Ano: II / Nº 14 - Miguel Calmon, Junho de 2003

O Destino da humanidade

Por Ir. Gianluca
Junho de 2003

Quero propor como última reflexão que fecha esta série de temáticas abordadas sob o nome de "O destino da Humanidade", algumas considerações em relação à crise profunda de valores éticos e morais que estão afetando o nosso planeta. Podemos começar de qualquer parte que se queira que a perspectiva não muda.

1) Ao olharmos a situação política hoje não temos muito do que estarmos alegres. O conceito de bem comum foi substituído pelos interesses particulares. O político está mais preocupado em catar consensos para obter votos na hora certa, do que administrar, por conta do povo que o elegeu, o patrimônio e os bens da coletividade. A corrupção dentro das administrações públicas e nos palácios do poder é ainda muito forte. Hoje em dia ela está mudando, até de certa forma, assumindo um hábito colegial e usando argumento queparecem corretos e até honestos. E o novo sistema usado por muitas administrações públicas do estado brasileiro que consiste não mais no roubo ou no desvio do dinheiro do povo e para o povo (a corrupção clássica, tradicional); mas sim a repartição deste dinheiro entre entidades e organizações comerciais, econômicas e políticas aproveitan-do-se de amizades e ligações de parentela. Quer dizer, ao invés de roubar (que é contra a lei e chama a atenção da imprensa), é preferível partilhar o dinheiro público entre os participantes da coligação.

2) De um ponto de vista moral a situação não está muito diferente da precedente. Só para citar algumas das temáticas que poderiam ser objeto de discussão dentro dos setores organizados da sociedade civil:

- A falta de educação à sexualidade nas escolas e nas famílias (que não é apenas educação sexual).

- O incentivo ao uso do preservativo sem oferecer nenhuma alternativa válida.

- O aborto como instrumento para não se responsabilizar.

- O divórcio como solução nas problemáticas familiares.

- A fofoca como meio para dificultar as relações humanas e enfraquecer a comunidade.

- A mentira como instrumento para ganhar consensos e poder às custas das pessoas, impedindo uma relação madura e significativa.

- O adultério como sinal de uma sociedade viciada e sem valores de referência.

- A crítica só para criticar e sempre de um jeito negativo sem propor alternativas como sinal perigoso porque acaba gerando divisões e insegurança nas pessoas.

3) Além do mais existe, também, a ética da vida e o cuidado com o meio ambiente que estão sendo ameaçados por parte dos grandes interesses corporativos e multinacionais. Já falamos um pouco nisso. Ora, é bom dizer que este risco acontece até no âmbito local e entre nós. Pensando, por exemplo, nas atitudes das pessoas de não usarem a lixeira jogando pelas ruas e pelas praças qualquer tipo de lixo. Vendo as crianças e os adolescentes fazerem xixi nas ruas ou na frente de outras pessoas. Assistindo às queimadas de ambiente verdes ou que poderiam ser recuperados. Jogando nas águas dos nossos rios um bocado de coisas poluentes.

Como seres humanos, cada um de nós é chamado a ter um cuidado especial em todas estas situações de vida. Não é possível esperar que os outros façam e melhorem as próprias posturas e atitudes de viver. Depende de nós e se nós não começamos ninguém começará no nosso lugar.

Ir. Gianluca

EDITORIAL

Por Vírus
Junho de 2003

Como é difícil elaborar, construir um jornal. Como é difícil remar contra a maré, contra um sistema tão forte que até o fôlego tenta nos tirar. Usar a "liberdade de expressão" requer não só coragem, ousadia, mas uma certa dose de loucura. Mas o que seria da vida sem os loucos se é que são realmente loucos. Somos muitas coisas e não somos nada. Acreditamos na iniciativa, na vontade de mudar e não aceitar as coisas como imutáveis, pronta, acabadas, definitivas. Queremos ser a voz da contestação muito mais do que a do elogio. Mas como diria Paulo Coelho no seu discurso de entrada na Academia Brasileira de Letras, "preferia ser...". O Vírus faz um balanço de suas finanças e alerta: SETE SINAIS EVIDENTES DE QUE VOCÊ FALIU:

1. O gerente do banco ligou dizendo que sua conta estourou.
2. Chegou uma carta do SPC em seu nome.
3. Os vizinhos não cumprimentam mais você.
4. Seu cônjuge está em paradeiro desconhecido.
5. Seu cachorro se entregou à carrocinha.
6. Os mendigos ao verem seu carro no semáforo não pedem esmola.
7. Está cheio de ciganos na frente de sua casa.

PS. Favor quitar seus débitos com o Vírus ou vamos jogar seu nome no SPC.

Teatro dos Vampiros

Por Waldson A. de Oliveira Júnior
Junho de 2003

Em setembro de 2001 começamos a construir uma história diferente em nossa cidade. No momento de estreia, contamos com o apoio indiscutível de toda a sociedade, e trouxemos para Miguel Calmon uma proposta nova, onde as pessoas teriam à disposição, um canal aberto, livre, onde poderiam se expressar da forma que quisessem, resguardando é claro, a vida privada e as particularidades inerentes a cada um. À vida pública, no entanto, nos reservamos o direito de abordá-la, procurando sempre estarmos pautados na ética e na crítica com perspectivas. Acreditamos . que agimos corretamente, na busca da melhoria de vida das pessoas e na construção de pen- samentos (ideológicos ou não) que permitam às pessoas fazerem uma reflexão a respeito das atividades "políticas" e econômicas de Miguel Calmon, da Bahia, do Brasil e do mundo. Falar do mundo, do Brasil, e da Bahia sempre foi fácil, já de Miguel Calmon... Abordar questões locais requer perícia e responsabilidade, por trás de todos os temas abordados existem pessoas que se alegram no elogio e se enfurecem na crítica. Por isso, geralmente, as pessoas se calam, não querem fazer inimigos. Sempre precisamos dos outros e nos omitimos para não nos prejudicarmos, este é o posicionamento, "sei que isto esta errado, mas eu tenho família..." mas... Será que Leandro também não tem? Adoramos a crítica verdadeira, no entanto, na maioria das vezes nos omitimos e com isso permitimos que o que acontece em nossa cidade passe despercebido. Ao criarmos o jornal nos tornamos inimigos de reis e príncipes, pois os mesmos não estavam acostumados às opiniões contrárias. Em Miguel Calmon não se fez união de ideologias, mas sim ajuntamento de interesses onde cada "líder" recebeu o seu quinhão sem reclamar, ampliou-se o horizonte e todos ficaram felizes. Temos aqui, a maior geração de políticos não políticos, aqueles que não sabem nada de política, vivem a obedecer, nunca contrariam, e se têm vontade não o fazem, pois, são desprovidos de vontade própria, não expõem suas opiniões, o fazem apenas pelos cantos, como ratos que têm medo do gato, não querem perder a sua parcela de benefício, opinam sempre com o interesse particular em primeiro plano e jamais pensam na coletividade. Nos últimos meses, fundaram o teatro e nos tentaram pregar uma peça. Nos falaram as coisas e pensaram que acreditamos, enganam a si mesmos. A nós não. Somos feitos de um material que não se desbo-ta com alguns raios de sol, ao contrário, a luz nos traz vida e diante das dificuldades práticofinanceiras (refirome aqui ao jornal) refletimos em nossas praças, ruas e calçadas sobre o futuro de nossa cidade. Não temos a caneta do diário, tão pouco a chave do cofre, mas sabemos que o que lá existe pertence à coletividade e não pode ser usado para manter a arquitetura política existente em nosso município. Os quinhentos reais a que cada vereador tem recebido mensalmente é uma afronta ao código eleitoral, e a toda sorte de leis que possam existir.

