito de Antiguidades, de cores e de luzes. Aí eu fico pensando, imaginando, crio as minhas coisas e faço os meus arranjos. É uma coisa que vem de mim.

    Vírus - E você nunca pensou em investir nessa área de decoração?

    Ângela - Não, como decoradora não. Isso aqui vem de mim e é a minha cara.

    Vírus - Como começou a historia do Madame Julieta?

    Ângela - Quando eu morava em Salvador, eu fazia docinhos de encomenda. Só que depois que eu me separei, fiquei sem saber o que fazer da minha vida. Eu nunca tive uma profissão definida e eu sempre gostei de cozinha. Eu me lembro que quando criança, a gente se reunia para fazer os quitutes e ia à feira pedir um pedacinho de costela, de carne etc. Aí nós juntávamos tudo e no fundo do quintal, cada um preparava uma coisa na sua panelinha de barro. Eu adorava aquilo. Eu acho que já nasci com essa tendência para cozinha. Às vezes quando lá em casa faltava uma secretária, eu ia sempre para cozinha. Minha família toda, aliás, sempre teve muito jeito com a cozinha. Aí logo que eu me separei, eu só pensei em cozinha. E essa cozinha, eu quis fazer aqui em Miguel Calmon.

    Vírus - Como foi a vivência com o seu esposo?

    Ângela - Foi maravilhosa. Luis Américo tinha um grupo musical e eu o acompanhava nas festas. Mais ou menos na década de 70 e eu tinha uns dezessete anos. Viajei muito com ele por causa disso. Ele tinha cabelo grande e era tachado de hippie. Eu também já fui tachada de hippie, mas eu era hippie de boutique. Eu gostava de vestidinhos de chita e da minha sandalinha de couro. Tanto que eu chegava a chocar a sociedade calmonense quando tinha uma festa na XV de Novembro, justamente pelo meu jeito de vestir. Eu toda a vida fui muito simples, de um jeito meio cigano. Não me apego às coisas materiais, qualquer lugar para mim está bom.

    Vírus - E onde foi concretizado o seu primeiro restaurante aqui em Miguel Calmon?

    Ângela - Em frente ao Banco do Brasil, naquele casarão.

    Vírus - Foi o momento auge do Madame Julieta?

    Ângela - Com certeza.

    Vírus - O que mudou 'daquele' restaurante para 'este' restaurante?

    Ângela - Eu acho que mudou com o amadurecimento da minha pessoa. Naquele restaurante eu ainda via o mundo muito rosa choque. Hoje o restaurante exige mais responsabilidade, me fez uma pessoa mais séria, preocupada. O que eu não acho bom. Eu queria ser como eu era antigamente, porque você percebe que isso aqui não vale a pena. Você se preocupa com a sociedade, o poder e acaba se desligando das coisas. Hoje você perde o pôr-do-sol porque não tem mais tempo; não vê a Lua porque não tem mais tempo. Antigamente eu tinha tempo para isso.

    Vírus - E o que falta para, de repente, voltar a buscar um pouco mais disso?

    Ângela - Tenho que me desligar um pouco do trabalho. Mas eu já trabalho muito e ganho pouco e tenho uma filha, Ana Luiza, que está estudando, e eu vivo, hoje, em função dela.

    Vírus - Como é a sua relação com Ana Luiza?

    Ângela - Minha relação com Ana Luiza toda a vida foi muito aberta. Eu sempre ensinei as coisas como elas deveriam ser, mas sempre dei muita liberdade à minha filha. Na verdade, a gente nem se vê como mãe e filha, mas como duas amigas. A gente conversa, fala, Ana Luiza já tem uma cabeça feita, é muito bom.

    Vírus - Quais são as suas maiores dificuldades para manter o restaurante?

    Ângela - A falta de cliente é uma delas. Eu gostaria que fosse melhor. Quando eu vim para Miguel Calmon, eu achei que teria uma maior receptividade do povo daqui. Eu achei que eles se fariam mais presentes no investimento que eu fiz. Algumas tendências políticas favoreceram outros num trabalho contrário ao meu. Eu fico muito sentida quanto a isso. Eu não me importo que beneficiem outro, mas também que não prejudiquem os demais; que divida.

    Vírus- Por que o seu restaurante é marginalizado pelo poder público calmonense?

    Ângela - No início, Caca me ajudou, trazendo deputados, pessoas ilustres que chegavam a Miguel Calmon. Mas o que me falta é o dia-a-dia, ver os políticos de Miguel Calmon. Porque eu não posso ficar à mercê das situações em que chegam pessoas importantes à cidade. Várias vezes eu fui até Caca expor esta situação e ele prometeu que me ajudaria, mas nunca recebi essa ajuda em termos políticos no dia-a-dia. Uma época boa foi a época de Roñan. Ronan olhava muito o meu lado. Hoje eu não recebo nada da prefeitura, até dessas reuniões de São João, dos barraqueiros de donos de restaurante, eu sou isolada. Não sou convocada para nada. Propaganda do são João chegou ao meu restaurante agora, porque Geovani esteve aqui e viu a propaganda do São João de Piritiba. Ele veio me perguntar o porquê e eu disse que o povo de Piritiba frequentava o restaurante e me pediu para colocar. "E por que não de Miguel Calmon?", aí eu disse "Porque eu não recebi". Aí ele mandou depois. No São João eu trabalho aqui, sem saber o que está acontecendo. Eu trabalho no tato.

    Vírus - Essa seria talvez uma mágoa sua com o novo prefeito?

    Ângela - Não, eu não tenho mágoa dele. Gosto dele como pessoa. Como político, eu não acho que ele é bom. Como administrador sim, mas como político não.

    Vírus - Em que momento você se revolta e tem vontade de fechar o restaurante?

    Ângela - Acontece muito. Quando eu vejo o meu trabalho e o meu amor e o desprezo, dá vontade. A força maior que me prende a Miguel Calmon é meu pai. Já recebi muitos convites, mas não quis sair daqui. Além do mais eu amo muito esta terra.

    Vírus - A sua decepção com o poder público se estende a tudo isso que você falou. O que mais ainda te machuca?

    Ângela - No final do ano, em dezembro, aconteciam confraternizações aqui no restaurante e eu tinha o maior prazer e amor em fazer tudo. É quando eu mostro o meu potencial de cozinheira, porque eu não gosto do corriqueiro; eu gosto de fazer banquete. E agora eu senti esse reflexo, em dezembro. Eu sou uma pessoa livre, voto em quem quero, fui educada desta forma e acho que isso tem que mudar em Miguel Calmon. Isso aqui é mesquinho; a maneira de se olhar uma pessoa através do voto é tacanha. Não votei na situação, não estava satisfeita e acho que a democracia está aí para isso. Restaurante e política não se misturam. Eu sofri muitos prejuízos com isso, de encomendas canceladas na última hora e sem nenhuma satisfação. Eu vejo isso como retaliação, e muitas pessoas que fazem parte da panelinha deles já me disseram que como eu não tinha votado neles, o Madame Julieta não terá vez.

    Vírus - Como você analisa a postura da mulher calmonense?

