Ano: II / Nº 13 - Miguel Calmon, Abril de 2003

Ouro Negro

Por Iran Rios
Abril de 2003

Nos dias de hoje, o elemento mais preocupante da cena internacional é o confronto entre o mais poderoso país do planeta, os EUA, e o Iraque de Saddam Hussein. Como sempre acontece em situações desse tipo, a quem interessa superar a analise primária e superficial dos acontecimentos fica claro que o quadro esconde muito mais do que revela. O instável e fraudulento capitalismo global precisa mais do que nunca de certezas. As certezas de retorno e lucratividade irrestritas que venham a ferro e fogo. A nova guerra do Iraque se instala como o processo constituinte de uma nova ordem mundial, unipolar e unilateral, a demonstração de força do império. É um assalto ao mundo. Um mundo pequeno demais para o grande capital e sua máquina de guerra. Estamos diante de uma nova divisão imperialista no Oriente Médio. Um acordo em beneficio da única potência. Sua pressão aos aliados: mais petróleo aos que derramarem mais sangue. E o ciclo continua fomentando a economia das indústrias armamentistas camufladas com a desculpa de por fim ao terrorismo e às possíveis armas mortíferas em mãos do Iraque. Até o momento os inspetores da ONU nada descobriram. As provas plantadas pela CIA falam por si mesmas e confessam tudo em lugar dos suspeitos. Em uma ogiva, em uma foto de satélite e em uma cabeça cabe tudo, inclusive nada. Nesse quadro de indefinições, temos a certeza da inoperância da ONU frente às questões geopolíticas envolvendo os EUA. Após os atentados de 11 de setembro, já sob o comando de George W. Bush, cujo governo não esconde suas profundas vinculações com os interesses econômicos locais e suas ideias conservadoras, os EUA assumiram crescentes feições agressivas militaristas.

A doutrina Bush da dominação de amplo espectro: assegurar a capacidade das forcas dos EUA de suprimir qualquer inimigo em qualquer parte do mundo, de forma unilateral ou assistida, com controle de toda a cadeia de operações militares. Tolerância zero frente a qualquer resistência ou concorrência. Uma guerra sem regras, consagrada do direito de revide antecipado, isto é, da eliminação previa de qualquer grupo, pessoa ou país considerado ameaçador. Mas essa guerra não é apenas de Bush, mas de toda a cúpula do capitalismo, que depois ie degradarem a humanidade e decomporem o mundo, respon-sabilizam um monstro estranho, diferente, exterior. O combate a esse monstro e tão monstruoso que o resultado dá no mesmo: vitória do terror e do totalitarismo. Nesse quadro, paira a certeza de que dominar o Iraque, :olocando à frente de seu governo personagens mais afinados com os interesses ocidentais, significa controlar importante área produtora de petróleo e reduzir a dependência a esse "ouro negro" e ampliar mercados para produtos ocidentais. A raiz do atual conflito cresce a cada pacto e consensos estruturados conduzidos por uma dinâmica financeiro-industrial-militar. Assassinada a alma do iraquiano, resta recolher o cadáver. Bem vindo a Bagdá, capital do inferno.

Iran Rios Geógrafo

Editorial

Por Vírus
Abril de 2003

Caros leitores, a liberdade de expressão nunca foi bem vista por aqueles que já estiveram no poder desde muitos séculos atrás. Apesar desse mascarado sistema democrático e dos avanços em teimo de civi-lização e cidadania: percebemos nitidamente em nosso cotidiano que tal liberdade continua ainda sendo perseguida e oprimida por esses que nos discursos se dizem democráticos, abertos à crítica e ao questionamento, mas, o que vemos é a pura concretização, mais uma vez, da teoria da aparência, da ignóbil demagogia. São demagogos disfarçados nas mais variadas profissões: professores, advogados, políticos, atletas, enfim, em todos os lugares é muito difícil encontrar o contrário. Nosso prazer nesse momento, diante de uma sociedade tão mascarada, é ver algumas dessas máscaras caindo como vem caindo a força e a infl uência desses... O Vírus se faz de erros, afinal somos amadores, realmente, assumiremos quando for necessário e até nos retrataremos. Agora, ridículo é não querer enxergar a um palmo à frente do nariz e constatar que essa casa (a Câmara) já ruiu há muito tempo.

A BOCA FALA DO QUE ESTÁ CHEIO O CORAÇÃO

Por Marcelino Pinto
Abril de 2003

Para todos que acreditam na liberdade

Desde o dia em que afirmamos nossa decisão de criar um jornal, sabíamos que nossa missão traria consequências sociais muito mais profundas do que simplesmente suprir as "necessidades de comunicação" deste ou daquele leitor. Mais do que isso valeria como um testemunho dos dias atuais e uma vontade latente de resgatar um pouco da história de Miguel Calmon. Contar um ano de Vírus não é fácil. Os canais da mídia são arredios à complexidade. Este é o reino do curto e grosso. Tantas vezes tratado de subversivo e paníletário/partidário. tantas vezes exposto ao linchamento moral... Só sei que batemos e apanhamos. Por tantas vezes incompreendidos, subestimados, eu e meus colegas de Vírus fomos tratados como pecadores, heróis, loucos, rebeldes... Como todo evento que mexe com a 'Paz reinante", tentaram dinamitar nossas convicções e ergueram um muro a partir de nossos textos, nossa postura. O muro polariza, moraliza e , emburrece.Criaram-se dois seguimentos: AMAR e ODIAR o Vírus! Acredito plenamente que a posi-ção do leitor em relação a esse muro (em cima ou do lado direito ou de "es-querda' O é uma escolha pessoal. De uma dessas posições é que òs leitores se livrarão das culpas impostas, das obrigações corporativistas e da cegueira ideológica. Alguns ainda poderão nos tachar de utópicos e sonhadores. Tudo bem... Somos radicalmente contra a política de terra arrasada que diz que não dá para mudar nada no mundo, ainda não dá para imaginar o mundo como em MadMax. Somos contra o medo de dizer o que se pensa. Somos contra a moralização. A favor da compreensão. ' 'A imprensa é o termômetro da democracia". Não é dada a todos a coragem de encarar a briga de foice.