Tão pouco contém, uma vírgula sequer da tão sonhada e "aplicada" teoria do "é ilegal mas é moral". Onde esteve a "Câmara de Vereadores"? (Pergunta ridícula, mas proposital) para fiscalizar isto. Convém dizer que na primeira gestão, os dois oposicionistas não recebiam este "benefício", mais uma prova que os 500 reais não se destinavam à simples prática política (diga-se assistencialista) mas, à garantia de perpetuação da casta situacionista. E o tribunal de contas? Este tão "conceituado órgão" (incendiado na década passada para esconder...) que deu nota 10 a todos os exercícios do nosso município, o que tem a dizer? Por que nunca se manifestou? Gostaria de saber como foram feitos os lançamentos? Pelo que eu saiba, o salário de vereador foi criado justamente para que ele se liberte da influência do executivo. Os poderes são harmônicos, mas, devem existir para cumprir aquilo a que se destinam, sem jamais perderem o objetivo principal que é a coisa pública em detrimento da particular. Infelizmente, não é isto que estamos vendo. Ainda sobre a câmara, um fato me estarrece. No ano passado, tivemos a oportunidade de ouvir e ver várias manifestações, de vereadores, inclusive do executivo, louvando os feitos da câmara municipal (ainda que para nós, aquela casa estivesse sempre em prolongada hibernação) principalmente no que se refere à devolução de verbas aos cofres do executivo, sendo prometido, inclusive, com aquele dinheiro, a construção e instalação de uma biblioteca (que ainda não saiu).

Neste ano, o prêmio recebido pelo presidente da Casa foi a substituição. Ora, o poder é doce e brilha como um rio de ouro e mel. A situação tem todos os votos da casa, por qual motivo o presidente teria sido substituído se fez uma "excelente" gestão? Boatos correm pela cidade, nós somos curiosos, queremos respostas. A oligarquia calmonense oriunda do coronelismo Carlista atingiu o ápice em 2000 quando conseguiu eleger os já ilegais 13 vereadores (só temos colégio eleitoral para 11), levando, através de uma propaganda de massa jamais vista, a uma "unanimidade" política, prática que em todo o mundo reflete-se degeneração do sistema político e resulta na busca desenfreada pela manutenção do poder na mão de poucos. Estes, se acreditam, os únicos donos da verdade e, principalmente, da competência. O povo calmonense, anestesiado com os resultados dos primeiros anos, entregou a faca, o queijo, o prato e até a geladeira. Excluímos os "imprestáveis" por que achamos que eles realmente o eram, mas, perdemos o nosso ponto de referência ao abdicarmos dos contrários, destruímos o frágil equilíbrio na câmara, impedimos o debate democrático. Miguel Calmon renasce a cada manhã e com ela, surgem novas esperanças, o que está certo pode ser continuado e o que está errado pode ser mudado.

Waldson A. de Oliveira Júnior Professor de História

Entevista

Por Vírus
Junho de 2003

Monumental, essa é a palavra que melhor define Carlos Alberto, o Galego. Tantos nomes, tantas histórias dariam um livro, um filme. Numa tarde cinzenta de Sábado ele iluminou nossas vidas com o riso largo, a lucidez das ideias e a bondade de um coração cansado de tantas guerras mas crescido de coração.Divirta-se, emocione-se e recorde tantos anos bons, este é o velho Pop.

Vírus – A primeira pergunta já está no ar: como Legoth veio parar em MC?

- Eu nasci em Dias coelho no dia 25 de junho de 1958, sou filho de Detinho, de dias coelho e Tereza Almeida Coelho. Cheguei aqui em MC aos seis anos. Nós viemos de pau-de-arara e logo na chegada já fui brigando. Tomei um bocado de giclê de dois irmãos gémeos, eu já desci do carro brigando...

Vírus - então uma boa parte de tua infância foi passada aqui!?

- Por incrível que pareça, os primeiros amigos que tive em MC foram esses dois que me deram uns Tilenol na mandíbula, Valtinho e Carlos Alberto Boca de Buzina. Eles foram morar em Feira de Santana e toda vez que vinham passear aqui era giclê pra todo lado, eu não era gente desse mundo...

Vírus - Você gostava da escola?

- Ah, eu fui um estudante muito peralta. Logo que cheguei fui estudar no Canabrava aí era briga por cima de briga, era suspenso, apanhava em casa... O problema é que eu não gostava de estudar. O que eu mais gostava de fazer era jogar futebol. Depois fui para o Gustavo de Andrade, lá estudei com a professora Marialva, a mãe de Fanga. Depois fui para o Miguel Calmon, Paulo Américo. Em 71 fui para o Municipal de lá fui para o Polivalente em 72. No Polivalente eu estudei de 72 a 80.

Vírus - Oito anos no Polivalente?

