Ano: 1/ Nº02 - Miguel Calmon, Outubro de 2001

Miguel Calmon ganha outro meio de comunicação

Por Waldson Júnior
Outubro de 2001

Quando a FM CANABRAVA foi fechada, sentiu-se um vazio na cidade. O município perdeu a sua independência em termos de comunicação. Daquele momento em diante passamos a mendigar informações e divertimento musical de outras praças, o que para nós era terrível, pois o que aqui chegava não vinha da forma como queríamos ou era apenas o reflexo do que os outros pensavam a respeito de nós. O mundo em que vivemos é o reflexo da nossa atual sociedade, esse mundo capitalista caracteriza-se pela transformação constante e pela velocidade com que os fatos acontecem. Se não tivermos meios de comuni­cação dinâmicos e imparciais, como a FM CANABRAVA, que nos tragam informações concretas e verídicas de tudo o que ocorre no Mundo, no Brasil e sobretudo em nosso município, tornamo-nos reféns das coisas efémeras e de interesses escusos. A busca incessante de recur­sos materiais e de satisfação económica faz com as pessoas percam o interesse e a oportunidade de discutir seus problemas e de tentar resolvê-los através da comunicação social e do diálogo familiar. A vida cotidiana passa a ser chata, limitamo-nos apenas a levantar, comer, trabalhar, comer, trabalhar, decodificar informações e dormir.

Perdemos o sentido da vida quando abrimos mão de conhecer e de tentar solucionar os principais problemas que nos aflige. Nesse sentido, não poderíamos abrir mão das nossas diferenças, porque as temos, mas devemos lutar para destruir as nossas desigualdades, que são imensas.

O espírito e a articulação da linguagem são o que diferencia o homem do animal, nesse aspecto, somos todos iguais. Não queremos ser iguais em tudo, mas queremos ser iguais em tudo o que é bom, por isso, devemos articularas nossas linguagens para produzir tudo o que é bom, não só para a sociedade calmonense, mas para todo o mundo.

Não importa se você é Católico, Evangélico, Islâmico, Budista, Testemunha de Jeová, Judeu, se sua religião é africana ou se você é ateu. Já que estamos nesta sociedade pluricultural, devemos então lutar para conseguir alcançar os nossos objetivos, ae só vamos alcançá-los se compreendermos que temos o dever de respeitar o próximo como a nós mesmos e que só vamos construir um mundo novo se lançarmos um VIRUS capaz de destruir os rancores, as rivalidades, os medos e essa necessidade insana de se querer ter mais do que se precisa ter. Vejo a FM CANABRAVA como um meio capaz de adentrar no seu lar e de lhe trazer uma palavra amiga, de abordar os problemas da humanidade e de lhe indicar as melhores soluções, de perceber a sua tristeza e de lhe propor um pouco de alegria. Mais que isso, a FM CANABRAVA é mais uma oportunidade que você, lei­tor do VIRUS, tem de se informar bem e participar da construção de um novo município, um município que perceba a sua existência e que lhe dê novas e melhores expectativas de vida.

E divertimento musical de outras praças, o que para nós era terrível, pois o que aqui chegava não vinha da forma como queríamos ou era apenas o reflexo do que os outros pensavam a respeito de nós.

O mundo em que vivemos é o reflexo da nossa atual sociedade, esse mundo capitalista caracteriza-se pela transformação constante e pela velocidade com que os fatos acontecem. Se não tivermos meios de comunicação dinâmicos e imparciais, como a FM CANABRAVA, que nos tragam informações concretas e verídicas de tudo o que ocorre no Mundo, no Brasil e sobretudo em nosso município, tornamo-nos reféns das coisas efémeras e de interesses escusos.

A busca incessante de recur­sos materiais e de satisfação econômica faz com as pessoas percam o interesse e a oportunidade de discutir seus problemas e de tentar resolvê-los através da comunicação social e do diálogo familiar. A vida cotidia­na passa a ser chata, limitamo-nos apenas a levantar, comer, trabalhar, comer, trabalhar, decodificar informações e dormir.

Perdemos o sentido da vida quando abrimos mão de conhecer e de tentar solucionar os principais problemas que nos aflige. Nesse sentido, não poderíamos abrir mão das nossas diferenças, porque as temos, mas devemos lutar para destruir as nossas desigualdades, que são imensas. O espírito e a articulação da linguagem são o que diferencia o homem do animal, nesse aspecto, somos todos iguais. Não queremos ser iguais em tudo, mas queremos ser iguais em tudo o que é bom, por isso, devemos articularas nossas linguagens para produzir tudo o que é bom, não só para a sociedade calmonense, mas para todo o mundo. Não importa se você é Católico, Evangélico, Islâmico, Budista, Testemunha de Jeová, Judeu, se sua religião é africana ou se você é ateu. Já que estamos nesta sociedade pluricultural, devemos então lu­tar para conseguir alcançar os nossos objetivos, ae só vamos alcançá-los se compreendermos que temos o dever de respeitar o próximo como a nós mesmos e que só vamos construir um mundo novo se lançarmos um VIRUS capaz de destruir os rancores, as rivalidades, os medos e essa necessidade insana de se querer ter mais do que se precisa ter.

Vejo a FM CANABRAVA como um meio capaz de adentrar no seu lar e de lhe trazer uma palavra amiga, de abordar os problemas da humanidade e de lhe indicar as melhores soluções, de perceber a sua tristeza e de lhe propor um pouco de alegria. Mais que isso, a FM CANABRAVA é mais uma oportunidade que você, leitor do VIRUS, tem de se informar bem e participar da construção de um novo município, um município que perceba a sua existência e que lhe dê novas e melhores expectativas de vida.

Os meios são diferentes, mas os objetivos são os mesmos. Por isso, desde já, esperamos empreendermos juntos (VIRUS E FM CANABRAVA) esta difícil, mas valorosa batalha que é conscientizar a sociedade para a busca de um mundo melhor e mais justo.

Editorial - Soltar o verbo

Por Leandro Michel
Outubro de 2001

Parece que acertamos. O número 1, recebeu e continua recebendo até agora, uma resposta agradabilíssima, e nem foi preciso soltar o verbo para que os medos, receios e anseios se mostrassem inquietos. Isso é bom! Claro que acreditávamos no que estávamos fazendo, mas não esperávamos tamanho entusiasmo. Na verdade, desde o começo, a partir do momento em que fomos recebendo respostas afirmativas de todos os que convidávamos a escrever e a ilustrar este jornal, sentimos a confirmação do que havíamos imaginado, nossa cidade é carente, existe um largo, precioso e insuspeito contingente de homens e mulheres, emissores e receptores, prontos para participar de iniciativas que tragam em si a intenção da busca e exposição da realidade. Quando idealizamos Vírus, e o nome para rackers e biólogos é bem claro, tem a função de destruir ou contaminar ou os dois, destruir e contaminar. Mas destruir ou

contaminar quem? O que? A resposta pode ser até surpreendente, se você pensava, como muitos, que chegaram a declarar ser um "jornal" partidário, que não iria dar certo, que era fogo de palha (torcida dos pessimistas invejosos), mostramos a nossa cara, ou parte dela, já que ainda estamos em busca do formato ideal, em fase de experimentações, por isso sejairíos pacientes. Temos pretensões grandiosas, serão elas que nos motivarão a lutar contra o pensamento único que assola a humanidade, que dita a forma de pensar, de agir, de ser e de ler. Pretendemos contaminar a socie-dade local na intenção de incomodá-la, de tirá-la dessa apatia, desse conformismo generalizado. Vírus já é uma realidade mas, como "tudo" em M.C. começa e meteoricamente termina, e infelizmente a cidade é conhecida como a 'Ierra do já teve", o nosso desafio é ainda maior, contrariar essa realidade. Depois dos últimos fatos, felizmente os Estados Unidos não são mais os mesmos e espero que nós também Que esta segunda edição agrade tanto quanto a número 1.

