Ano: II / Nº 20 - Miguel Calmon, dezembro de 2004

"Vamos celebrar a alienação humana"

Por Gleide Vital
Dezembro de 2004

O povo teve em suas mãos, ou melhor, na ponta do indicador, a oportunidade de "dizer" não à submissão, à fidelidade de cão (já que o trabalho aqui realizado não foi mais do que a obrigação da administração pública), à ditadura disfarçada de democracia a que está sujeito, de mostrar a sua insatisfação com o desemprego, o oportunismo e o puxasaquismo.

No entanto, agiu como alienado admitindo a permanência do poder nas mãos de uma elite opressora, exclusivista, esmagadora e maquiavélica, por um saco de cimento, uma cesta básica, cinco, dez, vinte... reais.

A eleição municipal terminou e com ela se foi toda a expectativa de uma vida melhor e justa de uma jovem que em meio ao seu desânimo e revolta pela lamentável decisão popular, se possa perguntar: o que faz o povo, principalmente o jovem, aceitar determinadas situações? É válido deixar de agir como cidadão, perder sua liberdade e dignidade por uma cesta alimentícia ou qualquer ninharia? Será que o povo usa o vaso sanitário de ponta-cabeça e dá descarga em sua consciência? Bem, é tarde para lamentações, o mal já foi feito mesmo. Agora só me resta, claro que muito consternada , concordar com um antigo ditado popular que diz: "o povo tem o governo que merece" e infelizmente os viventes desse habitat não merecem nada além de um veterinário.

Gleide Vital, estudante e cidadã.

Editorial

Por Marcelino Pintho
Dezembro de 2004

Leva tempo para uma equipe virar um time unido. Para virar turma de verdade. Uma hora, vira. E quando essa hora chega é muito, muito bom! Nestes três anos de jornal tantos se foram, abandonaram o barco na primeira marola com medo das 'profundezas da linguagem, das ondas do pensamento único, das altas torres que apagam o farol quando desgovernados marinheiros estão à deriva. Tantos outros vieram ao nosso socorro, com boas ideias, cordas, bóias e bússolas dando-nos uma extensão desse vasto oceano chamado liberdade. Nas próximas páginas o que você vai ler não são argumentos vazios, são princípios, ideias e pensamentos de pessoas comprometidas com o calça curta way of life (jeitinho calmonense de ser, estilo de vida), pois é preciso endurecer um pouco, mas ; sem perder o humor jamais, he he he he he... Será favor incondicionalmente da liberdade de imprensa, do sagrado, inalienável direito de dizer a verdade para o bem da informação e do leitor, negando o rancor, o cinismo,o negativismo, o conformísimo, o ismo, o ismo, o ismo ao infinitum. São dezoito exemplares em três anos.

Nunca houve regularidade, o Vírus tem um ciclo irregular, São pode confiar na tabelinha. Não, caro leitor, o Vírus não acabou... O excesso de assunto pode ser tão incômodo para um jornal quanto sua escassez. Filtrar tudo que ocorre em Calmon City é tarefa das mais difíceis. Além disso, contamos com a valiosíssima ajuda de outras pessoas. Em 2005 prometemos: o Vírus só sairá de sua colônia bimestral, mais novo, mais forte, mais imune, mais isso, mais aquilo e mais caro! Prepare o bolso! Economize, compre um cofrinho. Pois é, boa leitura! Feliz Natal e um 2005 cheio de "bons fluidos e grana. E prestando muita atenção, né? Afinal, já sabemos: nosso caminho nesta vida é justamente tããâaão bacana porque não tem volta mesmo! Talvez por isso gostemos mais do processo do que do resultado, ir indo, sabe? Aproveitando o caminho...

Marcelino Pintho

Repentistas modernos

Por Pedro Lampião
Dezembro de 2004

Uma das coisas que mais admiro e respeito nos jovens é a sua capacidade criadora e inovadora, principalmente a capacidade do jovem da periferia de ousar, de criar, de transformara sua realidade em proveito próprio ou da comunkkule em que vive. Seja na míisica, nas artes plásticas cm geral, no teatro, no próprio cinema e em tantas outras possibilidades que "volta e meia " estão surgindo. Ultimamente tonadas grandes vertentes musicais surgidas em nosso país nos foi apresentado pelo nome de HIP HOP que se apresenta em forma de "rap" que nada mais é do que uma sigla: Revolução Através da Palavra Ou seja: uma nova tendência musical que levada para a América do Norte por uma carinha Jomaicamo (sempre eles) clunuulo Kool Here que nos anos 70 aportou em New York com suas improvisações verboirágicas sobre sessões instrumentais dos grandes sucessos da época, surgia então um novo ritmo e uma nova tendência musical e uma nova figura na música, o DJ, responsável por dar volume e corpo a esse ritmo que apaixona muitos garotos e garotas desde então, e que, justiça seja feita, tem melhorado consideravelmente a vida de muitos que se aventuraram a gravar e que através de sua música tem revelado de forma reivindicatória e de protesto a realidade davida nas favelas, nos guetos e nas comunidades periféricas e portanto discriminadas pela sociedade excludente e perversa, seja das metrópoles seja das pequenas cidades. Muitos nomes foram revelados e levados pelo alto nível de cn:endime:ito das mazelas sociais que grassara em nossa terra, eles não perdem a oportunidade de denunciara realidade de suas vidas e das suas comunidades, entre eles podemos citar: Marcelo D2, MVBil (idealizador e fundador da CU FA e morador da Cidade de Deus, aquela!), Racionais MCs, Gabriel o Pensador, Pavilhião 9, Afro X e outros de "nomes " estranhos, mas de responsabilidade visível, de papel importante enquanto seres sociais preocupados com a vida em suas comunidades.