- Eu fui ameaçado de ser banido do colégio n vezes, eu era muito traquino... Perdia, repetia, me expulsavam. A gente ficava um ano sem estudar quando perdia dois anos consecutivos naquela época. Em 80 tirei a oitava série. Quase desabou o auditório do polivalente de tantas palmas!!!. Em 81 fui para o Municipal e em 1993 formei-me em Técnico em Contabilidade. Ah, em 84 eu fui pra Jequitibá estudar numa escola de padre.

Vírus - Queria ser Padre?

- Eu era um rebelde sem causa, transviado, muito peralta, brigava direto, dava murro em gente. Decidi ir estudar lá pra ver se eu me acalmava um pouco. Estudei oito meses e tirei Diploma em Marcenaria.

Vírus - E suas amizades? Quem andava com você, quem eram seus amigos?

- O maior amigo que eu tinha era Henrique de Amâncio, já fizemos muitas coisas boas e ruins juntos, a gente brigava demais! Ele arrumava as celeumas dele e jogava pra mim e aí o cacete comia. Tinha também Delmiro, Dal, o Carequinha. Dos amigos que eu mais gosto é do Carequinha. Já o Henrique Strap era um irmão que eu tinha na época. Pensava eu que ele era meu amigo, mas no fundo ele queria era me dar um giclê. O pessoal naquela época dizia que eu era bom de briga, dava corda, enchia o velho pop de moral e eu gostava de brigar mesmo, nunca neguei isso. Eu era revoltado, tudo meu era na briga, só era pra dar giclê nos outros, apanhava, batia, era um inferno.

Vírus - Essa tua fama de encrenqueiro e brigão não te atrapalhou muito, não?

- Eu era taxado de valente, o Lampião. O que acontece é o seguinte: eu não brigava porque eu procurava, eu brigava mais por causa dos outros. Por exemplo, o Antônio Manoel na XV de Novembro agitava e eu brigava por ele, seu Henrique Brigava e lá ia o Popilho brigar por ele, entendeu? O pessoal ia para as festas e me pegava lá em casa. Eu era Pirandela, não tinha dinheiro, então a galera pagava bebida pra poder eu ir pra defendê-los, eu era o segurança deles. Teve uma briga no Ranchão que foi memorável, em 17/9/81, só de lembrar minha mandíbula dói de tanto jump de esquerda que eu tomei! Era uma festa com uma dupla de cantores de São Paulo, tinha até um altão que era meio perobo. O pessoal de Dias Coelho brigou com Anjo Grilo, eu e Henrique entramos. Anjo Grilo foi logo hospitalizado e ficamos nós dois levando murro, pedrada, chute, unhada. Acaba¬mos a festa...Eu não era gente desse mundo...

Vírus - Isso acontecia no futebol também?

- Quando os jogos eram aqui dentro tinha vezes em que eu não ficava nem na reserva e quando o jogo era fora, eles me levavam porque sabiam que eu não pipocava, eu tinha coragem. Eu ficava macho quando eu era barrado nos jogos daqui e era convocado para jogar fora.

Vírus - Então como foi a briga entre a seleção de MC e a de Piritiba?

- Nós fomos jogar em Pritiba pelo intermunicipal de 82. Num momento do jogo o árbitro marcou uma infração que não houve e nós fechamos o pau. Robério deu um soco no rosto do árbitro, Paulinho deu outro, estourou a chapa... Aí eu já cheguei dando uma rasteira no ginu. A torcida invadiu o campo e me lascaram no chão, rapa?, a torcida me deu tanto bicudo que até hoje quando eu lembro dói as costelas... Seu Sílvio foi quem me trouxe pro hospital de MC. Eu não dormia à noif e de tanto pontapé que eu tomei.

Vírus - Gostava muito de festas?

- A coisa mais maravilhosa que eu achava era o carnaval. Ex-travasávamos nossas tristezas, alegrias, nós vivíamos aquilo tudo! Era uma coisa linda, era gostoso demais. As Donzelas me marcou muito! Todo homem tem seu lado sensível, feminino e eu tinha vontade de sair no bloco das Donzelas. Dentro de mim eu tinha vontade de me vestir de mulher, botar batom, sobrancelha, maquiagem, brinco, lápis, aquelas celeumas todas, íamos pra rua, todo mundo acompanhava, as meninas amavam, era gostoso demais! Quando eu tô comendo K-suco, danço feito um condenado.

Vírus - A dança da borboleta surgiu nos carnavais?

- quando eu tô comento K-suco ela vem na mente naturalmente, não tem ensaio, não pop. Com essa dança eu já arrumei uma duas cocotinhas, eu era muito play naquela época.

Vírus - Você é uma figura única em nossa cidade, as pessoas te imitam? - Rapaz, meus fas imitam o meu caminhado. Meu caminhado é meio psicodélico, aí o pessoal fica gozando das minhas perninhas que são meio tropelhas, mas é tudo brincadeira.

Vírus - Como foi a tua história no futebol Calmonense?

- Eu já joguei em n clubes: São Paulo, Cobreloa, Mississipi, Flamenguinho, Nordestão, Colorado, Bahia de Brejo Grande e na seleção. Por incrível que pareça, o único título que eu consegui foi em 79 com o São Paulo do Braço Mindinho. Eu era um jogador viril, fazia física direto, chegava junto, eu tomava um comprimido chamado reativan, quase todos os atletas usavam... Usei reativan, cibalena com coca, éter, eu era muito doído. Eu era tecnicamente limitado mas me sobrava garra! Joguei 12 anos pela seleção Calmonense e tenho ótimas recordações e bons amigos como Anselmo, Charles, Ivan, Francês, Toínho, Bebeto, Nei...

Vírus - Conte uma jogada, um gol inesquecível , sua história na seleção.

- em 8º jogavam Bahia de B.G. e Fluminense do Arroz. Eu chutei a bola do meio de campo e ela entrou no ângulo superior esquerdo. Minha história com a seleção foi muito gratificante. Comecei com 18 anos e terminei com 30, num episódio não muito legal. Eu tenho uma grande frustração com a seleção. Toínho na sua passagem como treinador convocou 35 atletas para o intermunicipal e me sacou do grupo. Daí abandonei o futebol, comecei a engordar, desanimei. Quem me fez voltar a praticar esporte foi Anselmo e Ivan. Depois joguei mais um ano pelo time de Coco, o Labclin.

Vírus - Você era muito conhecido?