Setembro Negro

Por Iran Rios
Outubro de 2001

A Aldeia Global confusa, perplexa, utilizou-se dos instrumentos da globalização para penetrar na História Geopolítica Mundial.

Pela primeira vez o câncer da humanidade foi atingido, desmistificada, ferido, humilhado. As respostas solidárias foram imediatas, o Sul Neocolonizado e Ocidente demagogo e cúmplice, tomaram como seus os sentimentos norte-americanos.

A política externa americana precisa ser revista. A opressão política e económica patrocinada e apoiada pelos EUA, que tratam arrogantemente o mundo como seu quintal, desperta muito ódio. O governo americano está colhendo da política o que plantou, devido a sua política imperialista.

O currículo da política externa dos EUA diz tudo: as invasões armadas na América Central; o apoio às ditaduras militares em muitos países; do massacre e da aplicação do agente laranja no Vietnã, onde até hoje as famílias não sabem se vão ter um bebé ou um monstro em virtude desse produto químico que provoca doenças genéticas; a destruição do Iraque, onde os iraquianos serviram de cobaias para as armas químicas dos EUA; os embargos económicos a muitos países como por exemplo Cuba onde o povo vem passando sérios problemas sociais e econômicos tudo porque Cuba possui um regime socialista contraditório ao do "câncer", no seu próprio quintal; da intromissão na repartição da Palestina gerando conflitos até hoje; dos milhares de mortos com as bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki; a não permissão da quebra de patentes para a produção de remédios do coquetel anti-AIDS, provocando a morte de milhares de pessoas na Africa e em todo o mundo; a sua retirada do Protocolo de Kioto declarando guerra ao meio ambiente; os EUA não aderiram a boa parte dos instrumentos internacionais de direitos humanos vigentes da ONU: nenhum dos protocolos de direitos civis e políticos, à convenção contra o Apartheid, à convenção de eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher, sobre o direito dos trabalhadores migrantes e suas famílias, à convenção sobre a supressão do tráfico de pessoas e a exploração da prostituição de terceiros; dos 170 convênios da Organização Internacional do Trabalho, os EUA aderiram somente a 12 e que não fazem parte dos principais (...).

Preciso dizer mais? Deixemos de lado a hipocrisia e reconheçamos que a tragédia imposta aos EUA não é maior que a dos países massacrados e sugados por ele, onde dezenas de milhares de crianças morrem antes mesmo de completar um ano de vida por causa da fome e de milhares de pessoas que sobrevivem em estado de pobreza absoluta há décadas para sustentar o imperialismo.

O mundo precisa deixar de achar natural milhões de pessoas morrerem de fome a cada ano se antes as barbáries eram cometidas apenas em outros territórios agora os EUA ficaram sabendo que não estão mais seguros. Os atentados mostraram-lhes, também, que não adianta proteger o seu território com uma redoma de vidro. Que os atentados sirvam de reflexão principalmente para o seu líder maior, um homem sem diplomacia e com perfil de "Malvadeza", que pode através das retaliações provocar dois conflitos mundiais: crise económica global e a primeira guerra do século XXI. Deve-se combater o terrorismo, não com atrocidade, mas com atitudes que demonstrem preocupação com toda humanidade. "Mais que reprimir atos terroristas, deve-se extinguir seus motivos". Que Deus proteja o mundo!

Município em movimento - Aconteceu

Por Vírus
Outubro de 2001

No dia 11/09/2001 reunião da Cooperativa Calmonense de Agropecuaristas LTDA. (COOCAPE), foram discutidas as problemáticas da produção e comercialização do leite. Os sócios foram informados que nos próximos dias, já estarão em atividade os dois resfriadores de leite (um em M.C. outro em Itapura) Na reunião ficou decidido a mudança do regime de cotas para o associado que daquela data em diante pagará 50 cotas de R$ 20,00 ao invés de 20 cotas de R$ 50,00. A medida visa facilitar o ingresso de mais produtores para o quadro da associação. No dia 24/09/2001 a abertura da II etapa de vacinação contra Febre Aftosa. O prazo de vacinação estende-se até o dia 15/10 pela ADAB.

O Vírus parabeniza o Grupo Jovem de Palmeiras, bem como seu presidente Fabian Carvalho, pela realização, no dia 30/09/2001, da 1ª Palestra Cultural de Desenvolvimento Intelectual Para a Formação de Cidadãos Conscientes.

O evento contou com a presença do Professor Wesley Oliveira, do Dr. Adiel Oliveira e da Vereadora Hilda Requião, dentre outros.

Oxalá, essa ideia seja copiada por outros grupos jovens. No último dia 22/09/2001 foi realizada a eleição para presidente da associação de Itapura. Sendo eleito com ampla maioria dos votos o Sr. Severino Dantas de Medeiros.

No dia 29 de setembro, com um discurso inflamado do Sr. Vicente Micucci, deu-se início aos festejos para a reabertura da FM CANABRAVA. O evento contou com a participação do Presidente da Associação Comunitária Calmonense o Sr. Jair, do vice-presidente, o Sr. Vicente Micucci, do Prefeito José Ricardo Leal Requião, de Vereadores e de diversas autoridades, além de muitos populares e representantes de classes e associações. O Vírus foi conferir.

EXPEDIENTE

  • Adiel Oliveira
  • Jesser Oliveira
  • José Carlos
  • Leal Júnior
  • Leandro Michel
  • Marcelino Pinto
  • Sandra Coutinho
  • Waldson Júnior
  • Wesley Oliveira
  • Impressão Jacográfíca

    Município em movimento - Vai Acontecer

    Por Vírus
    Outubro de 2001

    II Copa Canarinho de Futsal de Itapura em 06/10. Com a participação dos clubes: Colégio Municipal, Clariezer, Itapura e Tapiranga. Organização PMMC. O IV Enduro Ciclístico de M.C. e o I Passeio Ciclístico. Os eventos acontecerão em comemoração ao Dia da Criança com a organização da PMMC.

    III Jogos Estudantis "Walter José Vieira" - nos dias 12/13/14/15/19 e 20/10. O evento será realizado nas quadras poliesportivas da cidade e a sua final será no Ginásio de Esportes. Serão disputas as seguintes modalidades: basquete, vôlei, handebol, futsal e boleado, org. PFMC.

    No dia 28/10 acontecerá o encerramento da Copa dos Campeões, taça "Ney Andrade Accioly", no estádio local. O evento está sendo organizado pela LDC. Em 21/10/2O01 o X Campeonato de Campinho de Água Branca - Taça Geovane Menezes de Souza O Evento contará com a participação de 16 equipes e será organizado pela PMMC.

    Em 04/11, a abertura do V Campeonato de Bairros - Taça Valternei Oliveira Silva - com as equipes: GA: Arroz, Braço Mindinho e Populares GB: Beco do Rio, Santa Teresa e Pontilhão.

    Todos os campeonatos contam com a participação e organização da Secretaria de Esportes da Prefeitura de Miguel Calmon.

    Carta di Pêdu Maligú pru Viru

    Por Pêdu Maligú
    Outubro de 2001

    Num inziste mais aufabetização. a aufabetização acabo. Pru mode de que a aufabetização acabo? Será qi tão quereno qi a gente ficamos burros ô é pru mode di num gasta a nossa piaba cum os fio da gente? U duro é qi terminaro cum a aufabetização.