Tudo isto é muito interessante do ponto de vista social e antropológico, mas olhando por outro ângulo, vamos perceber que Marcelo D2, MV Bil, Racionais MCs, Gabriel o Pensador, Pavillião 9, Afro X e todos os outros da galera, tem muita coisa em comum em suas composições com: Rodolfo Coelho Cavalcante, Manoel D 'Almeida Filho, Cuíca de Santo Amaro, Luiz Gonzaga de Lima, José Pacheco, Enéas Tavares Santos, Bule Bule e tantos outros. Que as composições do "rap" são muito parecidos em formato e composição com "A chegada de Lampião ao Inferno " com "A peleja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucun " e mais "O encontro ,de Canção de Fogo com Pedro Malasartes" e tantas outras pérolas dessa vertente poética brasileira e principalmente nordestina. Isso mesmo meus amigos eu estou falando da LITERATURA DE CORDEL, essa maravilha da poesia rural brasileira, pois percebam que o RAP nada mais é que a literatura de cordel Hi-Tech e que os RAPERs não passam de repentistas urbanos e modernos, cada um, a bem da verdade, com seu "jeitão" mas todos com a mesma raiz. Todos contando e cantando a sua vida e a vida da sua gente, ambos reclamando, protestando, brincando, se divertindo, abrindo os olhos do mundo para sua realidade, preocupados com o que se passa ao seu redor, com a vida que sua gente está levando, com o futuro que os espera e aguarda. Não estou de forma alguma dizendo ou querendo dizer que é um e bom e o outro é ruim que um chegou primeiro e o outro veio depois peruano o que veio depois está a se aproveitar da ideia daquele. Não. Me ocorreu apenas que o povo brasileiro é um povo que tem uma capacidade fora do comum de mudara história ou melhor, de fazer uma nova história a cada dia e de não deixar que as manifestações folclóricas e culturais se cristalizem, que parem no tempo, mas se renovem e ganhem novo ânimo mostrando a grande capacidade criadora e inovadora do nosso povo que como repetia sempre um personagem de Chico Anísio "jovem é outro papo".

Pedro Lampião

Circo Brasil

Por Rafhael Braim
Dezembro de 2004

Assim como os políticos que exageram em seus poderes e fazem promessas que nunca irão cumprir, os jovens estão correndo a cada dia mais próximo de universidades, que deixam perceber a incoerência de seus cursos, mediante a fachadas, relacionadas ao término do curso que aliena, transtorna e mata. Como já é de praxe, lembra do estudante de medicina da U.S.P, que foi encontrado morto, resultado de trote. Coitadinho dele uma ova! Nesse exato momento ele cursa a pós-graduação num cemitério, chique como nome de estádio. E os culpados pelo crime, parabéns pelo assassinato, mostra o descompromisso e a negligencia da nossa justiça que só tem boca de arquivar processos. Fantástico, bravo, que batam os tambores, para anunciar que a moça responsável pelo curso de Analises de garotas de Programa, não engravidou, mas porém, entretanto continua trasando sem camisinha disseminando a AIDS, que a própria sigla já diz "Agora Idiota Durma Sozinho". Isso é perfeito já que a ciência garante que a pratica sexual constante re-juvenesce e leva a perda de calorias, e como diz o povão: transar de camisinha é a mesma coisa de mastigar bala com plástico. Enquanto isso nos bastidores da intolerância, palhaço é profissão e besta é quem rir. E o espetáculo não para, agora em nosso picadeiro o for-mando a maníaco do parque Dr. Chico, graduado em sexo forçado com bacharelado em estupros seguidos de morte, o Brasil todo sofreu ao ver preso aquele individuo, que assim como todos condenados era inocente até que se provasse o contrário. A culpa de tanta crueldade não era dele, e como não tenho alguém para por a culpa no memento sobrou pra família que não lhe deu carinho na infância degrau responsável pela índole desse pobre. O seu único defeito é ser brasileiro, e pertencer à religião universal que lhe dava o direito de estuprar a preta ou loira seja católica, batista, presbiteriana ou meio termo.

Aplausos para Dr.Chico e vaias para a policia, que possuindo seus carrinhos a lá Flinkstones ainda continua na idade da pedra. Mas como tudo é motivo de graça e festa neste país do carnaval, o motivo pelo qual ainda aplaudo Dr. Chico e o felicito pelo seu enlance matrimonial com aquela ave de rapina que se compadeceu dessa alma penada e estão juntos agora pelo crime de estupro até que a morte os separe. Tacham, tacham, tacham dando continuidade a esse aborto brasileiro, vamos chamar Dr. Chico, Leonardo Pareja, Marcinho VP, o delinquente do cinema, o representante do caso Geisa, Georgina de Freitas, Paulo Maluf, o Coronel baiano, para lhe conferirmos os diplomas: Ao bandido da luz vermelha licenciado em assalto com infravermelho, já que tudo nesse país tem essa cor: Flamengo, menstruação, conta de banco, comando vermelho, ou Marcinho VP Licenciado em trafico de drogas e pagamento de propinas a policiais que são farinha do mesmo saculê. A Georgina de Freitas O diploma de advogada do diabo, por dispor de tantos habbeas corppus. A Paulo Maluf O diploma de cineasta por causa do filme pleiteado com o dinheiro público é só ver pra crer. E a fila anda devagar porque já tive pressa, aos palhaços que acabaram de ler este texto um beijo na bunda e até segunda, ou até você se compreender e deixar de ser marionete, ou boneco de mamolengo, Ah! Do beijo na bunda é só força de expressão já que tudo de errado no Circo Brasil tem esse nome.

Rafhael Braim
rafabraim@bol.com.br
Animador de festa (palhaço)

EXPEDIENTE

  • Jormélio Rios
  • Leandro Michel
  • Marcelino Pintho

    Entrevista

    Por Vírus
    Dezembro de 2004

    Vírus Entrevista - Padre Paulo Cugini, por Leandro Michel

    Depois de três anos, o Vírus volta a entrevistar a maior personalidade calmonense. Pessoa de forte personalidade e de opiniões polêmicas que fez nesses cinco anos em nossa cidade uma revolução do pensar e da coragem de agir. Tal postura rompeu com os padrões burocráticos da igreja católica, fazendoa ruir aos seus pés tão somente pela simples maneira de seguir o Evangelho. Se existe alguém que procura seguir os Mandamentos de Cristo, esse alguém é, sem dúvida, Padre Paolo.

    Vírus - A gente gostaria de falar do começo, do início. Como foi a sua infância?

    Pe. Paolo - Foi muito bua. Família normal, tranquila. Um ambiente sereno, apoiado sempre em todas as decisões, inclusive aquela de entrar cedo no seminário para ser padre. Eu sempre quis ser padre. Eu tenho uma lembrança maravilhosa da minha infância e adolescência. Muito positiva.

    Vírus - Era muito brincalhão? Sabe-se que era muito danado e briguento. Até onde isso é verdade?