    Ângela - Eu acho que a mulher calmonense está amadurecendo, evoluindo. Ela está mesmo conquistando o seu espaço. Temos representantes disso, como Bete, Didi e Sheila.

    Vírus - Mas você não acha que na conquista desse espaço, a mulher não tem se vulgarizado?

    Ângela - A mulher de antigamente conquistava o seu espaço com cautela, devagar, com pudor. Já a mulher de hoje não. Um decote antigamente, por exemplo, era um escândalo. Hoje a mulher já mostra o peito naturalmente. E eu acho que o homem acaba perdendo o encanto sobre a beleza feminina. Ele não tem mais aquela curiosidade de descobrir o corpo da mulher porque já está tudo á mostra.

    Vírus - E como é essa história de que você fazia sutiã para as crianças?

    Ângela - Ah, é! Toda a vida eu sempre fui muito danada. O primeiro sutiã que eu fiz foi para Lídia, menina-moça, minha amiga de infância. E fiz muitos mais, só que a gente vestia tudo escondido.

    Vírus - Você lembra de alguns atos de rebeldia?

    Ângela - (Risos). Eu sempre tive a perna fina e Simone, minha irmã, a perna grossa. Aí quando nós duas saíamos de minissaia, Painho mandava Simone para casa, mas eu podia ficar passeando. Simone ficava retada. Aí, nas festas da XV de Novembro, o que é que a gente fazia? Eu levava linha e agulha para a festa e quando chegava lá, a gente ia para o banheiro e eu fazia a bainha da saia das meninas, para encurtar. Simone mesmo. Era a primeira.

    Vírus - E você lembra de mais casos, quando você foi de encontro a um sistema, uma estrutura, um comportamento?

    Ângela - Eu sempre fui assim. Eu sempre fui de encontro a tudo. Nunca aceitei as coisas certinhas ditadas pelo sistema. Sempre fui diferente e sempre contestei isso.

    Vírus - E contestava de que forma?

    Ângela - Amizade com cabeludo, calça boca de sino. Luiz Américo era assim, magro, cabelo encaracolado, calça boca de sino e tamanco. Conheci ele numa festa, aqui em Miguel Calmon e no dia que o conjunto dele estava desarmando tudo para ir embora, apareceu aquele cabeludo na porta lá de casa. Painho atendeu e depois veio falar para Mainha: "Diga a Ângela que quando tiver essas amizades com esses cabeludos, não mande na minha porta não". Eu tava dormindo e quando acordei e fiquei sabendo disso, eu pensei "Meu Deus do céu, o homem da minha vida, onde é que eu vou encontrar ele?".

    Vírus - E como era Seu Leio?

    Ângela - Tranquilo, sossegado, evoluído. Os filhos para ele não tinham defeitos. Tinha essa coisinha preconceituosa da época, mas ele acompanhou bem a nossa geração. Foi evoluindo com a gente. Eu tiro o chapéu para o meu pai e dou os parabéns a ele pela criação que tivemos.

    Vírus - Como foi e quando começou a sua história com Chique?

    Ângela - Desses últimos tempos é a historia mais bonita que eu tenho para . contar. Eu me lembro que começou no Ponto de Encontro. Chique estava lavando um carro e aquilo me chamou a atenção. O carro era de Caca, ele vinha perguntar se já estava bom e Caca dizia "Não, dê mais brilho". Aí eu disse "Que chique!". Quando foi à noite, no Ponto de Encontro, Chique se aproximou de mim, me pediu uma cerveja, eu dei e falei assim "Mas tu é chique mesmo! Olha o que é que tu está me pedindo: uma cerveja!" Pronto. Daí se tornou Chique. Foi aí que ele começou a fazer parte da minha vida. Eu andava e Chique vinha atrás de mim. Eu ia dormir na casa de Vane Baixinha, minha amiga, e Chique, às 6:oohs da manha, já estava na porta , batendo e chamando por mim, Aí eu construí meu restaurante e Chique vinha para a construção. Eu pintava as unhas de Chique. Aí eu comecei a criar aquele amor enorme por Chique, comecei a me preocupar com o lado humano de Chique. Eu achei aí, muita coisa boa. Chique tem um conteúdo humano fora de série. Eu convivo e sei o quanto Chique tem de bom para oferecer a uma pessoa.

    Adotei mesmo. Tenho mais preocupação com Chique do que com Ana Luiza, porque Chique me respira, a minha veia corre nele e eu sei que quando eu passar para o outro lado, ele vai ficar desamparado. Então eu peço ajuda às pessoas que quando eu morrer, não deixem Chique voltar a ser o que era antes, quando se drogava e se prostituía.(Emocionada).Eu transformei» Chique em um ser humano digno e de muita qualidade com o amor que eu sinto por ele. Eu peço que ajudem Chique, quando eu não estiver mais aqui.

    Vírus - O que Chique rep resenta para você?

    Ângela - Chique é meu analista, é meu psiquiatra, meu psicólogo. Ele faz bem à minha mente e à minha saúde. Eu ando doente e tenho Deus para me dar força e vitalidade. E em parceria com Chique então... Chique é meu remédio.

    Vírus - Qual é a sua religião? Ângela - Eu sou espiritualista, não tenho nada definido. Acredito em Deus, mas sou mais ligada ao espiritismo. Já li muitos livros espíritas e acho que tem mais a ver comigo.

    Vírus - Como era o São João na sua infância?

    Ângela - No São João eu lembro das mesas fartas com comidas típicas da região. Lembro da gente indo para o Brejo Grande, dançar o forró na casa de Seu Adilino. Tinha a fogueira na rua das Flores...

    Vírus - Você não é preconceituosa, mas já sofreu algum tipo de preconceito?

    Ângela - Se já sofri, não dei importância. Como não dou até hoje. Eu vivo com o que é bom para mim e não com o que as pessoas acham que é bom. Se já sofri, passou batido. Não tô nem aí! (Risos).

    Vírus - Você se considera uma mulher realizada?

    Ângela - Eu sou realizada porque faço aquilo que gosto. Vivo em paz comigo mesmo. Vivo em harmonia com o ifhiverso. Paro muito para pensar nas coisas de Deus. Curto demais a natureza. Tenho uma família maravilhosa, um pai amigo e um companheiro, Uga Uga.

    Vírus - Como Uga Uga apareceu na sua história?

    Ângela - Foi no França, numa das minhas farras. Lá eu fui visitar ele, que eu ainda não conhecia, com um primo dele. E aí eu encontrei aquela figura de cabelo comprido, com a perna quebrada, deitado no sofá. Aquilo me chamou a atenção e eu fiquei com aquilo na cabeça. Eu tinha que ver aquele homem, aquele homem é o meu! (Risos). Aí numa farra que eu fiz no França com Vane Baixinha e Arquimedes, Uga Uga apareceu. Aí eu disse "Hoje ele não me escapa!". E foi verdade. Uga Uga veio no outro dia a Miguel Calmon para um encontro que a gente marcou em frente ao Banco do Brasil. Quando Uga Uga entrou no banco, o gerente chamou a polícia. Uga Uga já estava na rodoviária quando a polícia chegou e pediu os documentos dele. Ele, sem lenço, sem documento, só disse que estava ali porque era meu amigo. Aí Juvêncio, que era o comandante da polícia, disse "Ah, Ângela é gente boa" e deixou Uga Uga ir. Depois eu trouxe ele para conhecer Painho e aí ficou e vai ficar.