    O pessuá istutado, eu iscuto dizeri, i isso mi dá uma dô qi doi pur dento, qi nois qui só sabi assina o nome da gente, num sabi "perde o prestigio", "perdi o prestigio" cum carqé um qi aparece de quato in quato (mi lembrei até di ua cantiga qi dizia um negoço mais ou meno dessi jeito: esse ... só presta pra atrapaiá, aparece de quato in qauto querendo inganá) aí nois fica pensano si num é pru mode de nois vota em carqé um qi eles nus quere burro e acabaro cum a aufabetização, pru mode de nois perde o prestigio cum carqé um.

    Pur outro lado, a gente qi num sabi nada acha qi a aufabetização é só pru mode gasta piaba a toa, o qi si aprendi na iscolia si aprendi in carqé ceri, é isso qi a gente pensamo e ai nois num pidimo pru mode arruma as coisa deixamo como tá.

    Purisso, ta na cara qi insin ano os minino de carqé jeito, isso quando insina, num vai tê nunca bom alunos, mais sempri bom inleitores. Cumo diz o dizê: "num inziste castelo grande sem bazi forte.

    PS. Desculpem Pêdu Maligú é que ele foi alfabetizado em Marte em uma nova forma de ensino, mas que parece não ser a mais indicada.

    O telhado de vidros e o castelo de cartas

    Por Jesser Oliveira
    Outubro de 2001

    Era uma vez um reino em que os telhados eram de vidro e os castelos eram de cartas, nesse reino não podia chover granizo, aliás, o serviço que mais consumia dinheiro era o da previsão de tempo, pois o reino era vulnerável a chuvas e ventanias. Em casos bem mais simples, até a pequenos ventos. No reino em questão havia muitos agentes que corriam de um lado para outro, para evitar que houvesse tempestades. Todo reino sabia que com um simples refugar das árvores tudo viria abaixo.
    Quando entrou a era da informática o reino se informatizou, mas o perigo continuava agora em forma de virus ou hackers, pois os contrários ao reino poderiam atacar a qualquer momento. O que fazer então? Só construindo um grande arsenal de milhares de agentes utilizados para evitar um desastre.
    A estória pode parecer simples, mas a verdade é que não existe país invulnerável que não seja abalado quando um terrorista está à solta.

    Nota: O autor diz que não foi a favor do ataque terrorista aos Estados Unidos, nem é a favor à represália ao país acusado.

    É cada uma!

    Por Vírus
    Outubro de 2001

    Vestida numa bandeira norte­americana (e, certamente, valendo-se de toda influência que deve se estender do Sul de Manhattam ao Hindu Kush, à cadeia montanhosa do Afeganistão), Adriane Galisteu, em seu programa, clamou:
    Gente, vamos parar com isso (...) paz." O Abin prometeu refletir.

    »> Sônia Abrão no A casa é sua, na rede TV, logo após o ataque ter­rorista a Nova Iorque: "- Quando o segundo avião fez aquilo, aquela curvinha, parecia uma pegadinha..." »>Ainda Sônia Abrão, em entrevista com um especialista:

    "- Mas era ele que sabia pilotar ou só aprendeu a fazer aquilo".

    »> Já o site da Rádio Jovem Pan brindou os seus internautas com a seguinte informação: "A não ser que haja um novo ataque terrorista o deputado José Dir­ceu deve ser reeleito..."

    »> Com sua sabedoria e humor o sempre presente coronel João da Cunha, um minimalista, diante do ataque ao império: "Ô louco, sô!"

    vocês...

    Por O Proeta (13/09/2001).
    Outubro de 2001

    Vocês exigem de mim, respeito, 
    Mas não respeitam o meu direito de não respeitar.

    Vocês querem que eu creia em Deus. A todo custo Mas não crêem que eu possa ser o meu Deus.

    Vocês me dizem que eu preciso ter fé, Contudo não têm fé suficiente Para me convencer.

    Vocês me ensinam tudo que eu preciso Fazer pra ser bom, Mas não sabem que o bom mesmo, E não fazer nada do que nos ensinam.

    Vocês sempre dizem que eu estou errado, Toda via não percebem que estão errados Quando acreditam que o erro existe.

    Vocês me dizem que é preciso amar as pessoas,

    Entretanto não são capazes de me amar Só porque discordo disso.

    Vocês falam que é preciso crer; Crer na vida, no amor, crer em Deus, Mas na verdade vocês mesmo não crêem Que eu possa me libertar da minha incredulidade.

    Vocês me condenam porque como com pecadores, E ao fazê-lo cometem o maior pecado.

    Chega! Estou cansado. Da vossas receitas prontas, Dos vossos discursos repetidos. Chega! Deixem-me viver Não quero respostas formuladas, Nem vossas ideias ultrapassadas. Deixe-me em paz na minha estrada...

    Investigação de paternidade

    Por Adiel Oliveira
    Outubro de 2001

    Está sendo ótimo o trabalho sobre reconhecimento de paternidade desenvolvido pelo Ministério Público Estadual, o qual é representado nesta Comarca pela Dr.* Sumaya Queiroz Gomes de Almeida. O objetivo deste projeto, que está sendo realizado em todo o Estado, éassegurar o direito à filiação, identidade pessoal, familiar e social das pessoas que não têm a paternidade reconhecida. A ideia de promover o reconhecimento coletivo da paternidade partiu da Promotora de Justiça de Simões Filho e, devido ao resultado positivo obtido, o Ministério Público Estadual resolveu expandir o trabalho. Em nosso Município o projeto "O MINISTÉRIO PÚBLICO EMBUSCADA PATERNIDADE RESPONSÁVEL" vem sendo desenvolvido pela Promotora de Justiça e por outros segmentos da comunidade como o Conselho Tute-lar, por exemplo. Com o slogan "PAI, TODO MUNDO TEM, TODO MUNDO QUER' criado especificamente para esta cidade, a campanha está sendo realizada principalmente nas escolas, onde é mais fácil identificar se as pessoas têm a paternidade reconhecida. O projeto tem três etapas: a primeira é identificar junto às escolas o número de alunos que não tinham o nome dos pais em seus nascimento;

    a segunda etapa é realizada através de entrevistas com as mães e tema participação de professoras, diretoras de escolas, igrejas, das Secretarias de Educação e Ação Social, do Conselho Tutelar e do Poder Judiciário, através de seus serventuários; a terceira etapa é concretizada com o reconhecimento voluntário por parte dos apontados pais e através do ajuizamento de ações de investigação de paternidade.
    Com a paternidade reconhecida a pessoa adquire diversos outros direitos como o de receber pensões alimentícias, herança etc. Mas, o mais importante é a conscientização sobre paternidade, as pessoas passam a agir com mais RESPONSABIDADE em relação ao assunto.
    Parabéns ao Ministério Público e a todos que estão participando da campanha. Nota.
    Este texto foi elaborado através de in­formações dadas pela representante do Ministério Público, Dr* Sumaya Queiroz, que brevemente estará sendo entrevistada por este Jornal para falar sobre este tema e muitos outros como criminalidade, segurança pública etc.