- Ui, Pop! Eu tinha apelidos demais... Xuxa, Vanúzia, Sarajane, Elke Maravilha, Ginu, Perobo, Mágico, Traidor da Bandeira do Brasil...Eu não ligava pra nada, sou 10 anos.

Vírus - Como foi tua passagem pelo futsal Calmonense como masseiro e preparador físico?

- Foi o momento, em termos de futebol, mais gostoso da minha vida! Tudo que fazíamos era com amor, nós nos gostávamos. Eu, Leandro, Pel, Tinga, até hoje nossa amizade é coesa, verdadeira.

Vírus - Houve um momento marcante na sua vida junto com o salão?

- O momento mais picante foi quando eu vi morte de perto lá em Alagoínhas. Casa lotada, mais de três mil pessoas no ginásio. Estávamos ganhando o jogo por 1 x o, de repente a torcida começou a inflamar. Na prorrogação fomos pro vestiário. Tinga jogou a toalha e disse que não voltava de jeito nenhum, leandro dizia:" Oh, meu Deus, sou jovem, sou um universitário, vou me formar" Moacyr chorava "Eu vou casar" o Kaká parecia uma lesma, nem falava mais, só soluçava... Aí eu falei pra galera:" Se ganharmos, apanhamos; se entramos em quadra, apanhamos; se não entrarmos, vamos apanhar; se perdermos, vamos apanhar então vamos pro jogo e seja o que o velho Pop quiser ", fomos e ganhamos por 2x1. Joatan tomou um pedrada que até hoje dói.

Vírus - Como árbitro, você já amarelou?

- No final de 2002 fui apitar a final do campeonato de Bairros entre Arroz e Braço Mindinho. Esses dois bairros não se dão bem e levaram todas as richas pra dentro do campo. Casa cheia, uma arbitragem boa, o arroz ganhando de 1 x o, de repente Nonon conduz a bola pra dentro da área e Orelha voa nas pernas de Nonon "Príííííí", marquei sem titubear! Quando marquei o pênalti, invadiram o campo como umas abelhas, vai, vai, peita daqui, empurra dali, "vou te meter a faca", "Uh, vai morrer", "Ginu", eu então "Príííííí", tiro de meta. Se eu confirmo o pênalti ia tomar tanto giclê que nem acertaria o caminho pra casa. Sempre fui honesto, apito porque amo, me sinto bem! Já recebi n propostas de propina e nunca aceitei, não faz parte de minha personalidade, do meu caráter. Sou valorizado no que faço, sou conhecido em n cidades. Erro, sou humano, mas nesse caso do pênalti era a minha integridade física que estava em jogo.

Vírus - Com tantas qualidade como árbitro por que você foi desligado do quadro de arbitragem? O que aconteceu?

- É o seguinte, todo ano tem uma lista dos árbitros que estão na ativa para irem trabalhar pela federação no campeonato intermunicipal. Tenho 10 anos de federação Baiana, de 93 a 2003, mas esse ano teve uma seleção de árbitros e simplesmente fui sacado sob a justificativa de que eu deveria dar lugar aos mais novos para que pudessem adquirir experiência. Foi uma injustiça o que fizeram comigo (longo silêncio)...Tanto tempo servindo ao esporte calmonense, debaixo de sol e chuva, mal remunerado, n vezes apitando de graça e ser sacado dessa maneira é humilhante. No dia em que eu não tiver mais capacidade física e de discernimento, terei a dignidade de anunciar: "valeu, meu Pop, não dá mais." Essa é a maior mágoa da minha história de arbitragem.

Vírus - Qual é a sua profissão', Legoth?

- Sou porteiro da entidade Clariezer" Vicente dos Anjos. Veja a ironia da vida, antes eu infernizava a vida de porteiros, zeladores, diretores e professores, hoje cuido de todo mundo, né? Às vezes esquento a moleira e penso "tô pagando o que eu já fiz", fico doido pra dar uma cabeçada numa zebra, na mandíbula de um, mas lembro que eu era igualzinho ou pior. Na minha época quem ia buscar a merenda eram os estudantes. Várias vezes íamos eu e um colega, no caminho eu comia uns 10 sonhos e depois sameava areia nos sonhos, todos açucarados e ficava só olhando de longe a galera: "Crack", lascava o dente no sonho e achava que era açúcar. Todo dia eu queria ir buscar a merenda ... Eu não trabalhava naquela época, aí pegava a caderneta de pai e ia comprar cigarro fiado, eu era Pirandela. Ia pra festas, pulava o muro, passava debaixo de arame ôg circo... Eu ia catar mamona no chão, aí vacilava, eu furava o saco, vendia mamona ao finado Martin, botava um rebolo dentro do saco misturado com a mamona e ia comprar queimado. Já roubei muito sonho, acarajé!!! Eu era terrível...

Vírus — E hoje, como é o velho Legoth?

- Hoje tô bem Relax! Trabalho, vou apitar meus jogos, de vez em quando como uns Rústicos. Antigamente eu não tinha medo de nada, hoje já fico mais receoso, precavido. Dedico agora o meu tempo à minha velhinha, ao baby, que tá vindo aí. Agora que eu vou ser papai de uma gatica, estou radiante à espera de minha Alice. Hoje sou um homem realizado. Fiz a minha parte, batalhei pra ser um árbitro reconhecido nacionalmente, mas o destino não quis, faz parte... Hoje a realização da minha vida são minha velhinha e minha Alice.



Vírus - Todo boleiro gosta de um bate-bola, prepare-se:

Sonho - Ser pai!

Tristeza - Ter perdido minha mãe

Dinheiro - Só um complemento pra vida, dinheiro não é tudo...

Alegria - Estar com meus amigos.

Hobby - Ouvir música (Chico, Gil, Caetano, Djavan, Roberto Carlos, Gal).

Gratidão - Família e amigos, sou grato a todos que me cercam com Carinho.

Mágoa - Ter saído da escola do intermunicipal dessa forma. Ser homem - Sincero, honesto, não se vender por nada...

Vírus - Legoth por Legoth.

- Sou um cara tranquilo, feliz, fiel às amizades, essa galera que arbitra hoje, a maioria eu já ensinei e agora tentam pisar em mim, mas eu sou 10 anos, popilho. Tenho um coração imenso...

Vírus - Na vida você mais bateu ou apanhou?