    Pe. Paolo - Realmente. Era muito briguento por duas coisas: a paixão pelo estudo e depois, se alguém mexia comigo... Já fui mais temperamental do que hoje. Mas os problemas realmente começaram na juventude, quando eu entrei no seminário com 14 anos e comecei a abrir os olhos sobre a igreja. Pior mesmo foi quando estudei os dois primeiros anos de Teologia. Ali foi um desastre, porque eu me deparei com uma hipocrisia da igreja, hipocrisia esta que eu passava "na cara". Então, os superiores começaram a não mais tolerar. Antes só toleravam porque tirava nota alta. Só que depois foi demais: eu encarei "chefões" que comandavam e a briga foi feia. Acabei saindo do seminário. As pessoas normalmente saiam porque arrumavam namoradas; mas eu não. Eu saí por rebeldia. E a rebeldia tornou-se uma rebelião porque acabei levando comigo outros oito seminaristas. A gente se encontrava no meu quarto para ler os diários de Che Guevara (que eu tinha comprado todos) e as obras de Marx, Niestche e muitos outros. Isso foi na década de oitenta. Então fomos contaminados por estas pessoas que contestavam e que faziam rebeliões. E depois, a partilha entre nós, questionando a estrutura, o sistema onde a gente estava, o seminário e tal. Este questionamento cansou os chefes, até que praticamente, no ultimo ano eu firi expulso do seminário. Ali começou a minha busca na Filosofia, nos grandes filósofos, sobretudo ateus, anárquicos, por algo que eu não encontrei na igreja, na vida espiritual. Quando saí do seminário, fui radical: vendi tudo, inclusive a Bíblia e não pisei o pé na igreja. Quando encontrava o padre, eu o esculhambava. Cheguei até mesmo a participar de alguns encontros da igreja, depois do seminário, aí eu tomava a palavra e detonava, até que me disseram que se eu não quisesse mais que eu podia ficar fora, mas que não fosse mais atrapalhar.

    Vírus- E como foi a sua vida depois do seminário e antes de voltar para a igreja? Namorou, levou uma vida normal?

    Pe. Paolo - Passei oito anos fora da igreja. Nesse tempo cheguei a namorar sim, mas uma coisa que eu detesto muito é que alguém me amarre. Então, eram namoros que duravam vinte dias, quando a pessoa começava a telefonar, a cobrar de mim: "por que você não ligou?". Pronto, acabou aí.

    Vírus - Chegou a beber?

    Pe. Paolo- Nunca. Nunca bebi, nunca fui em festas. Era mesmo uma busca cultural, espiritual. Lembro que eu passava os domingos no meio do mato, com alguns livros, anotando coisas... Foi sempre uma busca...

    Vírus - Era uma espécie de conflito existencial.

    Pe. Paolo- Isso mesmo. Eu sentia um buraco enorme dentro de mim e busquei na Filosofia, na Literatura, algumas respostas.

    Vírus- Conseguiu encontrar nos livros?

    Pe. Paolo - Algumas, sem dúvida. Eu me deparei com todos os críticos da religião: Marx, Niestche, Freud e ali ficava anotando, meditando, refle-tindo com amigos culturais bons, porque pouquíssimos aguentavam o meu pique, os meus questionamentos.

    Vírus- O senhor era assim também em sala de aula, no colégio?

    Pe. Paolo - No segundo grau ninguém me aguentava. Quando terminou algumas meninas disseram: "Agora que terminou, graças a Deus, não vamos mais ver este cara". E na Faculdade também. Na Faculdade, Ave Maria...

    Vírus - Agora que o senhor entrou nessa questão da educação, como os italianos e o senhor encararam o fascismo de Mussolini na Itália? Como as escolas abordavam isso?

    Pe. Paolo- Abordavam de uma forma pesada para esquecer o passado negro. E de qualquer forma, na escola, passava-se um recado fortemente negativo. Aliás, em nível de legislação italiana, foi proibida a formação de qualquer tipo de partido fascista ou coisa semelhante. Na escola, era feito de tudo para apagar este fato. Só que agora, na Itália e na Europa, está tendo uma volta destes movimentos extremistas por causa desta entrada, desta invasão de estrangeiros em busca de trabalho.

    Vírus- A formação da União Europeia é positiva?

    Pe. Paolo - Positiva do ponto de vista económico, mas ainda assim tem desvantagens porque está massacrando os países de moeda fraca. A Itália, por exemplo, foi prejudicada com o Euro e está passando por uma crise económica difícil, mas o problema é que seu atual governante é muito corrupto. Isso sem falar nos pro-blemas sociais do país que também são muito graves.

    Vírus- Existem pobres na Itália?

    Pe. Paolo - Os pobres, na Itália, são os estrangeiros que, em busca de trabalho ficam ali, nas ruas, pedindo esmolas, estas coisas. Mas nas cidades europeias, pelo menos nos países mais evoluídos, você não encontra bairros pobres.

    Vírus - Quantos anos o senhor viveu na Itália? O senhor pensa em voltar para lá algum dia?

    Pe. Paolo - Vivi na Itália até os 36 anos. Numa cidadezinha pequena, bonita e muito desenvolvida. Que foi inclusive apontada como uma das cidades italianas que tinha maior oferta de trabalho. Penso um dia em voltar, mas não sei quando.

    Vírus- Gosta do Brasil?

    Pe. Paolo - Ave Maria!

    Vírus - Qual a diferença especificamente no contato com um europeu e um brasileiro?

    Pe. Paolo - Na Europa o cristianismo está se apagando. Os jovens não frequentam mais as igrejas e elas estão vazias. Então, o problema agora é evangelizar estas pessoas indiferentes, porque na Europa as pessoas estão preocupadas com o dinheiro e o bem estar e não vêem, portanto, nenhum atrativo na igreja.

    Vírus- Será que isso tem a ver com aquele texto bíblico que diz: "é mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus"?

    Pe. Paolo - Sem dúvida nenhuma. Fiz um trabalho por lá logo que fui ordenado padre, que eu achei muito bonito. Quando entrei na paróquia, descobri que só tinha quatro jovens participando. Aí fui nas ruas, nas casas, para "recuperar" aqueles jovens com problemas de drogas, esse tipo de coisa. Ia até aos bares, as praças, sentava perto dessas pessoas e ao invés de cerveja pedia um copo de leite. Começava a conversar, a conhecer aqueles jovens e depois muitos procuravam saber quem eu era, essas coisas, e eu acabei me tornando um referencial formativo de todos aqueles grupos jovens. No inicio foi difícil porque eles me insultavam, xingavam, diziam barbaridades, chegaram até mesmo a jogar pedra em mim. Mas fui aguentando e insistindo. Esse trabalho durou cerca de três anos até que eles começaram a se interessar e começamos a trabalhar com temas sérios, como sexualidade, Deus e outros. Quando saí daquela cidade devia está acompanhando cerca de 85% dos jovens.