    Clínica Feirartcultura

    Por Marcelino Pinto
    Outubro de 2001

    Nunca pertenci àquele tipo de viciado que esconde o passado. Compartilharei com vocês minhas experiências, traumas e delírios do meu envolvimento precoce com as drogas.
    Tudo começou quando um camarada chegou com aquele papo de "experimenta, é legal... vicia não, tu não vai se arrepender, cara!". Levei pra casa e me tranquei no quarto, apaguei a luz e apaguei. Era "raiz", "coisas da terra", rolava uma inofensiva sensação de estar no campo. Comecei a chamar todo mundo de "amigo" e consumia de tudo: "Xororó", "Xitão", "Zezé", "Rick", "Leonardo", tudo aos pares...
    Logo depois outro parceiro me alertou: "qualé, mano, se prante! Tu precisa experimentar algo mais prafrentex e coisa e tal". Como é um caminho sem volta, experimentei drogas da Bahia "Cheiro", "Eva", "Beijo", coisa pesada, coisa fina: "Chiclete", "Asa", "Companhia do Pagode", "Terra Samba", "Mercury", "Sangalo" e o meu fim foi um tal de "Tchan"... Com o pas­sar dos dias esse parceiro foi oferecendo coisas piores e logo me vi com a boca na garrafa, no lixo e dan­çando como aqueles bichinhos mo­vidos à pilha que ao toque de um botão sai "balançando a bundinha", "Dando uma abaixadinha", "Aê, Aê, Aê, Ô, Ô, Ô, Lá, Lá, Lê, Lê", Lelé. Eu estava vivendo no submundo, tava no fundo do poço. Ia a shows, sabia coreografias, pintei meu cabelo de loiro, perdi minha identidade, "Karametade" e "Só Pra Contrariar" não largava o "Molejo", o pagode foi minha decadência total! Era deprê demais para um jovem como eu ter que rimar "amor com dor", "coração com ilusão", "dar um tapa na barata dela", etc. Enquanto outros viciados diziam que o "barato era misturar", daí fui numa feira e

    pedi" as melhores do forró" foi terrível! Parti pro desespero: "Mel com Amendoim", "Leite com Limão", "Rapadura com Silibrina", "Ema com Pau"... Eu já não articulava mais mi­nhas ideias. Ridicularizei e cheguei ao limiar da condição humana quando passei a só consumir "popozudas", "Bondes", "cerol", dar um "tapinha" era minha vida! Comecei a ter delírios, curtir paradas complicadas, amizades estranhas, "lambadão"... já não tinha mais "Stilus", estava travado, com a "Fala Mansa" queria mais e mais drogas estranhas como "Spáici Gélls", "Bequistrit", "Sandys" e afins. Tava emburrecendo. Me viciei, consumi minha grana, me alienei e tinha respostas pra tudo: "valeu", "legal", "beleza", "fala sério", "por­que sim", "sei lá", "eu acho", "ah", "oh", "puxa". Fissura total, dias de domingo e programas de auditório eram a minha vida. Ai rolou um colírio! Meus verdadeiros amigos abriram meus olhos. Me levaram numa clínica e lá tomei doses cavalares de Blues e MPB. Fiquei me alimentando de Rock, Progressivo, Bossa. Meu médico disse que seria bom um complemento com Jazz, e até recorrer a algo mais Clássico. Aconselhou também que eu frequentasse lugares como a Feirartecultura mas, que não ficasse até tarde. Eventos culturais, como a Feirartecultura de nossa cidade, servem pra você reagir à máquina de fazer drogados que está ai fora, inescrupulosa e má, querendo transformá-lo num alienado e obtuso a serviço do establishment. Parabéns à comissão organizadora pelo ato de coragem que começa pela ousadia e confronto com o senso comum. Quanto aos ofendidos um abração procês e benção.

    O panorama político da nação

    Por Waldson Júnior
    Outubro de 2001

    A tradicional política brasileira vive momentos de tragédia. Os quatro grandes partidos (PFL, PMDB, PSDB, PPB) que formam a base de apoio do governo FHC estão envolvidos em sérias crises morais, seus principais líderes foram envolvidos em esquemas de corrupção e quebra de decoro parlamentar sendo obrigados a renunciar seus mandatos para não serem cassados. Para o planalto, detentor do poder político e económico no país, torna-se cada vez mais difícil encontrar um candidato capaz de derrotar a esquerda, que tem em Lula seu mais forte candidato, ou os oposicionistas ao seu governo como: Itamar, Ciro Gomes e Garotinho, todos eles, recebendo em todas as pesquisas divulgadas, larga vantagem em relação aos virtuais candidatos do planalto. Estes não con­seguem passar dos 5% nas pesqui­sas, por isso, a cada mês lança-se um novo nome com o intuito de testar o eleitorado para um "possível", mas "improvável", segundo turno contra Lula. O problema não se restrin­ge aos partidos, ele se expandiu e agora esta radicado nas instituições. A justiça, depois de Lalau, já não goza da satisfação popular, pois não consegue se eximir da "meia culpa" pela atual crise moral. A câmara, com suas dezenas de CPFS, (destas, algumas também já são suspeitas de corrupção) não consegue a independência necessária para implantar as tão sonhadas mas "impossíveis" reformas: da Previdência, Tributária, Eleitoral, da Justiça, etc. E o senado, que até então era intocável, passou a ser o palco dos vexames, com espetáculos chulos de Jader e ACM. permeados pelo "choro" circense de José Arruda e pelos gritos histéricos de Heloísa Helena. Mas vamos ao início da história.... No final do Governo Itamar, reuniu-se em Brasília uma equipe de notáveis, imbuída de vasculhar as estatais, autarquias e empresas de economia mista, em bus­ca de pistas que fornecessem o mapa da corrupção no Brasil. Fo­ram dezenas de caixas contendo in­formações preciosas sobre a corrupção no país, mas... Logo após a posse, FHC desfez esta equipe e arquivou. Deus sabe lá onde, todas as informações catalogadas. Deste momento em di­ante, começou a política do toma lá, dá cá. Projeto SIVAM; reeleição (onde votos de deputados eram comprados a 200.000 dólares); Privatizações "relâmpago"; O caso da Parabólica; a venda de informa­ções do Banco central; Chico Iones-Ranços Fonte Cindam e Marca; PROER;

    SUDAM; SUDENE; CPI da corrupção, das obras inacabadas; Apagão; etc., etc., etc. Nenhuma classe tem a identidade do seu líder, na realidade, esse líder é que assume as características da classe social que passa a representar. Nesse sentido, FHC não é corrupto simplesmente por que quer, a corrupção vem da necessidade de defen­der as vontades daqueles que o indicaram para o cargo. FHC torna-se então uma marionete, ora manipulada pelo grande capital nacional, ora pelo grande capital internacional, ora pelos interesses dos partidos que formam a sua base de apoio. Nesse jogo, ganha mais quem conseguir exercer mai­or pressão, os deslizes devem ser abafados a todo "custo", se virem à tona faz-se de conta que não existem e logo eles caem no esquecimento. O pluripartidarismo, permitido no Brasil a partir do final da década de 70, ao invés de contribuir para o fortalecimento da democracia, permitiu que centenas de pessoas inescrupulosas se escondessem atrás de siglas de partidos, que têm significados muito bonitos, mas que não traduzem as atitudes de seus políticos. A falta de uma legislação adequada que regulamente a criação e a linha de atuação de partidos, bem como viesse impedir que políticos eleitos por um partido possam mudar de legenda num mesmo mandato faz com que o eleitorado seja refém de siglas partidárias que muitas vezes são aliadas em um estado e inimigas em outro. Na verdade, o partido é uma mera fachada, valoriza-se o indivíduo em detrimento de um programa ideológico que se identifique com determinada classe social. Partindo deste ponto, a política no Brasil torna-se muito complexa e necessitamos estar muit» bem informados para saber diferenciar atitudes de políticos no âmbito local, estadual e federal, pois muitos políticos agem de forma incoerente porque pensam a política para o momento e não para toda a vida "pensar globalmente é agir localmente", dessa forma, como podemos defender uma situação em nível local se somos contra em nível federal e vice-versa? Sem uma legislação adequada e um maior compromisso da imprensa com a nação, o pluripartidarismo no Brasil perde seu objetivo que é o de dar liberdade para que o político e o eleitor possam definir-se ideologicamente, para que o povo possa se comprometer com programas e não com pessoas.

