Ano: III / Nº 22 - Miguel Calmon, Maio de 2005

A censura é foda!!

Por Marcelino Pintho
Maio de 2005

Hoje perco simpatizantes desse meu estilo debochado e relax. Este é um tema áspero, ganharei alguns inimigos e, provavelmente, arrumarei aí uns cinco ou seis simpatizantes. Lembro-me agora de um antigo provérbio politicamente incorreto até a medula: Quem passa por esta vida e não arruma um inimigo, uma gonorréia ou um chifre nada viveu. Pra mim só falta o inimigo, pelo menos declarado, pois inimigo oculto é covardia, né?!

Vamos ao ponto G da questão: Existe um procedimento editorial de reduzir palavrões à primeira letra, seguida de três pontos (F...,M...,C...). Onde quer que haja mais de um jornalista, há controvérsia sobre o uso do palavrão no texto jornalístico. Ou se é muito a favor, ou timidamente contra (hipocrisia?). Ser a favor do palavrão com todas as letras é ser a favor da liberdade de imprensa, do sagrado, inalienável direito de dizer a verdade para o bem da informação e do leitor. Quem ousará ser contra? Quem? Quem? Quem?

Sou comprometido com o cotidiano, o palavrão está incorporado à nossa língua informal, minha fala tá cheia deles. E olhe que já tomei muita pancada de minha mãe e do meu pai por causa dessa minha boca do inferno. Era um "porra" e um tapa na boca, um "peste" e um beliscão, por causa de um "boceta" fiquei quinze dias amarrado num pé de jaca! Tem gente que fica horrorizada com um "caralho", que loucura! Porra é vírgula, é adjetivo, é advérbio de lugar, é pausa na fala... O mesmo vale pra Foda. Agora o tal de Cu é cabeludo. Mandar uma pessoa tomar lá é motivo de briga!

O meu repertório anda apuradíssimo estes dias. Ultimamente nada me inspira mais do que o sinal de televisão. É uma putaria, dia pega, dia some, volta sem som, sem cor, uma merda! Bagunça o lugar dos canais, desprograma tudo, é Foda! Já xinguei gente esses dias, ah como xinguei! Não escapa ninguém!

Só o que tira o meu sono é café e dívida. A televisão me irrita! Eu tenho uma peste de uma antena espinha-de-peixe que não presta pra nada, uma bosta. Roda mais do que pai-de-santo num pigi! E puxa fio, estica fio, vira televisão, muda de lugar, e dá murro, bota bombril... Êlabuta da porra! Sem jogo, sem novela, sem nada, sai Globo, volta Globo, entra SBT... Esculhambação da porra... Tira logo essa desgraça do ar e dá um basta nesse sofrimento. É bom que a gente vai fazer filho a noite toda...

Foi por causa dessa minha boca (?) dos palavrões (?) que sofri minha pior retaliação ultimamente. Todas as sextas-feiras, eu e Leo fazíamos um programa na Canabrava FM, Conexão Cultural, programa da Biblioteca Vilmar de Castro. Caralho, o programa era massa! Dois locutores, muito som de qualidade, totalmente antenados com o que rola de melhor por aí, fazíamos comentários ácidos, irónicos e debochados das principais revistas em circulação, sem contar as entrevistas ao vivo por telefone, de improviso mesmo, contávamos com um batalhão de ouvintes fiéis da zona rural e nas escolas. O nosso programa era Foda mesmo!

Mas aí rolou um stress: certa noite, colocamos um som do Gabriel o Pensador, "Filha da Puta", que falava de políticos safados, maridos violentos que batem nas esposas, pitboys... Rapaz, pra quê? Os defensores da "moral e dos bons costumes" peidaram! Nos deram uma suspensão vitalícia, colocaram num mural que estávamos falando palavrão, colocando música de baixo calão e que eu, Eu, estava indo para o programa bêbado (hic-hic). Quiqueisso! Já pensei em parar de beber, mas sou brasileiro e não desisto nunca! Isso tudo é Foda! Me senti vilipendiado, sacaneado! E o piro é que ninguém não nos disse nada!

Porra! A censura é foda! Quer dizer que "só sou eu vil e erróneo nesta terra?", só eu falo palavrão? Uma música, um texto pode ser tão ofensivo? Chega! Quero ser o Marcelo Mirisola do Vírus agora! Xingo mesmo e pronto! Desse jeito vão condenar quem fala vagina, pênis ou ânus! Vamos conversar com um bip do Big Brother na boca: "Que atendimento biiiiiiiiiiiip, que filme biimiiiiiiiiiiip, que situação biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiip", era só o que me faltava!

Eu sou eu, Nicuri é o Diabo e pronto. Falo mesmo, quem não quiser me ouvir tampe os ouvidos e saia correndo e gritando: "Polícia, polícia!" Nunca ofendi ninguém com minhas palavrinhas cabeludas, porra, fiquei puto da vida com isso! A censura é foda e só lembra do caralho que ninguém quer mais viver. A censura é foda! É foda! É foda! É foda! É foda!

Marcelino Pintho é um boca porca.

EDITORIAL

Por Jesser Oliveira
Maio de 2005

Escrevemos mais uma página suja história de Calmon City. Perdão escrevem mais uma edição do Vírus. Por isto aparecem novamente na área, e avisamos; não no derrubem,'pois será penalti. E temos ótimos batedores, sabemos bater de todos os lados, desde que seja contra a opressão antidemocracia, perseguição política favorecimento de alguns, etc.

Somos como dizem: um Pasquim qualquer. Ñem data certa temos, aparecemos como um vírus aparece no corpo humano. Não somos como fluxo menstrual que tem data certa de aparecer. Somos assim: o sujeito acorda feliz, sai de casa e no meio do seu caminho há um Vírus. Então: adeus Oh! Happy day! O dia parece ficar intranquilo para alguns quando o Vírus chega. Apenas para alguns, pois temos leitores certos; donas de casa nos procuram perguntando. "Quando o Vírus sai?" Ou: li o Vírus tava ótimo!" Católicos, Evangélicos, Feirantes, Estudantes, Funcionários Públicos. Estes caros leitores, forma um exército de Ninjas Invisíveis, mas que na verdade existe.

Fazemos parte de uma história suja e limpa ao mesmo tempo. Já criamos o hábito de leitura na cidade, temos leitores fora das fronteiras calmonenses, pessoas que nos escrevem, pois receberam o Vírus pelo correio enviado por amigos ou parentes, pessoas que nem são de Miguel Calmon, mas que lêem o Vírus.

Já demos uma entrevista para uma ONG Internacional. Verdade! Fomos filmados, entrevistados e levados não só como imagem e palavra falada, mas também como textos expressos nos exemplares que haviam já escritos. Perdoe a audácia do que digo, mas peguem os nossos textos e encontrarão citações de filósofos, escritores, poetas, historiadores e intelectuais de toda parte do mundo. São nossas leituras habituais. Agora alguém dizer que escrevemos para nos aparecer!

Eu concluo deixando para ele uma poesia que escrevi há tempos atrás.