Olha, eu só queria deixar uma mensagem para os jovens: o que eu fazia naquela época era tudo errado, a minha mente era pequeninha, violência não resolve nada, hoje têm pessoas que são minhas inimigas, têm mágoas e não falam mais comigo por culpa de minha atitudes. A todas elas peço desculpas, que esqueçam e me perdoem. Na vida eu mais apanhei por não saber aproveitar as oportunidades que a vida me proporcionou. Deveria ter estudado mais, seguido os conselhos de minha mãe e do meu pai, mas é a vida, eu sou feliz.

EXPEDIENTE

  • Adiel Olviera
  • Leandro Michel
  • Marcelino Pinto
  • Renivaldo Santos
  • Waldson Júnior
  • Charges: José Marcos Lopez

    E a banda passou

    Por Miriam Miranda Guerra
    Junho de 2003

    "Apesar de você, amanhã há de ser outro dia..." Dia desses um colega presenteou-me com uma revista que trazia entre outras matérias, na sua reportagem de capa, o grande músico brasileiro Chico Buarque de Holanda. Confesso que me deliciei como estava proposto na dedicatória feita pelo meu amigo. No ensaio sobre o músico, descobri que não apenas eu o considero um grande poeta. Mas minhas descobertas não paravam por ai e é exatamente sobre isso que me proponho falar para os leitores. Chico aparece no cenário musical nos anos 60, era o tempo dos famosos festivais da TV Record. Lembro-me muito bem, ainda criança, quando o vi pela primeira vez na televisão quando Nara Leão interpretava a "banda" de sua autoria. Foi amor à primeira vista, a partir deste instante a minha admiração somente cresceu. E hoje me deparo com vontade de escrever a respeito de minha geração que o ouvia muito pouco e quase nada entendia de suas músicas metafóricas, onde retratava o Brasil político da época, período de Ditadura Militar, onde a censura não permitia que se mostrasse o retrato da situação sócio-política e econômica. Eu e meus amigos vivíamos em uma cidadezinha do interior, tranquila, sem muitos compro-missos políticos. Entre outras coisas, adorávamos música. Nesta época em Miguel Calmon, a cultura das serenatas e dos "assustados" (festinhas em casa de amigos, onde ouvíamos músicas, dançávamos e namorávamos muito) era muito frequente. Adorávamos estes momentos que estão guardados em nossos corações para sempre. Mas que tipo de música ouvíamos e dançávamos? Com certeza não era Chico Buarque ou Caetano Veloso. A ditadura estava interessada que o jovem se "alienasse", por isto, os meios de comunicação nos ensinavam a gostar de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e seus companheiros.

    Era a música da Jovem Guarda penetrando eternamente nossa alma. Todo o processo de tentativa de mudança política passou por nós sem sermos molestados, porém, grandes transformações foram vivenciadas por nós. As meninas já podiam usar livremente a mini-saia, precisávamos criar uma identificação simbólica com os nossos ídolos. Enquanto alguns estudantes, como nós, tentavam construir um Brasil mais democrático, onde o mundo era um verdadeiro caldeirão efervescente de revoluções culturais, nós, adolescentes de Miguel Calmon, olhávamos apenas para o "nosso próprio umbigo", passávamos horas "rodando" o antigo jardim da praça Lauro de Freitas, alguns namorando e outros simplesmente "jogando conversa fora", como falávamos na época. Era o tempo romântico da paquera e quando o namoro se concretizava, passeá vamos no jardim sem exageros, o máximo permitido era o pegar na mão ou um beijo ou outro roubado pelos meninos mais atrevidos. O beijo mais ardente reservávamos para a despedida na porta de nossa casa, mas tinha que ser rápido, antes que as luzes da cidade se apagassem às 22 horas porque "moça direita" não namorava no escuro. Porém, hoje, acredito que não perdemos absolutamente o bonde da história, nos tornamos homens e mulheres comprometidos socialmente, indivíduos críticos e sabedores do comprometimento com a criação de um país mais humano e harmonioso mas sem deixar jamais de acreditar no amor, tão cantado pela Jovem Guarda e também descobrindo que o meu ídolo maior Chico Buarque de Holanda, também cantava lindos versos de amor para a mulher amada.

    Miriam Miranda Guerra

    Vitória dos dois Oásis

    Por DERMIVAL, LÍDIA E MÍRIAM
    Junho de 2003

    Em 1990 o sonho de Dermival, Lídia e Míriam saía do velho baú. Nascia o COLÉGIO OÁSIS DE MIGUEL Calmon. A garra, o talento e a determinação de seus fundadores, professores e funcionários logo deram ao OÁSIS o perfil de excelência; os seus alunos alcançaram seus próprios voos e lá foram engrandecer o nome do seu colégio e da sua Calmon. Lá se vão treze anos; muitas dificul-dades, inúmeras incompreensões, alguns ódios gratuitos, mas temos superado tudo, com a ajuda de Deus e o trabalho de toda a nossa equipe. Agora, através de uma pesquisa realizada em toda a cidade, recebemos a indicação como a melhor Escola de Miguel Calmon, com mais de sessenta por cento das pessoas entrevistadas. Isto renova o nosso propósito de cada vez mais trabalhar pelos jovens da nossa cidade, que haverão de construir uma pátria mais igual e mais rica. Em 1996 o nosso Colégio, após convite de pais jacobinenses, se instalou, precariamente, na grande metrópole da região; o desejo de acertar, a preocupação de levar a maioria do nosso professorado, o medo do preconceito... Mas nós fomos corajosos; hoje, decorridos apenas sete anos, já em instalações mais dignas, com um quadro de professores extremamente mesclado, com alunos de Jacobina, Miguel Calmon, Saúde, Caem, Capim Grosso, Piritiba, entre outras cidades da região, o COLÉGIO OÁSIS DE JACOBINA, através de pes¬quisa realizada pela ACUA ( ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE JACOBINA) e da CDL (CLUBE DE DIRETORES LOJISTAS DE JACOBINA), foi indicado como o grande destaque no setor educacional de Jacobina.