    Vírus - E quando você teve que sair?

    Pe. Paolo - Quando o bispo me comunicou que eu seria mandado embora, fiquei com muita raiva. Cheguei a dar um murro na mesa e o bispo arregalou os olhos. No início ele havia dito que não queria me tirar dali, porque o trabalho era pesado e eles precisavam de alguém com a minha bagagem cultural. Só que este trabalho que eu realizava de acompanhar drogados, traficantes, estrangeiros, começou a assustar algumas pessoas que passaram a pressionar o pároco para me mandar embora. Quando soube disso, fiquei arrasado.

    Vírus - E como os jovens que você acompanhava reagiram?

    Pe. Paolo - Eu fiquei com medo de que eles pintassem! Eu morava numa casa abandonada com vinte estrangeiros. Inclusive fiz um trabalho muito interessante com eles. No inicio eles achavam que eu estava ali para levá-los para a igreja, mas disse-lhes que não estava interessado na evangelização deles e sim preocupado com eles. Aí eles começaram a acreditar e nós TIOS organizamos. Um grupo ia atrás de emprego, outro ia atrás de casas. Tornamo-nos muito próximos e quando descobriram que eu ia embora, eles não aceitaram. Chegaram todos os chefes dos grupos jovens lá em casa, umas onze horas da noite, revoltados, dizendo que iam detonar, destruir a paróquia. Porque eles eram muito violentos. Aí eu disse: Olha, se vocês me querem bem, vão aceitar isso. Sou padre, fiz um voto de obediência e se o bispo me pediu isso é porque ele tem razão. Me deram oito meses para acalmar os ânimos, até a minha saída. E foi interessante porque na missa de despedida, todos foram à igreja. O povo ficou impressionado.

    Vírus- O senhor tem noticias desse pessoal?

    Pe. Paolo - Claro! Recebo cartas, respondo, eles me telefonam e o mais engraçado é que os que mais me escrevem são aqueles que blasfemavam e que me atiravam pedras.

    Vírus- E como foi a sua chegado. ao Brasil?

    Pe. Paolo - Devastadora! Ainda hoje me lembro quando cheguei a Salvador e me deparei com aquele monte de favelas... Ainda lembro daquela imagem. Depois, vindo para o interior, via pouquíssimas casas e dizia: Ave Maria, o que é isso? Aqui eu vim para morrer. É uma realidade totalmente diferente. O jovem do interior não tem alternativas. Lá eu ia até uma biblioteca, um cinema, um teatro, mas e aqui? Faz-se o quê?

    Vírus- Quando o senhor foi ordenado padre?

    Pe. Paolo - 13 de junho de 1995 e cheguei em Ipirá, 14 de janeiro de 1999. Passei um ano praticamente mudo porque não sabia nada da língua. Tive que ler muito para aprender.

    Vírus - O senhor mora nas Populares. As pessoas de lá reclamam das condições de vida?

    Pe. Paolo - Pouquíssimo. E foi uma coisa que me surpreendeu muito. Como se vive nessas condições e não reclama? Eu achei isso muito interessante, mas tem um lado negativo. Não reclamar significa que as pessoas estão acostumadas a aceitar tudo. Eles estão acostumados a isso, a achar que quem toma as decisões são outras pessoas e isso é ruim.

    Vírus- Quais são, padre, as maiores dificuldades e problemáticas enfrentadas pelo povo das Populares?

    Pe. Paolo - Para mim, o problema número um é a falta de saneamento básico. É uma absoluta falta de respeito e é bom que se diga que tem dinheiro para isso. Nos comícios gastou-se cerca de cem mil reais, mas não tem dinheiro para os pobres. Só tem dinheiro para os pobres quando precisam dos votos deles. Mas os pobres sabem disso e não fazem nada porque acham que política é coisa de gente rica. Por isso a gente criou o Movimento Fé e Política.

    Vírus- Sobre este Movimento, padre, a iniciativa foi fantástica, mas porque ele não decolou?

    Pe. Paolo - O Movimento não decolou porque eu pensava três coisas e nenhuma delas aconteceu. Primeiro, eu esperava o apoio dos professores por se tratarem de pessoas esclarecidas, só um ou dois apoiaram. Segundo, eu achava que os jovens quando vissem o Movimento iam ficar empolgados com a ideia o que também não aconteceu. E a terceira, eu esperava um maior envolvimento por parte do pessoal da igreja. Mas o povo tinha muito medo, medo de perder o emprego, por exemplo. Foi aí que comecei a ficar esperto. Percebi na verdade que a Democracia não existe, ou que, pelo menos, só é exercida por aqueles que têm poder. Outra coisa que me espantou muito foi o fato de que a classe rica brasileira que eu conheço não está acostumada a ser questionada, a ser criticada, só a mandar. O poder é deles, eles sabem disso e também sabem manipular aqueles que não têm chance, que são os pobres. Percebi, então, que tinha que ficar atento.

    Vírus- Por que a elite calmonense não vai com a sua cara?

    Pe. Paolo - Bem, não é toda a elite que não vai com a minha cara. Na minha frente, a elite nunca mostrou desagrado. Alguns ainda chegam para mim e dizem que eu exagerei, qualquer coisa assim. Mas eu não sei se ela não vai com a minha cara, eu pelo menos, sempre tentei manter um diálogo aberto com todos eles, mas não sei.

    Vírus- Como é a sua relação com os pastores de Miguel Calmon?

    Pe. Paolo - Na verdade, devido às dificuldades do trabalho nunca tive oportunidade de desenvolver um tipo de relacionamento com os pastores de Miguel Calmon.

    Vírus - E nenhum de vocês tentou fazer um trabalho juntos?

    Pe. Paolo - Não.

    Vírus - Como os católicos encaram esse ar de superioridade dos evangélicos? Por que sempre existiu aquela sensação de que eles estão certos e os católicos não. Já houve algum comentário?

    Pe. Paolo - Claro. Já houve muitos comentários. Eu, particularmente, respeito e não gosto de falar mal de nenhum deles. Mas sei que muitos têm uma posição agressiva em relação à Igreja Católica. Ao mesmo tempo que sei que alguns têm uma visão positiva. Acho que quando um pastor fala desse jeito ele não está respeitando a palavra de Deus.

    Vírus - Nos cinco anos que o senhor vem dirigindo a igreja católica, o que mudou?