O bom poeta é aquele que cospe Na terra onde nasceu.
Pois a sua saliva representa um veneno Para aqueles que o governam.

Jesser Oliveira, a todos os que Vírus em Miguel Calmon e no mundo. Também aos que são mas não podem se identificar. Um abraço e curtam esta edição.

"Somos o que podemos ser/ Sonhos que podemos ter".

Por Jesser Oliveira
Maio de 2005

Allan Poe escreveu em 1827 uma poesia chamada Dreams (sonhos), nela o poeta exalta a incrível leveza da natureza do sonhar humano, com sua pretensão de eternidade e sua firme natureza efémera. Dizer que Poe fala de um sonho juvenil / Young life were a lasting dream / e / dreams...In my yang boyhood / na primeira citação: vida jovem e durável sonho. Na segunda citação: sonho... Minha jovem infância. Serve para indicar a natureza desta permissiva tendência que temos quando na juventude de sonhar dramaticamente/ that loag dream were of hopeless sorrow / twere better than the cold reality/ este longo sonho de desesperança e dor, melhor que o frio real. Assim Poe sinaliza a verdade sobre o que temos como sonho: A vida pode ser uma ideia realmente contraditória - negação do sonho - ou pode ser uma vivência de uma utopia eterna, coisa de não acorda para a vida comum e continuar a sonhar, que é possível ter um sol no nosso jardim que aqueça a todos.

Sempre sonhei em fazer parte da geração de 60, ser aqueles caras que se reuniam clandestinamente com um ideal na cabeça de fazer frente à ditadura militar, ter sigilo oficial de identidade, fazer sequestro de políticos em nome da democracia, bater de frente contra um bando de farda que pareciam mais com cães de guardas do que pessoas normais armadas. Lembro que muitas vezes com amigos falamos deste tempo como se fosse o único existente para testar o nosso legítimo modo de ver um mundo imperfeito para se tornar, com luta, em um mundo melhor. Figura na minha cabeceira nomes como Gandhi, Che Guevara, Mártir Luther King, e o ideal de fome e sede de justiça. Por andar em uma via de sonhos aprendi que nem sempre é bom lutar ao lado de certos idealistas, por isto hoje não tenho mais na minha lista de desejos, a ideia de ser um em 6o, pois o que vejo hoje é que os garotões e garotonas que brigaram naquela época, desfilam com seus ideais novos, chegaram ao poder e agarra-no tão bem que já não vive mais o ideal de luta e vida que marcaram sua juventude. Hoje cultivo a tendência de ser Vírus como legitimidade, sou da geração de 8o e me orgulho disto, acordei com o grito das pessoas nas ruas gritando pedindo Direta Já para presidente, ouviu deste cedo músicas que não precisavam ser disfarçada, nem ter duplo sentido para ser cantada: Pai afasta de mim este cálice, quando na verdade queria dizer: pai afasta de mim este cale-se. (Cale-se, de calar). A minha geração ouviu músicas assim: não me convidaram para esta festa pobre/ que os homens armaram/ pra mim convencer/ Brasil mostra tua cara/... O nome do teu sócio. Vi pessoas que haviam sido exiladas voltarem ao país e terem seus direitos políticos de volta. Pena que muitos já faziam a leitura da cartilha da direita, do que haviam lhes tirado o direito no passado de serem gente e gritar o seu livre grito de liberdade, vi com vergonha, tristeza e repúdio, recentemente, à direita e esquerda e sei lá quem no Brasil, vetar o direito de muitos de conhecerem a verdade sobre a ditadura militar em nosso país, ficou certo que os documento serão abertos num futuro.

Quando? Quando os muitos que ainda restam que mandavam ou apoiavam os que mandavam neste tempo, forem apenas ossos secos em um túmulo, com uma lápide de mármore escrita aqui jaz fulano de tal? E em algum outro lugar, em uma vala qualquer, estar ossos de brasileiros e brasileirasque lutaram por direitos universais de nós humanos e que foram torturados, mortos e seus parentes não tiveram o direito de saber o que aconteceu com eles, nem muito menos de enterrá-los com dignidade? Honestamente espero hoje chegar na minha velhice e não ter que ver apenas cascas de cigarras na árvore genealógica dos meus ideais, cascas de cigarras, sim, que antes cantava e agora não tem mais nada no peito a não ser o vazio de uma existência que não, mas é. Não quero percorrer um corredor de fotos antigas e amarelas dizendo a filhos e netos: garotos não sejam radicais, nós temos que fazer alianças sempre com os que estão aí para o bem do povo e blá blá blá blá blá. Quero sim, ter no rosto o mesmo brilho que leio e escrevo hoje no Vírus e acordar contando mesmo que seja só. Liberdade! Liberdade!/ abre as asas sobre nós/ das lutas na tempestade/ dá que ouçamos tua voz. Alguém sabe que letra é esta? Letra do Hino da Proclamação da República do Brasil.

Concluo dizendo que creio que escrever e dizer o que pensamos é um direito nosso. Mostramos a nossa cara o tempo todo nas ruas de Miguel Calmon. Deixamos claro quem somos, assinamos todos os nossos textos, vivemos, cumprimos com nossos direitos e deveres na sociedade em que vivemos. Se alguém se sente ultrajado, humilhado, com sua honra ofendida, pelo que escrevemos, existem os meios legais e democráticos para assim, serem dados aquém se sentiu nesta condição de ser devolvida a si e sua família, amigos e quem mais quiserem o seu legítimo estado de direito, só não aceito e creio que a nossa história também não deve aceitar, que voltemos a um Estado em que oprime, regra a vida de outros, tortura, espanca, agredi, invade a privacidade dos outros, pelo poder, força do seu status. Espero em Deus que nunca mais tenha na nossa história este tempo de tirania e barbárie. É assim que eu penso e assim eu escrevo e assino, deixando até meu endereço eletrônico. Quem não pensa assim ou não conhece a história, ou pensa que quem crer na liberdade e no direito do cidadão livre que pode questionar a própria sociedade em que vive não passa de um utópico espero sempre cantar. Liberdade! Liberdade!/ abre as assas sobre nós.