    Ler é acima de tudo pensar

    Por Rejane Rios
    Outubro de 2001

    Ler é essencial, ler é básico, não para formar leitores com passeio pela literatura, mas também para aqueles que almejam desenvolver sua competência de escrita como também a capacidade de raciocinar, interpretar textos e formular discursos orais. Além disso, a literatura tem o poder de formar indivíduos questionadores e capazes de posicionarem-se de maneira crítica diante da realidade e de tudo aquilo que a classe dominadora impõe e investe sutilmente nas ideologias subjacentes sobre um povo alienado e cego que vive à mercê das multinacionais e de outras formas de poder. É notório que o acesso à leitura é o maior de todos os bens culturais, ainda.

    Mas, nós professores não devemos apenas criar programas para fazer nossos alunos lerem determinados livros. Para difundirmos o "prazer" de ler, é fundamental que se garanta um contato direto com uma diversidade de livros. E não apenas "alfabetizando" a população garantindo escolas e bibliotecas públicas de qualidade que não saem de projetos, mas também enfrentando as violentas desigualdades sociais que assolam o nosso povo.

    Logo, educar possui como meta prioritária não uma simples transmissão de conhecimentos, mas uma conscientização, a criação, através de meios relevantes que levem os nossos alunos a se tomarem seres produtores, críticos e capazes de fazer múltiplas leituras não só dos textos escritos, mas dos verbais, das imagens e situações que lhes são impostas no seu dia-a-dia.

    O objetivo da leitura literária é o progresso do aluno, isso deve ser vivido sem imposições, mas com prazer e com liberdade para escolher o livro que lhe despertou maior interesse. A criança deve ter um contato direto o mais cedo possível com os livros,

    iniciando-se com a família. Mas sabemos a dura realidade que o povo brasileiro vive. Na França uma criança de oito anos de idade lê em média duzentos livros por ano. As nossas crianças lêem quatro no máximo, sendo que muitas nem isso conseguem porque o seu poder aqui­sitivo não permite.

    A linguagem encontrada nos livros literários tem a capacidade de organizar os fatos de forma diferente da linguagem oral da nossa vida cotidiana, posibilitando a leitura dos símbolos. Esse tipo de leitura é estimulante, envolvente, e desenvolve uma postura positiva em relação à aprendizagem mas isso deve ser livre e com prazer.

    O Colégio Clariezer Vicente dos Anjos juntamente com seu corpo docente, discente e funcionários almejam a aquisição de uma biblioteca escolar para termos a possibilidade de realizarmos atividades com leitura como a "Ciranda da Leitura", sendo que esta se encontra em plena atividade desde o início do ano letivo, porém sem alcançar um número satisfatório de alunos, pois a quantidade de exemplares é insuficiente. Conhecedores da importância da leitura na vida do nosso povo, nos sentimos incomodados, desejosos de fazer com que nossos alunos sejam cidadãos críticos e perceptores da realidade que nos envolve.

    Portanto, se você tem livros, entre em contato com a direção, coordenação pedagógica ou com qualquer professor, doe um exemplar para construirmos a nossa biblioteca. Assim, você estará dando a sua cota para a formação de uma sociedade mais consciente e ativa. Porque, "é lendo que nos tomamos leitores e não primeiro aprendendo para só depois ler".

    FeirArtcultura

    Por Geovane Souza
    Outubro de 2001


    Painel produzido sobre compensado, para a Feirartcultura em Miguel Calmon - Ba, por Marcos Catedral

    Desde o inicio da historia da humanidade a arte sempre esteve presente em praticamente todas as formações culturais. O homem que desenhou um bisão numa caverna pré-histórica teve que aprender. A arte está presente na sociedade em profissões que são exercidas nos mais diferentes ramos de atividades; o conhecimento em artes é necessário no mundo do trabalho e faz parte do desenvolvimento dos cidadãos. No cenário mundial, o Brasil representa uma esperança de superação de fronteiras e de construção da relação de con­fiança na humanidade. A singu­laridade que permite essa esperança é dada por sua constituição histórica peculiar no campo cultural. A coexistência da ampla diversidade étnica, lingüística e religiosa em solo brasileiro coloca a possibilidade da pluralidade de alternativas. De certa forma, é como se o plural que se constata, seja no convívio direto, seja por outras medições, evidenciasse e amplias­se o plural que potencialmente está em cada um, em razão dis­to, temos nos preocupado com o resgate da história política e cultural do município. Assim estaremos buscando o exame da relação memória, história, memória, preservação. Levando-nos necessariamente, a um debate transdisciplinar, onde a cultura dialoga com os vários campos do saber.

    A feira de arte e cultura - FEIRARTCULTURA - de Miguel Calmon, criada há três anos tem o objetivo de difundir o município através de seus múltiplos valores culturais, suas potencialidades económicas, suas riquezas naturais e a forma simples de seu povo mostrar a sua capacidade e criatividade lúdica de trabalhar. Buscando uma maior integração da família calmonense em unir forças para o progresso e desenvolvimento de Miguel Calmon. A Prefeitura Municipal acreditando que seja este um grande

    investimento para as artes e cultura do povo calmonense, cada vez mais irá procurar organizar e fazer desse evento um cartão postal da nossa cidade. Na última feira procuramos mudar o estilo musical trazendo Belchior, Geraldo Azevedo, Jeremias Brasil, Ricardo Mercês e para não sermos totalmen­te radicais com a população jovem tivemos a participação da Banda Ello, Los Morenos, Skalla e Luzo, pois entendemos que a música popular brasileira fica bem casada com a Feiratcultura.

    Tivemos de tudo na feira: o folclórico fortalecendo suas raízes, o artesanato de forma geral enchendo os nossos olhos de beleza, a dança, o teatro, as palestras, o encontro de filarmônicas foi o ponto alto do evento. As associações rurais mostraram nos­sa economia. Enfim, foram três dias recheados de muita arte e cultura, principalmente observando-se o trabalho de José Marcos, que com talento, confeccionou o painel de entrada com o tema da feira: Os Sete Contos e as Sete Passagens. A prefeitura esteve presente não só na idealização e concretização, mas usou o espaço da feira também para prestar contas à comunidade e visitantes dos recursos e trabalhos realizados através de stands apresentados por cada Secretaria Municipal.

    ADAB, EBDA, Banco do Nordeste marcaram presença na III Feirartcultura.

    Hoje estamos aproveitando este espaço para falar da feira que também serviu de palco para o lançamento do jornal Vírus o novo veículo de informação escrita de nossa cidade, a quem nós parabenizamos pela iniciativa.

    Um estranho no ninho

    Por Antonio Leal Júnior
    Outubro de 2001

    Miguel Calmon realmente é um estranho no ninho em meio às ou­tras cidades do Brasil no que tange o contatodo administrador calmonense com recursos financeiros. Temos uma administração pública diferenciada pela transparência em sua gestão, e temos dentre outras entidades uma administração brilhante na Santa Casa de Misericórdia Padre Paulo Felber-HPPF. Enquanto os hospitais de todo o Brasil reclamam da falência do setor de saúde, nossa Santa Casa, com recursos próprios, faz uma das maiores construções da história de nossa cidade. Será um centro de referência médica da região. Muita gente não sabe o prestígio que o HPPF tem no cenário hospitalar nacional. Em reunião das Santas Casas do Brasil, no auditório Nereu Ramos, do Congresso Nacional em Brasília diante de centenas de diretores de hospitais de todo o Brasil, um diretor calmonense foi bastante aplaudido após seu pronunciamento; Diversas vezes, a Associação das Santas Casas da Bahia tentou levar os diretores da HPPF para fazer palestras, objetivando exemplificar a forma de como administrar pequenos recursos e gerar equilíbrio e prosperidade.