    Vírus - Você já fez alguma viagem inesquecível?

    Ângela - Já. Várias. Uma delas foi a Porto de Galinhas. Lindo. Eu deixava cair a aliança na água e encontrava na maior facilidade. Teve Itaparica também, que foi tudo na minha vida. Arembepe também. Já visitei a aldeia hippie, me hospedei naquele paraíso. Já curti muito e não me arrependo de nada. Só me arrependo de não ter triplicado a dose, em todos os sentidos. Bebida? Eu amava cerveja! E hoje não posso mais beber e digo "Se soubesse tinha bebido mais." Para alguns que acham que eu bebia muito, digo que bebi" tão pouquinho... Ah! Se eu soubesse... Então eu quero dizer que aproveitem a \ida porque o que a gente tem de melhor é a nossa saúde e a paz de espírito.

    Vírus - Qual é a pior parte de você mesmo?

    Ângela - Nenhuma.

    Vírus - Qual é a melhor?

    Ângela - Todas.

    Vírus - Você dá esmolas?

    Ângela - Dou.

    Vírus - O que você apagaria da sua história?

    Ângela - Nada.

    Vírus - O que você mais gosta no ser humano?

    Ângela - Tudo.

    Vírus - O que você faria por dinheiro?

    Ângela - Nada.

    Vírus - O que você faria de graça?

    Ângela - Tudo.

    Vírus - Você acha que a razão é sempre a melhor conselheira?

    Ângela - Às vezes.

    Vírus - O que lhe causa ódio?

    Ângela - O que me incomoda.

    Vírus - Ângela por Ângela, como você se definiria?

    Ângela - Ângela por Ângela? Eu sou mais Ângela!! (Risos) Em tudo!

    Leio tuas cartas com os cinco sentidos

    Por Marcelino Pintho
    Junho de 2005

    Dia desses recebi uma carta de um brother que está batalhando em Sampa. Parecendo escapar da folha, a imagem desse grande amigo avivou-se em mim. Recordei também do que li certa vez em algum desses livros que alicerçam minha vida, que ao escrever cartas, a gente morre de inveja das viagens que elas farão.

    Escrever cartas tem sido um exercício dos mais árduos e demorados ultimamente. Exige rigor, disciplina, desejo e saudade. Se existe uma coisa a que podemos dar toda credibilidade nesse país é a eficácia dos Correios. É incrível como as pessoas respeitam a correspondência alheia e como as contas de cobrança nunca atrasam.

    Escrevemos para acolher um ao outro, fortalecer e criar elos. Escrevemos nos doando, movidos por uma escrita reveladora que realiza a co-existência, abrindo horizontes e expectativas. Escrevendo, nos tornamos cúmplices, melhoramos nossa concentração, apuramos nossos métodos gramaticais e estilísticos, nos entregamos plenamente. As cartas podem fluir espantosa e vertiginosamente em qualquer lugar, basta sermos tomados pelo desejo.

    Quem nunca passou uma semana roendo unhas e ligado na porta à espera do carteiro? Quem nunca teve um sobressalto ao abrir a porta e ver aquele envelope jogado no chão? E dar mil justificativas para explicar quem é o remetente? Quem nunca leu em braile, à luz de velas, cartas apaixonadas, iradas, ameaçadoras, anônimas, registradas, postadas, via isso, via aquilo, a tempo, atrasadas, longas, sucintas?! Todas elas, cartas endereçadas a mim!

    Assim, nos afirmamos escrevendo. Para cada fase da vida somos condicionados a produzir e receber cartas como um fenómeno biológico. Esses momentos acontecem dentro do dinamismo da vida, desde cartinhas do colégio às apaixonadas cartas de amor da adolescência, para o professor, vizinho...

    Quem nunca mandou ou recebeu uma carta apaixonada e repleta de amor, perfume, flores, cupidos, corações flechados e versos maravilhosos (nestas horas todos os versos nos pertencem, a autoria evapora como éter e secretamente agradecemos a todos os poetas pela força), pois tudo que está naquele papel é dor ou paixão minha. Quando escrevemos permitimo-nos uma convivência, comunhão. Escrever é comprometer-se. Quando escrevemos nos doamos.

    "Ah, nostálgico e saudosista", podem nos achar os mais moderninhos. É claro que a rapidez dos e-mails e dos telefones fazem do tempo/distância um detalhe insignificante e aproxima ainda mais as pessoas. Mas falo aqui do prazer ritualístico de escrever cartas como as de Romeu e Julieta, Abelardo e Heloíse, Tristão e Isolda, Helena e Paris, Cleópatra e Marco Antônio, nossos avós... Falo da inquietude, de paz de espírito, dos baús guardados secretamente, das releituras, das trocas, das peripécias para enviar e receber, as cartas borradas por lágrimas, dos encontros e desencontros, das inúmeras cartas queimadas, rasgadas pela ira e choradas pelo remorso.

    Nas cartas nos entregamos completamente, somos mais verdadeiros, mais claros. Não esbarramos em ruídos, panes, dissimulações da fala. Cartas são mais humanas que teclas, mais táteis que fios e das cartas que recebi como não haveria de estar grato a minha vida inteira? Que mundos essas cartas me mostraram, que verdades me ensinaram,que mulheres maravilhosas...

    Escrever cartas é brincar de inventar novas formas de escrever, ler, reler, vasculhar os porões e labirintos da escrita atrás de mensagens escondidas, exige perspicácia, astúcia e muita paciência, tal qual Visconde de Valmont e suas "relações perigosas".

    Cartas são pedaços da gente e por isso não precisamos dormir para sonhar, pois sabemos que coisas de vidro e plástico são a fome dos que se atiram com fúria às facilidades. Está selado.

    Marcelino Pintho

    A cidade de Circe

    Por Leandro Michel
    Junho de 2005

    Desde que me entendo por gente passei a conviver e tempo depois a morar nessa cidade que carinhosamente é denominada por algumas amigas calmonenses que residem em Salvador de Calmon City. A minha história está intimamente ligada a essa cidade, sou mineiro com orgulho, mas sou acima de tudo, cidadão calmonense. Essa minha trajetória me dá total liberdade para afirmar que Calmon City já foi mais atraente, mais pulsante, mais viva, poética, encantadora, vibrante. E o pior é que ela poderia continuar sendo. É verdade que a Pós Modernidade tem nos encurralado num tempo de conveniências, do sorriso cínico, dos cumprimentos indiferentes, do relativismo moral (que iguala tanto a heterossexualidade quanto a homossexualidade, tanto a monogamia quanto uma sucessão de casamentos), da exacerbação da animalidade, barbárie, crueldade, do definitivo abandono das religiões, do fim das utopias. Não há dúvidas, vivemos uma inversão do ciclo civilizatório, aquilo que antes abominávamos, condenávamos, passam a ser não só admitidos, como incorporados e incentivados. Tudo isso para o sociólogo francês Michel Maffesoli é a marca de uma nova forma de estar no mundo, já assumida pela juventude dos países ricos. O valor absoluto passa a ser o presente, o desfrute, o conforto imediato.