Jesser Oliveira, poeta. jesseroli@pop.com.br

Brava gente Brasileira

Por José Marcos
Maio de 2005

O Brasil sempre foi um país de trouxas, conformados e incapazes. Pôr tantas vezes se repetia o jargão "O Brasil é país da impunidade" Que virou rotina, roubar , assinar, estuprar e ouvir musica ruim. O Brasil está repleto de palhaços e de ladrões; os ladrões são os deputados que rouba o nosso dinheiro e os palhaços são o povo que levas estes ladrões às cadeiras do congresso. Ladrões de colarinho branco que usam terno e gravatas como os pastores que recebem salários absurdos desfilam em carros caros e ternos de luxo, relógios e anéis de ouro que custam milhares de dólares e compram iates, aviões, estações de rádio e canais de TV. Acho que é pôr isso que dizem: "Política e religião não se discutem", também pudera ... Quando comecei a escrever este texto lembrei-me de um fato bíblico escrito em (I Reis.9:Is 15 a 28 e II Crôn.10: a 19) conta a estória do rei Salomão que para construir o templo de Jerusalém (mais tarde foi destruído pôr Nabucodonoso, rei da Babilónia) fez o maior sacrifício da historia do povo judeu aumentou os impostos para ter o dinheiro necessário e enquanto ele revestia com ouro as paredes do suposto templo de Deus , o povo mendiga pão e morria em condições sub-humanas. Ainda hoje existem os Salomãos da vida que exigem o ázimo os fieis a todo custo e gastam a seu bel prazer; os templos exprendorosos contrastam com as casas em condições miseráveis do povo que seguem ais lideres. Eu cresci vendo isso, e hoje, isso ainda me assusta e me incomoda revoltosamente. O Brasil ainda é um país de religiosos cegos, coniventes e fanáticos que colocam seu dogmas e doutrinas assim das almas, do amor e do perdão que eles mesmo pregam. Oxalá os lideres religiosos desse tempo fossem iguais aos sacerdotes e profetas bíblicos que eram perseguidos e até mortos reis de sua época; por prega e se levantar contra atitudes e feitos desses reis. O Brasil é realmente um país de canalhas, a poucos dias vi na t que o presidente da- Câmara dos Deputados disse que vai aumentar o salário dos mesmos para mais de 20 mil reais, consequentemente os governadores, senadores , prefeitos e vereadores também vão receber aumento. Mas e o povo? O povo fica com "cara de viado que viu caxinguelê", com salário miserável de 260 reais. Rui Barbosa tinha razão "Todo povo tem o governo que merece". O povo que fia 5 dias atrás de um trio elétrico de carnaval ouvindo uma banda chamada psirico, é o mesmo povo que ele ACM, confirmando assim o que disse Confúcio (Filósofo Chinês) "Mostre-me a música que o um povo ouve e eu lhe direi a capacidade que este povo tem de escolher seus governantes". "O Brasil tá atolado, foi feito errado, colonizado errado, até a Bandeira é errada, nada faz sentido.

Partindo do seguinte princípio: Brasil vem de brasa, a brasa é vermelha, no entanto não há vermelho na Bandeira Brasileira e como tudo o que está acontecendo ela vai ficar sem cores: As matas (o verde) estão sendo desmatadas, o ouro (o amarelo) já não é nosso; as empresas que exploram nosso ouro são multinacionais; o céu (o azul) já não é tão azul as grandes capitais com tanta fumaça no máximo um cinza caia bem. Poucos brasileiros sabem o que se comemora no dia 7 de setembro ou no dia 15 de novembro ou até mesmo cantar a letra do Hino Nacional ou da Bandeira. O Brasil é um país de homens gananciosos, egoístas, estúpidos, idiotas, bosteticos, sacripantas, sórdidos, mesquinhos ... Está é uma nação cheia de covardes que atam freiras e estupram crianças, de juizes bêbados que matam vigias de supermercado , de riquinhos viados que põem fogo em índios mendigos de médicos que humilham doentes nas filas de hospitais , de bancos que humilham idosos nas filas para receberem um salário de fome; um país de missionários mercenários que fazem o comercio da fé, de pastores "pistoleiros" que usurpam e assaltam os dependentes da fé e usam a Bíblia como escudo; um país de ratos famintos que se alimentam de lixo, cães que comem das migalhas de seus senhores , de poderosos que sentem prazer em humilhar os pequenos, de imotas sem cérebro, que o ano todo ouve musica ruim e nem sequer questiona a razão para a qual eles vieram ao mundo. Além de tomar o lugar de alguém mais inteligente; de deputados e toda sorte de políticos salafrários que não honra as causas que vestem nem os votos que tiveram. 0 Brasil é-um país de covardes que nunca saem as ruas para protestar, que tiveram a Independência e a República no grito e não na briga, a luta, como outros países. O Brasil parece mais um zoológico: Os funcionários públicos são bichos preguiças , a justiça é uma tartaruga velha, o imposto de renda é o leão; os deputados são chacais famintos; os advogados são serpentes peçonhentas, os mendigos são gambás mal cheirosos e o povo é uma mistura de ovelha muda, com jumento quadrado e cara de viado. Este é o Brasil de Brava Gente .

José Marcos é brasileiro, eleitor, ex-evangélico, roqueiro, universitário pintor, desenhista, músico, e ainda tem tempo pra cantar além de desempregado, toma umas pingas de vez enquando.

EXPEDIENTE

  • Jormélio Rios
  • Leandro Michel
  • Marcelino Pintho
  • Jesser Oliveira
  • Pedro Lampião

    Beber é o Remédio

    Por Vírus
    Maio de 2005

    Cura tudo !!
    Pra curar sua paixão, tome
    pinga com limão;
    Pra curar sua amargura, beba
    pinga sem mistura;
    Contra dor de cotovelo, beba
    cachaça com gelo;
    Contra falta de carinho:
    cachaça, cerveja e vinho;
    Se brigar com a namorada
    beba pinga misturada;
    Se brigar com a mulher, beba
    pinga na colher;
    Quem dá amor e não recebe,
    mistura todas e bebe;
    E se alguém te faz sofrer, beba
    para esquecer !!

    Pra curar seu sofrimento, beba pinga com fermento;
    Pra esquecer um falso amor,
    beba pinga com licor;
    Pra acalmar seu coração, beba
    até cair no chão;
    E se a vida não tem graça,
    encha a cara de cachaça!
    Pra você ganhar no bicho,
    beba uma no capricho;
    Pra ganhar na loteria, beba
    pinga na bacia;
    Pra viver sempre feliz, beba
    pinga com raiz;
    E se você não tem sorte... beba
    pinga até a morte!!
    Se essa vida de cão te faz
    sofrer...

    ... o remédio é beber...

    Os filhos da revolução

    Por Vírus
    Maio de 2005

    "... Mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou...".
    (João Guimarães Rosa).

    Ta ai! No começo, não fomos informados do que futuramente nos iria acontecer, por tanto, inocentes viemos ao mundo.
    Na infância, toda fantasia ,todas as formas possíveis de satisfazer nossos gostos são mostrados e apreciados, ludibriando toda uma infância.
    É hora então, de começar a entender o que bom e ruim infelizmente.
    Muitas coisas são aproveitadas e outras são ligeiramente descartadas.
    A criança cresce, e com ela a vontade de ir além. Quando se torna jovem, tudo desaba. Pois,fomos educados ou mal, a fazer o bem e excluir o restante.O engraçado é que acontece uma grande transformação. "Não se preocupe"!