Quem coleciona nosso VÍRUS sabe muito bem disso tudo. Tantos personagens e personalidades já abriram seus corações em nosso jornal... Jamais omitimos ou negamos a participação de alguém ou do que fora dito... Já demos a cara para bater, já nos retratamos e abrimos as portas do VÍRUS para a Liberdade de Expressão (direito de resposta) incontáveis vezes. Jamais desejamos que alguém se fosse e se sentisse linchado, acuado ou perseguido. Queremos, e aparentemente conseguimos, fazer a comunidade refletir sobre o fato de que nada nos torna acima da lei, da política, da ética... Aqui no VÍRUS, temos a impressão de estar cumprindo um papel importante. Não só por estar provocando permanentes discussões e reflexões, mas por propor ações e ver centenas de pessoas de todas as idades interagindo, comentando, comentando, malhando, elogiando, pensando "depois daquele texto". O desafio é árduo, podemos não ser do tamanho da "importância" de nossa cidade como nos acusam, podemos esbarrar na inexperiência e falta de manejo r# arte do jornalismo, mas nosso negócio é igual ao de uma empresa aérea - voar com estilo; onde quer que você vá, vá de Vfrus. E se alguém disser "Vai cair...", cantaremos: LEVANTA SACODE A POEIRA EDÁ A VOLTA POR CIMA RECONHECEAQUEDAENÃO DESANIMA, LEVANTA, SACODE A POEIRA E DÁ A VOLTA POR CIMA- Parabéns ao nosso VÍRUS, parabéns aos nossos leitores, parabéns a Miguel Calmon. Um ano apenas...

Marcelino Pinto.

O capitalismo diante de um povo cego

Por João Oliveira
Abril de 2003

Há tempos que ouço de diferentes comerciantes, de diversos ramos, o questionamento sobre a entrada de barraqueiros de outras cidades em nosso Município. Motivo: Eles sempre vendem mais barato! Sei que após lerem este texto alguns o acharão magnífico, outros me chamarão de louco, mas a verdade é sempre trans-parente: Na maioria das vezes a diferença entre a roupa comprada na feira e a comprada em algumas lojas está no preço, pois a qualidade e a origem são as mesmas. O resultado dos preços das mercadorias oferecidas pelas lojas é o inflacionamento do mercado que ocorre no momento em que os lojistas compram seus produtos nas feiras circunvizinhas, pagando o mesmo preço que os barraqueiros, e colocam nas lojas com um reajuste de até 500% (quinhentos porcento). Enquanto nos bastidores o comentário é dificultar a entrada de barraqueiros de outros municípios, os quais facilitam a vida da classe média e baixa, e ajudam a classe alta a economizar mais ainda comprando roupas por um preço bem menor, ninguém se lembra de outras empresas que têm concentração de rendas bastante elevadas e dificultam a circulação da moeda no município como o Banco do Brasil, por exemplo, que faz empréstimos cobrando juros e taxas altíssimas e, de certa forma, radicalizando o recebimento,como no caso dos aposentados que já recebem o benefício descontado. Ainda falando nisso, não podemos nos esquecer das bancas de jogo do bicho que fazem até atendimento domiciliar. Tem gente até pensando que é meio de vida, ao invés de entretenimento. Temos, ainda, as famosas máquinas cata níqueis que são distribuídas em todas as partes da cidade. Para onde vai este dinheiro. De uma coisa tenho certeza: não fica no comércio calmonense! Diante do que foi citado acho que não resta dúvidas sobre o que quero dizer. Para aqueles que entenderam a mensagem cabe refletir, aos que não entenderam o capitalismo selvagem lhes explicará. Para cada ser humano existe um preço pela sobrevivência e em alguns casos a liberdade de expressão custa caro.

João Oliveira

EXPEDIENTE

  • Adiel Olviera
  • Leandro Michel
  • Marcelino Pinto
  • Renivaldo Santos
  • Waldson Júnior
  • Charges: José Marcos Lopez

    A SÃO LUIZ É HORRÍVEL!

    Por Waldson Júnior
    Abril de 2003

    Caros leitores, gostaria de traçar aqui um quadro positivo do transporte que serve nossa cidade, vejo-me às voltas com meu parco vocabulário em busca de palavras que amenizem meu sentimento de revolta. No mundo capitalista pressupõe-se que quanto mais se paga por um produto melhor deve ser a qualidade deste produto. No entanto, não é isto o que vem acontecendo aqui em Miguel Calmon. A São Luiz, detentora do monopólio das linhas intermunicipais em nossa cidade cobra o maior preço possível pelo Km rodado, mas, contraditoriamente, oferece os piores serviços possíveis. Ônibus velhos que que-bram com uma frequência assustadora, o executivo M. Calmon - SSA parece uma carroça carregando abóboras, as pessoas chacoalham a estrada inteira, além de terem cadeiras extremamente desconfortáveis. As outras linhas não merecem comentários detalhados porque os ônibus são podres, imundos e representam um desrespeito aos cidadãos calmonenses. Onde estão as autoridades de Miguel Calmon? Vereadores onde estão vocês que deveriam zelar pelo bem estar público? Exijam o cumprimento da licitação e a obrigatoriedade da exposição deste contrato em local público para que todos possam cobrar; façam alguma coisa. São Luiz, o Vírus exige respeito ao povo calmonense.

    Waldson Júnior

    Entrevista

    Por Vírus
    Abril de 2003

    Uma conversa franca e reveladora com Antônio Manoel

    O descontraído, Antônio Manoel recebeu a equipe do jornal Vírus em sua residência, onde nos concedeu esta interessante entrevista, confira:

    Vírus - Bom, a gente começa sempre por uma pequena biografia.

    Meu nome é Antônio ' Manoel Miranda Rios, nasci em 28/10/62 sob a regência de Escorpião, sou Engenheiro Agrô-nomo formado na UNEB, na Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco em Juazeiro.

    Vírus - O que significou o Movimento Estudantil para você e para aquele contexto histórico?

    O Movimento Estudantil foi a experiência mais fantástica da minha vida! Desde aquela época em que as informações custavam a chegar em Miguel Calmon, a minha rebeldia, a minha forma de ser já me chamavam a atenção para algumas coisas. Eu comecei no Polivalente. Disputei a presidência do Grêmio Estudantil e mesmo com os meus 14 anos, não concordava como era conduzido o Grémio Estudantil da Escola que seguia muito os preceitos militares e tudo vinha muito de cima pra baixo... Não era o estudante que opinava, era a professora de SOE, a diretora que diziam como o Grémio deveria funcionar. Na verdade, aquilo ali era só um marcha de manobra dos militares pra que, inclusive, não crescesse o Movimento Estudantil e, além dis-so, o Grêmio servisse de bo¬neco na mão dos diretores e de SOE (Serviço de Orientação Escolar). Eu fiz a minha campanha naquela época toda contrária a estes eventos e questionando a conduta do Grêmio e a postura da Escola diante disso tudo.Terminei perdendo a eleição por conta do voto do pessoal do noturno que não me conhecia (eu menino, eles adultos) e também por causa de alguns professores e diretores que interferiram diretamente na eleição para que um contestador não atrapalhasse a paz reinante da instituição. E eu sempre irreverente e questionador do momento em que passava o país e o nosso colégio! Nunca esqueço um episodio: uma professora de Estudos Sociais estava falando sobre Regime Militar, Política e eu e alguns colegas começamos a questionar sobre o Comunismo - imagina o peso dos questionamentos naquela época - a professora ficou apavorada e fomos chamados à secretaria e fomos "aconselhados" a não tocar mais no assunto... Em Salvador me tornei logo membro ativo das Manifestações Estudantis (do Campo Grande à Piedade), do "Caminhando e Cantando", do 1º de Maio, dos discursos históricos de Chico Pinto, correndo de polícia é quando entro na Faculdade se dá o apogeu da minha história no Movimento Estudantil, chegando a me tornar presidente do Diretório Estudantil. Assumi a presidência por 3 anos. Essa foi minha grande escola, meu crescimento pessoal se deu através dessas discussões, congressos, simpósios, participando ativamente do Movimento de Redemocratização do país, das Diretas Já... Tentando sempre buscar melhores condições de vida para o nosso povo.