    Pe. Paolo - Tudo. Mudei tudo. Quando eu cheguei que vi o tamanho da igreja e a quantidade de pessoas que ia às missas, fiquei espantado. Comecei um trabalho de formação, onde fazia com que as pessoas se interessassem pela igreja, descobrissem os tesouros da Igreja Católica. Trabalhei muito com a zona rural, quando cheguei, a zona rural também estava abandonada.

    Vírus - Quantas paróquias foram construídas na zona rural e nos bairros periféricos?

    Pe. Paolo - Quando eu cheguei existiam vinte e nove comunidades na zona rural. Hoje são 52. Na cidade não tinha nenhuma estrutura organizada; hoje, já existe uma comunidade para cada bairro, praticamente.

    Vírus - A Igreja Católica cresceu nesses cinco anos?

    Pe. Paolo - Demais. Sem dúvida. Mas ao mesmo tempo em que a igreja se expandiu, foi para a zona rural, a gente percebeu que o número de batizados despencou. Isso porque, hoje, não há mais aquela história de pagar. Eu batizo a criança até pelada, não exijo roupa, bolo, vinho, nada. A única coisa que eu exijo é a presença da comunidade na igreja. Aí então as pessoas desanimam, porque estavam acostumadas a procurar só àquelas pessoas que podiam pagar, que podiam lhes dar as coisas.

    Vírus - Inclusive, existe muita gente da elite, políticos, que apadrinhou um bocado aí, não?

    Pe. Paolo - Comigo, não. E isso não é uma questão de ditadura. Eu só não aceito batizar uma pessoa simplesmente porque a família está querendo se mostrar, aparecer. Já tive muitas brigas por causa disso. Tem casos de pessoas que eu batizei, mas que não frequentam a igreja. Isto porque têm motivos coerentes, é uma pessoa que ocupa um cargo político, é um mascate que trabalha em outra cidade. Eu não sou ditador, procuro penas analisar as coisas antes.

    Vírus - Apesar do crescimento da igreja, gostaria que o senhor fizesse uma auto-crítica do seu trabalho.

    Pe. Paolo- Eu acho que, sem dúvida, deveria ter tido mais paciência. Os católicos comigo sofreram bastante. Com o meu pique. Também porque sabia que não ia durar muito, não tinha muito tempo e tinha pressa de arrumar a igreja. Quando se falava em Miguel Calmon entre os padres, ninguém queria vir. Aí eu disse: Me dá. Eu vou arrumar. Minha segunda autocrítica é que em alguns casos eu fui bruto demais. Em especial com os pobres. Depois eu me arrependia, mas já era tarde. Eu já tinha feito, né?

    Vírus - E por que ninguém queria vir?

    Pe. Paolo - Por causa da fama de que a igreja daqui é governada, comandada, por um grupinho de poderosos. Mas quando eu cheguei, devo dizer que não vi isso. Na verdade, eu vi pessoas inteligentes e atentas.

    Vírus- Ao ir embora, alguma coisa deixou de ser feita?

    Pe. Paolo - Eu acho que em cinco anos fiz até demais. O que queria passar e consegui foi essa ideia de assumir mesmo, não ter medo e sim atitude.

    Vírus - Por que ser padre?

    Pe. Paolo - Para mim, ser padre não é um trabalho. Para mim, é uma forma de amar. Sempre senti isso dentro de mim, como um chamado. Acordar de madrugada, orar, meditar e depois pela manhã no contato pessoal estar cheio de Deus e passar isso para outras pessoas.

    Vírus - Qual livro da Bíblia o senhor mais gosta?

    Pe. Paolo - Os Proféticos e o Evangelho.

    Vírus - Então quer dizer que o padre vai embora?

    Pe. Paolo - Vou mesmo. Talvez em janeiro.

    Vírus- Por quê?

    Pe. Paolo - Eu vou embora por um motivo. Por causa de um projeto que finalmente saiu do papel que visa formar padres para o nordeste do Brasil. Tem o seminário e ao lado uma faculdade de Teologia. No inicio a Faculdade trata apenas de matérias filosóficas. Então, o bispo requisitou a minha participação; ele queria que eu ensinasse. E isso foi há muito tempo. Então, eu acordava segunda-feira às duas horas da manhã e viajava para Feira de Santana. Chegava lá e dava quatro horas de aula de Filosofia, que é uma matéria puxada. Saía uma hora da tarde, não almoçava e voltava voando para Miguel Calmon. Chegando aqui não tinha tempo de descansar, pegava a mochila e ia dar apoio às comunidades, e nessa vida eu ia até domingo. Chegava segunda-feira, começava tudo de novo. Gosto muito dessa paróquia, mas não sou de ferro. Então era preciso tomar uma decisão. E no caso, deu-se preferência ao Curso de Formação de Padres. Além do que, não vou para lá só para ser professor, talvez eu assuma outra paróquia, com dez ou quinze comunidades, para que eu consiga dar conta.

    Vírus - O senhor tem consciência de que a revolução espiritual, social e política que vem fazendo em nossa cidade, com a sua saída pode ir tudo por água abaixo?

    Pe. Paolo - Eu acho que não vai por água abaixo. Primeiro porque se for, significa que eu não semeie nada. O meu trabalho não era centrado na minha pessoa, eu era apenas o incentivador, mostrava que as pessoas eram capazes da fazer aquilo que deviam. E hoje acho muito bonito, quando chego nas comunidades e as pessoas . me dizem: "Olha, padre, nós vamos sentir muito a sua falta, mas não iremos deixar o trabalho parar". Nossa! Isso é fantástico!

    Vírus - Alguma coisa pode ser feita para reverter esta decisão?

    Pe. Paolo - Acho que não. Porque eu não estou indo arrastado, estou indo porque sei que é uma coisa positiva para a igreja e para as pessoas. Vou embora, vou deixar muitos amigos, e claro que vou ficar sentido por isso, mas vou levá-los no coração. A gente tem que seguir em frente porque o mundo não pára.

    Vírus - O episódio "Gean Lucca" provocou algum desgaste no seu trabalho e na sua relação com ele?

    Pe. Paolo - Logo no começo, sem dúvida. Ninguém esperava...

    Vírus- Que lições o senhor tirou disso tudo?

    Pe. Paolo - Que ninguém pode fazer uma ideia fixa sobre o outro.

    Vírus - A biblioteca Vilmar José de Castro sobrevive de que ou de quem?