    Você acaba de se tornar um filho da revolução.
    Se você questiona "certas coisas" que mexe com a consciência de muitas pessoas e de uma classe mais "elevada", não só em casa, mas na sociedade, a respostas são sempre as seguintes: "a briga é de cachorro grande. Você não pode meter o nariz onde não é chamado. Não se meta." etc. Até onde viveremos para dizer amém?
    Quando se faz "revolução", não é para se aparecer, muito menos para adentrar no meio deles, mas para modificar, transformar e tirar algo que está errado perante aos nossos olhos e cego por muitos.
    Chega então a hora de esperar que as coisas andem justas e por caminhos claros, por quem anda na escuridão é "vaga-lume" e "lobisomem". (E»uns guardas que andam por cima das calcadas a noite toda apitando incomodando o nosso sono). Vejo-me na juventude. E hora de questionar tudo e todos.

    Romilson Santos.

    Entrevista

    Por Leandro e Jormélio
    Maio de 2005

    (Micucinho sobre as Torres Gêmeas)

    Vírus Entrevista Micucinho

    Poucas entrevistas foram tão longe como essa, encaramos num papo agradabilissimo aquela figura que estamos acostumados a ver naquela salinha (seu escritório) sempre com o telefone em mãos nos prorcionou uma viagem inesquecível. Não percorremos todos os 38 países que ele conhece, mas trafegamos por alguns deles. Valeu pela viagem e pela grandesa das respostas, muitas delas emocionado.

    Vírus - Nós começamos a nossa entrevista fazendo sempre uma pergunta: Quem é Micucinho? Se apresente para nós.

    Micucinho - Bem, meu nome é Vicente Mussolini Micucci Júnior, mas sou mais conhecido como Micucinho. Sou uma pessoa simples, humilde e que procura ser feliz dentro da sua concepção de vida. Muitas vezes, não sou entendido por alguns na maneira de ser, mas vivo a vida não mais do que se deve viver. Me sinto feliz do jeito que vivo.

    Vírus - Como foi a sua infância?

    Micucinho - Minha infância não teve nenhum acontecimento marcante, porque eu fui criado sob muita proteção, principalmente dos meus avós. Eu não tinha contato com as crianças da minha idade na época, por isso eu não fazia muito do que toda criança faz. Mas ao mesmo tempo, nunca deixei de fazer o que queria. Minha infância também foi muito voltada para o trabalho. Meu pai sempre quis que os filhos, principalmente eu, trabalhassem e estudassem. Lazer ficava em terceiro plano.

    Vírus - E o estudo? Onde foi, se formou em quê?

    Micucinho - Todo o meu período escolar foi dentro de Miguel Calmon. Desde o início, até o fim, quando eu terminei o segundo grau e fiz o curso de Contabilidade no Colégio Nossa Senhora da Conceição. Tive a oportunidade de tentar um vestibular e ter um nível superior, mas infelizmente, eu não aproveitei. Não me queixo, mas me sinto arrependido. Vírus - Mas por que não quis? Micucinho - Não é que eu não quis. Quando fui para Salvado, eu senti muita falta da minha família e decidi voltar para Miguel Calmon. Meu pai sempre deu liberdade aos filhos para tomarem suas próprias decisões. Nesse caso, mesmo ele sabendo que a minha atitude era incorrera, ele permitiu que eu voltasse com apenas um mês em Salvador. Mas a decisão foi inteiramente minha.

    Vírus - Você gosta de música brega?

    Micucinho - (Risos) Gosto até certo ponto. Não gosto do brega exagerado, mas gosto de músicas que são consideradas bregas.

    Vírus - Você curte ainda, outro estilo de música?

    Micucinho - Todo estilo eu curto. Gosto do brega, mas também curto MPB, gosto muito de forró... Vírus - Agora explica uma coisa: como e quando foi que começou essa admiração por Amado Batista?

    Micucinho - Isso deve ter começado há uns quinze anos mais ou menos. Eu sempre fui muito apaixonado por minhas namoradas, mas nem sempre a relação era bem sucedida. E aqui tinha um funcionário, chamado Antonivaldo, que ouvia muito Amado Batista. Quando a gente saía junto, eu ouvia as músicas, aí batia aquela dor de cotovelo. Isso foi ficando até virar um hábito.

    Vírus - E como foi que surgiu a ideia de fazer uma festa onde só se ouvia Amado Batista?

    Micucinho - Quando o me grupo se reunia para tomar uma cervejinha, todo mundo pedia sempre para ouvir Amado Batista. A gente ficava até mais tarde ouvindo aquela música e as pessoas começaram a ficar incomodadas. Aí nós decidimos que íamos fazer uma festa num lugar reservado, só ouvindo Amado Batista. Eu comprei todos os CD's originais, que somando dá 280 músicas, o que corresponde a umas quinze horas e vinte minutos.

    Vírus - Quantas pessoas participaram deste projeto?

    Micucinho - Houve dois encontros na verdade. No primeiro, foram umas vinte pessoas.

    No segundo já participaram quarenta pessoas. E eu acho que a tendência ainda é aumentar, porque muitas pessoas vêm até mim, perguntando por que não foi convidada, que queria ter participado e isso vai se estendendo, né?

    Vírus - E é verdade que surgiu um fã-clube de Amado Batista?

    Micucinho - Esse fã-clube existe entre nós, mas não oficialmente. Muita gente já até pensou em oficializar, só que eu não tenho muito tempo para isso...

    Só se alguém tomar a frente...

    Vírus - O que é que Amado Batista representa para essa galera? Por que se gosta tanto dele?

    Micucinho - Amado Batista é um cantor que afeta mais as massas populares. São aquelas pessoas simples, que vêm de uma vida sofrida e que por isso mesmo se identificam com as músicas. As músicas de Amado Batista falam do amor dos apaixonados, das infelicidades da vida, das partidas de família para outros locais, das injustiças sociais, e isso é o que atrai as pessoas.

    Vírus - Qual a música que mexe com você?

    Micucinho - Eu não diria uma só música; existem várias. Algumas têm letras muito fortes que mexem comigo.

    Vírus - E vocês já pensaram em trazer para Miguel Calmon, um show de Amado Batista?

    Micucinho - Há algum tempo, na época de São João, eu soube que a prefeitura não tinha preenchido todos os dias de festa com atrações. Então, por conta própria, eu liguei para o empresário de Amado Batista e conversei com ele. Havia um dia vago e por sorte, o cantor estaria fazendo shows aqui na região, o que diminuiria o gasto com transportes e hotéis. Só que quando eu falei com Caca, prefeito na época, ele me disse que não estava muito interessado, porque não era o tipo de atração que ele queria para um São João. Eu também achei, mas acredito que teria atraído muito mais gente do que a banda que tocou de fato.

    Vírus - A gente percebe que no seu círculo de convivência, você acaba contrariando a realidade, tendo uma aproximação muito maior com a comunidade mais simples do que com a própria elite. Por quê?

    Micucinho - Eu acredito que as pessoas mais humildes são mais sinceras. Tem pessoas que eu conheço e confio, porque eu sei que ela está comigo não pelo que eu possa oferecer a ela. Tenho, bem verdade, amigos na classe mais alta, mas eu me sinto bem mais à vontade no meio dos mais humildes. E eu vejo que eles também se sentem à vontade na minha presença.

    Vírus - E sua família como encara isso?