    Vírus - Aponte algumas diferenças entre os estudantes daquela época e os de hoje.

    São realidades diferentes. O Movimento Estudantil da minha época era muito forte. Tinha uma causa, a Redemocratização do país e éramos atuantes dentro e fora da faculdade e na universidade pública podíamos conviver com todas as diferenças, tínhamos uma geração de estudantes que não eram alienados e nosso sentimento nacionalista era bem maior vide a situação política empregada no país pelos militares daquela época. Acredito que a diferença básica entre os estudantes de hoje e os da minha geração é a seguinte: o ensino ficou mais elitizado, o estudante hoje é um estudante descomprometido com as questões sociais, políticas que envolvem o país, é o estudante muito mais voltado pra telinha da Globo, mesmo porque isso faz parte de um esquemão. Essas redes de televisão fazem com que hoje se tenha uma certa alienação na cabeça dos estudantes e que eles achem que o grande objetivo de vida deles é o de ser rico, desfrutar da fama, sucesso e da satisfação material e pessoal. Na minha época, esse tipo de estudante era chamado de Porra Louca. Mas o que me preocupa mesmo é que esses estudantes não querem acompanhar de perto as transformações que estão acontecendo em nosso país, estão mais voltados para as questões pessoais, são muito acomodados.

    Vírus - Existe em Miguel Calmon um pequeno empresariado que é visto como apático, que não tem coragem de fazer investimentos maiores e pensam muito no retorno imediatista. O que pensam e o que querem os empresários calmonenses?

    Eu não enxergo muito assim, mesmo falando por mim, sinto-me à vontade porque sou uma pessoa de vanguarda, irrequieto naquilo que estou fazendo e como pequeno empresário que sou, sinto-me à vontade na questão da geração de empregos. Eu sou uma pessoa que gero entre Miguel Calmon e Tapiramutá, 23 empregos e indiretamente, muito mais do que isso. Pra vocês terem uma ideia, a OK Tintas tem apenas 12 anos e comecei com Airton, acreditando no investimento e a abrimos como material automotivo. A partir daí fomos crescendo e tudo que tenho é investido em Miguel Calmon e investido na geração de emprego e renda. Quem começou há 12 anos com duas pessoas e que hoje diretamente emprega 23 pessoas e indiretamente muitas pessoas, porque busquei trazer coisas que Miguel Calmon tinha necessidade e que precisava ir para outras cidades, trouxe pessoas que tinham potencial pra fazer dentro da minha área e propiciar o giro do capital aqui mesmo na nossa cidade, como a construção de bicas, pias e manilhas, carregadores de caminhão. Fico à vontade para falar disso.Com relação ao empresariado calmonense ter caráter imediatista, eu não enxergo desta forma, pois sabemos da crise política e económica que assola o mundo e nosso país e em Miguel Calmon não poderia ser diferente. Miguel Calmon precisa, e tenho dito isso desde quando pra aqui voltei, a 15 anos, de uma alternativa económica efetiva que gere emprego e renda pra que não fiquemos somente na dependência de aposentados que já ganham tão pouco e ajudam tanto na manutenção do comércio local. Se você me perguntar qual é a alternativa econômica para a nossa cidade eu não sei te dizer porque não tenho vara de « condão. O que eu diria a vocês é que se fosse prefeito de Miguel Calmon (que já foi um sonho, mas que já não é um objetivo de vida, um sonho maior) faria uma radiografia socio-econômica do nosso município pra saber das potencialidades económicas e sociais e das carências também socio-económicas e sociais do nosso município. Faria isso de forma muito profissional, com empresas especializadas, do ramo, sem vicio nenhum ligado às estruturas do município, pra que inclusive não deixemos a carga de ser o poder municipal, o maior empregador que precisa dar um jeitinho pra todo mundo.

    A cidade precisa de novos investimentos tanto em nível político como em nível privado. Agora, investimentos que efetivamente tenham raízes, que não tenham os pés de barro e o corpo de bronze. Isso é importante para que os munícipes tenham independência e não fiquem para sempre atrelados ao governo municipal.

    Vírus - Como empresário e cidadão como você avaliaria os 10 anos de Neoliberalismo de Collor e FHC?

    O neoliberalismo é uma invenção perversa de pessoas que trocaram o nome exploração por "neoliberalismo", concentração de renda que só piora a condição social do povo.O que vimos no governo desses dois cidadãos foi uma farsa, o enriquecimento concentrado na mão de poucos maquiava um governo que só aumentou o índice de pobreza do nosso país. Eu mensuro um governo pelos seus índices sociais como saúde, educação, salários dentre outros, então se o que vimos foi só uma queda de nível de vida das pessoas, então... As condições sócio-econômicas do povo brasileiro só pioraram: a educação piorou, a saúde piorou... Houve um aumento da quantidade de professores e alunos, mas e a qualidade? Na saúde o que tivemos foi a volta da Dengue, da Febre Amarela. Tuberculose... Tudo para criar estatística, pra vir mais dinheiro do Bird. Sabemos que, no intimo, é alienar, emburrecer e encher de paliativos a população, pois um povo bem instruído sabe escolher o seu governo. Neoliberalismo é isso, concentração de riqueza nas mãos de poucos, subserviência ao capital estrangeiro. (FMI), privatizações e má distnbuição de renda, pobreza, violência, o que é bom para americano não é bom pra gente.

    Vírus - Como você analisa a conjuntura mundial antiamericanista?