    Mas quem é Circe? Uma deusa que tem a capacidade de transformar homens em porcos que abrem mão da vergonha, do caráter, da modéstia, da honestidade e de qualquer forma de escrúpulo. A deusa aceita todo tipo de amante: jovem, velho, gordo, magro, alto, baixo, desde que abra mão de sua alma, de sua personalidade. A cidade de Circe divide-se em ricos e poderosos de um lado, a classe média boquinhas-de-siri no meio e os indesejados - leia-se povo, no outro. Calmon City é um exemplo típico de Cidade de Circe. Construída sobre uma estrutura política, ideológica e religiosa que, aos poucos e principalmente nesses últimos 10 anos, vem chamando minha atenção pela segregação social e econômica, fruto de uma postura política i ambiciosa, marginalizadora e extremamente nefasta à comunidade.

    O apartheid é evidente e mesmo que possamos ter avançado num setor ou outro do Poder Público local, a cartilha da submissão, da negação do eu elaborada e lançada pelo ex-prefeito e infelizmente mantida pelo atual, impera violentamente. As oportunidades aqui existem apenas para aqueles que falam a sua língua, que levantam a sua bandeira, que bajulam, puxam o saco, ou para aqueles muitos que dissimuladamente se omitem. Qualquer um que se manifeste contrariamente, questionando, criticando ou se opondo é cruelmente perseguido excluído e humilhado. Como explicar, por exemplo, a perseguição ao Madame Julieta, melhor restaurante de Miguel Calmon? Como explicar a demissão sem aviso prévio ou justa causa do Dr. Eduardo do Centro de Saúde Municipal (antiga Semasa), órgão no qual trabalhou desde o primeiro mandato de Ronan, há cerca de 18 anos e que ao voltar ao trabalho após as eleições foi comunicado por um funcionário que havia recebido ordens para não tirar mais fichas para ele? Como explicar a invasão de um espaço público por um privado, a Unopar?

    Esse lixo virtual se apossou na maior cara de pau de um dos maiores símbolos da educação calmonense, a escola Rómulo Galvão. Como explicar a ausência de concursos? Como explicar a riqueza escancarada dessa elite que tem uma ligação íntima com o poder? Como explicar a suposta apreensão em supermercados de cartões do tipo Bolsa Escola, Bolsa Família e tantas outras esmolas que o governo federal oferece? Como explicar a Europa no centro e a Africa nas periferias de Miguel Calmon? Como explicar, enfim, um prefeito que transforma o Poder Público num poder Privado?

    Excelentíssimo prefeito, promova concursos públicos transparentes, democratize sua administração na prática e não mais nesses discursos mentirosos. É preciso dar ao povo condições mais justas. É preciso garantir-lhe dignidade. É preciso ser mais humano e se livrar das amarras dessa deusa Circe. Assim talvez, possamos rever o brilho encantador dessa cidade.

    Leandro Michel

    ESPAÇO DO LEITOR - A falta de bom senso é foda

    Por Gabriel Júnior
    Junho de 2005

    Iniciarei dizendo que criticar e fácil difícil e ser imparcial. Fiquei impressionado com a última edição de n°22(AnoIII) do Vírus que publicou um artigo intitulado "A censura é foda" produzida pelo meu amigo Pintho (Marcelino Pintho). No entanto o que mais me impressionou foi a falta de senso crítico de muita gente em nossa cidade ao detonar o artigo de Pintho afirmando que ele é aculturado, sem costumes, boca porca e que acima de tudo está contaminando a sociedade calmonense com os seus palavrões e seu modo grosso de se expressar e ainda mais: que o Vírus não sabe fazer jornalismo e que em lugar de contribuir com as suas sugestões só sabe criticar.

    Bem caros leitores vou ousar sair em defesa de Pintho e olhem que estou me sujeitando a arrancar comentários sobre a minha pessoa, tipo: ih! Ele é adepto dos palavrões , ele é contra a instituição da família. Não ligo, sou livre para pensar e expressar minhas opiniões. Estou nesse momento sugerindo aos leitores do Vírus que releiam com total independência e imparcialidade a última edição do Jornal, mais especificamente o artigo "A censura é foda" e que está leitura seja feita tentando descobrir o contexto em que foi produzido. Afirmo com convicção que o intuito de Pintho não foi o de emporcalhar com seus palavrões as famílias calmonenses e nem os confins em que chega esse meio de comunicação e sim fazer uma alusão a tão criticada e temida censura que no período da Ditadura podava o direito de expressar nossas emoções, angustias, sonhos e acima de tudo nossos pensamentos.

    Vamos colocar os pés no chão e deixar de hipocrisia porque os palavrões que Pintho utilizou no texto tipo: foda, porra, caralho além de outros estão inseridos no contexto familiar de cada um dos leitores do desse Jornal, no entanto porque um cara foi homem o suficiente para expor suas ideias vamos agora querer crucificá-lo. E observem que eu não sou adepto dos palavrões, inclusive tento retira-los de meu vocabulário porém tento balancear as coisas da melhor maneira possível.

    O motivo que me influenciou a escrever este artigo, foram os comentários dos opositores do Jornal que dizem que o Vírus só sabe criticar. Saio em defesa desse grandioso meio de comunicação e ainda agradeço aos seus fundadores. Sei que o Jornal é um dos poucos mecanismos produtores de conhecimento da nossa cidade (M.Calmon). Não quero a censura, não sinto saudades da censura, quero o meu direito de falar o que é belo e o que é feio. Chega de atos institucionais.

    Gabriel Júnior
    (conhecido como Alemão) Bacharel em Segurança Pública, Estudante do Curso de Geografia que fora iniciado na UFBA e hoje na UNEB/Jacobina.

    Os valores e as coisas

    Por Cristiani Silva
    Junho de 2005

    É impressionante a decadência do ser humano. Às vezes pego-me pensando se o meu grande sonho de ter oito filhos, castrado pelas circunstâncias, foi um castigo ou uma bênção. Tive três (antigamente diria apenas) e sinto uma angústia tremenda ao avaliar o mundo que dei pra eles. Olho para os lados e me deparo, a todo instante com egoísmo, insensibilidade, ambição, descaso, falsos amigos e mediocridade do mais baixo nível. Será que a única coisa que importa hoje é subir na vida? Ter cargos de confiança porque faz somente o que o sistema manda e acaba mesmo se pervertendo nessa ideologia? Diz o tempo todo sim e tem razão? Afasta e persegue os que não seguem a mesma postura e pouco se incomoda com o pão e a água que faltam ao vizinho? É só isso que alimenta a nossa vil inteligência? Não pactuo com isso. Não vou jamais me conformar e achar que o meu crescimento necessita do tapete ou do degrau de quem vive ao meu lado. Acho que há espaço para todos e essa deslealdade insana não tem justificativa nessa era de informatização e busca desenfreada pelo saber. O homem era pra ser único, diferente, especial. O dinheiro e a corrupção o transformaram em uma espécie desprezível e incapaz de ser feliz. Um elemento a quem somente o poder importa.