    Sem dúvida, é uma honraria e nos enche de alegria e de gratidão ao povo jacobinense que tem se mostrado extremamente generoso e digno de uma cidade tradicional e que é o grande marco da nossa região. OS DOIS PRÊMIOS NÓS QUEREMOS DIVIDIR COM TODOS AQUELES QUE ACREDITARAM EM NOSSOS SONHOS, COM OS NOSSOS FAMILIARES, COM TODOS OS NOSSOS ALUNOS QUE PASARAM PELAS NOSSAS SALAS E COM OS QUE HOJE APRENDEM, NO DIA-DIA, A AMAR O OÁSIS COMO UMA SEGUNDA CASA, COM AS NOSSAS COORDE-NADORAS, COM A VICE-DIRETORA MARIA MARTA, COM OS NOSSOS PROFESSORES, MESMO COM AQUELES QUE NOS DEIXARAM, CUJO TALENTO E COMPETÊNCIA SÃO RESPONSÁVEIS PELO NOSSO INEGÁVEL ÊXITO, COM OS NOSSOS DEDICADOS FUNCIONÁRIOS, DESDE OS SECRETÁRIOS ATÉ OS NOSSOS AUXILIARES DE SERVIÇOS GERAIS QUE COLABORAM PARA QUE O OÁSIS SE AFIRME COMO UMA INSTITUIÇÃO QUE PRETENDE SEMPRE VOAR MAIS LONGE E MAIS ALTO. OBRIGADO, CALMONENSE... OBRIGADO POVO JACOBINENSE. Miguel Calmon, junho de 2003.

    DERMIVAL, LÍDIA E MÍRIAM

    Cuidado, seu telefone tá grampeado

    Por Marcelino Pintho
    Junho de 2003

    Outro dia, num desses telejornais, um âncora anunciou "o escândalo dos grampos". Com voz séria e ao mesmo tempo triunfal, olhando a câmera que levaria sua fisionomia sombria a milhares de casas e cidadãos, ele falou, falou e não disse nada. Aqui no vírus é assim, você pensou, a gente publicou! Sabedores de que na terra Brasilis tudo termina num fraternal abraço numa pizzaria e que "o povão tem memória fraca", num furo de reportagem transcrevemos aqui um bate-papo telefónico revelador para refrescar um pouquinho a nossa cachola:

    Diga aí, meu amigo, aquele axé!

    - 'Tô indo, tô indo"...

    Tá tudo bern, meu nego?

    - Tô preocupado contigo, cabeça de açúcar...

    - Se avexe não, meu nego...

    - Que negócio de grampo é esse, Painho?

    Tão dizendo que você grampeou o telefone do estado inteiro...

    - Essa história me dá um ginge... Isso não voga não.

    - Mas tá todo mundo fa-lando...

    - (E eu ouvindo) Hã, como? A ligação tá ruim... O negócio tá feio, vai dar merda. O quê? Não entendi! Comissão de quem? Comeu quem??

    - A idade chegando... Nem respeitam mais o senhor.

    - E, rapaz, até meio surdo tô ficando, eu boto as pessoas pra ouvirem por mim, mas quem manda sou eu!

    - Os grampos?

    - Não, Bahia. R i , R i -,Ri,Ri! Tu não presta...

    - Isso muita gente diz, mas eu não dou ouvido. Eu só sei das coisas da Bahia porque meu painho Chiquinho Treze Velas, meu pai-de-santo, me conta através dos búzios em Búzios, é a globalização, a tal de aldeia global. É isso aí., cacique! Eu quero ouvir de você: grampeou ou não grampeou? Ouviu? Que grampo que nada! Quando quero saber alguma coisa pergunto aos deputados lá em Brasília mesmo. Eles passam trocentos anos sem fazer nada a não ser falar da vida dos outros e falar mal uns dos outros... Também tem o taro da mãe Francisquinha do Ebó.

    - Essa linha é segura, meu rei? Fala sério! Ah, tão falando muito do Gil também...

    - Com razão, ele só fica com um violão pra cima e pra baixo cantando "fico esperando na janela, não sei se vou me segurar". Quem fica o dia todo to-'cando violão e na janela, tá as-suntando a vida dos outros, né?

    O homem fala e ninguém entende. Um dia desses ele me disse que queria "falar com Deus", o homem tá muito doido! Pra encerrar esse trololó, ouvir conversa dos outros aqui na Bahia é do tempo que vovó pertencia ao Grupo Jovem da igreja. - E essa história foi por causa da amante? Você acredita em amor à primeira vista? UUUUUUUUUUQUÊ? Nego, aqui na Bahia até o amor é a prazo e baiano tem é rapariga,amante é coisa de paulista!

    - Eu não vou mais astuciar com isso, tá me ouvindo?

    - Tá bom! Sexta-feira a gente áe encontra naquele barzinho, vamos tomar alguma coisa...

    - Vamos, de quem?

    - Né isso não...Ah,tu vai querer entrar na quadrilha? Quiqueisso,rapaz?!?

    - Calma,eu tô falando é do São João do Planalto... Claro,lá a gente canta o forró e quem dança no pau-de-sebo é o povo...

    Marcelino Pintho

    Seleção pereba

    Por Vírus
    Junho de 2003

    Caros leitores, escrevo para somar aos muitos outros que devem ter perdido a paciência com a "seleção" calmonense. Quatro a zero? Pra Jacobina? Ah, não, dê-me uma garapa, por favor! Essa "seleção" deu samba. Todo mundo dançou bonitinho, inclusive nós. Todos que acompanharam as gerações de 70/80 que encantavam as tardes de Domingo no João Liberato sentem-se um pouco cúmplices e um pouco seus protetores. Jamais as criticamos ofensivamente e não admitía-mos que falassem mal deles. Todos daqueles anos mágicos do Futebol Calmonense car-regam na retina as , doces imagens de tantos craques (que não serão citados aqui pois precisaria de um jornal inteiro só pra eles) e da algazarra perene feita de dribles e arrancadas, de tabelas mágicas e dos gois inesquecíveis e insuperáveis.