    É preocupante. Primeiro uma superpotência prepotente e imperialista que faz e acontece com seus desmandos (o pano de fundo dessas ações é o dinheiro, o neoliberalismo) e não tem ninguém e nada para contrapor a isso. Duvido muito que se a União Soviética ainda tivesse seu poder os EUA estivessem agindo assim. O contra ponto é salutar. Não respeitaram a ONU, a opinião pública mundial, não respeitaram a vida humana! Estão trocando petróleo por sangue. Eles não querem proteger o povo do Iraque, não, porque se o compromisso fosse o de libertação de povos, por que não libertam a Palestina? O que sabemos é que as reservas de petróleo americano estão se acabando e que eles precisam da-quilo ali por uma questão estratégica. Ainda há a questão da indústria bélica, onde o Bush-pai é um dos maiores acionistas da indústria bélica americana e por trás disso tudo há uma grande indústria de materiais de construção americana financiando a guerra pra depois "reconstruir" o Iraque. Enquanto os povos do Terceiro Mundo e do Iraque sofrem com tudo isso, o americano está mais rico com a guerra e se voce me perguntar se Saddam tem que ficar no poder, acho que não, pois o povo iraquiano não pode viver daquela forma, mas os meios utilizados para tal ação são repugnantes! Essa guerra abre precedente para todas as guerras! Os EUA decretaram o fim da ONU. O grande problema do século 21 será a água, temos hoje água potável no índice de 12 a 18% das reservas do mundo, e já se classificam a Amazônia nos EUA como território internacional, não é mais do território brasileiro e sem mencionar a base militar de Alcântara, onde o transito de soldados americanos nem questionado é. E existem soldados brasileiros treinando oficiais americanos com táticas de sobrevivência dentro da floresta amazônica. Tudo isso é de deixar qualquer um desconfiado. Eu sou contra essa prepotência americana e qualquer outro tipo de arrogância.

    Vírus - Como é dar entrevista ao Vírus sendo bombardeado por tanta muriçoca?

    Ta na hora de mandar Saddam enviar um míssel com arma química aqui para Miguel Calmon pra ver se dá um jeito nessa praga das muriçocas. Sem dúvida nenhuma a cidade está com mais rede de esgoto, mas essa água ta sendo canalizada para lugares impróprios daí criou-se os focos de pernilongos. Em países de Primeiro Mundo se faz o inverso. Cria-se a estação de tratamento para depois fazer a rede de esgoto da cidade. Daí a morte de tantos rios, a poluição, as muriçocas...

    Vírus - O Antonio Manoel combativo dos anos de faculdade, atuante politicamente está adormecido? Desiludido?

    Eu não diria desiludido porque sou uma pessoa feita de sonhos. Sou extremamente irreverente. Os meus sonhos são palpáveis, reais...Tive uma vida política em Miguel Calmon muito atuante, oposição sempre, sempre de encontro à minha família. Incompreendido por muitos, chamado de aparecido, vermelhinho, comunista, às vezes discriminado, mas isso nunca me tirou a esperança, os sonhos e efetivamente meus ideais. Só que a vida da gente muda. Vamos amadurecendo, enxergando novos horizontes e sentimos que a participação da gente é mutável. Eu dei minha participação com combatividade, projetos e mudanças que a cidade precisava. Fizemos a composição com Caca e os meus sonhos adormeceram, pois cheguei à conclusão que a pior coisa que existe no ser humano é ter vergonha de si mesmo. Ideias são mutáveis, princípios não. Eu senti que para fazer política em Miguel Calmon da forma como eu pensava, penso e acredito era preciso que eu mudasse alguns princípios, então eu preferi mudar minhas referências e passei a dedicar mais tempo à minha vida empresarial "sem perder a ternura jamais", sem perder a minha independência de opinar jamais, sem perder a minha postura crítica jamais!! Minha participação é mais voltada agora para a comunidade como a Cavalgada, Associação, futebol...

    Vírus - O que aconteceu com o futebol calmonense?

    Uma falta de projeto. Eu vejo o futebol calmonense como a cultura também: um celeiro de grandes revelações, mas se você pega uma pessoa que tem grande potencial e a joga no deserto, ela vai pra onde? A geração de Nonon para trás foi vitoriosa e participava das competições com brio e talento, tínhamos potencial técnico. O problema gira em tomo da falta de compromisso dos dirigentes e dos atletas, o futebol se profissionalizou mais e não há espaço para amadorismo nas competições, falta um projeto mais amplo para resgatar o bom futebol calmonense, pois potencial nós temos e muito!

    Vírus - Você foi o fundador do Calça-curta, não gostaria de voltar à ativa conosco?

    Eu tenho todos esses sonhos de vocês, acredito no projeto de vocês. A linha de pensamento do jornal é independente, crítica e reflexiva. Vocês fazem uma linha de pensamento que nós sonhamos fazer no Calça Curta e não tivemos coragem, o nosso jornal era mais light. O jornalismo passa por isso no país, as pessoas têm que se acostumar com as diferenças, saber respeitar os diferentes pontos de vista. Quem quiser contestar, sugerir, criticar, o jomal está aberto, ninguém é infalível, né mesmo? E aguardem que em breve estarei escrevendo para e com vocês! Vocês fazem parte da Revolução das Comunicações.

    Vírus - Março é o mês da mulher. Defina a mulher. A mulher é sinónimo de competência e revolução.

    Vírus - Bate-bola, rápido e rasteiro, as rapidinhas do Vírus, cara a cara, frente a frente...

    Trabalho - Bem estar do homem Política - Seriedade, compromisso, transformações, transparência.

    Poder - Humildade. Sucesso - Sonhos.

    Saudade - Quem não tem já morreu.

    Utopia - Pra mim é muito relativa, às vezes o concreto é utópico e o abstrato não é.

    Papai Da Gaita A turma do Vírus lhe parabeniza por essa sua mais nova experiência

    O destino da humanidade (2ª parte)

    Por Gianluca Guidetti
    Abril de 2003

    Querendo continuar a reflexão, a segunda grande questão desafiadora que, sempre mais, está marcando nosso presente e . condicionando nosso futuro, refere-se à luta pela monopolização das biodiversidades e dos recursos naturais limitados. O tema é sério, daqueles argu-rnentos que deveriam ser debatidos amplamente nas escolas brasileiras para depois acharem um respaldo nas manifestações, campanhas e atividades sociais contra esta exploração. Não é difícil imaginar o cenário que está sendo arrumado pelos EUA. Neste período eles necessitam do petróleo do Iraque (e vão a guerra!!!) para manter os níveis de produção inalterados e continuar na dominação dos mercados dos bens e dos capitais. Uma vez de ele ter alcançado este objetivo político-econômico de curto prazo o próximo a ser trabalhado deveria ser, com boa probabilidade, o monopólio das biodiversidades que estão na Amazônia. Terra riquíssima deste maravilhoso tesouro da natureza, a floresta e o território amazônico representam um capital inestimável não reproduzível e, portanto, desejado pelas grandes empresas multinacionais deste setor. Não importa o desastre ecológico, ambiental e até humano que poderia causar uma ação violenta de exploração, rapina elatrocínio... só interessa o dinheiro gerado pela industrialização destes produtos naturais. Também no que diz aos recursos naturais limitados ou não renováveis que estão sendo ameaçados a água representa um símbolo não indiferente que já está criando problema. A nível nacional (questão da privatização da Embasa), a nível mundial (monopolização das fontes e nascentes pelas grandes corporações). Outros recursos estão sendo ameaçados. Pensando na madeira da floresta amazônica, ou na caça aos animais raros fazendo roupa chique para senhoras extravagantes e milionárias. Tudo isso porque o poderoso Consenso de Washington* permite tais tipos de acordos e de explorações a nível mundial.