    Pe. Paolo - A partir de janeiro os funcionários serão pagos pela Prefeitura. Eu queria dizer, que todos estes anos, a Prefeitura de Miguel Calmon sempre me apoiou. Em todos os projetos, todos. As assinaturas são mantidas por comerciantes locais. Agora, para manter o acervo atualizado é preciso de fundos. Nós estamos entrando em contato com algumas entidades, tanto brasileiras como internacionais, que possam nos ajudar nesse sentido. Além de fundos, a biblioteca está precisando de cérebros. Está precisando de pessoas que usem o material da biblioteca em projetos criativos de cinema, teatro, essas coisas, gratuitamente. Fazer pelo prazer de fazer. Esse é o grande problema da Biblioteca.

    Vírus - Numa reportagem sua, você afirma que o povo é considerado uma mercadoria. A fé também não se tornou uma mercadoria?

    Pe. Paolo - Tornou-se, sem dúvida. É um fenômeno geral. As pessoas desse mundo globalizado estão alcançando um individualismo religioso impressionante. As pessoas têm que entender que o importante da religião, da fé, não é o dinheiro ou sei lá o que. O importante é você ouvir, estar em paz consigo mesmo. Esse é o caminho certo, estar em paz consigo mesmo na companhia de Deus.

    Vírus - Num outro texto seu o senhor faz a seguinte afirmativa: "O futuro de Miguel Calmon está atrás e não na frente". Isso não revela um certo descrédito num futuro próximo?

    Pe. Paolo - Não. Quando eu falo que o futuro está atrás eu quero dizer que as pessoas, principalmente os jovens, devem fazer uma busca dentro de si mesmo e deixar cair a máscara. É você ser autêntico e passar a olhar nos olhos das outras pessoas e ver que ali está o filho de Deus. É você se reconstruir e passar a ver o mundo sem preconceitos, com discernimento e conhecimento para detectar que todos são iguais perante Deus.

    Vírus- A vitória de Humberto foi uma vitória da Democracia ou do poder?

    Pe. Paolo - Ambos.

    Vírus - O que mais vai lhe deixar saudades em Miguel Calmon?

    Pe. Paolo- Os amigos.

    Vírus- O que mais lhe decepcionou em Miguel Calmon nesses anos todos?

    Pe. Paolo- O massacre dos pobres e saber que nada será feito para mudar isso.

    Vírus - O que você diria ao jornal Vírus?

    Pe. Paolo - O jornal Vírus é, para mim, uma manifestação de Democracia e independência porque bate de frente com o poder. Além do que, é um instrumento de conscientização que ajuda a ver as coisas de outra maneira. Não que eu esteja dizendo que tudo o que está escrito está certo, mas eu espero que o Vírus continue.

    Tiozinho

    Por Rutinaldo
    Dezembro de 2004

    Vida de quarentão nao é moleza. Tem que conviver com apelidos pra lá de maliciosos. O sujeito com seus cabelos grisalhos sabe do que estou falando. E mesmo se os pintou. Tentou desesperadamente esconder os fios. Mas nao tem jeito. De todos os lados, sente as alfinetadas. A pior delas, com certeza, é ser chamado de "tiozinho". Ai, "tiozinho" é de morrer! Uma verdadeira cacetada na auto-estima. Pois é, esse abominável adjetivo é impiedoso. Surge logo na crise dos quarenta. Lançando o homem maduro, por assim dizer, no mais completo desespero. Didaticamente falando, a crise dos quarenta é aquela fase em que o respeitável senhor quer voltar a ser um garotao. E pra cumprir essa tarefa inglória (e, cá pra nós, impossível) faz de tudo. Primeira e clássica providência é declarar guerra à embaraçosa barriga. A sua protuberante companheira de longos anos precisa ser abandonada. Em prol da tao sonhada estética. E que jovem que se preza tem o corpo sarado. Assim, o quarentão entra numa academia de ginástica.. Compra roupas de lycra colantes. Para num futuro próximo, mostrarem seu corpinho delineado. Também é comum o quarentão perder boa parte dos seus preconceitos. Ir à farmácia e botar aquele brinquinho da hora. Justo aquele que o seu sobrinho diz fazer o maior sucesso com as garotas. O quarentão coloca o brinco sem o menor pudor. Até porque, nessa idade, é costume ter pai com catarata. E se evita o constrangimento de ouvir o velho berrar (pra toda a vizinhança ouvir) que o filho está ficando doido ou afeminado. E, não é moleza, nao.

    Ser quarentão tem os seus altos e baixos. Na maioria das vezes, mais baixos que altos. Principalmente quando é necessário se enturmar com a garotada. Uma boa dica é não abrir muito a bocal Ou se percebe que supimpa foi riscado do mapa, agora se diz que é show de bola Broto, só se for de feijão. O certo é chamar a belezura de mina E por ai vai. Se mesmo assim o quarentao não sacar que está em outro mundo. Tão perdido quanto cego em tiroteio. Pode arriscar voos mais altos. Paquerar a sua própria mina. Mas é preciso ficar alerta. A investida pode ser traumática. Muitas vezes no embalo da discoteca. En-corajado por uns goles a mais. O quarentao se solta. Esquece que todo mundo não dança mais agarradinho. Que a moda é se divertir pulando igual macaco. E parte pra caçada. Aí ele pode ter sua pior decepção. E quando se aproxima todo entusiasmado de uma garota. Rodopia, agita os braços e puxa a conversa. Então, vem a bomba. "Que é tio?" .Ao escutar a frase demolidora, o quarentão desaba. Foi chamado de velho. Logo pela garota com quem queria namorar. E ela foi curta e grossa. Disse a verdade sem papas na língua. Ele era um velho. E devia estar ali im-portunando todo mundo. Com a sua ideia de querer ser o que não é. Devia mesmo ir para casa. Vestir um pijama, tratar de dormir. Porém, se o quarentão não der a mínima pro comentário e partir pra outra, nao tem jeito. Quem procura acha E ele vai encontrar a garota que procura. E provar pra todos que a idade que a gente tem é aquela que está na cabeça.

    Rutinaldo.