    Ainda lembramos de zagueiros caídos, surpresos e decepcionados, goleiros de olhos tristes vendo a rede balançar e a torcida adversária muda diante da explosão Calça-curta: GOOOOOOOOOOOOOL!!! Não esqueceremos jamais e nunca agradeceremos o suficiente Muitíssimo obrigado pelas vitórias e até derrotas, pois sabíamos que em ambas havia brio e amor, a Pátria calmonense era vestida com dignidade. A seleção Pereba que vem nos representando de uns anos pra cá é o resultado de um trabalho equivocado, sem planejamento e apoio, de ideias centralizadas e da falta de diálogo. O melhor da festa é esperar por ela, diz o provérbio. Pois, enquanto o campeonato A, B ou C não acontece, por que não fazer um grande debate futebolístico com representantes políticos, empresários, comerciantes, torcedores, atletas, religiosos (porque do jeito que vai só Deus...) e todos que pensam futebol. Não sei se este é o momento de críticas aos atletas e à liga, mas volta e meia, o vaso racha e a água podre chega aos torcedores. Fica a sugestão. Não é uma caça às bruxas, busquemos soluções juntos. O futebol calmonense agradeceria.

    VÍRUS NA BOLA!

    Vírus Tomé

    Por Vírus
    Junho de 2003

    E aí macacada?! A guerra acabou (?) e o VÍRUS só recebeu ago-ra as notícias da nossa correspondente de guerra, Mara Cutaia. "Gente, o negócio aqui tá feio! É bala pra tudo quanto é lado, mas fiquem tranquilos, eu estou escondida aqui perto de um poço de petróleo, o lugar mais seguro do Iraque.

    Conheci uma galera da pesada por aqui e já traçamos uns 100 litros de pinga! Já estou pra lá de Bagdá! Olha, se Bush invadisse o inferno eu apoiaria o demônio! Se liga na música que nosso companheiro de missão, Reginato Rezende compôs para alegrar nossas noites frias no deserto:



    DIPLOMACIA

    Temos que aplaudir a miséria De uma nação que explora tanta gente E que nos toma totalmente humanos inconscientes.

    Vamos na casa do meu tio Sam Vamos conversar com ele sobre irmão Saddam, Não fique surpreendido se suas atrocidades aparecerem, Se conforme, pois muitas coisas piores não poderemos saber. E quando nos servirem um café com sabor de Bomba Atômica

    Pense na nuvem assassina!
    Pense na carnificina! Sonhe com a poeira quente
    Pois foi ela que aqueceu o coração,
    E matou Nagasaki e Hiroshima.


    Olhe para o horizonte iraquiano E diga de si para si,
    O Iraque é aqui ou o Iraque não é aqui?
    Ligaremos a televisão Precisamos dar audiência para esse reality show
    Vamos dar risada a cada bomba detonada.
    Aplaudiremos a inveja, atrocidades permanente
    Que mata tanta gente, como se fossem um grão de poeira,
    Como se fossem delinquentes que não tem direito a nada.
    Temos que tomar o ouro negro,
    Temos que implantar a ambição,
    Temos que viver novamente o nazismo,
    Precisamos é aprender uma lição.
    Quero que você entenda,
    Que mundo em que você vive hoje em dia?
    Quero mostrar o bom de tudo isso:

    Da miséria, do horror e da ambição.
    Já estamos todos dominados e se sempre for assim Não precisamos mais nem de coração.
    Ando a procurar teu pensamento,
    Que não seja uma arma nuclear,
    E que acabe com meu sofrimento
    Precisamos aprender a conversar.

    Maurício Matos

    Vírus fora de controle

    Por Vírus
    Junho de 2003

    O Vírus está se alastrando! Agora já temos vários leitores na cidade de Senhor do Bonfim, Mundo Novo, Jacobina, Salvador e Piritiba. Valeu galera! Ninguém segura esse Vírus, não somos a Febre Asiática mas vamos invadir a sua praia! Atchin! No dia do Juízo Final o que menos queremos é ter juízo.

    EQUIPE VÍRUS

    Os tribushistas

    Por Vírus
    Junho de 2003

    (Bush, Powell, Blair)

    Já sei bombardear
    Já sei armar o míssil agora só me falta atirar
    Já sei invadir Já sei peitar a ONU agora só me falta explodir
    Não tenho paciência pra negociação
    Eu tenho é mania de perseguição
    Não ouço ninguém, acuso todo mundo
    O Bin Laden e o Hussein
    Não livro ninguém, exploro todo mundo
    Acho que o mundo é meu também
    Já sei derrubar Já sei jogar a bomba na tua base militar
    Eu sou o juiz e não tô nem aí pra tantas vidas de civis
    Peguei experiência com o Afeganistão
    Se antes eu falhei, agora não erro não
    Não ouço ninguém, até o Colin Powell
    Tá igual a mim também
    Não livro ninguém, primeiro o petróleo Depois a Amazónia também
    Eu tô querendo Sadam Hussein
    Eu tô querendo, tudo o que tiver Eu tô querendo,
    Não tem pra ninguém
    Tô te querendo, petróleo do Hussein..."

    Seria cômico se não fosse trágico...É rir pra não chorar! Nóis sofre mais nóis goza...Ah, um leitor da coluna Vírus Tomé disse que estamos dando mau exemplo de como usar o "MAS" e o "MAIS", do "Nóis sofre mais nóis goza" só que ele não sabe que o Vírus Tomé é formado em letras pela PUC, ele é um verdadeiro filho da PUC das letras! Ou ele não sabe que Herrar é umano?

    Plantão da Guerra que acabou (?); Fala aí Mara Cutaia:

    - Meu colega comunista, Armando Guerra, disse que se a Coreia do Norte tem Mísseis, Cuba também tem, e disse que quer ver Cuba lançar. É isso aí, eu quero que Cuba lance, eu quero ver Cuba lançar.

    É isso aí, nós sofremos mas nós gozamos... credo! Nóis sofre mas nóis goza é bem melhor. Eu sou igual a uma bomba Heloísa Helena, a qualquer momento posso ser detonada! Fui!

    Virus Tomé

    CIDADE DOS HOMENS

    Por Romilson Santos
    Junho de 2003

    "Vim pelo caminho difícil, a linha que nunca termina, a que bate na pedra, a palavra quebra uma esquina, mínima linha vazia, a linha, uma vida inteira palavra, palavra minha."
    Paulo Leminske

    Vida vivida que as vezes dói. Esse é o rotineiro mundo dos homens. Mundo que gira, gira, gira e não sai do papel. que gira, gira, gira e não sai do papel. Acorda juventude, éhora de partir em defesa dos nossos propósitos. É hora de ir avante e de combater a hie-rarquia que corrompe os nossos valores. Se perguntar não ofende, quando é que teremos forças de questionar? Trabalhos, trabalhos, trabalhos... Só promessas, quem tem QI elevado torna-se quem sabe um génio perante a realeza.