    Ainda bem que o Brasil está tentando trilhar cantinhos diferentes e achar soluções alternativas no que diz respeito ao Meio Ambiente. Por exemplo: a) a Petrobrás está com um projeto interessante de cultivo de mamona, no Rio Grande do Norte, para produzir Biodiesel, isto é, diesel vegetal. A mamona, de fato não apenas permite a produção de combustível ecológico através do seu óleo, mas a polpa dela serve como alimento para animais e a casca encontra boa viabilidade como fertilizante para a agricultura. b) um investimento sempre maior nas formas de energias alternativas como o hidrogênio. O Brasil está estudando novas possibilidades para retirar o hidrogênio do álcool. O hidrogénio pennmiia um menor barulho principalmente nas grandes cidades, menor fumaça e poderá ser produzido em qualquer lugar a diferencia do petróleo e a experimentação de ideias para produzir combustível mais barato e viável, economicamente falando. É a interessante ideia de produzir álcool para carros através da cana de açúcar que está sendo avaliada até a nível de governo, (continua...) * O Consenso de Washington é um conjunto de princípios orien-tadospara o mercado, traçados pelo governo dos EUA e pelas instituições financeiras internacionais, que ele controla, e por eles mesmos implementados de formas diversas. Usa rígidos programas de ajuste estrutural: liberalização do mercado e do sistema financeiro, fixação dos preços pelo mercado, fim da inflação e privatização. Os governos devem ficar fora do caminho. Os grandes arquitetos do Consenso são os senhores da economia privada, em geral empresa gigantescas que controlam a maior parte da economia internacional e têm meios de ditar a formulação de políticas e a estruturação do pensamento e da opinião.

    Ir. Gianluca Guidetti

    Piada não!

    Por Élder Nascimento Soares
    Abril de 2003

    Hoje em dia, nesse país, não se respeita mais nada, nem mesmo idosos, ou será que é só aqui em Miguel Calmon? Respeito é bome,os idosos exigem! Atenção Banco do Brasil! Em 10.03.2003, minha avó de 74 anos foi à agência do Banco do Brasil para receber sua pensão e foi orientada a não ficar na fila por causa da sua idade.

    Ao falar isso ao funcionário do banco, ele sorriu dela demonstrando total falta de consideração e desrespeito ao seu direito. Isso é uma falta de respeito e eu pergunto: Será Que ele tem idosos em sua família? Pergunto a esse funcionário o que ele faria se isso fosse feito com a sua mãe? Se hoje em dia não se respeita nem idosos, então, penso, esse país é uma merda!!

    Atenção, câmeras, gravando...

    Por Waldson Júnior
    Abril de 2003

    Senhores e senhoras, o show vai começar, sentem-se em suas cadeiras, pipocas e coca-còla à mão, a Warner Bros trás a você mais um episódio da série NÓS VAMOS DEFENDER O MUNDO. Finalmente! Ufa! Pensei que ficaríamos na contramão da história e não teríamos a chance de presenciar uma boa guerra, esta, para acabar com as armas químicas e com a violência do 'terrorismo. Fora Bush! Fora Bush! Gritam os alunos na favela carioca dominada pelos traficantes que hoje resolveram cancelar as aulas; do outro lado do mundo japoneses e australianos fazem coro NO WAR! NO WAR! Esta guerra vai ser boa (Já dizia Renato Russo). Poderemos assistir de camarote às inovações tecnológicas. Tem a bomba mãe, o curioso é que aqui, a filha é que é a mãe. Mísseis teleguiados podem entrar até pela janela, por falar nisso, enquanto assiste ao espetáculo, feche as janelas e portas, já sabem porquê, né!? Esta guerra, muito mais que uma simples luta pelo petróleo, representa a tentativa de resgate do orgulho americano. Nos últimos trinta anos eles exerceram um papel irrelevante (em relação ao seu poder) no cenário inter-nacional. Por mais que se esforçassem pelo contrário foi isto que aconteceu. A sangria económica? Ah, sim! Isto eles fizeram, mas isto, qualquer potência faz. O êxito na corrida espacial (este elefante branco gigante) resgataria os americanos do ostracismo, no entanto o ruidoso fracasso da NASA transformou a megaficção em trágica comédia.

    Americanos foram ao chão em queda vertiginosa. No evento World Trade Center, vestiram-lhes o preto do luto, seu ônibus espacial riscou o azul do céu com amarelo ouro, agora resolveram tinturar as areias do deserto com vermelho sangue. No jogo das quatro cores, redesenham o novo mapa do mundo capitalista, onde já não bastam os lucros da especulação financeira e a humilhação dos embargos de toda espécie. E preciso demonstrar que o poder está acima da paz e os interesses acima da vida. Tchau Mercosul, adeus CEE, depois da guerra a gente implanta a ALCA. Psiu, ei, pacifistas, voltem pra casa, já fizeram a sua parte. O mundo nos ensina que a paz é um subproduto da violência. 02:15AM, que sono, no ritmo alucinante dos combates acabei adormecendo sob os bombardeios de comentários entediantes. Acessei sem querer o subconsciente, lá, uma cena inusitada: sobre o tabuleiro de xadrez as peças se moviam lentamente entre lances de Satã e do anjo Gabriel, nessa cena o que mais me chocou foi o fato de que os expectadores, inconformados, não entendiam o jogo e não sabiam o porquê daquela partida. Depois especialistas disseram que a partida atendia a propósitos superiores que não podiam ser revelados para não atrapalhar o andamento da partida. Nesse momento, todos se conformaram e continuaram assistindo, desta vez, com caras de B... à partida. E que a... esteja convosco.

    Waldson Júnior

    Música é cultura

    Por Hugo Accioly
    Abril de 2003

    A nossa riqueza cultural, também apresentada na música, é algo indescritível. Faz-se música para todos os gostos, pena que não se consiga agradar a gregos e troianos, mas é importante que todos possam viver em harmonia e que essa diversidade não faça com que pessoas se achem mais importantes que outras por aquilo que ouvem ou deixam de ouvir. A música faz parte da cultura de uma sociedade rica como a brasileira, a riqueza cultural brasileira é algo a ser admirado.

    É uma pena que alguém confunda ACEITAR com DISCRIMINAR cultura. A música faz parte de uma das mais presentes formas de manifestação cultural em nosso país. O Brasil vive em harmonia com todos os tipos de cultura nele existente, seu povo aprendeu a conviver e a tirar proveito de todas elas. O que não se pode aceitar é que, em pleno século XXI, alguém discrimine qualquer tipo de manifestação cultural de um povo. Atenção! Você pode estar cometendo um crime!!