    Micucinho - Minha família acha uma coisa normal. Ela não tem preconceito nem constrangimento, até porque minha família é de origem humilde.

    Vírus - Como pessoa e como empresário você tem algum sonho que ainda não realizou?

    Micucinho - Eu acho que toda pessoa deve sonhar sempre, porque sem o sonho a vida perde um pouco do sentido. Você tem que ter sonhos, que o façam brigar por eles. Eu tenho muitos sonhos. Ter um filho é um deles. Ensinar a ele o que eu aprendi, dar a ele uma vida decente... isso é um sonho. Também gostaria de ver minha empresa e as pessoas que nos cercam crescerem.

    Vírus - Sabemos que você é a figura mais importante da empresa da sua família. Como você encara essa responsabilidade? Qual o seu segredo para manter o sucesso e proporcionar o crescimento da empresa?

    Micucinho - Eu encaro com naturalidade, porque não foi uma coisa imposta. A minha vida e a empresa se confundem, pois eu fui criado praticamente dentro dela. Então, eu não consigo me imaginar sem a empresa. É algo que faz parte de mim. Agora, não acho que eu seja a figura mais importante. Tem muitas pessoas que me ajudam, porque a tarefa não é fácil. Uma empresa de porte médio, com 53 anos, exige um sacrifício muito grande. Além de ter que manter o "aspecto físico" da empresa, nós ainda temos um nome para zelar. Credibilidade é muito importante. Quanto ao segredo, eu acho que ele está na dedicação e no esforço. Eu lembro que eu fiz um curso em Jacobina, a EmpreTech, e num determinado momento eu precisei falar da minha empresa para ser avaliado pelos colegas. Um dos colegas que me avaliou disse que ele se sentiu pequeno, diante da forma com eu falei da minha empresa. Era como se eu tivesse parido ela! Então, também há muito amor no que faço.

    Vírus - Se você pudesse colocar em porcentagem, quanto tempo do seu dia você passa no trabalho?

    Micucinho - Acho que uns 50%.

    Vírus - Como é a hierarquia nessa empresa?

    Micucinho - Antonio e Vicente, que são socios, me dão toda a liberdade ara que eu trabalhe no meu setor, que é Compra e Venda. Eu conquistei a confiança deles nesse sentido e eles me deixam fazer o que eu quiser.

    Mas há outros setores onde trabalham outras pessoas. Osetor Financeiro, por exemplo, é coordenado por Antonio. O setor Fiscal é mais dirigido por Vicente. Então é assim: Antonio é como se fosse o papa, Vicente, o cardeal e eu sou o Bispo. Aí tem mais uns padres e assim por diante. (Risos)

    Vírus - Como foi despertada em você essa coisa de viajar, de conhecer o mundo, principalmente a Europa?

    Micucinho - Eu não sei dizer ao certo quando isso começou, desde muito jovem eu tive vontade de viajar por aí. Com uns 13 ou 14 anos, eu fiz minha primeira viagem sozinho, que i foi para o sul do país. Aí eu comecei a guardar dólares para realizar o sonho de ir à Europa. Em 1997, com uns 31 anos, eu achei que era o momento certo e fui para minha primeira viagem internacional.

    Vírus - Diga-nos alguns países que você já visitou.

    Micucinho - Eu não posso dizer que conheço X países, mas incluindo o Brasil, eu já estive em 38 países.

    Vírus - E desses 38, qual o país que mais lhe impressionou?

    Micucinho - Isso depende do ângulo que você observa. Se do lado emocional, do tecnológico, das paisagens...

    Vírus - Então pelo lado da tecnologia, qual o mais marcante?

    Micucinho - Japão, sem sombra de dúvida. É um país de uma organização e educação impressionantes.

    Vírus - E da questão emocional? Micucinho - tem a Itália, por causa das minhas raízes. Uma coisa que me deixou arrepiado foram as pirâmides do Egito. É uma coisa que falta terra nos seus pés. Ver uma coisa monumetal como aquela que o homem construiu há 300 mil anos é uma coisa fora de série .

    Vírus: E no paisagismo?

    Micucinho - Aí tem a Noruega e a Áustria, que são muito bonitos.

    Vírus - E no Brasil, o que mais lhe chamou a atenção?

    Micucinho - Tem o Rio de Janeiro, que sem dúvida é uma das cidades mais lindas do mundo. Mas também tem Gramado, Campos do Jordão, o Pantanal... Agora mesmo eu tive a oportunidade de sobrevoar a Amazônia. Eu vinha do Panamá, de avião, a 850 km/h. Nós passamos 4 horas sobrevoando a floresta. Só assim se percebe a imensidão desse país e da Amazônia.

    Vírus - Você disse que o Rio de Janeiro é uma das cidades mais lindas do mundo. Então diga-nos umas cinco cidades que você acha lindíssimas.

    Micucinho - Paris (não tem como não colocar), Estocolmo, São Petesburgo na Rússia, o Rio de Janeiro...

    Vírus - E Nova Iorque?

    Micucinho - Não, Nova-Iorque não. Somente prédios, construções... Uma selva de pedra,- sem beleza natural. É uma cidade-fantástica, mas em beleza não.

    Vírus - Gosta de futebol? Para qual time você torce?

    Micucinho - Bato um babinha de vez quando. Torço pelo Bahia e pelo Fluminense.

    Vírus - Porque essa fixação em viajar, em estar sempre na estrada?

    Micucinho - Eu acho que quem viaja, sepre quer ver mais, conhecer mais... é uma doença. Eu achei uma vez uma resposta para isso, que eu achei excepcional. Numa viagem que eu fiz para a índia, o guia resolveu perguntar a um pensador hindu o que ele achava dessas pessoas que não paravam de viajar, que sempre queriam ver mais. 0 que ele disse foi traduzido para o Português e eu achei aquilo muito bonito. Foi assim: "Te crês afortunado porque sabes ler e, em livros encontrar conhecimentos, mas és mais afortunado porque podes andar e ir a países longínquos. Viaja, sê livre. Recorre às terras que estão mais alem no horizonte. Cruza os mares, os rios e as montanhas. Viaja. Viaja até o limite de tuas forças, até descobrir o segredo daquele sábio das mil e uma noites que disse: 'Deixa de ler e viaja, porque o melhor livro é o mundo'. Há que viajar a outras terras para enriquecer nosso saber espiritual com emoções novas, com a beleza de outras paisagens, de outras culturas. Para limpar o óxido dos pensamentos enferrujados, o pó dos hábitos gastos. Para revalorizar a beleza de nossa terra e o tesouro de nossa casa. Há que viajar para voltar a despertar os sonhos esquecidos. Para injetar nova energia a essas ambições cansadas, aos projetos deixados de lado, aos desejos marginalizados. Para restaurar a alma e o sangue com vida fresca. Há que viajar para não nos deixarmos envelhecer".

    Direto do Hospício

    Por Vírus
    Maio de 2005

    Caros leitores, amigos e fãs do Vírus; estamos de volta agora como super stars, pois, a ultima edição do vírus foi sucesso e quebrou recordes de vendas.