    E nós? Esquecidos, traumatizados, abandonados e forçados a puxar enxada nas roças. Para ver se são Pedro manda chuva para poder arcar um mínimo, mísero e uma pequena merreca. Isso dói. O valor humano só se toma visível quando alguém se humilha ou é humilhado. Que um dia esses homens possam perceber os valores que estão sendo perdidos a cada dia.

    E que tire das ruas os filhos da rua, que resgate tudo e todos dando-lhes nova chance de sonhar. É esperar que a cidade dos homens se transforme em realidade. Agora é só esperar, esperar, esperar..., estou sentado que em pé cansa.

    Romilson Santos

    A guerra não acabou e jamais acabará enquanto existirem homens como esse tal de Bush, Nós do Vírus não poderíamos privá-los de um texto tão belo:

    Por Vírus
    Junho de 2003

    Obrigado, presidente Bush

    Obrigado, grande líder George W. Bush. Obrigado por mostrar a todos o perigo que Saddam Hussein representa. Talvez muitos de nós tivéssemos esquecido de que ele utilizou armas químicas contra seu próprio povo, contra os curdos, contra os iranianos. Hussein é um ditador sanguinário, uma das mais claras expressões do mal hoje. Entretanto essa não é a única razão pela qual estou lhe agradecendo. Nos dois primeiros meses de 2003, o sr, foi capaz de mostrar muitas coisas importantes ao mundo, e por isso merece minha gratidão. Assim, recordando um poema que aprendi na infância, quero lhe dizer obrigado. Obrigado por mostrar a todos que o povo turco e s seu parlamento não estão à venda, nem por 26 bilhões de dólares. Obrigado por revelar ao mundo o gigantesco abismo que existe entre a decisão dos governantes e os desejos do d povo. Por deixar claro que tanto José Maria Aznar como Tony Blair não dão a mínima importância e não têm nenhum respeito pelos votos que receberam. Aznar é capaz de ignorar que 90% dos espanhóis estão contra a guerra, e Blair não se importa com a maior manifestação pública na Inglaterra nestes 30 anos mais recentes. Obrigado porquê sua perseverança forçou Blair a ir ao Parlamento com um dossiê falsificado, escrito por um estudante há dez anos, e apresentar isso como "provas contundentes recolhidas pelo serviço secreto britânico". Obrigado por fazer com que Colin Powell se expusesse ao ridículo, mostrando ao Conselho de Segurança da ONU algumas fotos que, uma semana depois, foram publicamente contestadas por Hans Blix, o inspetor da responsável pelo desarmamento do Iraque. Obrigado porque sua posição fez com que o ministro de Relações Exteriores da França, Sr. Dominique de Villepin, em seu discurso contra a guerra, tivesse a honra de ser aplaudido no plenário, honra que, pelo que eu saiba, só tinha acontecido uma única vez na história da ONU, por ocasião de um discurso de Nelson Mandela. Obrigado porque, graças aos seus esforços pela guerra, pela primeira vez as nações árabes, geralmente divididas, foram unânimes em condenar uma invasão, durante encontro no Cairo.

    Obrigado porque, graças à sua retórica afirmando que "a ONU tem uma chance de mostrar sua relevância", mesmo países mais relutantes terminaram tomando posição contra um ataque. Obrigado por sua política ex-terior ter feito o ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, Jack Straw, declarar em pleno século 21 que "uma guerra pode ter justificativas morais"e, ao declarar isso, perder toda a credibilidade. Obrigado por tentar dividir uma Europa que luta pela sua unificação; isso foi um alerta que não será ignorado. Obrigado por ter conseguido o que poucos con-seguiram neste século: unir milhões de pessoas, em todos os continentes, lutando pela mesma ideia, embora essa ideia seja oposta à sua. Obrigado por nos fazer de novo sentir que, mesmo que nossas palavras não sejam ouvidas, elas pelo menos são pronunciadas, e isso rios dará mais força no futuro. Obrigado por nos ignorar, por marginalizar todos aqueles que tomaram uma atitude contra sua decisão, pois é dos excluídos o futuro da Terra. Obrigado porque, sem o sr., não teríamos conhecido nossa capacidade de mobilização. Talvez ela não sirva para nada no presente, mas será útil mais adiante. Agora que os tambores da guerra parecem soar de maneira irreversível, quero fazer minhas as palavras de um antigo rei europeu a um invasor: "Que sua manhã seja linda, que o sol brilhe nas armaduras de seus soldados, porque durante a tarde eu o derrotarei". Obrigado por permitir a todos nós, um exército de anónimos que passeiam pelas ruas tentando parar um processo já em marcha, tomarmos conhecimento do que é a sensação de impotência, aprendermos a lidar com ela e a transformá-la. Portanto, aproveite sua manhã e o que ela ainda pode trazer de glória. Obrigado porque não nos escutastes e não nos levaste a sério. Pois saiba que nós o escutamos e não nos esqueceremos suas palavras. Obrigado, grande líder George W. Bush Muito Obrigado.

    Paulo Coelho, especial para o VÍRUS O escritor Paulo Coelho, autor de "O Alquimista", entre outros, é integrante a Academia Brasileira de Letras.

    ??? Perguntar não ofende ???

    Por Vírus
    Junho de 2003

    Bush quer democratizar o Iraque por ser democrático ou por ser democrático ele quer republicanizá-lo? E então? A nova Nação se chamará República Unida do Iraque!

    Se não temos mais vice, o substituto(a) seria o presidente da Câmara, no caso: a oligarquia?

    Você ficou rebelde porque sua mãe te reprimia ou sua mãe te reprimia porque você ficou rebelde?

    Morremos quando o espírito nos abandona ou o espírito nos aban-dona quando morremos?

    Os 13 ilustres vereadores se deram aumento salarial para tirar o pé da lama ou para injetar em algum paraíso fiscal?

    A auto-promoção salarial promovida pelos vereadores te anima em relação à política calmonense, ou em relação à política calmonense você não tem mais esperança?

    Solucionar o problema de desemprego em Miguel Calmon é uma questão de vontade política ou por depender da vontade política o problema do desemprego não é solucionado?

    1 é muito? 2 é demais? Ou 13 é uma desgraça?