    Isso parece um desabafo e pasmem. É. Ando sufocada pela falsidade das pessoas que não querem o nosso bem. Pelo contrário, aproximam-se como ovelhinhas dóceis e gentis e depois se afastam dominadas pela inveja e pela vontade de estarem em nosso lugar, torcendo daí em diante para nos ver cair, cair, cair... Que pena que sou forte e não me afastei do que considero mais importante. Tenho tão pouco e ainda assim alguns não se conformam.

    Serei sempre diferente dessas alminhas nefastas e desprovidas de soberania. É a alma que engrandece o homem e talvez por isso hoje eu me considere pobre de quantidade e tranquila pela qualidade dos amigos que conservei. Como dizia a minha avó: " antes só do que mal acompanhada". Quanta gente ruim numa cidadezinha tão pequena! Talvez por isso seja tão difícil crescer, pois o desenvolvimento de um lugar surge a partir do amadurecimento das pessoas e aqui o povo é verde. Sempre verde, sem clorofila e dependente até a morte do que conseguir sugar de alguém. Eternas árvores parasitas, desprovidas de frutos e de flores, portadoras, apenas, de pulgões, pragas e sombra traiçoeira, maldita e contagiante. Espero ficar cada vez mais longe dessa "trempe" e gozar da alegria de ser eu, andando devagar, conseguindo o meu pouquinho que me dá tanta paz e que eu ainda divido com prazer. "Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais". E é assim: triste pelo que vejo, mas feliz pelo que sou.

    Cristiani Silva.
    Ps: Quero aproveitar para registrar um fato grandioso que me aconteceu. Fiz um projeto com os alunos do 2º ano, Ensino Médio do Poli, turno matutino. Eles foram maravilhosos e o nosso trabalho, em conjunto e muitaparceria, deu certo à beça! Ficou tudo lindo e eu, mais uma vez, me realizei com a minha amada Biologia. Obrigada, meninos. Vocês foram sensacionais. Um beijo bem sincero.

    Este mundo pode ser outro

    Por ROMILSON SANTOS
    Junho de 2005

    "Se não houver caminho que nos leve, nossas mãos o abrirão, e haverá lugar para as crianças,para a vida e para a verdade; e esse lugar será de todos, na justiça e na liberdade. Se alguém se anima, avise: seremos dois a começar..."
    Autor Desconhecido

    Há entre nós seres humanos, uma infinita vontade de sermos perfeitos, de sermos pessoas que ver ao longo de nosso horizonte uma linha imaginária, que nos leva a crer que tudo que nós pensamos é verdadeiro e possível. Será que um mundo de paz, amor e solidariedade é verdadeiramente possível como vivemos?

    A resposta está no sorriso carente de uma criança de rua, que tem fome de dignidade, sede de esperança e sono sem guerras. Está também na do sangue azul dos donos do poder, aqueles que aniquilam a classe menos favorecida, manipulam vidas, pisoteiam e matam tudo. É preciso rever a que justiça pertencemos e em que lado estamos.

    Entre nós e nossos sonhos, existe uma grande serie de obstáculos, ou seja, tropeços que a vida não nos ensinou a saltar. Hoje perco um amigo, por não ter oportunidade de ser alguém na vida, e no lugar onde ele nasceu, onde ele pode criar suas fantasias inusitadas e que hoje vai a um mundo desconhecido.

    Quem será o próximo? Eu? Você? Não sei... Força sempre amigo!!!
    Se puder não lembre desses momentos cruciais que passou por aqui.

    E a mim, resta proclamar a todos, que existe dessas, um mundo de chacais que não sabem o que estão comendo, uma manada de "inteligentes" que buscam apenas poder, poder e poder.

    E não sendo omisso espero que todos me entendam. No plano vital em que vivemos, nós somos também apontados por a fazer mudanças cruciais e também indicados a buscar quem sabe o prémio Nobel da esperteza. Vivemos e esperamos dias melhores. E nesses dias em que não podemos ser livres, ter uma opinião formada, ou até entender um pouco mais do que as pancadas que a vida nos dá na cara, e que nos ensina todos os dias cantarolemos por justiça e igualdade a todos.

    E assim, continuo dizendo, que viver está ficando cada vez mais difícil, mas ainda quando temos força de expressão podemos ir a luta sem perder a ternura jamais.

    ROMILSON SANTOS

    Pensar e aprender - 'Pensar. O trabalho mis duro que há ." Provérbio chinês

    Por Edna Lima
    Junho de 2005

    A educação contemporânea exige do educador do século XXI uma reformulação no seu conceito de pensar. De acordo com o nosso conhecido Aurélio, pensar é sinónimo de meditar, refletir, julgar, supor.

    A formação que o educador atual recebeu no século passado conduziu-o a pensar isoladamente e a pensar sempre, ano letivo após ano letivo, sobre os mesmos conteúdos. Essa postura pedagógica não é reflexo de uma falta de compromisso, mas de um modelo conservador embasado na teoria empirista onde o mais importante era aprender; pela decodificação repetição e compreensão de fatos isolados.

    Os pensadores do novo século(Perrenoud, Coll, Morin e outros), embasados nos teóricos contemporâneo(Decroly, Devvey, Piagent...), trouxeram uma nova, reflexão para o conceito de pensar: é refletir estabelecendo relações ente conteúdos; conceituais, procedi-mentais ou atitudinais visando transformar velhos conceitos possibilitando aos aprendizes a fazerem a transposição de saberes. E se esse passa a ser o modelo pedagógico vivenciado pelos os alunos eles irão transpor naturalmente, para seus alunos, essa nova postura de educador.

    A educação calmonense vivência um momento de transição - de uma educação conservadora para uma linha mais construtiva - onde o importante não é só aprender mas ser capaz de estabelecer relações entre aquilo que aprende, sem desencantar seus conhecimentos prévios. A proposta pedagógica implantada esse município embasa-se na pedagogia da pesquisa de busca, através de questionamentos, identificar os conhecimentos prévios dos alunos (CONHECER) e, a partir dessa sondagem ampliar suas informações estabelecendo relações com os conhecimentos que precisam ser aprendidos e outros que passam a ser referencia de comparação (ANALIZAR).

    Espera-se que essa exposição comparativa e participativa possa desenvolver o senso crítico dos alunos e que diante dessa mudança de postura, eles consigam TRANSFORMAR a realidade na qual estão inseridos.

    A proposta foi implantada na I unidade deste ano letivo, na educação infantil e fundamental I. Para os professores da zona rural, que já conheciam o projeto CAT de Rui Barbosa, "A educação que agente quer, do jeito que agente é" nossa proposta foi aceita como um desafio natural, apenas mais rebuscado porque muitas leituras precisariam ser feitas para estabelecerem relações gerando aprendizagens. Para os professores de 1ª a 4ª série da sede, foi um impacto porque num projeto temático os conteúdos estão para o tema e não se apresentam mais uma ordem preestabelecida, como estávamos acostumados nas propostas curriculares ou livros.

    Mas a ansiedade, angustia, dúvida, impaciência são ingredientes do compromisso profissional, da postura do professor que não desiste de pensar, mesmo que represente o trabalho mais duro que há e do educador que tem a humildade de aprender, nesse universo onde muitos se afogam em sua auto-suficiência.