    "Nádegas a declarar"

    Por Leandro Michel
    Abril de 2003

    "Nádegas a declarar? É claro que não, eu tenho opinião nesse papo de..." Nunca fui tão abordado por todos os lugares que passo e ambientes que convivo depois do texto 'Todo mundo com cara de bunda". Pessoas nas suas mais diferentes realidades e visões de mundo me parabenizando e endossando minhas palavras com frases tipo: "Até que enfim alguém teve a coragem de dizer alguma coisa" ou "assino embaixo do que você escreveu". Sei que a maioria absoluta tem vontade de expressar em alto e bom som o que eu disse, mas, infelizmente, não podem por conta desse sistema opressor que faz da prefeitura exclusivamente o único meio de se garantir o emprego e a sobrevivência. Confesso que como jornalista escrevo para instigar a sociedade ao questionamento, à observação e a indignar-se com esse estado de coisas que nos oprimem e revoltam. Se minhas declarações incomodam e causam esse descompasso na sociedade calmonense, que durante décadas, infelizmente, esteve acostumada com a acomodação, com o unilateralismo ideológico, com as rédeas do coronelismo e com a liberdade de expressão muda, já é passada a hora de assumirem uma postura mais coerente com o novo tempo e com a nova realidade de vida e pensamento em nossa cidade. Sinto orgulho do que faço, porque faço com prazer e sei da importância desse trabalho para Miguel Calmon. Se podemos hoje estabelecer um paralelo político entre o antes e o depois de Caca, ouso também estabelecer um paralelo sociocultural entre o antes e o depois do Vírus. Leitores, gostaria de deixar claro duas situações vividas nesses últimos dias, depois do meu último texto. Quando questionei o nome dado ao estabelecimento da Praça Redonda, o fiz pelos seguintes motivos: 1°- É um ambiente PUBLICO, não particular como alguns pensam. A licitação é apenas TEMPORÁRIA, para se prestar um serviço à comunidade. 2º - Copiar o nome de um programa de televisão, exibido pela Rede Globo, onde os frequentadores exibem o título de mauricinhos e patricinhas, personagens que por sinal não existem em nossa cidade. 3º - O nome é a reprodução de uma língua estrangeira que não conheço e que 99,99% dos frequentadores não interpretam. 4º- Por ser professor de História e ter uma certa preocupação com nossa memória histórica, perdemos mais uma grande oportunidade de registrar um nome que tivesse relação com nossa cultura, nossos costumes, nossas raízes. Sejamos mais autênticos.

    A outra situação, muito mais interessante já que se trata de críticas feitas aos representantes de um poder instituído legalmente, ocorreu quando fui à Câmara pela terceira vez em minha vida Imaginava encontrar ali lideranças políticas que tivessem o mínimo de sensatez ou espírito crítico, mas o que vi foi além de minhas expectativas. A pobreza intelectual e as argumentações foram tão patéticas que beiravam o ridículo. Foi a mais pura caracterização do sentimento coronelístico comum entre eles. O único que demonstrou o mínimo de sensatez foi o Vereador Vilobaldo. Também se não o fizesse seria como negar seu passado. Talvez as únicas lembranças boas que tenho e que me faz acreditar e votar pela segunda vez, caso contrário seria pisar na merda mais uma vez. As declarações? Tirem vocês mesmos as conclusões, só não direi os nomes dos santos: 'Caros colegas, dediquei toda a minha vida no exercício e cumprimento dos deveres dessa casa Não é mais possível permitir tais julgamentos mentirosos sobre essa casa. Minha preocupação é cairmos no descrédito, deixarmos manchar essa casa e futuramente nenhum jovem querer mais fazer parte dela" "Essa pessoa que anda escrevendo essas coisas só pode estar fora de si ou ter algum problema mental." "Essas pessoas que andam nos criticando é porque querem ser alguma coisa e não tem dinheiro pra ser, por isso que criticam". Agora, o mais impressionante, não pelo discurso afiado, bem pronunciado, compassado e vibrante, mas pela pobreza na argumentação que foi o ultimo pronunciamento. Vejam se há fundamento: "Venho nessa noite também falar de um jornaleco, de um jornalistazinho rasteiro, de linguagem vulgar e torpe. Um Pasquinzinho... Um jornal que fica tentando colocar igreja contra igreja, disseminando contendas em nossa cidade. Não estou questionando senhor V. a liberdade de expressão, o direito de dar opinião, mas essa linguagem vulgar, irônica, torpe... Isso não vai ficar assim." Avaliem vocês mesmos, minha resposta se limita nos próprios discursos deles. O falso moralismo e a demagogia, são sinônimos de fraqueza dos que estacionaram no tempo. PS. Depois que o prefeito não sei porque cortou a cota dos R$ 500,00, destinada aos vereadores... Santa paciência, calmonenses, isso nada mais era do que uma afronta a todos nós cidadãos calmonenses. Até quando ficaremos omissos? Ninguém há nessa terra que proteste?

    Leandro Michel

    À Mulher

    Por Gilmar Guimarães
    Abril de 2003

    "Metade da humanidade é mulher" E a outra metade que não é, Não é senão outra coisa Senão filhos de mulher.

    Assim, a metade que ela não é, Se ela não fosse, não seria o que é... Pobre do homem! Não fosse a mulher... Nada seria, nem existiria sequer...

    Mulher: o dom supremo, a dádiva, A força, a sensibilidade, a beleza, O encanto, a mãe da vida...

    Tu que és de Deus a criatura mais bela, Mereces, de certo, de tua metade, Louvor mais extremo do que poesia tão singela.

    Gilmar Guimarães

    Ser pobre é...

    Por Vírus Tomé
    Abril de 2003

    1. Irem casamento com camisa do Flamengo, do Lula, de Rock ou de Gi

    2. Esquentar a ponta da caneta pra ver se ela volta a escrever.

    3. Colocar Bombril na antena da televisão.

    4. Comprar carro novo e não tirar o plástico dos bancos.

    5. Usar Durepox pra consertar os óculos.

    6. Sair de casa com bobs na cabeça.

    7. Guardar refrigerante com colher pendurada na boca, pra não perder o gás

    8. Convidar os amigos para o churrasco de seu aniversario e pedir pra cada u trazer uma coisa.

    9. Colocar arranjo de fruta de plástico na mesa da sala.

    10. Passar óleo queimado no cachorro pra acabar com a sarna.

    11. Subir no telhado pra mexer na antena e ficar gritando lá de cima: "Melhorou?

    12. Entrar na loja de $ 1,99 e querer achar um presente legal pro "Amigo Secreto".

    Ai, ai! Pobre só enche a barriga quando morre afogado.