    O projeto quando concluído em sua grande extensão vai exigir um grande volume de recursos, mas, pelo que se sabe, seus diretores estão convictos que irão conseguir con­cluir totalmente o projeto. Muitos casos que outrora eram indispensáveis o deslocamento para Jacobina hoje são atendidos aqui, porém, sabemos dos grandes problemas no atendimento dos hospitais por todo interior em geral, em Miguel Calmon não é diferente, mas a grande parte destes problemas serão sanados com a devida aparelhagem para exames complementares para esclarecimento de diagnóstico. O HPPF estará contan­do com exames de endoscopia digestiva, mamografia, teste ergométrico, ultra-sonografia, ecocardiograma, eletrocardiograma, Raios-X, dentre muitos outros. A Santa Casa já possui também o aparelho para cirurgia por videolaparoscopia. O projeto foi elaborado obedecendo rigorosamente às normas técnicas hospitalares. A área a ser construída é de 1.780 m2, o que deverá abrigar cerca de 80 leitos, emergência (pronto atendimento), duas salas cirúrgicas, duas salas de parto, uma confortável sala de recepção, salas para exames e tantos outros ambientes necessários para um bom funcionamento hospitalar.

    Muito do que se necessita já está concluído na área do "antigo" hospital, como uma lavanderia industrial (de porte comparado a bons hospitais de Salvador), pediatria, e muitos aparelhos adquiridos recentemente. Já existe o apoio para o médico local buscar aperfeiçoamento profissional, o qual será intensificado;haverá ainda o aumento considerado do quadro de médicos, que irá atender cada um em sua especialidade.

    O HPPF conta hoje com aproximadamente 60 funcionários, este número deverá crescer muito com a nova estrutura. Uma obra como esta jamais seria possível sem muito trabalho, honestidade e amor por uma causa tão nobre que é: salvar vidas. DEUS abençoe aqueles que um dia idealizaram e tornaram real este sonho de possibilitar a esta e as próximas gerações a certeza de ter seu bem mais precioso à saúde tão bem amparado. Que nosso pai maior possa iluminar o caminho destas pessoas que dedicam tanto de si para o bem de outrem. Daqui a alguns anos olharemos para traz e admiraremos quantos milhares de vidas foram salvas, não só por médicos mas também por pessoas que empenharam sua vida para gerar ao próximo uma vida de alívio e paz. Parabéns, sigam em frente e que DEUS lhes protejam.

    PETI

    Por Sandra Coutinho
    Outubro de 2001

    "É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, á alimentação, á educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultu­ra, à liberdade e á convivência familiar e comunitária." (Artigo 4o do Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990) Apesar de o Artigo 4o do Estatuto da Criança e do Adolescente garantir a toda criança brasileira o direito à saúde, à alimentação, à educação e ao lazer percebe-se que apenas trata-se de uma lei que ainda não está sendo vigorada. Há muitas crianças nas ruas, passando fome, desnutridas, realizando atividades de adultos, sendo exploradas em casas de família, em fábricas, pedreiras e em inúmeros locais. A criança é obrigada a trocar o estudo e o lazer pelo trabalho, prejudicando seu desenvolvimento físico, mental, emocional e social. Sem educação não terá chances de combater a miséria e a exploração. A educação e o combate do trabalho infantil precisam ser prioridades de toda a sociedade. E necessário pôr um ponto final nesse ciclo perverso de exclusão. A Secretaria de Assistência Social do Ministério da Previdência e Assistência Social , com o objetivo de combater a exploração do trabalho infantil e estimular o acesso e permanência da criança na criou o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). Este programa beneficia as famílias com filhos de 7 a 14 anos submetidos a trabalhos insalubres e perigosos, as quais recebem uma bolsa-escola, no valor de R$ 25 por criança, para complementar a renda e garantir a educação dessas cri­anças e adolescentes. No período em que estão em sala de aula, meninos e meninas frequentam a Jornada Ampliada, que é um segundo turno preenchido com atividades educativas, recreativas e complementares à escola formal, sob orientação de monitores. O PETI foi inicialmente im­plantado nas carvoarias do mato Grosso do Sul, nos canaviais de Pernambuco e na região sisaleira da Bahia. Hoje, o Programa existe em quase todo o país, em áreas com as mais diversas atividades laborais, tanto na zona rural como no perímetro urbano. Em Miguel Calmon o PETI é realidade. A bolsa-escola é um apoio ao orçamento familiar e traz impacto positivo para a comunidade, incrementando até mesmo o comércio local. Com a complementação da renda das famílias garantida, as crianças passaram a ter tempo para brincar e estudar. Embora ainda haja muito a fazer, os resultados já estão surgindo.A seguir temos dois depoimentos de crianças que frequentam o PETI:

    A morte nos espera (parte 1)

    Por Leandro Michel
    Outubro de 2001

    Sou daqueles que têm no saudosismo a plena convicção de não ignorar as lições da história para não continuar a repetir os erros do passado, mas modernizar, aperfeiçoar, manter acertos e tradições. Sinto saudades dos tempos de menino, e quando aqui vinha passar as férias, rever os amigos, brincar e cansar de ver o tempo a cada dia se eternizar. Foram férias, companheiros, lembranças inesquecíveis. Todo esse saudosismo não é só meu em particular, ele está no ar, na lembrança e no coração de todos aqueles que entendiam e viam a certeza de um lema: "Miguel Calmon, nem pobre nem rica, feliz". Mas como muitos outros, esquecida pela sua demonstração oposta. E preciso ver a realidade sem disfarces, vamos ser sinceros e autocríticos: Miguel Calmon está morrendo. Parafraseando Péricles (495-429 a.C.) estadista grego, "mesmo quando um homem é feliz em seus negócios privados, se a sua cidade se arruina ele perece com ela; se toda via, ele se encontra em má situação, mas sua cidade está próspera, é mais provável que ele se sai bem". A nossa morte tem sido lenta e dolorosa, falta-nos tudo. Aos poucos fomos perdendo a alegria, a auto-estima, a disposição de mudar, de fazer, o espírito combativo, revolucionário. Não temos mais a nossa maior festa, por motivo desconhecido, morreu o carnaval, festa popular que envolvia crianças, jovens, adultos, idosos. A cidade era um pulsar único de alegria. Não temos mais os bailes, as festas badaladas, os desfiles, a garota essa ou aquela. O Umbuzeiro Clube de Campo e a Sociedade XV de Novembro, infelizmente também morreram. O estádio de futebol, o grito de gol, GOOOOOOL!, o drible, as jogadas brilhantes, a arquibancada lotada, a rivalidade entre os times. Porra! O nosso maior lazer, a diversão do pobre, do oprimido. Os times: Aguardente, Calmon Júnior, Flamenguinho, de Bahia... os craques, tudo e todos morreram. Do futsal nem se precisa falar, me recuso até, seria doloroso. Mas morreu. E as gincanas colegiais, municipais, o Corre nu, as olimpíadas? Diversas modalidades, dezenas de atletas. Confesso, já me senti como um atleta em Sidney. E verdade, tudo isso também morreu. Somos uma comunidade mais triste, o desemprego provoca o êxodo, muitos que amamos estão distantes, a droga, a violência, os assaltos, já são realidade em uma cidade onde até pouco tempo atrás, você costumava ficar à vontade na porta de sua casa e nas ruas conversando despreocupadamente até mais tarde. Não me levem a mal, lembrem-se, há males que vêm para o bem.