    Deixou muitas pessoas sem sono, um até desabafou no ar, sem ter argumentos para desqualificar a minha matéria.

    Além de néscio e patético, cuja capacidade não vai além do repetir; ainda usou do espaço destinado a dar informações e prestar serviço público, para mandar recadinhos ridículos...

    Sobre as palavras do sapientíssimo (gargalhadas), quando disse que o engraçadinho do Vírus deveria colocar um penico na cabeça e uma melancia pendurada no pescoço... Fiz uma pequena adaptação da frase:

    Eu, diria ao enfermo para que ele entrasse na alfabetização e depois gravar um CD solo com a Solange do BBB4, uma vez que à aberração supra citada, dissera que Deus havia lhe dado uma voz divina.

    Exibicionista? Engraçadinho EU?

    Por Jormélio Rios
    Maio de 2005

    Uma pequena amostra do que leio: William Shakespeare, Manoel Cardoso, José Régio, Karl Max, Luiz Fernando Veríssimo, Oscar Wilde, Charles Baudelaire, Alan Poe, Tomás Morus, Erasmo Desidério (ou Erasmo de Rotterdam), Jean Jacques Rousseau, Ian Fleming, Sun Tzu, Florbela Espanca, Friedrich Nietzshe, Stendhal, Engels, Pablo Neruda, José Saramago, Bernardo Guimarães, Vinícius de Morais, Carlos Drummond de Andrade, Martha Medeiros, Arthur Rimbaud, Fernando Pessoa, Focault, René Descartes, Platão, Maquiavel, Aristóteles, Pascal, Stephen King, John Grisham, Paulo Freire, Caros Amigos, Carta capital, National Geografic, Super Interessante, Galileu, Primeira Leitura, Cult, Music Television Mtv, Isto È, Veja, Jornal a Tarde, Folha de São Paulo.

    Entre outros que me fogem a memória, mas não poderia deixar de lembrar do Vírus, que realmente incomoda; os hipócritas, os farsantes, os Charlatães e os Parasitas, bem como toda espécie de santos e santas cuja divindade é duvidosa. E na "República das bananas", palhaço é profissional e besta é quem não está contente.Como se não bastasse um semi-analfabeto dá as cartas, num joguinho ordinário e subserviente que enoja os que têm senso crítico e senso do ridículo.

    Jormélio Rios de Oliveira jormelio@yahoo.com.br Jormélio é membro do Vírus, crítico e leitor assíduo.

    A cidade Santa, Não é Santa

    Por Sheila Costa
    Maio de 2005

    Miguel Calmon é um paraíso, um lugar tranquilo, formado em quase sua totalidade (30 mil habitantes) de cidadãos simples, ingenuos, incautos. Em sumo, trata-se de urna cidade santa. "Penso um pouco e sei que verdades e mentiras são questões de ponto de vista". (Ferréz)

    Quando em um dia de abril fui à Câmara de Vereadores, ouvi "o vereador que não foi", várias vezes nos dizendo que Miguel Calmon é o paraíso e que nós somos pessoas simples e ingénuas, que estamos à mercê dos vereadores de ilusões, sofremos um terrorismo psicológico causado por megalomaníacos invejosos que não aceitam não estarem no poder. Façam-me rir! Os lobos estão buscando sem a menor desfaçatez o poder; na cidade santa briga-se porque a honra de um ou de outro poderoso está sendo maculada. Todos choram, esbravejam, rezam e juram inocência; todos são santos dentro da cidade santa.

    Dentro desta lógica de funcionamento, fico me perguntando onde, nestas discussões todas, entra os verdadeiros inocentes, os pobres, o povo que ainda vive porque acredita na fidelidade de Deus. Eles entram nos chamados "projetos sociais" que visam na pura realidade à dependência, as mais fortes humilhações. Acredito por experiência, que todo projeto feito de cima para baixo não resgata nada do cidadão; não podemos ver gente como um número de matrícula, nem como uma ficha de inscrição. Não podemos achar que um filtro, um colchão, uma cesta básica, um sopão ou uma vale de não sei das quantas vá melhorar a vida de ninguém.

    Desafio àqueles que desenvolvem este tipo de projeto a olharem dentro dos olhos dos chamados "beneficiados" e encontrarem neles a alegria verdadeira e a dignidade humana, quero que vejam o sentimento de liberdade e a certeza do poder independente.

    Às vezes, parece-me que nestes projetos o objetivo é oferecer pão e circo para o povo, mas para o resgate da dignidade, este projeto não vale a pena. Quem tem dignidade aprende a pensar, quem pensa não fica subserviente, e quem não é subserviente é porque aprendeu a ser livre; e uma vez livre aprende o sentido real da palavra democracia, e por fim descobrirá que a mentira pode se tornar igual à verdade, dependendo de como ela é passada adiante. É muito provável que neste ponto, as pessoas deixem de ser incautas, simples e ingénuas. E aí, quem sairia perdendo?

    Por fim é bom dizer que Jesus ensinou o sentido real dos projetos sociais: que eles despertem dentro dos beneficiados a alegria da gratuidade da doação e do amor, porque Ele veio no meio dos pobres e permaneceu com eles, e certamente foi por conhecer a capacidade existente nesta massa pobre, que os escolheu para difundir o seu Evangelho. Jesus não cobrava ao povo a subserviência, nem busca o tempo todo ser reconhecido e paparicado pelos seus feitos e é aí que está a grande diferença entre os projetos sociais de hoje Sem dúvida, há um abismo entre os incautos e os poderosos, cabe a nós, o quanto antes, ser como Lázaro ou como o rico. (cf LC 16,265).

    Sheila Costa

    Praça Lauro de Freitas: Reforma?

    Por Sólon Rios
    Maio de 2005

    É um absurdo administrativo o que o ex-prefeito (e o atual também) estão a fazer com nossa Lauro de Freitas. Destmíram-na completamente, para reconstruí-la, simplesmente por vaidade pessoal e promoção política. Na verdade, não se trata de reforma e ampliação, mas de fato de destruição e de reconstrução da referida praça, antes bonita e compatível com a nossa cidade, palco por sinal de tradicionais e inesquecíveis festas e comemorações diversas. Com tal obra, que senão desnecessária, é no mínimo extravagante, inoportuna e/ ou adiável, estão sendo gastos aproximadamente R$ 380.000,00, conforme consta na placa alusiva à obra. Como se nosso município, encravado no semi-árido nordestino, fosse rico e não tivesse carências infra-estruturais, principalmente nas áreas de educação, saúde e agricultura, para não mencionarmos outras, aqueles administradores se acharam no direito de desperdiçarem os nossos já minguados recursos públicos. Seria muito mais sensato ou razoável que, em vez de demolição e reconstrução, restaurassem aquele logradouro, gastando muito menos e reservando grande parte daqueles recursos para obras realmente necessárias e benéficas à nossa comunidade.