    Vírus Tomé

    Cuidado com a picadura

    Por Marcelino Pinto
    Abril de 2003

    "Não é nada disso que você está pensando é da muriçoca que eu estou falando."

    O mosquito é personagem da história do Brasil. De tempos em tempos ele vem mostrando suas asinhas... No período do tráfico de negros da África para nossas paragens tupiniquins, a mosca tsé-tsé quase matou de sono os negros africanos nos porões dos navios e fora deles. A febre amarela aportou por aqui nos idos de 1600 e fez um estrago danado por mais de 300 anos. Esse foi o reinado do conde AEDES AEGYPTI, o mosquitinho safado que adora água parada. - E um pássaro? E um avião? - Não... É o mosquito da dengue! O mosquito voltou com sede, derrubou muita gente e até ministro sofreu. O que se gastou com a dengue não está no gibi (fora os superfaturamentos), campanhas, apelos, rezas e até presidenciável se vangloriando da redução da taxa de dengue nesse ou naquele estado... Quando a noite cai sobre nossa cidade e o silêncio acompanha sua assombrosa chegada, um "zzzzzzz" já começa a atormentar nossos juízos. Já não bastassem as preocupações diárias - a conta da padaria, o pentelho do professor, o chato do patrão, a unha encravada, o mau hálito do namorado que bebeu todas, a falta de dindin, o chiclete no cabelo, a e g u i n h a pocotó, o grampo no meu telefone, a frigidez, a impotência, o preço do viagra - tudo isso já tira o nosso sagrado sono e agora esse bilhão de muriçocas... Já conto um mês sem dormir. Estou parecendo um zumbi. Viro prum lado, viro pro outro, boto a mão no joelho, dou uma abaixadinha (só falta a garrafa), me contorço, faço yoga, borrifo a casa toda, queimo pano, bosta de vaca, cueca velha, rezo, suplico, ligo ventilador e nada!

    Parece um ataque aéreo ao King Kong! E tome-lhe picada! As muriçocas lá de casa são ninjas, tô pensando em dormir com uma roupa de apicultor que meu amigo Sampaio quer me vender. Noite dessas tinha uma terrível com um punhal na mão e outra com um facão. Lá pra meia noite parece um show de Roberto Carlos, todo mundo batendo palmas... Outra noite pensei que o meu filho fosse o Mandrake, ele tava flutuando na sala, quando me aproximei percebi que era um sequestro, elas estavam carregando o coitadinho pro quintal. Eu, quando durmo, pareço uma borboleta no casulo, uma múmia, só os olhinhos esbugalhados do lado de fora. Meu desespero foi tanto que aluguei "os três mosqueteiros" pra dar um jeito nessas pragas, mas Athos, Porthos e Aramis não viram nem a cor da espada e voltaram correndo para a França, foi um massacre total. Sinceramente, se continuar assim, vou pedir uma bomba atómica ao tio Bush e CABRRUM! Aí as baratas vão reinar absolutas. Willian Shakespeare se refere ao sono como "o crepúsculo da morte", será que nem dormir e morrer em paz podemos? Já que o carnaval acabou e não botaram o bloco na rua, a população pede desesperada a volta do fumaçê, a invasão do sagaz carro fumaça.

    Marcelino (empolado) Pinto

    Reflexões sobre a educação

    Por Renilton Silva
    Abril de 2003

    Fico preocupado com os discursos que permeiam a realidade da educação no Brasil, observando que gostamos muito de fazer o discurso do contra sem uma análise mais acurada. E meio chato ouvir o tempo todo um negativismo, onde tudo está rurm como se o mundo e a vida, as relações, fossem assim"e, como consequência a escola também se resumisse apenas nas coisas que não prestam. Se bem que há um outro discurso que faz parecer que está tudo bem demais .Não pretendo fazer a defesa do que costumamos chamar Sistema Educacional até porque ele assume múltiplas faces, em alguns momentos sequer existe e em outros nós mesmos somos esse Sistema. Construímos uma realidade e não podemos enxergar as coisas apenas na superficialidade. É preciso, inclusive estarmos abertos ao pensamento contrário. E fácil para o professor, por exemplo, criticar o "governo" mesmo quando o nosso compromisso político na escola se resume a dar aula e receber salário e nos esquecemos que a reprovação é um instrumento de exclusão tão terrível quanto o descaso do governo e, ao invés de enfrentarmos o "inimigo" correto reprovamos nossos alu-nos sob o pretexto de que não sabem nada nos esquecendo que a nós foi dada a tarefa de ensinar. Deveríamos então devolver o dinheiro que ganhamos quando não damos conta de fazer o que deve ser feito, ensinar. Porque é até simples, se os alunos não aprenderam é porque não ensinamos. Engraçado é que criticamos o interesse do "governo" pelos números, como se quando esse interesse não existia o ensino fosse melhor. E eu me pergunto quando foi que o ensino público brasileiro foi bom. Talvez quando o acesso só era permitido a alguns ou talvez na visão romântica de outros, quando os alunos memorizavam muito e sabiam ler "de cor e salteado", soletrando tudo, onde os conteúdos eram puramente factuais, o ensino decoreba e acima de tudo elitista. O que é importante pensar é que muita gente faz esse discurso sem perceber que é o mesmo do "governo", um discurso dominante, do ensino técnico e empresarial. Ou seja, clamamos por uma escola que prepare para o Vestibular sem pensarmos que o ideal da escola é que está distorcido. O "governo" por sua vez atribui ao professor toda a responsabilidade, sem remunerá-lo dignamente, sem equipar as escolas com recursos tecnológicos atualizados e sem promover condições reais para envolver as famílias no processo de ensino e aprendizagem. Cria-se, então muitas políticas públicas que tentam amenizar o sofrimento dos alunos, que repetem ano após ano a mesma série. Acho que algumas políticas públicas que têm como objetivo corrigir distorções no ensino são boas, podem até pecar na aplicação, no treinamento dos professores e no perfil dos alunos, portanto é uma questão que merece um amplo debate com pessoas que conheçam esses programas e não apenas entre as falas que reforçam aspectos negativos para deleite daqueles que são contra e estão com as atenções voltadas apenas para a dualidade do passar e perder, sem pensar muito mais no aprender.