    PERGUNTAR NÃO OFENDE

    Uma civilização determina uma linguagem ou uma linguagem determina uma civilização?

    É preciso arrumar um novo amor para ficar bem ou é preciso ficar bem para arrumar um novo amor?

    Muda-se o sistema para mudar o homem ou muda-se o homem paia mudar o sistema?

    A incompetência determina o legislativo ou o legislativo determina a incompetência?

    Para Gregos e Troianos

    Por Sheila Nascimento
    Outubro de 2001

    Sem dúvida alguma a FEIRARTCULTURA realizada de 7 a 9 do mês anterior, passou em essência tudo que se espera ocorrer em uma festa desta ordem. Mas qual terá sido a recepção do público? O que o público espera que ocorra em uma feira cultural? As misturas culturais são evidentes, de tudo um pouco, como já tinha citado anteriormente, mas a recepção do público "infeliz ou fe­lizmente" prende-se numa cultura extremamente superficial. Digo isto como observadora assídua da feira. Nos momentos em que a "Cultura da Bundalização" estava em evidência, o público, além de atento, era maravilhoso, em momentos que o público deveria participar fazendo uma análise um pouco mais profun­da, era reduzido, prova inevitável foram os dois primeiros shows em que uma minoria acompanhou e can­tou, já o último dia, lotação total. Mas já tinha afirmado que tudo isto é cultura e não quero agora contradizer, o que está faltando é uma certa percepção de que poesia e Geraldo Azevedo não são baboseiras, ou coisa para velho, são enriquecimentos de conhecimentos. Isto é uma questão de conscientização que, às vezes, pode demorar um pouco de acontecer. Por enquanto, acredito que os organizadores deveriam mesclar mais um pouco as atividades, ou então, fazer um trabalho preparatório ou de conscientização com o público em geral, porque o choque foi sentido e corremos o risco de, se insistirmos neste caminho, acabar com mais uma festividade da nossa querida cidade, sem público não há retorno e perde a razão de ser da feirartcultura.

    E uma questão de agradar a gregos e troianos.

    Entrevista: Dr. Eduardo Cordeiro

    Por Vírus
    Outubro de 2001

    Radicado em Miguel Calmon há vinte anos, Francisco Eduardo Nunes Cordeiro, 53 anos, médico, casado, pai de três filhas, ex-prefeito, cearense de nascimento e baiano por opção; recebeu o Vírus em sua residência para uma longa, esclarecedora e interessantíssima conversa. Falou de saúde, de seu trabalho e sobre tudo de política. Aqui vão os principais momentos deste agradável bate papo:

    Vírus - Muitos dos filhos de M.C. se formaram em medicina, porque não exercem a profissão em nossa cidade? 

    Eduardo Cordeiro - Acredito que eles procuram outros lugares porque estão em busca de melhores condições de trabalho, de crescimento profissional, além de terem a oportunidade de serem melhor remunerados.

     

    V - Como médico, quais as maiores dificuldades encontradas para desempenhar bem o seu trabalho?

     E.C. - Agora com Antônio Micucci, que tem aparelhado mais o hospital e dado mais condições de trabalho e melhorado as condições para o povo de um modo geral, a grande dificuldade é pela própria situação do país. Tem um ministro que faz um trabalho razoável, mas que propaga muito mais que o que faz. Outro problema é que quantidade de consultas cedidas pelo convénio som o SUS é insuficiente para atender a demanda de pacientes. A dificuldade maior para o trabalho é a falta de reajustes nos preços das consultas, exames e hospitalizações há mais de sete anos, isso também dificulta a administração do hospital. Só pra se ter uma ideia, o SUS paga apenas R$ 6,00 por cada diária nos internamentos.

     

    V - A ampliação do hospital traz muita expectativa. Essa ampliação vai melhorar o atendimento para a população?

     E.C. - Eu acho que sim. Porque o hospital vai oferecer maior conforto, melhores acomodações tanto para fun¬cionários como para clientes, existindo até a possibilidade de aumentar o número de convénios.

     

    V - E tudo assim tão perfeito?

    E.C. - Não. Tem que mudar algumas coisas. As pessoas que se dirigem ao hospital têm que se conscientizar de que existem normas a serem cumpridas. Outra coisa que precisa melhorar é a segurança, pois existem pessoas que muitas vezes invadem o hospital sem respeitar a hora de visita. Existe também o problema da grande quantidade de clientes por médico, isso faz com que muitos profissionais não queiram vir trabalhar em M.C. Temos a necessidade de colocar mais um plantonista para ajudar no atendimento.

     

    V - Há comentários que os casos de câncer na cidade estão aumentando. Até que ponto isso é verídico? 

    E.C. - Não há um levantamento preciso, mas o que a gente tem percebido, ao longo desses vinte anos de trabalho, é que isso não existe. Apenas temos diagnosticado mais. Com a maior conscientização busca-se tratamentos com mais frequência, dando a impressão de que os casos aumentaram.

     

    V - Já houve algum caso de infecção hospitalar, em M.C.? De que forma ela foi tratada?

    E.C. Infecção, comprovadamente, hospitalar foram três casos: o primeiro problema foi uma deiscência de sutura em cirurgia simples, em uma se-nhora, sendo tratada aqui mesmo no hospital. Os outros dois foram casos de crianças com diarreia; também tratados no hospital.

     

    V - Em relação à saúde pú-doenças que se apresentam com mais frequência?

     E.C. - As principais são as infecções intestinais e as respiratórias que acometem principalmente crianças e idosos. Essas doenças são graves, pois quando as pessoas procuram o serviço médico já estão com um quadro infeccioso avançado. As crenças generalizadas e a automedicação têm prejudicado o tratamento. Além dessas que se apresentam com maior frequência, temos algumas ainda mais graves como: Leishmaniose (Calazar), Esquistossomose e Doença de Chagas que vêm diminuindo lentamente. Juntam-se a estas as doenças provocadas por surtos, como dengue, entre outras.

     

    V - Quais as causas das doenças mais comuns? 

    E.C. - As intestinais normalmente são causadas pelo consumo de água sem tratamento e falta de higiene adequada, além da ingestão de alimentos contaminados; e as respiratórias, que têm maior incidência no inverno, por problemas alérgicos.

     

    V - A Saúde em M.C. vai bem?

    E.C. - No Posto de Saúde e no Hospital, onde eu traba-lho, tem se realizado um trabalho razoável, mas precisase de médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem para melhorar o atendimento. Salientando que o trabalho dos Agentes comunitário contribui para a redução de doenças.

     

    V - Relacionando 1988-1992, com o atual momento, está mais fácil ou mais difícil administrar?

     E.C. - Fica difícil analisar porque são dois momentos diferentes. Eu peguei o governo estadual contrário e o federal com sérios problemas, além de uma inflação galopante que dificultava o trabalho. Não recebíamos ajuda, nem governo estadual nem federal, restando poucos recursos para desempenhar um bom trabalho. Não dá para fazer um paralelo com o momento atual.

     

    V - Que reação o Sr. teve ao ver no mesmo palanque pes-soas que pelas discussões acaloradas, que tinham na câmara, pareciam inimigos mortais?

    E.C. - Olhe, política tem de tudo. Agora, que é uma sur-presa para a gente é, é tanto que não houve uma boa aceitação por parte de muita gente de M.C. Eu acho que se há uma crítica construtiva, ela deve ser analisada. Houve agressões de um lado e de outro. No momento em que se sentam juntos torna-se estranho. Eu não gosto muito de falar disso porque sou amigo de muitos, mas na realidade foi uma manobra política, e política tem muito disso.

     

    V - Muita gente não concordou?! E o Sr. gostou? 