    Muito ainda temos de aprender. Nessa II unidade os coordenadores já foram os construtores do tema e das temáticas. A partir da III unidade seus conceitos e convicções, para depois revolucionarem a nossa realidade educacional. Toda mudança exige sacrifício, doação, e, acima de tudo, humilde para aprender a pensar...

    Edna Lima - Supervisora Pedagógica de Miguel

    A despolitização pós-moderna

    Por Thiciara Lima
    Junho de 2005

    A pós-modernidade reflete um homem desprovido de paradigmas tal fato é percebido nas relações sociais, culturais e de género, que caracterizam a atual conjuntura social.

    O fato do homem pós-moderno não estar engessado em modelos, pressupõe autonomia. No entanto, se estabelecermos um paralelo entre esta geração e a anterior (sobretudo a da década de 60/ 70) percebemos que a atual dispõe de maior numero de informação e "liberdade", mas não tem engajamento político, necessário para intervir socialmente.

    Cabe questionarmos esse aparente paradoxo que envolve a juventude contemporânea e quais as possíveis causas que contribuem para tal despolitização.

    A análise deste aspecto permite-nos deduzir que vivemos numa época em que o conhecimento é relativamente "acessível", mas ocorre de forma superficial, isto é, as informações veiculadas servem para perpetuar ideologias, não modificá-las, . assim não analisamos como os discursos são construídos e qual a intencionalidade que o direciona.

    Um outro ponto a ser destacado diz respeito ao advento da "democracia" e "liberdade de expressão", pois cria-se a ideia errônea que não é necessário manifestar-se, ter um posicionamento e começa-se a seguir tendências que demonstrem o caráter pós-moderno de não seguir dogmas e da indefinição sobretudo a política.

    Soma-se a isso que como vivemos numa época que não possuímos vínculos sociais duradouros, transformamo-nos em seres descartáveis e individualistas, incapazes de um posicionamento coletivo. Logo os problemas sociais que não interferem na minha vida diretamente são apenas observados de uma forma indiferente, sem atentar para interdependência social, na qual um problema aparentemente isolado acaba por trazer consequências sociais a médio ou a longo prazo.

    Deve-se acrescentar que a sociedade costuma atribuir ao jovem as transformações sociais, mas sabemos que nenhuma mudança estrutural pode partir de um movimento isolado é necessário que haja um engajamento de todos os seguimentos sociais para que os parâmetros ideológicos sejam repensados e consequentemente a sociedade seja modificada.

    Thiciara Lima

    Minha reação ao ver a lagoa

    Por Vírus
    Junho de 2005

    Quinta-feira, dia 12 de maio de 2005. tive uma aula de Ciências na iagoa do Braço Mindinho com minha pró Titi e meus colegas da 5ª série do Colégio Oásis, fomos ver como estava poluída aquela água, para onde vai toda a O que você acabou de ver é o que pode ser realidade, mas se os homens não ajudarem, como fazer para realizar esse projeto? Quando eu estive na lagoa, senti muita tristeza por eu mesma, pois sei que colaborei com sujeira de Miguel Calmon.

    Queremos fazer um projeto para limpá-la, mas precisaríamos de muito dinheiro.

    Lá mesmo desenhamos o nosso projeto:

    Tomei consciência do que estava fazendo e agora só vou jogar lixo no lixo.

    Janine - 5ª série

    O que senti ao ver a lagoa

    Por Valber Brito
    Junho de 2005

    No dia 12 de maio de 2005 nós, os alunos da 5a série do Colégio Oásis de Miguel Calmon, em visita à lagoa, localizada próxima ao bairro Alto da Colina, observamos o péssimo estado de conservação daquele ambiente, onde a poluição e a sujeira predominam.

    Sendo assim, sofrem os moradores das proximidades com o mau cheiro, ataques de animais peçonhentos, verminoses, onde as mais prejudicadas são as crianças que brincam, tomam banho e pescam sem pensar nas consequências.

    Os nossos representantes vêem tudo isso e se fingem de cegos. Eles deveriam traçar um projeto de limpeza da lagoa, fazendo um centro de tratamento de esgoto e construção de uma orla, circulando toda a extensão, ficando como ponto de referência para a prática de atividades físicas.

    Espero que a minha observação sirva de incentivo para que algo seja feito.

    Valber Brito de Santana - 5a série

    Nem tudo que reluz...

    Por Pedro Lampião
    Junho de 2005

    Que nós brasileiros temos memória curta, isto eu já falei aqui nestas mal traçadas linhas; que o povo brasileiro tem sido embromado ao longo dos tempos e ao longo dos governos, também não é segredo para ninguém. Agora, pensar que nós somos otários, ai também já é querer demais. Nosso povo não é burro!!.

    No número passado do VÍRUS muita gente ficou indignada com o texto de Pinto pois falava palavrões, palavrões estes que como ele disse, todo mundo fala. Eu tava com vontade de fazer um texto dessa forma pois, somente com um bocado de palavrão é que às vezes nos fazemos entender. Porém como muitos leitores estranharam as considerações do amigo Pinto, vou deixar os palavrões para a mesa do bar de Fá (Fá não reclama) e escrever na nossa língua formal.

    Já escrevi antes que tentavam minar o governo lula com informações desencontradas e comparações que nos faziam pensar que o Brasil tinha sido muito bem governado até agora, e que estes que estão a pedir CPI para ter com ela um novo palanque são as mais direitas das pessoas, e que Lula estaria trocando os pés pelas mãos e governando de forma equivocada e errando sempre.

    Acontece senhores que tem muita gente manipulando informações e através das oposições que até bem pouco tempo eram da situação, e não se conformam em ter perdido o governo para um nordestino metalúrgico, e querem a todo custo tomar o planalto de assalto e voltar a oprimir o povo, a espezinhar a população e de todas as formas querer que Lula conserte 500 anos de desmando e desgoverno em apenas 3 anos. Como diria Pinto, "quiéquiéisso!!" a verdade é bem outra o que acontece de fato no governo é outra coisa, nunca o Brasil foi tão bem governado, com tanta seriedade e com tanto zelo, nunca o brasileiro "lascado" teve vez e voz como agora, nunca se fez tanto justiça social como agora. É pouco? Também acho que sim, mas, muito mais está sendo feito para melhorar esta situação, porém, meus amigos, quando começa a se ajudar pobre nesta terra incomoda, pois o rico que vem "comendo do que quer e do que gosta" por todos esses séculos, se sente ameaçado, pensa que Lula é uma afronta às forças dominadoras e opressoras.

    Agora a mais nova jogada da oposição é mirar nos aliados para atingir a sustentação do governo, pois eles sabem que em campo aberto a pilantragem será descoberta e combatida pois o Brasil está firme e forte, ai eles tentam enfraquecer o PT e colocar os petistas na defensiva tentando manchar uma das principais marcas do partido que é o combate à corrupção e saem pelas rádios e pelas TVs da vida (que lhe foram dadas de presente) falando o que bem querem e entendem, como se o governo não estivesse fazendo nada para combater a corrupção, porém a verdade é outra. No PT não tem santo não, mas o que acontece é que o partido tá pagando pelas más companhias, pois nesta terra, infelizmente não se governa sem alianças. Vou mostrar a seguir trechos extraídos de um documento que circula na internet tentando informar à população do que realmente está acontecendo:

    Operações comandadas pela Polícia Federal já levaram à prisão 1.234 pessoas, sendo 819 políticos, empresários, juizes, policiais e servidores públicos.