    Defendo qualquer tentativa que procure ser inclusiva, porque acho que pior é muitos irem embora da escola pensando que "não dão para estudo porque sempre perdem o ano". Estas reflexões podem parecer meio bobas ou utópicas dentro de uma sociedade tão competitiva. Sei que alguns pensam assim, mas tudo é uma questão de valores e na vida tem muita coisa que dá mais prazer que passar no vestibular, ganhar dinheiro e "virar doutor". A escola dos sonhos, a escola ideal deve antes de tudo promover vida e não competição. Eu e tantos colegas também estudamos toda a minha vida na Escola Pública e me considero extremamente realizado em tudo quanto me propus fazer, mas sei que precisamos refletir sobre os muitos colegas que tivemos que foram "descartados" pela mesma escola que possibilitou a alguns tantas vitórias. E preciso que a escola garanta sucesso a todos ou pelos menos a maioria. E olhe que a culpa não foi nem é só do "governo". Existe praticamente um consenso de que a educação brasileira não vai bem e o próprio "governo" sabe disso através dos números, mas não se pode fechar os olhos para tantos investimentos, principalmente na garantia do acesso dos alunos à escola. Porém, ficamos intrigados com alguns discursos que buscam comparações com contextos bem diferentes tentando alcançar resultados semelhantes aos de outras regiões ou países que já superaram problemas, talvez elementares, mas que ainda levaremos pelo menos 10 anos ou mais para resolver, como o abandono. Sejamos realistas, precisamos ensinar mais, estudar mais, ler mais, pesquisar mais e isso serve para alunos e professores. Espero apenas contribuir para a reflexão sobre a educação em nosso município, porque acredito realmente que a escola de hoje em alguns aspectos é bem melhor que aquela que estudei nas décadas de 1970 e 80. Que ninguém se sinta ferido, mas a estrutura é melhor, os recursos são maiores, o acesso é maior, etc. A qualidade, porém é assunto para outro momento. E para não me esquecer reconheço que a discussão sobre educação pode ser feita por qualquer um com um míimo de envolvimento com ela, mas principalmente por educadores, aqueles que como Rubem Alves acreditam que "ensinar é um exercício de imortalidade". Vejo que cresceu muito a demanda por professores, mas sei que temos uma carência enorme de grandes educadores e, talvez seja exatamente aí que a escola do meu tempo seja bem melhor que a de hoje.

    Renilton Silva é educador, graduado em História pela UNEB, pós graduado em Teoria e Metodologia da História pela UEFS e em Avaliação pelo IAT/UNEB. Atua na rede estadual em Miguel Calmon e Jacobina e na rede municipal em Miguel Calmon - Bahia.

    Murissocalmon (Os pernilongos contra-atacam)

    Funcionária padrão

    Por Vírus
    Abril de 2003

    Não obstante os trágicos "incidentes" que vez ou outra acontecem no Hospital Padre Paulo Felber, alguns comentários favoráveis sobre o atendimento de funcionários (médicos e demais servidores) merecem ser elogiados por nossa comunidade. A preferência de boa parte dos pacientes em serem atendidos pelo Dr. Eduardo Cordeiro revela a marca de sua dedicação e empenho pela profissão. Os comentários em relação ao Dr. Wagner, nosso conterrâneo, também não ficam atrás. Sempre disposto a atender aos pacientes, dedicado ao estudo da medicina e muito educado no atendimento. Outro bom profissional, o Dr. Jorge, o que foi candidato a deputado, também sempre foi muito elogiado, porém... Dois dos três profissionais retrocitados, com exceção do Dr. Wagner, sempre estiveram ligados à política. E interessante observar como o exercício da medicina envolve politicamente as pessoas. O Dr. Ubirajara Moraes também mantém fortes relações políticas no Município, inclusive já foi eleito vereador por diversas vezes. Em nossa cidade vizinha podemos observar que o prefeito (Dr. Leopoldo) é médico, e que o seu adversário nas eleições passados, o Dr. Rui Macedo (hoje Deputado Estadual), também exerce a sagrada profissão. Até o cabeça branca (ACM) é "formado" em medicina... Mesmo quando não se interessam muito por política, no caso da Dr.a Eliana por exemplo, seus nomes são cogitados com muita frequência para exercerem o tão cobiçado cargo.

    Voltando a falar do atendimento no Hospital Padre Paulo Felber, em relação aos demais servidores, muito se co-menta sobre a atuação da Sr.a Ivana Rios Alcântara. São ligações para a Rádio Canabrava agradecendo pelo bom atendimento, incentivos ao seu trabalho, enfim, elogios merecidos pela forma que a Sr.ª Ivana desempenha seu trabalho: sem discriminações sociais, sem interesses pessoais e sempre bem humorada, coisa difícil de se encontrar em tais ambientes. De tanto se falar no bom atendimento dispensado aos pacientes do Hospital seu nome hoje é muito cotado para ser candidata a vereadora nas próximas eleições. Sua capacidade em desenvolver o trabalho que exerce já é uma prova de que se for eleita muito poderá fazer pelo município. Boa vontade é o que não falta! Caso semelhante já ocorreu no último pleito, com a Vereadora Neide Nunes: Após desempenhar um bom trabalho em Salvador, acompanhando pacientes do município que para lá se dirigiam em busca de melhores atendimentos, teve uma votação re-corde. Se a população calmonense resolver dar espaço na Câmara para quem quer trabalhar de verdade, principalmente o eleitorado feminino, reconhecendo que é hora participar de igual para igual, certamente teremos mais uma mulher representando o legislativo municipal.

    Vírus

    Dica do Vírus

    Por Vírus
    Abril de 2003

    Assustados com a crescente onda de violência que se alastra em nossa cidade, muitos pais têm se preocupado com a segurança de seus filhos. O que mais preocupa é a frequência com que vem ocorrendo nos finais de semana.

    Quais as causas da violência, das gangues e eventuais saídas para contê-las?

    Segundo Júlio Jacobo Waiselfsz, da Unesco, "A violência aparece como negação do direito do outro. Ela emerge quando as noções de cidadania não estão consolidadas, somando-se a condições sociais e económicas precárias".

    Já está mais do que na hora de um grande debate popular envolvendo todos os segmentos da sociedade calmonense, para discutir e elaborar projetos e práticas.

    A violência é parte de uma engrenagem maior, da forma como vem sendo tratada pode ser que amanhã seja muito tarde, tarde demais para contê-la. Mas providências e menos cantilena, pois qualquer meio de combater a violência é considerado bom se for eficaz ou você consegue dormir com um barulho desses?

    É por aí

    Por Vírus
    Abril de 2003

    A galera do Vírus parabeniza Geferson Carvalho dos Santos - Gegé - pelo seu bom desempenho no concurso do Inss. Ficou classificado em 58° (quinquagésimo oitavo) lugar e, com certeza, logo logo será convocado. Valeu Gegé!

    A Prefeitura Municipal adquiriu recentemente um trator esteira, o qual foi entregue para ser administrado pelas associações rurais.

    O Vírus parabeniza a administração municipal pela aquisição do trator e pela iniciativa de incentivar a produção agrícola no Município. O Trator será utilizado para abrir novas estradas e, principalmente, para fazer aguadas. O dinheiro utilizado para a compra do trator foi devolvido pela Câmara de Vereadores à administração. Pelo menos a administração está sabendo investir o dinheiro com rapidez e praticidade. Estamos de olho...