    O mapa do IMPÉRIO

    Por Leandro Michel
    Dezembro de 2004

    A entrevista cedida ao jornal Vírus de julho de 2004 pelos candidatos a prefeito de Miguel Calmon, Humberto (situação) e Eduardo ("oposição"), revelou para todos os leitores que se tratavam de urna mesma pessoa com roupas diferentes, de embrulhar uma bomba com um papel mais rosa, mais atraente. A mesma situação norte-americana entre Bush e Kerry e paulista entre Marta e Serra. Duas cabeças de um só monstro para que votar? Essa foi a pergunta que me fiz milhares de vezes antes de votar e me decidi por uma das cabeças desse monstro impiedoso e nocivo. Nenhum dos dois candidatos me agradava. Humberto por ter sido um vice-prefeito apagado, incipiente, inútil, que inclusive abriu mão do seu pleito político para ser funcionário-chefe da ADAB, demonstração de descompromisso com o povo que o elegeu e se tivesse sido tão bom para a zona rural, como dizem, teria criado a Secretaria de Agricultura enquanto vice, e não utilizá-la agora como promessa de campanha. Dizem que, pelo menos, abriu mão do salário de vice-prefeito, mas é apenas o que dizem. Eduardo, que por sinal surgiu no cenário político lançado por esse mesmo grupo que aí está, após o seu pífio mandato, não demonstrou nesses anos nenhuma preocupação social, nenhum engajamento em prol absolutamente de nada, a não ser de si mesmo. Ambos não se enquadram no perfil do político que o povo calmonense precisa, ambos almejam e desejam apenas poder. É preciso que fique claro que optei não por Eduardo, mas contra o continuismo, contra o mesmismo, contra esse império e seu imperialismo covarde, contra os favorecimentos, contra o pensamento único, contra esse sistema, contra esse poder e muito contra essa plutocracia (governo dos ricos e muito ricos), mas acima de tudo pela Democracia. Não existe democracia política em Miguel Calmon por não haver revezamento de poder, de ideias e perspectivas. Os que aí estão criaram um sistema de mecanismos tão grandioso que entre muitas de suas armas estão:

    • A marcação cerrada a todos aqueles que não sintonizam com os seus ideais e o fazem principalmente oferecendo os favorecimentos e concessões, utilizando-se brutalmente da lógica da sobrevivência ou simplesmente os marginalizam;

    • A educação calmonense e algumas diretorias de presépio, que fazem muito mais um papel de representantes de um Departamento de Perseguição, castração e por que não dizer tortura de todos aqueles que porventura pense e se expresse fora dos padrões estabelecidos;

    • o hospital Pe. Paulo Felber, sua administração e seus médicos de conveniência, um bando de interesseiros. Lembrem-se, leitores, que foi a Saúde que acabou de eleger o desconhecido-conhecido Klebinho de Ronan, pessoa essa que nem aqui reside, para você ter ideia do poder da saúde e das chagas desse povo;

    • A rádio "comunitária" Canabrava FM e sua diretoria covarde que assistiu inerte durante o processo eleitoral esse pastorzinho de merda fazer campanha escancarada para a situação e nenhuma providência ter sido tomada. Imaginem se fosse Leandro fazendo o contrário, o que aconteceria?

    • E sem mais delongas, o controle se estende também sobre o Legislativo e o comércio de forma geral, sem falar nas igrejas evangélicas. Enfim, a pergunta mais óbvia talvez seria: Onde não estão os tentáculos desse império?

    PS: Excelentíssimo Prefeito, todas as suas justificativas e tentativas desesperadas para mudar os fatos são inúteis. Infelizmente o senhor não contava com a astúcia do Vírus. Afinal, o que o jornal A Tarde publicou nós o fizemos antes e melhor, mas a repercussão do A Tarde foi em nível estadual, então não podemos contestar. Pagar em vales e ainda ser defendido, protegido e mimado é estarrecedor. Enquanto prefeito encerra-se o seu segundo mandato com a certeza do DIREITISMO-PFL-ACM em suas entranhas: demagogo e populista. Os demagogos mentem, falsificam e enganam. Os populistas camuflam. Parabéns! És digno de Oscar. Ah! Feliz Natal para todos.

    Leandro Michel

    Direto do hospício

    Por Jormélio Rios
    Dezembro de 2004

    Caros leitores, amigos e tas do jornal que vem ao longo dos anos se fir-mando como um jornal de qualidade, trago até vocês elemento fundamental para o sucesso do jornal essa novíssima coluna, espero que a coluna Direto do Hospício possa agradar a todos!

    Obscenas

    Caros eleitores, ou melhor, leitores, gostaria de lembrar-lhes que a campanha eleitoral municipal foi o cenário perfeito para enganadores, demagogos e os outros adjetivos que me fogem a memória! Gostaria que vocês lembrassem o que esses vermes disfarçados de cidadãos propunham em suas campanhas eleitoreiras: Quais foram os projetos e melhorias em nossa cidade, quais foram os projetos apresentados na área social! (Nem podiam em Miguel Calmon não existem pobres, miserais, gente que está abaixo da linha de pobreza e que passa fome!) O que vimos foi xingamentos promessas enganosas e um monte de blábláblá, coisa que sabem fazer muito bem, enrolar as pessoas de caráter que ainda restam em nossa cidade! Pois, bem Miguel Calmon ganhou cara nova à cara da vergonha, onde políticos farsistas e medíocres, pessoas que promoveram a compra de voto, a desmoralização de nossa cidade, são uns vermes vindos dos esgotos para se juntarem aos seres vivos! Falam-se de votos comprados a 50, 30, 60, 70 reais e o pior nem fizeram uma tabela de preços!!! Há quem diga que até geladeira foi dada para que o cidadão alienado e corrompido votasse!! Acho que nem Jesus Cristo na sua Santidade daria jeito nessa cambada de chacais, sangue-sugas, vermes desprezíveis! Agora faço uma pergunta ao eleitor, melhor ao leitor qual a qualidade do candidato que você votou? Respondo para você: Vocês votaram no político preocupado com seus interesses pessoais, ávidos por poder que na sua cruzada para alcançar seus objetivos vale tudo: mentir, trair, ludibriar, comprar voto. Aos derrotados foi feita justiça, os que passaram pela peneira cabe o eleitor fiscalizar e não mais tolerar a inépcia e o parasitismo!

    "Quem pensar por si só é livre"

    Caros leitores e outros não tão caros, o Vírus este jornal que conseguiu fazer parte da opinião pública calmonense, fez mês 3 anos de existência, com história fantástica nesses anos que se passaram! Nesses 3 longos anos nos firmamos como pensadores uma espécie de elite intelectual calmonense, já que somos excluídos da burguesia, só que nossas posturas não agrada a todos, somos tachados de prosélitos, pelo fato de fazermos jornalismo a partir do que sentimos, ouvimos e vemos dentro do cenário político e social de Miguel Calmon.