    Ao contrário da gestão anterior, o governo Lula garante independência ao Ministério Público. No governo FHC, dos 626 inquéritos que passaram pela mesa de Geraldo Brindeiro, o "engavetador-geral da República", até maio de 2001, 242 foram engavetados e 217 arquivados. Dos 242 que ficaram parados na gaveta do procurador, 194 tinham deputados federais como réus. Outros 33 se referiam a senadores, 11 a ministros e ex-ministros e quatro ao próprio presidente FHC; Nos últimos dois anos, o orçamento social cresceu 31% em relação a 2001/ 2002. O programa Bolsa Família chegou a 6,5 milhões de famílias no final de 2004. Até 2006 chegará a 11 milhões, atendendo a totalidade das famílias em situação de risco social; Em dois anos de governo foram gerados 2,4 milhões de empregos com carteira assinada - maior índice desde 1992;

    A produção industrial em 2004 foi a maior dos últimos 18 anos. O Brasil cresceu 5,2% em 2004, a maior taxa dos últimos 10 anos. Só no segundo semestre de 2004 foram fechados mais de 3 milhões de contratos de operações de microcrédito, um movimento superior a R$ 1,2 bilhão.

    Através de seus bancos oficiais, o governo garantiu a inclusão de 5 milhões de brasileiros no sistema bancário. Trabalhadores e aposentados tiveram acesso a linhas de crédito, com desconto em folha, a juros 50% mais baixos Existe uma página na internet onde você pode acompanhar os recursos que sua cidade recebe e assim fiscalizar se esses recursos estão sendo gastos de forma correta, a c e s s e ww.portaldatransparencia.gov.br e pesquise, faça valer o seu direito, veja o quanto as prefeituras, inclusive a nossa recebe do governo federal, quanto é destinado ao estado da Bahia e muitas outras informações que antes o cidadão nem sabia que existia.

    Agora aparece um cara que era da linha de frente do governo Collor e saia atirando para todos os lados numa tentativa desesperada de se defender, acusando a todos e a tudo que passa na sua frente, e sem a menor descompostura, os partidos que rapinaram as reservas do pais, que venderam as estatatais a preço de banana, que roubaram, mataram (lembram de PC Farias?), dilapidaram o patrimônio da nação de todo jeito, pousam agora no planalto, quais lobos, em pele de cordeiro, dizendo serem a salvação da lavoura. Quiequieisso!?, de novo, tão pensando que somos otários, tão querendo enganar a quem??.

    Assim é que se governa, com transparência, com clareza nos atos e não querendo desestabilizar uma administração que tá dando certo e já que se instalou a CPI, ótimo, como disse Lula se preciso for cortaremos na carne.

    Por fim, acho que só xingando a mãe dessa galera prá desabafar e mostrar a eles que "O NOSSO POVO NÃO É BESTA", pensem bem nisso.

    Grande abraço a todos.
    Pedro Lampião

    A nova cara do estudo literário

    Por Cecília Araújo
    Junho de 2005

    Há muito que se discute no meio educativo uma proposta interessante para um trabalho em sala de aula mais dinâmico e participativo: o projeto, mais que um método, estabelece uma relação agradável com o aluno no sentido de ser um caminho firme para que ele se deixe seduzir pelo conhecimento; no nosso caso, o caminho escolhido foi a Literatura e a Arte de modo geral. Adotar esta ideia na nossa experiência cotidiana, é uma busca, especialmente no que diz respeito ao processo interior de assimilação e compreensão da arte literária, essa arte que de tão complexa e fecunda, é capaz de modificar a forma através da qual olhamos para o mundo.

    É notório que a educação brasileira encontra-se num momento de profunda reflexão. Discute-se sobre a prática docente em todos os âmbitos e aspectos e talvez nenhuma dessas discussões seja mais abrangente, pertinente e paradoxal do que aquela que diz respeito às práticas utilizadas pela escola no campo literário.

    Por ser a Literatura a representação que se localiza entre o real e o imaginário, traz consigo uma grande carga de informações que transitam desde o campo da oralidade (senso comum) até as ciências filosóficas, ou seja, é inerente a ela a complexidade da universalidade, cujos resultados por vezes evidenciam-se na "discrepância entre o retrato e a realidade" (LAJOLO, 2002) e cujo estudo não pode ser feito de modo unilateral e aleatório, mas de forma a buscar uma dialogicidade com o texto para além de localizá-lo em seu espaço, tempo e outros aspectos estruturais, passando a olhar de forma crítica, afinal "... LER é dialogar com o p msamento do outro, criar sentidos, interpretar consoante com sua experiência e visão de mundo" (YUNES, 1988). Nesse sentido, a busca é de uma não fragmentação de saberes, mas de uma interação entre os mesmos, que se torna fator de fundamental importância no sentido de propiciar novas abordagens e possibilidades infinitas.



    Nesse conceito interacionista, o professor despe-se de suas vestes sacerdotais de detentor exclusivo do saber e passa a participar do processo educativo de forma mais globalizada e viável. De lançar sobre o mundo das letras olhares diversos que possibilitem ao educando uma maior integração com o texto. É sempre em busca de uma mudança qualitativa nas práticas de leitura, que o professor deve estar em busca de um material que seja atraente tanto visual como monetariamente e principalmente concatenado com esse mercado que a cada dia cresce mais, para poder contribuir de forma definitiva para o fomento da leitura diante de sua clientela.

    O contato com as editoras é importante, mas ele por si só não é suficiente. O professor deve ser ele mesmo, um veículo desse fomento, portanto seu entusiasmo como leitor também é uma peça-chave para que a leitura no seu ambiente de trabalho ocorra sem nenhum tipo de entrave e para que o livro funcione para ele, do mesmo modo que para seus pupilos: um agente que contém em si saberes infinitos: "O livro é um mundo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive" (Pe. Antônio Vieira,1998). É estar ele mesmo (docente) à procura de caminhos ou trilhas que busquem sempre o conhecimento contido nesses, que para muitos colegas tornam-se objetos que incitam a preguiça, a raiva e até mesmo deixam perceber sua pouca intimidade com o material que deveria ser o ponto de partida de suas explanações - o livro; as visitas às bibliotecas, por menores que sejam, são possibilidades sempre de um crescimento interior e, portanto, via de acesso de um trabalho melhor.

    "A biblioteca é um gabinete mágico, onde se encontram encantados os melhores espíritos da humanidade, esperando nosso gesto para sair da nudez"(BORGES, 2001). Biblioteca lembra logo e a priori os livros que são denominados canónicos ou clássicos por conter em si" ...aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível" (CALVINO,1981), por conter este elemento, que um livro clássico não pode e não deve emudecer nas prateleiras de uma biblioteca tachado de "velharia" ou coisas afins. Deve estar sim, em constante diálogo com textos representativos de outras tipologias e importâncias, mas que não deixam de ter para o aspecto do entendimento universal da Literatura o seu relevo. Interagir passado e presente é buscar o equilíbrio em busca de um aprendizado que leve a uma transformação do futuro.