    Por exemplo, poderiam adquirir alguns tratores de pneus ou de esteiras, beneficiando assim inúmeros pequenos produtores rurais, com aragem de terras, ampliação e/ ou construção de aguadas, etc., estimulando portanto, o desenvolvimento sócio-econômico, inclusive a tão almejada geração de emprego e renda no nosso carente município. Mas, lamentavelmente, ainda prevalece entre nossos gestores públicos a mentalidade das "obras de fachada" e eleitoreiras.

    Por outro lado, como se não bastasse o desperdício, a atitude perdulária daqueles senhores ainda impingiu amargos prejuízos financeiros aos comerciantes daquela praça, os quais se vêem às voltas com a grande redução de vendas em seus estabelecimentos, o que tende a agravar-se, pois, pelo andar da carruagem, a "dita-cuja" obra, iniciada no fim do ano passado, deverá ainda arrastar-se por muitos dias ou meses. Oxalá não venha a quebrar alguns dos comerciantes ali estabelecidos, pois, sinais de dificuldades financeiras já existem entre alguns daqueles empresários, em consequência daquela malfadada obra.

    E quem ressarcirá esses prejuízos? A quem se responsabilizar por isto? Indignados com tanto desperdício, fizemos carta ao Ministério das Cidades sobre o assunto, oportunidade em que condenamos também a postura do governo Federal no particular, pela liberação de tal verba, contribuindo de certo modo com a insensatez e a vaidade pessoal sob comentário.

    Finalizando, é possível que aqueles gestores (e seus puxa-sacos) venham a críticar-nos, quando da apoteose ou festança de reinauguração da nossa Lauro de Fretas, aliás como de costume nessas oportunidades. Porém, a verdade deve ser dita, doa a quem doer, ainda mais quando se trata de "jogar-se pela janela" o dinheiro público, produto dos altos impostos que pagamos. Não nos preocupamos... somos há muito vacinados contra essas e outras encenações politiqueiras. Tchau e até a próxima!

    Sólon Oliveira Rios.

    Capitalismo é o cão!!!

    Por Pedro Lampião
    Maio de 2005

    Meus caros amigos, outra vez estamos, apesar de tudo e de todos, de volta com mais um número do nosso valioso Vírus, desta vez queria falar com vocês a respeito de um mal que assola a humanidade, desde que o homem descobriu que por força do vil metal poderia dominar outro homem e desde então o mundo nunca mais foi o mesmo, a forma de ver as coisas também nunca mais foram iguais.

    Desde Jesus Cristo que caso não saibam, foi talvez a principal vítima do capitalismo, que os ardis empregados pelos capitalistas norteiam a vida do planeta, numa empreitada onde "quem tem mais sofre menos" que eles dominam tudo, ditam as regras, nos levam por força do capital a sermos explorados pelo trabalho.

    Marx em seu manifesto comunista já abria os olhos da humanidade para este mal crónico (já naquela época) que convive conosco. Fundaram a URSS como forma de tentar também pelo poder da força e do dinheiro combater o capitalismo, Cuba se levantou do lado de cá e outros povos se posicionaram contra, porém eles, como sempre, encontraram um meio de derrubar a URSS, de minar a resistência cubana que não sabemos até onde vai suportar, e a Roma dos tempos modernos fica lá do alto a ditar as regras, a oprimir, sejam Iraquianos de forma direta ou brasileiros e Venezuelanos de forma indireta e sutil, querendo passar para todos a ideia de que Sadam era uma ameaça, que Hugo Chaves é a pior das criaturas, que Fidel é um ditador sanguinário, mas será que é bem assim, ou será que os Estados Unidos não é ameaça maior para a humanidade ?.

    A propósito, vocês podem estar pensando que eu tou maluco, e onde entra Jesus Cristo nesta história toda. Pois bem. No tempo de Cristo, a autoridade maior da época era o templo judeu, local onde tudo acontecia, seja do ponto de vista religioso, seja do ponto de vista financeiro, pois segundo estudiosos de teologia e de história, o templo equivalia ao Banco Central da época, pois eram nas suas dependências que as pessoas faziam suas oferendas, negociavam com todo o tipo de mercadorias, onde se praticava os jogos de azar, ou como queiram, as loterias daquele tempo; era onde se reuniam as pessoas mais poderosas, o chamado conselho de anciãos que entre outras coisas julgavam as pessoas que cometiam algum tipo de delito, tinham poder de, inclusive decidir pela vida dos cidadãos, exercia influencia marcante sobre Roma, que detinha o poder, enfim o conselho representava o legislativo, o judiciário e principalmente, influenciavam diretamente no executivo, pois, os que ocupavam os cargos no poder tinham que ter a anuência do dito conselho.

    Então diante de todo esse aparato do poder e da dominação, eis que surge um cara retado, com poder de persuasão, com o dom da palavra, cativante, bem intencionado, protetor dos necessitados, aliado dos pobres e sofredores e com vontade de operar mudanças positivas na sociedade da época, portanto, uma ameaça ao poder central, um cara que expulsa os jogadores, faz correr os vendilhões, abre os olhos do povo para o que acontece dentro daquelas paredes e com sua infinita capacidade de proteger os oprimidos vai de encontro ao poder. Então, não foi Cristo a maior vítima desse capitalismo imoral, foi, pois pagou com a própria vida pelas suas atitudes. A humanidade nunca mais foi a mesma desde Jesus, mas, ele pagou um preço muito alto pelos seus atos.

    Agora meus amigos, nos nossos dias surgiu uma frase que a cada dia se torna mais comum em nossas conversas, nas mesas de bar, na televisão, em todos os meios de se comunicar (eu ainda prefiro a mesa de bar) que os empresários estão a usar: "eu faço a minha parte, eu sou um gerador de empregos". Até parece que criar uma empresa e gerar empregos é um favor que ele ta fazendo aos seus empregados. O fato do vivente dar duro trabalhando por cima de pau e pedra, sendo explorado, trabalhando muito além do acertado sem receber nada a mais por isto, de ser fiel ao patrão, cumprir com seus horários, não receber o merecido pela sua força de produção, ajudar o seu patrão a ficar cada dia mais rico e ele cada dia mais pobre, tudo isto não vale nada, quem tem valor é o patrão que gerou o emprego e está se beneficiando com a força do trabalho dos seus empregados.

    Então caros leitores, vamos refletir um pouco os valores dos nossos dias, vamos enxergar as coisas do ponto de vista de quem ta sofrendo, quem ta pagando caro para muitos se beneficiarem com o suor dos outros, vamos, como fez Jesus Cristo um dia, lutar e denunciar a opressão do capital pelo trabalho dos nossos irmãos, seres humanos como nós e como o patrão dele, vamos acordar para essa mazela que nos explora a todos, indistintamente.