    O vírus não é e nunca foi prosélito agimos de acordo com nossas ideologias contrariando aqueles que não podem ter a nossa postura cri-tica, pois somos livres do regime totalitarista, não devemos favores políticos ou vivemos as custas de políticos. Não vivemos em Cuba, Afeganistão e muito menos no Iraque, onde vidas são regidas sob a batuta do medo e dá intolerância. Somos li-vres para pensar e expressar nossas ideias, vivemos num país democrático temos o direito de fazer criticas sim. Gostaria de lembrar aos críticos do jornal que o nome é: O VÍRUS caso alguém tenha esquecido.

    O que será de Calmon-cyte sem o padre?

    A cidade de Miguel Calmon a muito estava precisando de alguém com coragem e compromisso com essa cidade que tanto sofre nas mãos de alguns! O Padre Paolo vem fazendo um trabalho social e cultural jamais feito em Miguel Calmon, e ainda existem pessoas que não reconhecem o trabalho desenvolvido por este servo de Deus! Gostaria de parabenizar o padre pela socialização que foi feita na igreja antes jogada às moscas e sendo o antro da empáfia de famílias que se achavam donas de Deus e da Igreja, agindo de acordo aos seus próprios interesses. Criou e ajuda manter uma biblioteca na cidade, coisa nunca pensada pelos que dizem querer o bem da cidade! A biblioteca conta com livros de altíssima qualidade e um espaço físico que não deixa a desejar. Servindo a todos os jovens estudantes de Miguel Calmon de todas as raças e credos! Pergunto aos que se dizem fiéis, o que será da Igreja e de Miguel Calmon quando o Padre Paolo for embora de Calmon? Simples e fácil, vai se tornar a Europa na idade da trevas, sem manifestação política ou cultural, entregue ao medo e a um coordenador que acabo de ter total convicção de que ele próprio e com a ajuda de indivíduos que fazem o possível para manter Miguel Calmon uma cidade burra, e prostituída moral, cultural e politicamente!

    Jormélio Rios de Oliveira é membro do Vírus, e crítico nas horas vagas (jormelio@yahoo.com.br)

    Eleições 2004. A noite dos HORRORES

    Por Pe. Paolo Cugini
    Dezembro de 2004

    Ficamos apavorados! Sábado à noite, 2 de outubro, nos olhos dos jovens e adultos que participaram do movimento fé e política era fácil ver o pavor, a angustia. "O que é isto?" me pergunta um jovem, no meio de um engarrafa-mento de carros, no bairro das Populares. Era meia noite. O que estavam fazendo todos aqueles carros ali nas Populares? A pergunta é retórica, mas uma coisa é saber aquilo que acontece na noite antes das eiciçoes, unia outra é viver esta noite. Noite dos horrores. Noite aonde o diabo anda solto com os seus obreiros. Enquanto corria como um doido atrás dos carros dos candidatos, lembrei a pas-sagem de Mateus 4 - Jesus é tentado pelo Satanás, mas a cada tentação ele responde com a palavra de Deus. O poder é uma grande tentação. Confesso que até a noite do dia dois de outubro eu não sabia a força espantosa dessa tentação. O poder junto com o dinheiro constitui uma tentação humanamente irresistível. Com o poder na mão o homem sente-se um Deus. Entende-se, um Deus com um "D" minúsculo. Só que o poder que desrespeita a dignidade humana que poder é? E por que quer este poder? Por que fica tão afobado para conquistá-lo? E a que preço? Foi isto que me decepcionou mais do que qualquer coisa. Não sabia que a consciência de uma pessoa valia tão pouco: cinco, dez, vinte reais, um copo de cachaça. Perante esta situação tão arrasadora, é fácil ficar desanimado. Será que vai mudar alguma coisa?

    Se uma pessoa se vende por tão pouco, que trabalho deve ser feito para reverter tamanha perdição? Aquilo que, porém não me deixa dormir e me tirou do sério é saber que Católicos colaboraram para confundir a consciência dos fracos. Isto é inadmissível! Como é que vou escutar o evangelho na Igreja no domingo e depois me torno cúmplice do sistema do mal? Como é que comungo na missa do domingo e depois engano o irmão? Não é chocante? Não é de ficar totalmente arrasados? Em que podemos confiar se até o irmão, a irmã de caminhada é cúmplice do império do mal? Apesar disso, a esperança continua dominando os nossos corações e os nossos sonhos. Já foi realizada a assembleia do movimento fè e política aonde foi escolhida a nova diretoria (parabéns Leandro, Valter, Renath e Cláudio). Em breve estaremos novamente de olho com projetos de conscientização visando a formação de uma cidade sempre mais justa e solidária.

    Pe. Paolo Cugini

    A distância

    Por Gilmário
    Dezembro de 2004

    Poderia afetar o que eu sinto por você
    Ver que o tempo é a resposta do futuro e não do passado
    Mesmo a cada dia de longe quero te ter.
    Pois nos a todo o momento somos um casal apaixonado.

    Deus sabe o instante para o homem aprender amar.
    A distância pode me proporcionar o teu cheiro
    Que me faz até de longe o gosto de te tocar
    O teu corpo, pois nele eu encontro o nosso desejo.

    O tempo fará mudanças pode escrever Liliane, pois nesta vida e na outra só amarei você.
    E por tantos motivos que eu não quero te perder.

    Pelo ao menos um simples telefonema
    Sei que a saudade me consome
    O melhor é ouvir o teu nome.

    De Gilmário para Liliane.

    A Cadeira

    Por Jaciângela Oliveira
    Dezembro de 2004

    Parabenizo a organização do evento evangélico nos dias 30 e 31 de outubro na Praça Lauro de Freitas, onde sem dúvida muitas pessoas poderão cooperar para o trabalho social e ajudar pessoas carentes da nossa cidade. Trabalho esse que não deve parar, mas será que todos "pastores" presentes estavam afim de ajudar? Será que estavam querendo o bem social? Ou o pastor da Igreja Avivamento Bíblico estava querendo se promover a não sei o quer quando fez questão de uma Cadeira, que uma pessoa pegou para uma senhora se sentar mais um pouco afastada, será que ele sabe o que é: Amar ao próximo?

    Será que ele sabe amar e respeitar pessoas de outras denominações? Eu acredito que não! Pastores, cadeiras passam pessoas não, cadeiras quebram com facilidade, corações não. cadeiras se emprestam, almas não. Ganham-se almas, pessoas se conquistam, essa senhora, coitada tenho certeza que se arrependeu de ter deixado a sua missa que não é seu costume para poder ir ao evento evangélico:

    P.s: Dispenso suas orações pastor, por que quando preciso eu mesmo oro. Não existe oração melhor do que a nossa.
    Jaciângela Oliveira