    "A leitura literária" é um tipo que cabe dizer, não é o único. Portanto, como dito anteriormente a transformação da atividade leitura (que acontecia até pouco tempo de forma individual, hoje ganha uma redimensão que a coloca como forma de entendimento da sociedade, pois para ela (Literatura) convergem-se todos os ideais humanos e que fazem dela o campo mais amplo do texto escrito, por trazer consigo uma grande profusão de influências e conveniências (inclusive funcionar como mantenedora do poder).

    É importante, frisar que essa possibilidade deve ser sempre motivo primordial para educação do discente: O olhar o mundo de forma crítica e que lhe permita ver com clareza não só o texto como suas entrelinhas, pretextos e artimanhas...

    O discente deve enfim, ser estimulado a exercitar a sua visão de mundo ampliando sua ótica diante da realidade, e produzindo seus próprios textos, o projeto é só a porta que abre o caminho...

    POR ISSO TUDO, O POLI APRESENTA... "Romantismo é uma questão de paixão, emoção e liberdade...", que tem como objetivo compreender o movimento literário em pauta, no sentido de expandir o campo de visão do mesmo para outros tipos de arte, tornando possível uma interpretação mais global e complexa de sua influência em determinado momento histórico e os reflexos produzidos por eles até os nossos dias, assim como uma maior valorização do "ser brasileiro" com todas as suas singularidades de povo miscigenado e pluralizado culturalmente. Este projeto será realizado no dia 15 de julho de 2005 na Sociedade XV de Novembro e terá a participação efetiva do alunado do Ensino Médio que estará capitaneando as atividades da noite, coordenados pelas Professoras Ana Rita Barreto, Cecília Araújo e a direção do referido colégio. Vocês serão bem-vindos à nossa viagem literária !!!!

    Colégio Estadual Polivalente de Miguel Calmon

    apresenta: "Romantismo é uma questão de paixão, emoção e liberdade..." "...cheio de amor pela pátria, em Deus e no futuro."

    Gonçalves de Magalhães
    Local: XV de Novembro Data: 15.07.2005
    Horário: 19:30 h
    Realização: Alunos do 2° ano do Ensino Médio Participação: Alunos do 1° e 3° ano do Ensino Médio
    Coordenação: Ana Rita Andrade e Cecília Araújo Direção: Eláide Andrade Apoio: Célia Silva - Ana Lúcia Miranda - Carlos Roberto Grassi Cristina Menezes - Rafael Braim Elisabeth Cordeiro - Fabiana Silva Olinson Coutinho - Renilton Gomes Flávia Mota - Alessandra Dourado -Marli Cruz - Prefeitura. Atração: Ricardo Mercês e Marcleyde Convidados especiais: Ângelo Barroso - Geysa Andrade - Leandro Michel - Renilton Silva.
    Cecília Araújo

    Blitz

    Por O pensador
    Junho de 2005

    O Vírus éfoda!(No bom sentido, é claro. Gostei do n°22 (maio) e fiquei feliz com o convite de participar também desse vómito cultural; eu tô aqui para abalar, também quero continuar sendo um vírus nesse sistema... Léo pediu que escrevesse algo sobre a cena local (Jacobina); pra iniciar, aí vão dois textos espero que gostem.

    É pra chamar a polícia, ou o ladrão? A roubalheira no Mercado Municipal de Jacobina é uma coisa absurda! Pivetes e desocupados ficam em alguns pontos roubando o pouco dinheiro que os cidadãos de bem conseguem juntar com muito sacrifício para fazer a feira da semana. Sem falar a da violência - brigas e confusões que acontecem por lá vez ou outra Sai Governo, entra Governo, saem Comandantes e entram Comandantes da PM e Guarda Municipal e ninguém resolve o problema.

    Quando é que vão aprender que é melhor prevenir do que remediar? A segurança nesse país é parecida com os filmes de Segunda categoria de Hollywood: A polícia só chega depois que tudo aconteceu! Um cidadão jacobinense, que trabalha e paga muitos impostos, como todos nós, num momento de lucidez, deu-nos uma ideia interessante: os policiais ou guardas abordariam os suspeitos e questionaria se estão vendendo ou comprando algo dentro do mercado , se a resposta fosse não, seriam então convidados a se retirar. Caso insistissem, seriam detidos. Claro que não é para sair detendo todo qualquer um (a); o policial militar/civil e o guarda municipal devem saber quem é de bem e quem não é, né?

    O pensador

    Jacobina, 04 de junho de 2005

    Por Bartira Barreto
    Junho de 2005

    Aos senhores Jesser Oliveira, Jormélio Rios e Pedro Lampião, que certamente devo conhecer, mas dos quais, apenas de nome, não consigo me recordar, aos meus queridos professores do Colégio Oásis de Jacobina, Leandro Michel e Marcelino Pintho; e a outros que colaboram com a elaboração do periódico. Venho, através desta correspondência virtual, expressar a minha satisfação real, como não poderia deixar de fazer, permanecer calada, depois de ter acesso a tanto conhecimento, seria concordar com uma minoria, estúpida, que acredita que vocês escrevem com a finalidade de aparecer em público.

    Tive, recentemente, a oportunidade de ler uma edição do Vírus (maio/ 2005), que uma colega calmonense me emprestou, fiquei muito feliz por saber que nessa cidadezinha abençoada, terra de minha família materna, existem pessoas como vocês. É de seres pensantes assim que o mundo carece, cada vez mais. Acabaram de ganhar mais uma leitora, "Parabéns por vocês não terem medo de dizer o que pensam, e por não se deixarem abater em meio a tanta oposição...", viva a democracia e a liberdade de pensamento!

    Atenciosamente. Bartira Barreto

    O papel dos Artistas

    Por O pensador
    Junho de 2005

    Em um mundo tão cheio de conflitos, achamos que é perda tempo promover uma arte sem compromisso, se engajamento. Há muitos artistas por aí que ficam omissos diante do caos em que nos encontramos. A fome, as desigualdades sociais, preconceitos, discriminações, corrupções políticas e conflitos étnico-religioss estão aí... O que queremos dizer é que muitos, infelizmente , perseguem exclusivamente a fama. É preciso fazer uma arte comprometida com aqueles que consomem essa arte. Estamos todos submetidos a uma publicidade ideológica constante por parte dos poderosos, essa elite mesquinha que sempre "fudeu" e ditou as regras do jogo nesse país.

    Uma ditadura que impede que ampliemos nossas visões. Precisamos lutar contra isso, ver a nossa realidade com outros olhos - mais críticos. Nós, artistas, temos um papel importante a desempenhar, porque de certa forma, abrimos os olhos e os ouvidos das pessoas. Precisamos utilizar nossa arte para provocar reflexão, questionamentos e mudança. E não somente para fazer dançar e balançar a bunda !

    "Consciência é nada sem atitude".

    O pensador - Jacobina