    Pedro Lampião

    P.S. Pedro lampião é pseudônimo de Pedro Genézio Pereira Neto Empregado da Caixa Econômica Federal a 16 anos e Universitário do curso de Geografia da UNEB

    A exacerbação do clientelismo

    Por Tiago
    Maio de 2005

    Nas linhas do texto que segue quero deixar bem claro que minhas pretensões não são a de um escritor, até porque não o sou, mas sim como mero estudante do curso de licenciatura em História, gostaria de fazer uma breve reflexão sobre a conjuntura política da história do nosso Estado e por consequência, à das várias cidades que o compõem. Outrora em nossa história estava grande parte da sociedade sob tutela dos grandes coronéis, detentores de latifúndios e de grandes estabelecimentos comerciais; estes, por serem detentores do fator económico, formavam uma rede de clientelismo dentro do Sistema Coronelista. Na fala de José Murilo de Carvalho, Clientelismo definia-se como um tipo de relação em que os atores ou governantes políticos barganhavam benefícios públicos como empregos, benefícios fiscais e outras coisas mais aos coronéis, em troca dos votos das massas necessitadas, por esses controladas. Felizmente, o sistema coronelista chegou ao fim, porém, concomitantemente a isso se acentua gradativamente o que ao meu ver é a sua característica mais marcante, o clientelismo.

    No atual contexto e conjuntura política, o governo assume diretamente a antiga função daqueles extintos, e passa a utilizar as prefeituras como principal veículo para a realização dessas relações. Como exemplo claro da onipresença dessas relações de clientela no bojo da nossa atual realidade estadual, temos o contrato notoriamente conhecido por Reda ou Rede, esse último termo por mim será explicado quando do debruçar da parte final do artigo. O Estado enquanto instituição política e social, detentor de um determinado número de vagas para professores, tem por preferência a não-realização de concurso público, destinando o preenchimento dessas vagas ao encargo direto das prefeituras municipais que a fazem de acordo às suas conveniências. Como foi proposto em um dos parágrafos anteriores, aqui é cabível a explicação do termo Rede. Ao meu ver, o termo Reda e Rede possuem o mesmo significado, porém o último deixa de forma explícita essa forma de política imunda e hipócrita que com seus métodos toscanos fomentam descompasso na Cidadania.

    Tiago Estudante de História.

    Por favor, me compreendam!!!!

    Por Bárbara Lais
    Maio de 2005

    Desde quando surgiu à palavra "adolescente" os adultos comentam que estes só querem contrariar. 0 que é engraçado é a conveniência disto. Porque se tem um jovem contrariando os pais todos dizem: "Não, isso é típico deles. Eles só querem irritar, teimar com as normas da sociedade!". Mas quando surgem divergências, como as políticas, que os jovens acabam por tomar partido, os observadores saem dizendo:" 0 filho de Maria tava fazendo campanha pra José. Depois Maria fica por aí falando que vota em Antônio, que cinismo!". Pois é aí que surge minha dúvida: se os jovens têm mania de fazer o que os pais não querem, por que nessas horas eles surgem como bonequinhos de marionetes, obedientes e de comum opinião??

    Nós jovens lutamos tanto pia que reconheçam que temos nossa personalidade e, portanto, opiniões próprias, que acabamos criando o que tanto nos caracteriza, que é a mania de contrariar. De uma forma lógica fazemos com que percebam que nós não somos os chamados "capachos". Peço que de agora em diante as pessoas decidam o que acham de nós, porque nesse vai-e-vem acabamos por ficar como uns palhaços que só querem atenção, o que não é verdade. Observem que só queremos mostrar que não somos mais obrigados a entender o mundo através da cabeça de nossos pais, nem a ver as coisas com os olhos, às vezes limitados, das pessoas com quem convivemos.

    Bárbara Lais

    Ao vereador que não foi

    Por Leandro Michel
    Maio de 2005

    Nunca me cheirou muito bem essa estrutura de poder que manipula e monopoliza (com exceção do vírus) tudo nessa cidade, tudo mesmo. A trajetória do vírus nesses seus quase quatro anos vem desmascarando e acima de tudo desmistificando essa leitura enganosa que fazem a respeito da realidade calmonense. Uma leitura de conveniências feita de cima e empurrada goela a baixo na comunidade. Quando o vírus resolveu dizer basta, as máscaras começaram a cair, a maquiagem começou a borrar e uma sensação de mal estar penetrou nas entranhas desse poder local. Então, tudo não foi mais como era antes.

    Tenho orgulho de ser vírus, de ter idealizado nesse contexto adverso o direito de se dizer o que pensa, de apontar os abusos de poder, de questionar a realidade e de cobrar desses representantes públicos, o dever de se cumprir com o mínimo de sensatez o que se propuseram. Se as minhas palavras às vezes são duras e machucam, lembram-se os puritanos que mais machucado e vilipendiado vive o povo. Tendo que se sujeitar às dores da humilhação, tendo que se submeter às filas das esmolas, tendo que aceitar a amordaça da estupidez, tendo que conviver com a sensação da impotência para tudo, a certeza do abandono social e do vazio que lhe corrói a alma.

    É verdade leitores, não somos livres ou melhor não querem que sejamos, pois quando um troglodita agride na porta de um restaurante um professor por emitir opinião adversa ou por questionar uma realidade e ainda por cima lhe ameaçar de morte e de surra, temos que considerar mediante os fatos que: ser livre e buscar a liberdade incomoda; muitos que nos representam politicamente, são ditadores disfarçados de liberais; que nossa imprensa provoca muito efeito colateral; que a liberdade de expressão, enquanto direito, continua sendo desrespeitada; e que tudo aquilo que aprendemos em sala de aula não passa de ensinamentos que não devemos colocar em prática, ou seja, balela.

    Indivíduos como esse deveriam ser banidos da convivência humana civilizada, não tem nada a oferecer de proveitoso, pelo contrário, é violento, dissimulado, mentiroso... na realidade merecedor de Oscar como um político na acepção da palavra. Senhor vereador que não foi, diz o ditado popular que "a verdade dói", "quem não deve não teme" e que "a carapuça pega..." lembre-se que é preciso muito mais do que palavras para me desmoralizar, utilizar a tribuna da câmara para me insultar com palavras e afirmações tipo: "É um megalomaníaco, insignificante, invejoso, venenoso, rapaz de caráter deformado, que tem necessidade de se aparecer, implantador de calúnia, e de terrorismo psicológico, agressor rasteiro" E ainda me questionar enquanto professor com a afirmativa: "imaginem o que ele não deve estar ensinando para os alunos".
    Te desafio a procurar saber quem é o professor Leandro Michel para os alunos, mas um detalhe: não vale subornar. Caros leitores, em todos os meus textos jamais questionei esses personagens políticos como homens, pais de família, esposos, mas como homens públicos que os são e como tais nos devem satisfação, se não querem dá-las que deixem de ser.

    PS : "Até quando leitor você vai ficar usando rédea? Até quanto você vai levar cascudo? Até quando você vai ficar mudo? Muda, que o medo é um modo de fazer censura. Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente. A gente muda o mundo na mudança da mente e quando a mente muda a gente anda pra frente. E quando a gente muda ninguém manda na gente. Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura. Na mudança de postura a gente fica mais seguro. Na mudança do presente a gente molda o futuro".
    (Gabriel o Pensador)

    Leandro Michel