    E.C. - Olhe eu não fiquei sa-tisfeito. Não era nem por eu ser um possível candidato, até porque minha família não queria que eu fosse, o problema é que a situação se tornou constrangedora. Quem mais saiu ganhando com a coligação? A oposição que elegeu o vice-prefeito e ganhou algumas secretarias; ou a situação que estava na iminência de perder o poder? Da maneira que eles fizeram, acho que os dois lados saíram ganhando.

     

    V - E o povo? 

    E.C. - Se falou muito que a coligação seria para evitar uma disputa acirrada que provocaria inimizades entre famílias calmonenses, teve esse lado que foi pensado e este lado tem muito valor. Mas eu acho que não foi só isso. Eu acho.

     

    V - E o fruto desta coliga-ção? 

    E.C. - A administração de Caca está sendo razoável, ele tem suas falhas, mas também tem suas virtudes, além de muita sorte, aue o político tem que ter. Eu digo que na reeleição de FHC uma das coisas boas que teve foi a municipalização da maioria dos recursos, como os da Educação (merenda escolar, transporte de estudantes, pagamento de funcionários e professores), da Saúde (agentes comunitários, pre-venção da dengue, etc.) além de convênios com as associações.

    V - Sendo o candidato mais provável para a disputa das eleições de 1996, causou alguma mágoa não ter sido escolhido por seus colegas de partido como candidato da situação?

     E.C. - Não. Até que eles de uma certa maneira abriram um pouco para eu sair, mas foi assim de uma maneira que a gente via que não tinha espontaneidade, e sair sem apoio do grupo político não dá, porque eu vivo da profissão, e quem vive da profissão não pode parar de trabalhar, quanto mais ter dinheiro para bancar uma campanha política. Eu também pequei por inexperiência (apesar de já ter sido prefeito uma vez), e por excesso de confiança em algumas pessoas.

     

    V - E o Sr. tem mágoa dessas pessoas?

     E.C. - Na época, fiquei magoado, até porque houve muito "disse me disse", o que contribuiu para a minha insa-tisfação, mas como não sou de guardar rancor, devido à minha formação religiosa e familiar, e ao aconchego do povo calmonense, felizmente essa mágoa já não existe mais.

     

    V - Já que o Sr. fez uma reflexão a respeito, eu pergunto: No período em que foi prefeito, qual foi sua maior decepção?

     E.C. - Durante a minha gestão, a coisa que mais me decepcionou foi a falta de ajuda do governo federal e do estadual. Até mesmo nos dois últimos anos da minha administração que foram com ACM, eu fiquei com um vo-lume grande de solicitações, e ele nunca me negou nada, mas tinha alguma coisa com o secretário dele, porque quando chegava na secretaria nada do que havia sido assinado pelo governador era liberado (você sabe como é ACM, quando ele diz alguma coisa, o pessoal cumpre), então tinha uma coisa com-binada com eles para não li-berar. Disseram na época que os projetos eram segurados por pessoas ligadas a M.C., principalmente um deputado, mas eu nunca disse que era nem que não era, porque não tinha como provar. Agora, que alguém segurava lá em cima, segurava.

     

    V - Tendo uma tendência política de direita, como o Sr. vê o crescimento da esquerda no país?

    E.C.-O PT (falo do PT porque é o maior partido de esquerda) é um partido grande e vem crescendo muito, a ponto de ser hoje o mais cotado para ocupar a presidência, porém, se usasse um candidato mais leve que Lula, não é que Lula não seja preparado, é que ele ficou com aquele estigma antigo do PT muito radical. Em nível local, é salutar, ter gente para fazer oposição, tem que ter vereadores de oposição, o prefeito tem que ter maioria para fazer um bom trabalho, mas tem que ter oposição que saiba falar, reclamar, reivindicar, porque se não o prefeito acaba achando que é o dono da verdade e que a cidade se torna dele e pode até usar de arrogância ou de alguma coisa diferente, e não é para isso que uma pessoa é eleita.

     

    V - O atual prefeito, nas últimas eleições, obteve uma porcentagem de votos quase unânime. Isso se deve, na sua opinião, à ausência de oposição ou corresponde ao seu trabalho no primeiro mandato?

    E.C. - O prefeito tem realizado um bom trabalho, isso tudo, aliado à falta de concorrência, favoreceu à expressiva votação que Caca teve aqui. Não queremos com isso desmerecer o seu poder de voto nem a sua empatia com o povo.

     

    V - Mais ele não faz um trabalho excelente? 

    E.C. - Ele faz um bom trabalho, um trabalho normal, compatível com uma pessoa do nível dele que está administrando os convênios e as verbas de um município como M.C., em que quase tudo gira em torno da prefeitura. Eu acho até que com a Lei de Responsabilidade Fiscal vai ser melhor, porque serão várias pessoas trabalhando na elaboração do Plano Plurianual (POP- Plano Orçamentário Plurianual), isso deixará o prefeito mais à vontade porque as cobranças do povo deverão ser em cima daquilo que o próprio povo planejou.

     

    V - Eujácio e Gaban são importantes para M.C? 

    E.C. - Eles trouxeram algumas obras, acho até que eles poderiam trazer mais, porque Gaban é casado com a sobrinha de ACM e tinha condições de trazer mais, principalmente em termos de saúde, já que o irmão de ACM é secretário de saúde. Eujácio também. Acho que poderia trazer mais. Quando ele foi eleito deputado federal ele ficou muito parado, não atuou. A não ser que esteja trazendo alguma obra e a gente não esteja sabendo.

     

    V - Se Caca candidatar-se para deputado, o Sr. dará apoio?

     E.C. - Eu acho que ele não vai ser candidato, porque ele só sairia se o Antônio Carlos estivesse bem forte, e no mo-mento ele não está.

     

    V - Que falhas o Sr. detecta na câmara de vereadores de M.C?

    E.C. - Eu acho que existem poucos projetos em prol do nosso município e do povo, até para ajudar a administração do prefeito.

     

    V - O Sr. está filiado a algum partido político? 

    E.C. - Ao PFL, porém pretendo fundar um novo partido em M.C., pois muitas pessoas amigas minhas permanecem no PFL, mas um grande número saiu, pertence a outros partidos.

     

    V - Pelo que o Sr. conhece dos bastidores da política calmonense, a coligação continuará mesmo após a saída de Caca?

    E.C. - Rapaz, isso é uma interrogação pra todo mundo. Eu acho que vai depender de quem ele escolher para can-didato e que este tenha capacidade de manter o grupo unido. Vai depender também do interesse de quem está lá dentro, às vezes eles podem conseguir convencer alguma pessoa descontente e a coligação continuar.

     

    V - Já começaram as articulações para 2004? 

    E.C. - A gente ouve muitos comentários, mas particularmente comigo não. Tem uns amigos que chegam e me perguntam se eu vou sair candidato, essas coisas, mas...

     

    V - E o Sr. vai sair candidato?

     E.C. - (Risos), A gente se afasta assim, mas não deixa de ser político. A política faz parte da vida de todos, mas pra gente ser candidato, faz-se necessário uma pesquisa, séria, para saber se o povo está querendo, não adianta sair só por vontade própria ou de amigos.

     

    V - Nas pesquisas para 1996, o Sr. ganhava disparado. E se a pesquisa disser que o senhor é o candidato preferido? Existe a possibi-lidade sair a sua candidatu-ra? 

    E.C. - (Risos) Existe.

     

    V - Se o Sr. for o candidato mais cotado na pesquisa, e não for aceito pela atual coligação, há a possibilidade de sair candidato mesmo assim? 

    E.C. - Poderia sair, agora teríamos que procurar os meios e as condições para isso.